Herança Histórica

Outros povos que anteriormente habitaram esta região deixaram-nos ruas calcetadas que, pelas mais variadas razões, foram sendo destruídas e substituídas por alcatrão. Actualmente ainda existem em bom estado, um troço de Calçada Romana e a Asseguia Castelhana.

Calçada Romana

Por ter sido encontrada, nas Mangas do Goivado, uma moeda de oiro cuja inscrição dizia ser do tempo de Nero (segundo a leitura infalível do Padre Manuel Afonso e Silva), pode afirmar-se que entre os anos de 54 e 68 da era cristã já os romanos viviam no Alqueidão. Por cá ficaram mais uns séculos, e a sua permanência aqui só tem explicação suficiente na pesquisa do ferro.

É um facto histórico a procura feita pelos romanos às reservas deste minério com que a Natureza enriqueceu uma parte do subsolo do Alqueidão. As zonas onde existia ferro eram o Zambujal, os Vieiros e também parcialmente a Chã, na encosta para a Várzea. As fornalhas onde se preparava o minério ficavam no Prazo (terreno que se situava entre o caminho velho e a rua da chã).

Do resultado das análises efectuadas sobre a qualidade do ferro aqui existente pode ler-se no relatório de Mr. Thomas Jones, engenheiro de minas, em Leeds:

Relativamente ao ferro do Alqueidão e Mendiga, segundo os ensaios, não hesito em dizer que a sua qualidade não pode ser excedida, pois está quase pronto para forja, precisando, apenas, pequena fundição”.

Uma vez liberto das escórias nas fornalhas existentes no Prazo, o transporte do minério era feito pela Calçada Romana que na altura passava pelo Caminho Velho fora, direito à A-do-Ferreiro, Calçadas e Carreirancha. (Actualmente só existem alguns metros desta estrada no alto da Carreirancha).

A estrada Romana foi bastante destruída durante os primeiros anos da República, ficando durante bastante tempo uma parte dela nas Calçadas (junto à padaria), por isso aquele lugar se chama “Calçadas”, e o Caminho Velho que foi destruído para a construção da estrada nova para Porto de Mós.

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Asseguia Castelhana

A crise de 1383-1385 foi um período de guerra civil e anarquia na História de Portugal, uma vez que não existia rei no poder. Começou com a morte do rei Fernando de Portugal que não gerou herdeiros masculinos.

O rei João I de Castela querendo conquistar um novo reino para si, invadiu Portugal. O exército castelhano era muito mais numeroso mas, mesmo assim, foi derrotado na Batalha de Aljubarrota, graças a uma tática inventada naquela altura  e que ficou conhecida como “a tática do quadrado”. Os exércitos portugueses foram comandados por Nuno Alvares Pereira.

O Alqueidão ficou ligado a este acontecimento pelo facto de por aqui terem passado os soldados de Nuno Alvares Pereira que desceram pela Calçada Romana a caminho de S. Jorge, local onde ocorreu a Batalha de Aljubarrota.

Para lembrar a presença dos castelhanos no Alqueidão ficou uma rua calcetada que tem o nome de Asseguia Castelhana.

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As gerações que nos antecederam deixaram-nos um precioso legado: A arte de trabalhar a pedra.

O processo passa por várias fases, a primeira das quais é o arranque ou extracção da pedra do local que ela ocupa na Natureza com a ajuda de máquinas. Depois a pedra passa para as mãos dos cabouqueiros que a partem em cubos, que podem ter várias medidas, de acordo com os locais onde tiver que ser aplicada.

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Extração e corte

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Segue-se o trabalho especializado dos calceteiros que assentam as pedras e  fazem verdadeiras obras de arte no pavimento, conjugando pedras de várias cores.

Calcetamentos

A calçada portuguesa é a herdeira directa das pavimentações dos romanos, embora os desenhos geométricos com pedra preta e branca tenham aparecido só em 1842.

Calçada À Portuguesa, e Calçada Portuguesa são coisas distintas:

  • A chamada “calçada à portuguesa“, em calcário branco e preto, caracteriza-se pela forma irregular de aplicação das pedras.
  • A  “calçada portuguesa“, é aplicada com cubos, e tem um enquadramento diagonal.

O trabalho final pode ser apreciado nas ruas, largos e praças, por todo o país e em muitos outros locais do mundo, para onde a pedra é exportada.

 Em Espanha

Em Porto de Mós

 Em Alqueidão da Serra

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Tipicamente portuguesa, a pedra preta só existe na zona do Alqueidão da Serra. Um ponto alto nos fornecimentos de pedra para calçada foi a “Expo 98” a exposição mundial que se realizou em Lisboa no ano de 1998, e cujo lema era “os Oceanos”.

A principal empresa fornecedora de calçada que na altura existia no Alqueidão tinha uma capacidade anual para seis mil metros cúbicos de pedra, e só para a Gare do Oriente, Oceanário e Pavilhão Multiusos eram necessários cinco mil metros cúbicos.

Devido à grande procura de pedra para a Expo, e para que a pedra não faltasse também para as obras das Câmaras Municipais, todas as grandes empresas e outras pequenas explorações que existiam no Alqueidão, vendiam toda a pedra que conseguiam produzir.

O Alqueidão da Serra ficou conhecido como sendo “A Capital da Calçada Portuguesa”, abriram-se novas oportunidades de negócio e aumentou consideravelmente o valor das Exportações. 

Uma das grandes inovações introduzidas no processo de produção das calçadas da Expo 98 prendeu-se com a elaboração dos moldes. Segundo o esquema tradicional o criativo concebia o desenho em pequenos cartões que posteriormente eram ampliados até à escala natural pelas mãos do próprio calceteiro. Os desenhos para a Expo 98 foram digitalizados através de scaners e enviados para uma impressora gigante que os imprimia à escala natural num material tipo madeira prensada, conhecido por MDF.

A calçada portuguesa é uma “imagem de marca” de Portugal, é um dos símbolos da nossa identidade, dá uma decoração extraordinária às nossas cidades.

Uma da mais inovadoras tecnologias do SEC XXI, foi a inserção de um QR Code feito com pedras de calçada portuguesa, uma das mais antigas tradições portuguesas.

O Código digital foi impresso no Chiado, foi criado e montado à mão com pedras portuguesas, é interpretado por dispositivos móveis e quando é lido, reproduz o barulho dos martelos usados durante a montagem e dá informações turísticas, culturais, comerciais, gastronómicas e hoteleiras da região.

Recentemente o dr. António Costa, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, decidiu mandar destruir uma boa parte da calçada portuguesa que adorna as ruas de Lisboa. Os argumentos apresentados foram que “a calçada é muito bonita para se ver, mas péssima para andar, é escorregadia e desconfortável” e a promessa foi “colocar pavimentos mais confortáveis para as pessoas e mais económicos”.

Não haverá imaginação e inteligência para pensar em outras alternativas? Acabar com a calçada portuguesa é destruir uma arte sublime e única no mundo, e além disso vai alterar completamente a imagem da cidade de Lisboa que é tão apreciada por todas as pessoas que a visitam.

Uma resposta a Herança Histórica

  1. Sim e sempre bom ver que o nosso Alqueidao forneceu muita pedra ,e que muitos organisarao a sua vida com esse recurso que e so nosso ,,,, e viva o Alqueidao

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