Antes de Abril

1974

A nossa vida antes da Revolução

O “tempo da outra senhora” era o tempo da ditadura, da guerra, da PIDE, dos soldados com madrinhas de guerra, do serviço militar obrigatório, era o tempo da miséria e da fome. Em Portugal toda a gente era pobre, exceptuando aquela pequena parte da população que eram os ricos.

No Alqueidão da Serra praticava-se uma agricultura de subsistência e matava-se um porco uma vez por ano. Quem possuía muitas terras podia considerar-se rico. A terra produzia cereais, legumes e frutas (pêras, maçãs, figos na estação, uvas na vindima, ameixas e até pêssegos). O Ananás vinha dos Açores, no Natal, mas era tão caro que era partido em fatias muito fininhas para render mais.

Os produtos que a terra produzia e os animais que se criavam, eram vendidos nos mercados dos lugares vizinhos. Para fugir aos trabalhos no campo as raparigas iam trabalhar nas fábricas de Minde e Mira de Aire. Algumas iam para Lisboa trabalhar como criadas de servir (passaram depois a chamar-se “empregadas domésticas” e hoje são “auxiliares de apoio doméstico”.)

Bifes era um luxo, muita gente nem sabia o que isso era. A peixeira da Nazaré vinha cá uma ou duas vezes por semana trazer peixe fresco. Trazia sardinha, carapau, chaputa e chicharro, e quando não havia dinheiro para pagar…. ela deixava o peixe na mesma. Por vezes trocava o peixe por batatas, feijão ou outro produto agrícola.

Os homens trabalhavam no campo, ou na construção civil, ou nas pedreiras, embebedavam-se com facilidade e batiam nas mulheres, só porque sim. Elas não tinham direitos nenhuns.

Para calar um bebé chorão dava-se-lhe a chupeta com açúcar. As crianças cresciam com bonecas de trapos, bolas de trapos, bugalhos, fisgas e piões como brinquedos. Tinham grande probabilidade de morrer na infância de uma doença sem vacina, ou por falta de assistência médica.

 O trabalho infantil era normal, quase obrigatório. Não havia escolaridade obrigatória e as  mulheres não frequentavam a universidade.

A grande viagem dos rapazes era para África, nos paquetes da guerra colonial, para combater por um império desconhecido.

A grande viagem ao estrangeiro das famílias com algum poder de compra era a Badajoz para comprar caramelos e castanholas. A fronteira demorava horas a ser atravessada porque  era preciso um montão de autorizações.

Não havia liberdade de expressão. A censura filtrava os textos dos escritores e jornalistas, não permitindo que se publicassem opiniões discordantes da politica do governo, ou cenas de violência ou sexo ou até mesmo noticias de outros países porque o resto do mundo não existia.

O lema de Salazar era: Deus, Pátria e Família e não se podia ir contra estes princípios. Existiam informadores da PIDE por todo o lado, e quem tivesses ideias diferentes da politica do governo era preso e torturado.

No dia 25 de Abril de 1974 a noticia de que estava a acontecer uma Revolução deixou os portugueses cheios de esperança. Era o inicio de tudo.

Viveu-se um período de grande euforia. Ninguém sabia ainda muito bem o que fazer com tanta liberdade.

Já era possível ver filmes e ler livros até então proibidos. Já era possível saber noticias do resto do mundo. As mulheres começaram a ver os seus direitos reconhecidos. Os nossos soldados podiam voltar para casa porque a Guerra Colonial ia acabar. Já era possível votar e livremente manifestar a nossa opinião.

Passados que foram 44 anos, o 25 de Abril continua a ser um marco histórico que mudou as nossas vidas, difícil é saber se foi para melhor, mas, ainda assim, ninguém tem saudades “do tempo da outra senhora”.

Antes do 25 de Abril de 1974 não se podia dizer mal do Governo, só se podia dizer mal da oposição. Agora os portugueses dizem mal do Governo, e dizem mal da oposição.

Antes do 25 de Abril de 1974 não havia eleições nem direito ao voto livre. Agora a maioria das pessoas tem esse direito, mas não vota.

Antes do 25 de Abril de 1974 havia presos políticos. Agora há políticos presos.

Antes do 25 de Abril de 1974 não havia acesso à saúde nem à educação e as pessoas não protestavam. Agora há acesso à Saúde e Educação e as pessoas fartam-se de protestar.

Antes do 25 de Abril de 1974 a emigração era muito grande. Agora a emigração é enorme.

Antes do 25 de Abril nas escolas existiam os “contínuos” que passaram a ser “auxiliares da acção educativa” e agora são “assistentes operacionais”.

Antes do 25 de Abril os professores batiam nos alunos. Agora os alunos batem nos professores.

Antes do 25 de Abril existiam crianças mal educadas e terroristas. Agora são crianças com um “comportamento disfuncional hiperactivo”.

Antes do 25 de Abril existiam  vendedores de medicamentos. Agora são “delegados de informação médica”.

Antes do 25 de Abril existiam operários. Agora são  “colaboradores”.

Antes do 25 de Abril existiam as fábricas. Agora  são “unidades produtivas” .

Antes do 25 de Abril existiam mercearias. Agora há mini mercados, supermercados hipermercados e shopping.

Antes do 25 de Abril nada se vendia embalado. Agora tudo se vende envolvido em plástico e já não se sabe o que fazer a tanto lixo.

Com a revolução os portugueses passaram a ter direito a férias e ao subsidio respectivo. Apesar disto, passados 44 anos ainda há quem nunca tenha tido um mês de descanso.

Óleo sobre tela da autoria de Sobral. 1959. Oferecido pelo Autor ao Prior da Freguesia, rev. P. Américo Ferreira. Vista panorâmica de Alqueidão da Serra observado da estrada da Chã.

 

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Século XIX

Retratos de uma Época

Em memória de todos aqueles que aqui viveram antes de nós, e que, de alguma forma, contribuíram para a construção do Alqueidão que temos hoje.

O século XIX começou no dia 1 de janeiro de 1801 e terminou no dia 31 de dezembro de 1900. Avanços medicinais, o conhecimento da anatomia humana e a prevenção de doenças, foram a razão pela qual a população europeia neste período tivesse aumentado de cerca de 200 milhões para mais de 400 milhões.

Nós por cá…

……….1810 a 1811……….

A Terceira Invasão Francesa teve início em Julho de 1810 e terminou em Abril de 1811. Está escrito no mapa, feito pelo prior do Alqueidão que na altura era o Padre Domingos Amado, em obediência à ordem passada pelo Bispo diocesano, D. Manuel de Aguiar, que, no Alqueidão, havia, no princípio do Outubro de 1810, 91 fogos (casas), 121 homens e 146 mulheres.

Pois bem! Nos finais de Junho de 1811, mais de três meses corridos sobre a expulsão dos franceses o que existia resumia-se a isto: 46 casas, 65 homens e 81 mulheres! Informa ainda, o citado mapa que os franceses logo que se apossaram da terra, abateram, sem mais nem quê, 7 pessoas; que, por doença, morreram 115 e que se ausentaram da localidade 14.

Conclui-se que, no Alqueidão da Serra, a terceira Invasão destruiu 45  casas, deu cabo de 56 homens e de 65 mulheres.

.……..1828 a 1834……….

“Lutas Liberais” é o nome vulgarmente dado, na História, às desgraçadas diferenças que surgiram entre dois irmãos, por causa da herança do trono de Portugal, quando foi da morte de D. João VI. Diferenças foram elas que acabaram numa guerra civil que é sempre a mais triste e vergonhosa de todas as guerras que possa haver.

Dum lado, o filho mais velho daquele rei, Dom Pedro, dada a circunstância de o Conselho da Regência o ter dado como rei de Portugal, defendia os seus direitos, com unhas e dentes. Do outro lado, o irmão, D. Miguel, afirmava que o direito à sucessão no Trono e na Coroa lhe pertencia, porque o mais velho se colocou em circunstâncias que o excluíam da herança a que se candidatava. Na verdade, D. Pedro, nessa altura, já tinha sido proclamado Imperador do Brasil, que tornara independente, anos antes.

As coisas foram indo de mal a pior e instalou-se a guerra civil, que durou anos, e que alastrou pelo País inteiro, dividindo-o em duas facções ou partidos:

  • O que apoiava D. Pedro chamava-se Constitucional por querer que o País fosse governado pela Carta Constitucional.
  • O que seguia D. Miguel, e seguia-o a grande maioria dos portugueses, tinha o nome de Absolutista por defender uma forma de reinar em que a vontade do Rei, apenas era limitada, pelos usos e costumes, tradicionalmente instituídos, e por leis em cuja feitura não interviera, democraticamente, a população.

Estes eram os nomes limpos, nascidos da própria natureza das coisas. Mas depois havia  as alcunhas com que, de parte a parte, se insultavam os componentes dos partidos:

  • “Burros” eram chamados os sequazes de D. Pedro
  • “Corcundas” os partidários de D. Miguel.

Ao contrário do que era de esperar, D. Miguel perdeu.

O que se passou no Alqueidão, nesta época?

Não consta da tradição oral que se tenham verificado questões e desentendimentos entre os habitantes da Freguesia, por uns caírem para um lado e os restantes para o outro, o que não significa que todos pendessem para o mesmo lado. Assim, ou os adversários souberam avir-se convenientemente, ou se perdeu a memória dos desaguisados que se armaram.

Ficou no entanto em dada tradição familiar que D. Miguel teve, no Alqueidão, um dedicado e pronto partidário, que soube manter fidelidade ao seu Rei, até ao fim da sua vida.

Trata-se de Manuel Pereira Roque, o avô Capitão, aquele mocinho que foi na bagagem das tropas napoleónicas em retirada, e que por esse mundo de Cristo fora, passou trabalhos sem nome,  mas conseguiu uma riqueza de tal ordem que, nos bons tempos da sua vida, as libras de oiro se medirem pelo meio alqueire, em vez de se contarem.

Era um apaixonado pela política do “Senhor D. Miguel”, como ele dizia sempre, mas quando veio a derrota de D. Miguel em 1834 e, com ela, o fatal abaixamento das suas possibilidades financeiras fortemente abaladas pela generosa contribuição que tinha dado  à causa deste Rei, os amigos desapareceram do horizonte das suas relações, caíram-lhe em cima os achaques e, alguns anos passou na cama, tolhido pelo reumatismo, mas não houve infortúnio que lhe desgastasse no ânimo a paixão por D. Miguel.

Hino de D. Miguel cantado pelos netos do Avô Capitão

O livro “Avô Capitão”, romance histórico da autoria de João Amado Gabriel, relata os factos mais importantes da vida de Manuel Pereira Roque, integrado no contexto politico, económico e social da época.

Mas, o Alqueidão também deu homens para as forças militares de D. Pedro IV, ou seja o exército liberal. Eles foram inscritos no Batalhão da Guarda Nacional, com sede em Porto de Mós, segundo consta de um documento do Arquivo Histórico Militar.

……….1837……….

João da Costa Juiz

João da Costa nasceu em 23 de Julho de 1837, na parte da Carreirancha, que pertencia a S. João de Porto de Mós, onde foi baptizado, a 30 de Julho do mesmo ano, pelo prior encomendado, Padre Joaquim de Sousa Amado.

Era filho do segundo matrimónio de António da Costa e de Mariana de Jesus. Os avós paternos, José da Costa e Luísa Maria, foram naturais dos Vales e os avós maternos, Francisco da Silva Cecílio e Maria de Oliveira, ele, da Carreirancha, da parte de S. João, e ela do lugar e freguesia do Alqueidão.

Teve como padrinhos João Gaspar, da Carreirancha e Francisca, “solteira, filha de António dos Santos Ratto, dos Valles”.

Ana da Silva Guia

Casou com Anna da Silva (Ana da Silva Guia), foi pai de 3 filhos: Maria Filomena Silva Amado; Lourenço da Costa e Adelaide da Silva Costa Assis. Era conhecido por João da Costa Juiz. Faleceu em 28 de Agosto de 1924.

O relevo dado a este alqueidanense é devido ao facto de ter sido a última pessoa, natural da área que hoje pertence à Freguesia, a baptizar-se na igreja de S. João. Seguiu-se a unificação da Freguesia.

……….1837……….

A primeira estatística em que a Freguesia se nos apresenta unificada é,  com fiel respeito pela ortografia em que a redigiram, a seguinte:

“Anno de 1837

Districto Administrativo: Leiria – Comarca Judiciária: Leiria – Divisão Militar

Freguesia de Alqueidão – Concelho: Porto de Mós – Bispado de Leiria

Denominação das aldeas Casaes e mais povoações com prehendidas no districto da freguesia
Nº de fogos em cada povoação Nº de almas em toda a Freguezia Menores até sete anos Nº de nasci-mentos Casa-men-tos
1º Alqueidão da Serra 98 464 117 10 2
2º Azambujal 5
3º Valles 5
4º Casaes dos Valles 15
5º Covão da Olles 4
6º Pia Furada 1
7º Covas Altas 3
8º Bouceiros 7
9º Demó 3
10º Valongo
11º Lagoa Ruiva 3
12º Cazal do Duro 6
Soma Total 156

1º Quaes sejam as freguesias confinantes, qual a distância de cada uma de suas parochias a esta?

2º Cabeça de Concelho: Leiria

Cabeça da Comarca: Leiria

Sede do Bispado: Leiria

3º Se esta Parochia se acha reunida a outra deste Concelho ou outras a esta?

– Esta parochia confina com a Damira, da qual dista Legoa, emeia, com ado Reguengo, de que dista meia Legoa, com a de S. João de Porto de Mos, deque dista também meia Legoa; não se acha reunida aoutra, nem outras a ella, sim lhe forão reunidos alguns logares que pertencião a freguesia de S. João de Porto de Mos, dista da cabeça da Comarca, e sede de Bispado três Legoas.

Assignatura do Parocho: O Cura João Vieira

Alqueidão da Serra, 24 de Fevereiro de 1838

Manoel + Vieira Sarrano, Presidente da Junta de Parochia”.

(Arquivo do Ministério das Obras Públicas – Comissão de Estatística e Cadastro do Reino.)

É preciso fazer aqui uma emenda. A correcção vai direita ao parágrafo 2º das observações e manda escrever Porto de Mós, em vez de Leiria. O Alqueidão deixou a tutela administrativa de Leiria e passou à de Porto de Mós, sob a qual se manteve durante perto de sessenta anos que foram interrompidos pela extinção do Concelho, voltando, em consequência disso, a Leiria.

……….1856……….

Franceses e ingleses manifestaram interesse em pesquisar o carvão e o ferro no concelho de Porto de Mós. Consta dos livros de Acórdãos da Câmara Municipal.

O inglês George Croft realizou trabalhos pelo menos no Alqueidão da Serra. Pertence-lhe a escavação que foi praticada no Cabo da Várzea, numa fazenda que foi propriedade de Francisco Pereira Roque. Nela fez abrir uma mina que permaneceu aberta por muito anos  apesar das sucessivas derrocadas. Nela se metiam coelhos fugidios de cães e de caçadores.

José Vieira da Rosa, do trato que em moço manteve com o capataz da exploração, ficou a saber que “o inglês” afirmava existir muito ferro lá no fundo, mas que a água não permitia explorá-lo.

……….1858……….

Lutas pelo acesso à água

Ata da sessão da Câmara

“Nesta, sessão de 10 de Outubro de 1858, a Camara nomiou huma commissão constituida dos seguintes cidadãos: Domingos Vieira Pedro, José Pedro Sanches, Francisco Baptista Amado, Francisco Pereira Roque, Francisco Vieira Gaspar, António da Silva Esteves, João Coelho Pereira, todos do Alqueidão, que nomiarão entre si Presidente, Secretário e Thezoureiro para dirigir, obter os meios e levar a cabo uma nova fonte e milhoramentos na antiga, sita próximo ao referido lugar do Alqueidão, cuja incapacidade esta Camara reconheceu na vistoria a que procedeo a requerimento dos povos daquele lugar”.

Nesta altura a fonte que necessitada de melhoramentos ficava no Caminho do Ribeiro, e, antes que alguém repare corro a dizer que a Câmara, que não oferecia qualquer verba, ainda encarregava outros de a obterem.

……….1861……….

Deve ter sido em meados de 1861 que o Padre Afonso tomou conta da Freguesia de Alqueidão da Serra, e por aqui ficou durante 35 anos. Criou uma escola, da qual era ele o único professor, foi presidente da Junta, criou melhores condições de vida para as pessoas, e devolveu o brio e a dignidade à freguesia de Alqueidão da Serra.

O Padre Afonso paroquiou a Freguesia pelo menos, desde meados de 1861 até perto do final de 1894, tendo voltado ao cargo em Setembro de 1898 até Agosto de 1899.

……….1863……….

Pela estatística de 1863, publicada por Tito Larcher no “Leiria Ilustrada”, havia no Alqueidão as seguintes profissões e estabelecimentos:

PROFISSÕES ESTABELECIMENTOS
Bufarinheiros (mulheres) 4 Estancos 2
Bufarinheiros (homens) 2 Lojas de fanqueiros e mercearia 2
Negociantes de cereais 6 Padarias 7
Tabernas 4
  • Bufarinheiros eram vendedores ambulante de bugigangas ou coisas de pouco valor.
  • Estancos eram lojas de venda de tabaco em regime de monopólio ou semelhante.
  • Negociantes de cereais: Nos finais de 1919, Domingos Vieira Pedro, Francisco Vieira e Pedro Vieira Patrão, comissionados por José Vieira da Rosa (ao tempo emigrado na América do Norte) adquiriram azeite, figo seco, cortiça e castanha, a exportar para aquele país.

………..1864……….

Estatística

Ano 1864 1878 1890 1900
Fogos 212 227 286 285
População Residente 842 958 1072 1169

Em 1864 a Freguesia tinha 407 pessoas do sexo masculino e 455 do feminino.  No ano de 1900, existiam 561 do sexo masculino e 619 do feminino. (dados do Instituto Nacional de Estatística)

………..1872……….

Foi o Sr. Padre Afonso quem pediu e obteve do Papa Pio IX, em 11 de Junho de 1872, os tão valiosos privilégios espirituais que se desfrutam no Jubileu de S. José, santo cuja devoção somos obrigados a viver, mais do que ninguém, visto ser o orago da nossa Freguesia.

Bula de São José (traduzido do latim)

“Para aumento da religião dos fiéis e salvação das almas. Nós, por pia caridade, atendendo aos celestes tesouros da Santa Igreja, a todos e a cada um dos fieis cristãos dum e doutro sexo, verdadeiramente arrependidos de seus pecados, que visitarem a Igreja de Alqueidão da Serra, dedicada a S. José, esposo da Bem-Aventurada Virgem Maria, desde primeiras vésperas até ao pôr-do-sol do terceiro domingo depois da Páscoa da Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, e aí tendo-se primeiro confessado e comungado, orarem pela concórdia dos príncipes cristãos, pela extirpação das heresias, e pela exaltação da Santa Madre Igreja, concedemos misericordiosamente no Senhor indulgência plenária e remissão de todos os seus pecados, indulgência esta, que se pode aplicar por modo de sufrágio por aquelas almas que unidas a Deus pela caridade, partiram deste mundo e estão detidas no Purgatório. As presentes letras perpetuamente terão vigor nos tempos presentes e futuros, não obstando qualquer coisa que haja ou houver em contrário. Dada em Roma, junto de S. Pedro, debaixo do anel do Pescador, a 11 de Julho de 1872, vigésimo sexto do nosso pontificado.”

………..1873……….

Assento de Batismo

Nº 12

Agosto

Dias – 10

Anno

1873

 

Alqueidão

 

Lourenço,

filho de

João da Costa Juiz e de

Anna da Silva

 Aos dez dias do mez de Agosto de mil oitocentos setenta e tres, nesta Igreja Parochial de S. José do Alqueidão da Serra, concelho de Porto de Mós, districto Ecclesiástico do mesmo, e Diocese de Leiria, eu o Presbytero Manoel Affonso e Silva, Parocho desta mesma freguesia, baptizei solemnemente e puz os Santos Oleos a uma creança do sexo masculino a que dei o nome de Lorenço, que nasceu pelas seis horas da manhan do dia vinte e dois do mez de Junho do dito anno, filho legitimo, primeiro deste nome, de João da Costa e de Anna da Silva, recebidos na freguesia de S. José do Alqueidão, parochianos desta, e moradores no Alqueidão, neto paterno de António da Costa Juiz e de Maria d’Oliveira e materno de Patricio da Silva e de Francisca Ignácia, Padrinhos José da Silva, solteiro e morador na cidade de Lisboa, que deu procuração a Francisco Pereira Roque, desta freguesia, Felismina da Silva, casada e moradora na cidade de Lisboa, que deu procuração a Manoel da Silva Furriel desta freguesia. Para que fizessem as suas vezes no Baptismo do seu afilhado tocando-o e tirando-o da Pia Baptismal, aos quaes todos conheço serem os próprios. E para constar lavrei em duplicado o presente assento, que depois de lido e conferido perante os padrinhos por procuração, por não saberem escrever somente eu assigno. Era ut supra.

O Parocho

Manoel Affonso e Silva

A criança, a quem este assento de baptismo diz respeito, usou – tornando-o ilustre e respeitado – o nome de Lourenço da Costa. O que é necessário deixar aqui bem expresso é que os serviços de enfermagem por ele prestados, a qualquer pessoa da Freguesia, não só eram rigorosamente gratuitos, e em casa dos interessados, mas também corriam por conta do seu bolsinho particular os encargos provenientes de desinfectantes (álcool, tintura de iodo e mercurocromo), de algodão em rama, ligaduras, etc.

Foto de família

……….1876……….

Assento de Batismo

Junho

Dias – 1

Anno

1876

 

Alqueidão

 

Júlio,

filho de

José Pereira Roque

e de

Maria do Rosário

Ao primeiro dia do mez de Junho de mil oito centos e setenta e seis, nesta egreja parochial de S. José da freguesia do Alqueidão da Serra, concelho de Porto de Moz, Destricto Ecclesiastico do mesmo e Diocese de Leiria, o Presbytero Manoel Affonso e Silva, digo, o Reverendo Manoel Gomes Mendes baptizou solemnemente, e poz os Santos Oleos a uma creança do sexo masculino a quem deu o nome de Julio, que nasceu pelas onze horas da manhã do dia vinte e sete do mez de Maio do dito anno, filho legitimo, primeiro deste nome, de Jose Pereira Roque, e de Maria do Rosario, recebidos na freguezia do Alqueidão da Serra parochianos desta e moradores no Alqueidão, neto paterno de Manoel Pereira Roque, e de Maria Correia, e materno de Francisco Baptista Amado, e de Maria de Jesus. Foram padrinhos o Padre Manoel Affonso e Silva, e Maria de Jesus Joanna, casada, ambos moradores no Alqueidão, que conheço serem os proprios. E para constar lavrei em duplicado o presente accento que depois de lido e conferido perante os padrinhos o assigno. Era ut supra.

O Parocho

Manoel Affonso e Silva

Padre Júlio Pereira Roque

Esta é a certidão de nascimento e registo de baptismo é daquele que foi conhecido por Júlio Pereira Roque, e pelo pseudónimo jornalístico de Jupero.

Filho de gente modesta quanto a bens de fortuna, mas, de todos respeitada na roda da Freguesia, por conta do seu irrepreensível procedimento cívico, moral e religioso, cedo começou a dar mostras de bem definida vocação para a vida eclesiástica. Nisto, há-de ter influído, de maneira decisiva, a educação familiar e a convivência com o pároco da Freguesia, o sempre lembrado Padre Manuel Afonso e Silva.

Não obstante a sua decidida vocação e o tão claro chamamento para o sacerdócio, verifica-se que já passava dos quinze anos quando entrou para o Seminário. A principal razão disso está no facto de ter nascido com pouco famosa robustez física. Enfermiço permanente, lá chegou, todavia, a conseguir saúde que lhe permitisse seguir os caminhos do seu ideal, graças aos extraordinários e persistentes cuidados familiares, traduzidos na zelosa aplicação de mezinhas caseiras e na dos eficazes tratamentos receitados pela ciência médica da época.

O padre Júlio destaca-se pelo seu empenho na Restauração da Diocese de Leiria na qual teve um papel decisivo.

………1878……….

Foi em 6 de Dezembro de 1878 que o cemitério paroquial principiou seus fúnebres préstimos. Até aqui os defuntos eram sepultados no Adro.

Tem a data de 6 de Dezembro de 1878 o auto de falecimento e de enterro de “Maria, de cinco meses”, filha de José Vieira Santana e de Maria Joaquina, neta paterna de Manuel Vieira Santana e de Luiza Carreira e materna de António da Silva Esteves e de Joaquina da Silva. Pela primeira vez na história da Freguesia, o Auto de Falecimento refere que “foi sepultada no cemitério publico”.

………1879……..

A estrada que ligou o Alqueidão a Porto de Mós, e por conseguinte, ao resto do País, quebrando, assim, um velhíssimo isolamento completo, nasceu na sessão da Câmara de Porto de Mós, que se realizou a 13 de Junho de 1879, já o Alqueidão e lugares eram Freguesia, como hoje. A construção desta estrada demorou 90 anos.

………1881…….

Assento de Batismo

Nº 2

Março

Dias – 8

Anno

1881

 

Alqueidão

 

Francisco,

filho de

Domingos Vieira da Rosa

e de

Maria da Silva

Aos oito dias do mez de Março do anno de mil oito centos oitenta e um na Igreja Parochial de S. José da freguezia do Alqueidão da Serra, Concelho de Porto de Moz, Districto Ecclesiastico do mesmo, e Diocese de Leiria, eu o Presbytero Manoel Affonso e Silva Parocho da mesma freguezia, baptisei solemnemente e puz os Santos Oleos a uma criança do sexo masculino a que a dei o nome de Francisco, que nasceo pelas Cinco da tarde do dia vinte e sete do mez de fevereiro do dicto anno, filho legitimo de Domingos Vieira da Rosa, e de Maria da Silva, recebidos nestas freguezia do Alqueidão, parochianos desta, e moradores no Alqueidão; neto paterno de Manoel Vieira da Rosa, e de Umbolina Carvalha; e materno de Manoel Jorge Furriel, e de Francisca da Silva.

Padrinhos Francisco Vieira Patrão, solteiro, e Maria da Silva Cantella, casada, ambos moradores no Alqueidão aos quais todos conheço serem os próprios. E para constar lavrei em duplicado o presente assento que depois de lido e conferido perante os padrinhos e por não saberem escrever somente eu assigno. Era ut supra.

O Parocho

Manoel Affonso e Silva

A criança, a quem este assento de baptismo diz respeito, veio a ser o padre Francisco Vieira da Rosa. Chamavam-lhe “o Claro”, e esta alcunha era filha legítima duma particularidade física da qual já veio acompanhado ao nascer: a brancura da sua pele. Sendo a tez morena, predominante no Alqueidão era notória a brancura invulgar da sua pele.

………1883…….

Assento de Batismo

Nº 14

Agosto

Dias – 8

Anno

1883

 

Alqueidão

 

Affonso,

filho de

Cláudio Vieira Dionisio

e de

Thereza Affonsa 

Aos oito dias do mez de Agosto do anno de mil oitocentos oitenta e três, na Igreja Parochial de S. Jose da freguesia do Alqueidão da Serra, concelho de Porto de Moz, Districto Ecclesiastico do mesmo, e diocese de Lisboa, eu o Presbytero Manoel Gomes Mendes, Capellão em S. Mamede do Reguengo do Fetal com commissão do Parocho Manoel Affonso e Silva, baptisei solemnenmente e puz os Santos Oleos a uma creança do sexo masculino, a quem dei o nome de Affonso, que nasceo pelas onze horas da manhã do dia cinco do dicto mez e anno, filho legitimo, primeiro deste nome, de Claudio Vieira Dionisio e Thereza Affonsa, recebidos na freguesia do Alqueidão, parochianos desta, e moradores no Alqueidão. Neto paterno de Francisco Vieira Dionizio e de Maria Correa; e materno de João da Costa e de Anna Fructuoza Affonsa. Padrinhos Manoel Affonso e Silva, Parocho desta freguezia, e de Thereza Affonsa, solteira, ambos moradores no Alqueidão, os quais todos conheço serem os próprios. E para constar lavrei em duplicado o presente assento que depois de lido e conferido perante os padrinhos o assigno com Padrinho. Era ut supra.

 

O presbytero a) Manoel Gomes Mendes

O Padrinho a) Manoel Afonso e Silva

A criança a quem este assento de Batismo diz respeito, veio a ser o Comandante Afonso Vieira Dionísio, e foi uma das três crianças que foram apadrinhadas no baptismo, pelo austero e inesquecível pároco da Freguesia que se chamou Manuel Afonso e Silva. As outras chamavam-se Júlio Pereira Roque, e Afonso Candeias Duarte.

Nasceu na rua que, hoje, tem o nome de Comandante Afonso Vieira Dionísio ou seja, a primeira, à mão direita de quem, pela Rua do P.e Júlio Pereira Roque, segue para Norte.

Aqui viveu e se criou, da mesma maneira que as outras crianças crianças, visto que os pais dele não tinham meios para lhe darem condições diferentes do corrente na Freguesia. Guardou ovelhas e cabras, para auxílio da vida familiar, na companhia de tantos da sua idade. Um dia, já rapaz crescido, seus pais decidiram partir do Alqueidão à procura de meios de vida noutra localidade. A escolha caiu em Famalicão da Nazaré.

……..1883……….

A primeira referência à criação duma escola primária na Freguesia, aparece na acta da sessão camarária de 17 de Agosto de 1883. Num dos seus acórdãos, lê-se:

“A Câmara e a Junta escolar, em virtude do officio do Ex.mo Governador Civil, appresentado na sessão anterior, que diz respeito ao plano provisorio das escolas primarias deste Concelho, na forma do disposto no artigo 75 da Lei de dois de Maio de 1878, deliberou que no mappa, que deve ser enviado ao inspector de instrucção primaria se mencionasse não só as escolas antigas, e já creadas nas localidades deste Concelho, mas tambem as que de novo vão ser creadas nas freguesias onde não há escolas oficiaes a saber Alqueidão da Serra, Serro Ventoso e Mira, cujo plano foi elaborado, approvado e se mandou remeter ao referido Inspector.”

O Alqueidão, nesta altura tinha unicamente as aulas do Padre Afonso. O local das aulas era em casa do Padre Afonso ou ao ar livre quando estava bom tempo.

A escola primária elementar, para o sexo masculino, só veio a ser uma realidade em  17 de Dezembro de 1894.

……..1889……….

A fundação do Apostolado da Oração na nossa freguesia data de 1889. A missa da primeira sexta-feira de cada mês aplicada segundo as intenções dos associados. Em caso de óbito, a associação mandava rezar seis missas pelo falecido.

………1890……….

Nesta altura a água da chuva era armazenada em poços e pias, e existia a nascente da Mina (Lagar) que tinha água para as necessidades da população.

A mineração de água praticou-se, pela primeira vez, (excluindo o caso do “Lagar”), no ano de 1890, por iniciativa do Padre Joaquim Vieira da Rosa que mandou abrir um poço num sítio da Várzea que se chamava “Coleana”.

Esta decisão foi largamente criticada pelo Padre Afonso, em termos de pouco gabo para a inteligência de quem a tomou.

Mas  o que é facto é que a água apareceu, esperta, cristalina e fresca, no fundo da tão criticada escavação da Coleana.

Facto é, também, ter-se decidido o implacável crítico a mandar proceder à abertura do seu poço, no Prazo, com menos sorte porque ele, além de mais fundo, tinha menor veia de água.

De então por diante, vários outros se foram cavando nos arredores da Coleana e por ali fora, no espaço que medeia entre esta e o Prazo. Em 1964, o número de poços subia a trinta e dois.

Registem-se também as tentativas do mesmo género levadas a cabo em mais alguns sítios. Foi a de José Frazão e a de Abílio Correia Marto em suas propriedades no “Ribeiro”; a de João Carvalho em suas terras do “Falgar” e a de Francisco Calvário na sua fazenda de “Baixo da Eira”. Nenhuma destas experiências teve a recompensa do êxito no encontro da água pretendida.

O mesmo se verificou com mais duas tentativas levadas a efeito para utilidade pública, em locais separados pela distância e distintos por natureza: uma junto à Barreira e a outra em propriedade que pertenceu a Alfredo Vieira Dionísio e que tem acesso ao Pelingrim, a Poente.

………1890……….

Assento de Batismo

Nº 5

Janeiro

Dias – 26

Anno

1891

 

Carreirancha

 

Manuel,

filho de

José Frazão

e de

Maria de Jesus Thereza

Aos vinte e seis dias do mez de Janeiro do anno de mil oito centos noventa e um nesta Igreja Parochial de S. Jose da freguezia do Alqueidão da Serra, Concelho de Porto de Moz, e Diocese de Lisboa eu o Presbytero Manuel Affonso e Silva, Parocho da mesma freguezia baptisei solemnemente a uma pessoa do sexo masculino, a quem dei o nome de Manuel, que, nasceo pelas nove horas da tarde do dia doze do dito mez e anno, filho legitimo primeiro deste nome de Jose Frazão, e de Maria de Jesus Thereza, recebidos na freguezia do Alqueidão da Serra, naturais e parochianos desta, e moradores na Carreirancha.

Neto paterno de Francisco Frazão, e de Joaquina Franca; e materno de Jose Vieira Amado, e de Joaquina de Jesus Thereza. Foram padrinhos Manuel Frade Nico, casado, negociante, e morador em Minde, e Joanna de Jesus Thereza, solteira, moradora na Carreirancha, aos quaes todos conheço serem os próprios. E para constar lavrei em duplicado o presente assento, que depois de lido e conferido perante os padrinhos por não saberem escrever somente eu o assiguo. Era ut supra. O Parocho: Manuel Affonso e Silva

A criança a quem este assento de nascimento diz respeito veio a ser o Padre Manuel Frazão.

Foi pároco da freguesia da Vila do Paço, Torres Novas. Foi Capelão Militar na guerra 1914/1918.

Tinha clara tendência para a música. Foi o Padre Manuel Frazão que tocou o órgão nas solenidades realizadas na Sé Catedral de Leiria, quando o Sr. D. José Alves Correia da Silva fez a entrada solene na diocese.

 ………………………………………………………

Pelo Censo de 1890, o Alqueidão tinha 286 fogos e 1012 habitantes.

 

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Águas de Março

Antigamente, quando as tempestades não tinham nomes, chovia durante meses inteiros. No inverno quase nunca se via o sol, chovia, trovejava, caía granizo, fazia vento e frio. Era inverno.

A água da chuva enchia os poços e pias que existiam perto das nossas casas, e os poços da Várzea ficavam com água suficiente para regar durante o verão.

A água corria das bicas da fonte dia e noite sem nunca parar, e quando a água bordava para fora da pia ia encher os tanques de lavar a roupa.

Corria um rio no vale da Valicova, e um ribeiro onde hoje é o Caminho do Ribeiro. As crianças desciam os degraus de pedra que davam acesso à mina e bebiam água da nascente com a ajuda de uma folha de couve.

Em Março, com a chegada da primavera brotavam nos campos inúmeras plantas e flores silvestres das mais variadas espécies, a maior parte com propriedades medicinais.

Ao longo do tempo começou a verificar-se um aumento da temperatura global, devido não só a causas naturais, mas também a agressões ao meio ambiente provocadas pelos seres humanos.

O aumento do uso de combustíveis fósseis (gasóleo e gasolina), aumentou a emissão dos gases do efeito de estufa.

Os incêndios e o desmatamento das florestas também contribuem para o aumento da temperatura. É que as árvores para além de produzirem o oxigénio que respiramos, têm também a função de amenizar as temperaturas através do controle da humidade.

Consequências do Aquecimento Global

  • Intensificação de catástrofes climáticas, tais como furacões e tornados, secas, chuvas irregulares, entre outros fenómenos meteorológicos de difícil controle e previsão;
  • Extinção de espécies devido às condições ambientais adversas para a maioria delas.

Tudo está a acontecer demasiado rápido. Alterações climáticas que, por causas naturais, aconteceriam ao longo dos séculos, verificam-se em apenas dez anos.

O ano de 2017 foi extremamente quente e seco. A partir do final do mês de Setembro o IPMA classificou todo o território português na situação de seca severa.

Em Outubro deflagraram incêndios por todo o país, causando perdas irreparáveis, vidas desfeitas, famílias destroçadas, florestas destruídas. A região centro atingiu o nível ‘mau’, o pior do índice de qualidade do ar, devido aos incêndios.

Foram várias as razões que nos levaram a esta calamidade,trovoada seca, comportamentos de risco, mão criminosa, queimadas, etc.

Para evitar que tal volte a acontecer,  o Governo começa então a ameaçar com multas pesadas, enquanto avisa: “Até 15 de Março limpe o mato e corte árvores à volta da sua casa”.

Sem se conhecer bem os pormenores da lei, e para evitar as multas, limpar mato 50 metros em volta da casa, significa cortar arbustos com flores que atraem as abelhas, ervas aromáticas, flores, árvores de fruto e árvores de pequeno porte, ou seja é uma agressão ao meio ambiente ainda maior que um incêndio. Acaba com a biodiversidade.

2017/2018

No inverno não choveu.  Em Março de 2018, no mês da Primavera, chegou a chuva. Muita chuva.

As tempestades ‘Félix’ e ‘Gisele’ provocaram chuva forte no Norte e Centro, o que levou a que, nestas regiões, o volume de armazenamento das barragens fosse superior ao habitual para a época.

A 17 de Março, a Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) alertou para a possibilidade de queda de árvores, cheias rápidas e acidentes na orla costeira devido às previsões de chuva, vento e agitação marítima. Aproxima-se uma tempestade que se chama Hugo.

Foi em 2015 que as tempestades começaram a ter nomes, porque, dizem os entendidos, isto faz com que as pessoas estejam mais atentas aos avisos e alertas meteorológicos.

Para se ter uma ideia da transformação extraordinária operada pelas chuvas de Março basta ver que no final de Fevereiro 83,1% do país estava em seca severa e 1,3% em seca extrema, e a meio do mês de Março só 21% ainda tem seca fraca. Esta é a diferença que a chuva faz.

Lembrando a musica cantada por Elis Regina em 1974, “São as águas de Março fechando o verão. É promessa de vida no teu coração”, pode dizer-se que em Portugal, em 2018, as águas de Março fecham o Inverno e são uma promessa de vida para todo o país.

 

 

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Coisas que já não se usam

Antigamente nada se vendia embalado. Nas lojas existiam tulhas em madeira onde se colocavam os cereais que eram vendidos a peso.

O mesmo acontecia com o açúcar, café, especiarias, etc. Podíamos, por exemplo, comprar 250 gramas de açúcar que depois de pesado era colocado num cartucho de papel manteiga que era feito na hora.

Os sacos eram de serapilheira, ou de pano, ou de trapos, ou tecidos no tear,  e as garrafas ou garrafões eram de vidro.

Não existiam iogurtes e os primeiros que apareceram vinham em frascos de vidro que depois serviam como ventosas para tratar as dores.

O leite era vendido de porta a porta, não precisava de embalagem, e a  água estava na fonte e era transportada em cântaros de barro.

Não existia plástico. O primeiro produto a aparecer por aqui em embalagem de plástico foi o arroz. Os saquinhos do arroz eram lavados e usados para outras coisas.

Muitos objetos que fizeram parte da vida quotidiana dos nossos avós, hoje já não existem, porque tudo evolui, e porque os hábitos vão mudando também. Trazendo à memória alguns desses objetos pode dizer-se a quem se lembrar deles que “já não caminha para novo”.

Saias de Riscadilho

As mulheres usavam blusas de chita e saias de riscadilho. As saias eram de lã tecida nos teares e eram usadas  também para cobrir as costas e para proteger do frio a cabeça e os ombros.

Saia de Riscadilho de lã tecida num tear manual da Demó

Púcara

Usava-se para cozer feijões. Estava sempre na lareira encostada ao lume e tinha dentro feijões e água. Ia-se colocando água á medida que fosse preciso, até que os feijões estivessem cozidos.

Pucara para cozer feijões ao lume

Panela de Ferro

Era de ferro fundido, tinha 3 pés e servia para cozinhar ao lume.

Trempe

Suporte de ferro que se colocava na lareira. Para cozinhar colocava-se lenha debaixo da trempe, e acendia-se o lume. Os utensílios para cozinhar eram de ferro ou de barro.

Trempe para colocar as panelas em cima do lume

Batedor de Claras

Era para bater as claras em castelo.  Os garfos também serviam, colocavam-se claras numa tigela com um pouco de sal, e batiam-se com um garfo até que ficassem firmes; Mas estes batedores a manivela eram uma coisa muito mais avançada.

Batedor de claras

Picadora

Para fazer carne picada, fixava-se a picadora a uma mesa, colocava-se carne no reservatório em cima e dava-se à manivela até que saísse carne picada. Simples.

Picadora – para picar carne

Seringas

Eram de vidro e estavam guardadas junto com as agulhas numa caixa inox. As agulhas depois de devidamente esterilizadas e desinfectadas estavam prontas para a próxima utilização.

Bidé

Não existia casa de banho, pelo que o bidé normalmente estava no quarto, e era usado para a higiene pessoal.

Bidé

Lavatório

O suporte era de ferro e servia para colocar a bacia (de zinco), e a toalha. Como não existia água canalizada, por perto estava sempre um jarro (de zinco ou de loiça), com água.

Lavatório

Rodo e Pá do Forno

Todas as semanas o forno cozia pão, o rodo e a pá eram utensílios muito necessários.

Rodo e pá do forno

Alguidar para Amassar Pão

Objecto comum no dia a dia de outros tempos, servia para amassar o pão.

Alguidar para amassar o pão

Armário dos Queijos

Era de madeira e rede e servia para secar os queijos. Permitia a passagem do ar para que os queijos secassem ao mesmo tempo que os livrava das moscas.

Pipa

Vasilha grande de madeira que era usada para armazenar vinho.

Garrafas de Vinho

O vinho era comercializado em garrafas de vidro.

Garrafas de Refrigerante

Os refrigerantes eram comercializados em garrafas de vidro. Existia gasosa, laranjada e pirulitos. Só nos dias de festa é que se comprava uma garrafa de refrigerante, mas gasosa e laranjada era vendida nas tabernas, aos copos, como o vinho.

 

Ainda antes da RICAL

Pirulitos

Bebida gaseificada com gás carbónico, feita à base dum xarope com açucar, água, ácido cítrico e essência de limão. Era parecido com Seven-up, Uma garrafinha custava 10 tostões. A garrafa tinha a particularidade de fechar por meio de uma bola de vidro. No gargalo havia um aro de borracha onde encaixava a bola que era empurrada, de dentro para fora, pelo gás carbónico.

Depois de vazias, as garrafas dos pirulitos serviam como apitos, mas muitas vezes eram partidas de propósito para tirar a bola para as crianças jogarem ao berlinde. É verdade que também existiam pirulitos sem bola, mas não era a mesma coisa!

Cabaço

Servia para tirar água das pias.

Cabaço – Para tirar água das pias

Pias

Reservatórios em pedra que continham água para regar ou para dar de beber aos animais.

Pia (para dar de beber aos animais)

Argola para prender os burros pela arreata

Argola de ferro, cravada na parede, para prender os animais

Pião

O pião de madeira era envolvido com a cordina e depois era atirado ao chão, ficando a rodar o mais longo tempo possível.

Enfusa

Era uma jarra de cerâmica com asa, usada para transportar e armazenar água. O barro poroso não vidrado com o qual era feita, mantinha a água sempre fresca.

Enfusa

Louça Gateada

Quando se partia uma peça de louça, mandava-se arranjar, não se deitava para o lixo. A louça partida era gateada com grampos ou gatos de metal, e voltava a servir tão bem como antes. Nunca mais se partia.

Cabaça

Vasilha feita da casca da abóbora depois de seca. Servia para colocar dentro água ou vinho que se levava para o trabalho no campo.

Cabaça – Era para levar o vinho para a fazenda

Alqueire

Alqueire é uma medida agrária utilizada para sólidos. Usava-se para medir cereais.

Medidas: meio alqueire e quarta.

Buçal

Espécie de cabresto que se colocava nos burros para os impedir de estragar as culturas.

Buçal – servia para impedir que os burros comessem os produtos agrícolas

Foice

Ferramenta agrícola que servia para ceifar, ou seja, para a colheita de cereais. Também servia para cortar erva.

Foice

Podão

Tinha uma lâmina recurvada, maior que o cabo, e servia para cortar madeira. Também era usado para podar árvores.

Podão – servia para cortar lenha

Cebolão/Riscão

Um instrumento pontiagudo que tinha duas funções. Servia para matar os porcos, e nesta função tinha o nome de cebolão, mas quando chegava a altura de esgravulhar o milho chamava-se Riscão, porque servia para fazer uns riscos nas espigas por forma a fazer soltar os bagos de milho.

Cebolão ou Riscão. utensílio com duas funções: Como Cebolão servia para matar os porcos e como riscão servia para riscar o milho

 Pua

Ferramenta manual para fazer furos na madeira. Consistia numa armação de madeira ou aço , com local apropriado para prender a broca. Foi substituída pelos Berbequins.

Cama de Ferro e Colchão de Camisas

A mobília de quarto constava de uma cómoda em madeira e uma cama de ferro com um colchão de camisas de milho.

O soalho era de madeira e muito simples de limpar: Primeiro esfregava-se com uma escova e água e sabão. Depois de seco colocava-se cera e depois puxava-se o lustro com um pano seco.

Cama de ferros

Tanque

Era para lavar roupa. Quem não tinha um em casa lavava nos tanques do Lavadouro da Fonte.

O Tanque funcionava com água, sabão azul e branco e uma escova para os casos mais difíceis. Esfregava-se a roupa, durante o tempo que fosse preciso até que toda a sujidade saísse. Não havia lixivia nem detergentes. Para a roupa ficar branca, colocava-se depois de lavada numa bacia com água e cinza. Depois passava-se por água limpa e ia a corar ao sol. Ficava branquinha. Até que apareceu o OMO… e “OMO lava mais branco”.

Durante a década de 50 existiram até demonstradoras para explicar como é que se lavava a roupa com aquilo.

Na década de 60 o OMO ofereceu bastantes brindes, todos eles úteis para a vida de uma dona de casa, tais como cestos de roupa, panos de cozinha, um conjunto de louça em porcelana, etc.

Depois apareceram outras marcas de detergente…. eram todas uma espécie de OMO.

Ferro de Brasas

O ferro para passar a roupa era um utensílio em ferro que continha um reservatório onde se colocavam as brasas. Existiam vários modelos, uns para aquecer em cima das brasas, outros com um reservatório para as brasas.

Maçarico

Aparelho com um tubo pelo qual sai uma chama. Usava-se para chamuscar os porcos logo depois da matança.

Maçarico – Servia para chamuscar os porcos depois de mortos

O Tabuleiro das tripas

Era de madeira e usava-se na matança do porco. Dependurado o animal, abria-se com um golpe vertical no ventre e iam-se puxando e retirando as tripas (com muito cuidado para que não se rompessem) deixando-as deslizar para o tabuleiro, para irem a lavar.

Usava-se para lavar tripas, e não servia para mais nada

Chambaril

Servia para dependurar o porco morto, para depois se abrir e desmanchar.

Crivo

O crivo era para joeirar, ou seja para separar o que é bom daquilo que não é. Usava-se para limpar grãos: feijão, milho, grão de bico, etc.

Peneira

Do mesmo formato que o crivo, mas com uma rede mais fina, a peneira servia para peneirar a farinha separando-a do farelo.

Peneira

 Candeeiros a Petróleo

Vieram substituir as candeias de azeite. Eram fabricados em vidro e eram compostos por uma base com um depósito para o combustível, ao qual se sobrepunha uma cabeça metálica fendida que segurava a torcida, e na qual existiam três ou quatro molas que serviam para segurar a chaminé.

Candeeiro a petróleo

Tear

Era para tecer a lã. No tear faziam-se mantas, passadeiras, tapetes, sacos, alforges, panos de tabuleiro, etc. Ainda existe o tear da Mariana, nas Covas Altas.

O Tear da Mariana

Alforges

Eram tecidos nos teares, tinham duas bolsas e serviam para transportar mercadorias. Podiam ser colocados aos ombros ou nos burros por cima das albardas.

Vendedor Ambulante com o alforge. Vendia sementes à cornada. A medida era um corno de cabra.

Dobadoira

Servia para dobar as meadas de lã. Colocava-se a meada na dobadoira, pegava-se na ponta do fio e enrolava-se para fazer o novelo.

Dobadoura – Servia para dobar, isto é, fazer novelos de lã. Fazia parte da tecelagem artesanal

Rádio

Funcionava com pilhas, e dava musica, radionovelas, relatos de futebol, transmissões de Fátima e as notícias que o governo permitia.

Rádio Antigo – Em 1960 quando chegou a luz eléctrica ao Alqueidão, começaram a aparecer os rádios eléctricos, o que acabou com a audiência que costumava ter o único rádio a pilhas que existia na Casa da Sociedade, aquando das transmissões das cerimónias de Fátima.

Radionovela

Folhetim radiofónico transmitido em episódios. Antepassado das telenovelas.

Roldanas

Eram usadas para tirar água dos poços. A corda passava pela roldana e fazia chegar o balde de zinco dentro do poço onde se enchia com água, e depois puxava-se para cima.

Fateixa

Era de ferro, tinha o formato de uma âncora e servia para tirar os baldes que caiam para dentro do poço.

Cangalhas

Eram de madeira e colocavam-se em cima dos burros para transportar cântaros de água.

Canecos

Eram de plásticos substituíram facilmente os cântaros de barro. E o plástico começou a instalar-se…

Ratoeiras

armadilhas para apanhar os ratos que se enfiavam em casa, ou na adega.

Ratoeiras

As Novas tecnologias

Telefones

O Telefone de disco foi substituído pelo telefone de teclas.

Telemóveis

Em Portugal, os telemóveis começaram a implantar-se nos anos 90. No principio quando ainda funcionavam através de uma rede analógica, eram quase sempre instalados no carro, e  estavam praticamente reservados à classe política e empresarial, custavam entre os 3.000 e os 5.000 euros. Em 1991 a TMN entrou no mercado e um ano depois a Telecel, e nesta altura já se podia comprar um telemóvel por menos de 500 euros.

ZX Spetrum

E quando apareceram os primeiros computadores… eis o ZX Spetrum. Despertou milhares de miúdos portugueses para o fenómeno dos computadores, embora alguns apenas se limitassem a jogar. Os jogos eram carregados com um gravador de áudio. Era uma cassete para cada jogo. Ouvia-se o o som agudo do gravador de cassetes, apareciam umas riscas às cores no o ecrã do televisor, e o código LOAD“”…  Por vezes não carregava à primeira, nem à segunda, mas quando carregava era uma alegria.

Cassetes de áudio

Eram de plástico e tinham dentro uma fita magnética que ia rodando para se gravar ou reproduzir música. Serviam para guardar as nossas músicas favoritas, que eram gravadas das rádios, rezando para que o locutor não falasse até a musica terminar. Além disso, as cassetes de áudio também serviam para reproduzir os jogos do ZX Spectrum.

Cassetes de vídeo

Serviam para gravar filmes e telediscos que passavam na televisão, os nossos favoritos, para ver mais tarde.

E muitas outras coisas ainda podiam fazer parte deste rol de coisas esquecidas….

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Retiro Popular

Caminhada Quaresmal

O Retiro Popular é um tempo de oração, que é feito durante a quaresma, e que é proposto a todos os fiéis cristãos, de qualquer idade, às famílias, e até mesmo aos que pouco frequentam as igrejas. Pode fazer-se em família ou grupos de famílias, ou membros da mesma comunidade.

Cada encontro demora cerca de uma hora. Inclui momentos de oração, de leitura e compreensão da Palavra de Deus, de meditação pessoal e partilhada, de canto e de compromisso de mudança de vida.

Estes encontros podem realizar-se em qualquer lugar, desde que se cuide da preparação de um ambiente acolhedor e propício ao recolhimento. O que importa é que sejam verdadeiros espaços de “escuta de Deus, de meditação e de experiência da fé”.

No contexto do Centenário da Restauração da Diocese, o tema  geral que o Bispo D. António Marto propõe aos diocesanos de Leiria-Fátima para esta Quaresma de 2018 é “A Igreja, memória e missão”.

O Guião existe em formato de livro que está disponível numa edição de 5.500 exemplares que é distribuída pelas paróquias.

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