O Jardim da Carreirancha

O Jardim da Carreirancha
por mim é relembrado
Era uma lagoa de água
por muitos estimada

Era uma lagoa com muita utilidade
Tinha água todo o ano
Para os animais beberem
quando vinham do trabalho

Mas também era um perigo
Quando ela estava cheia
Luz não havia, e a água batia
mesmo na berma da estrada.

Autor: Inocêncio Gomes
Alcunha: Pulguito
A Barreira em 1982 – Local onde atualmente está o jardim onde foi colocado o monumento em homenagem ao Major.
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A Fonte do Alqueidão

Alqueidão é a minha terra
Fica em cima do monte
Quando eu queria beber água
Ia buscá-la à fonte

A fonte era uma relíquia
Que havia no Alqueidão
Onde os rapazes novos se lavavam
Na véspera para ir à inspeção

Era um encanto lá estar
Ver as bicas a correr
As mulheres com os seus cântaros
à espera de vez para os encher

Havia lá dois grandes tanques
Sempre com água a correr
Onde as mulheres iam lavar a roupa
Para mais tarde a estender

Tudo isto acabou
Aqui na nossa terra
Era um encanto lá estar
mesmo à beira da serra

Nesse tempo lhe chamavam
A Fonte dos namoricos
Em que as moças iam à fonte
para arranjar seus namoricos

Isto não é só por falar,
Era mesmo tradição
Foi no caminho dessa Fonte
que embrulhei meu coração

A mocidade ia à Fonte
de propósito para arranjar
o seu namorico
para um dia se casar

Foi assim que me calhou
A minha sorte estava destinada
Era melhor que a Fonte estivesse seca
Não se tinha arranjado nada.

Autor: Inocêncio Gomes
Alcunha: Pulguito
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O Balugas

No século XIX as crianças eram registadas só com o primeiro nome. Como os nomes eram todos iguais, com a passar do tempo adquiriam alcunhas, isto é, nomes pelos quais eram conhecidos, e que refletiam alguma característica sua, de maneira que os nomes de Batismo quase ninguém os sabia.

Ainda hoje existem alcunhas que passam de geração em geração.

Balugas

O Xico Balugas herdou a alcunha do pai, a quem chamavam Balugas. O filho mais novo do Xico Balugas, o Rafael, também toda a gente o conhece por Balugas e o neto também não conseguiu fugir a esta alcunha. O bisneto, o pequenito que anda na pré-escola também já lhe chamam o Balugas.

E como foi que tudo isto começou?

Em 28-06-1868 no Alqueidão da Serra nasceu Manuel Carvalho que era filho de João Carvalho e Maria de Jesus, (Maria Carvalha).

Era um homem alto e magro (e talvez por esta característica física lhe começaram a chamar Balugas) e que gostava muito de falar e era muito alegre. Tinha alguma dificuldade para andar, e por isso deslocava-se quase sempre de burro, de resto andava amparado a uma muleta. Trabalhava na agricultura. Ia muitas vezes à Ribeira cavar vinha.

Casou aos 32 anos com Maria do Rosário que era filha de Domingos da Silva Martho e Francisca Carvalha. O casamento foi no Alqueidão da Serra em 11-02-1900.

Em 29-10-1900 nasceu a primeira filha, Maria do Rosário que, tal como a mãe não tinha mais nenhum apelido. No registo do Batismo desta menina, em 4-11-1900, o nome do pai é Manuel Carvalho Balugas, ou seja, a partir daqui Balugas é apelido e aparece nos livros dos registos oficiais.

O segundo filho, o José, nasceu em 25-08-1903, foi batizado no mesmo dia e faleceu logo a seguir. Mas, em 19-09-1904 nasceu outro menino e também lhe deram o nome de José. Já o José tinha 7 anos quando nasceu o Francisco.

Maria do Rosário, José e Francisco foram os nomes que eles escolheram para os seus filhos, no entanto, isso não interessava nada porque toda a gente os conhecia era pelas alcunhas.

Assim o Francisco ficou Xico Balugas, e o José ficou Zé Magota. A Maria do Rosário ficou Rosaira, que é bem mais fácil de dizer.

O Xico Balugas

O Xico Balugas (Francisco Carvalho) veio a casar com a Maria do Coxo, que, na realidade se chamava Maria Amado, mas quase ninguém sabia.

Quem era a Maria do Coxo?

Nasceu em 17-04-1910 no Zambujal, onde moravam os seus pais, Manuel Catarino (que era dos Vales) e Joaquina Amado.

Quando casou com o Xico Balugas veio morar para o Alqueidão, pertinho da Igreja.

Xico Balugas com a esposa Maria e o Filho Manuel (o Roque)

Tiveram 6 filhos, e todos eles eram conhecidos pelas suas alcunhas.

  • Dois bebés morreram.
  • A Deolinda (chamavam-lhe Violeta) morreu com sete anos, atropelada pela camioneta da carreira na estrada de Porto de Mós, perto do Zambujal, quando seguia com outras pessoas atrás de uma carroça, e atravessou a estrada de repente.
  • A Laura (Pirralha), faleceu em 02-07-1990.
  • O Manuel, conhecemo-lo por “o Roque” porque ele gostava de correr atras da carreira (camionagem Roque e Alcobia), segurava-se nas traseiras e pulava na próxima curva. Faleceu em 14-08-2003.
  • O Rafael, ou seja, o Balugas, é o pai da Patricia e do Bruno (que também é Balugas).

A próxima geração: O neto do Rafael (Balugas) também é Balugas. E assim desde 1868, a alcunha vai atravessando as gerações.

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Consultas: Livro de Registos de Batizados, Casamentos e Óbitos do Cartório Paroquial do Alqueidão da Serra.

Agradeço a toda a gente que perdeu um pouco do seu tempo para me ajudar partilhando as suas memórias: Ao Armando da Ti Rosaira que está na França e à sua filha Adélia; Ao Rafael e à Carmita; à Célia; e à Ana Maria que está na França e que disponibilizou a fotografia.

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Alqueidão da Serra e o Futebol

O livro da autoria do Dr. António Pereira Carvalho intitulado “Alqueidão da Serra e o Futebol – Uma História Várias Gerações”, é uma obra que retrata a paixão pelo futebol vivida ao longo de várias gerações.

As lutas, as conquistas, as dificuldades, contadas por quem, de facto as viveu, por estar durante muitos anos na direção do CCR.

Neste livro, o autor recorda:

  • Os jogos num terreno junto à lagoa do Chão Nogueira,
  • O aparecimento da primeira bola de futebol
  • A construção do Campo da Chã
  • Os jogos de futebol até à criação do formal do CCR
  • A entrada na 2º Divisão Distrital da Associação de Futebol de Leiria
  • Todos os prémios conquistados pelo clube até à subida à 3ª Divisão Nacional
  • A sobrevivência financeira do futebol através dos tempos
  • Etc.

O livro foi editado por Jacinto-de-Água, tem capa de Rui Gabriel, e prefácio de Júlio Vieira (Diretor da Federação Portuguesa de Futebol), e é dedicado a todos aqueles que contribuíram para o nascimento e desenvolvimento do futebol no Alqueidão da Serra.

Olivia Matos Gabriel foi responsável pelas fotos (capa e troféus), e a Revisão esteve por conta do nosso conterrâneo Jorge dos Reis Amado. A composição esteve ao cuidado de João Amado Gabriel.

Um livro que é uma parte da nossa História.

Para encomendar este livro pode enviar mensagem para

alqueidaodascontas@gmail.com

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Luis Salgado de Matos

O professor universitário Luís Salgado Matos morreu na segunda-feira dia 15 de Fevereiro 2021 no Hospital de Santa Marta, em Lisboa.

As suas raízes estão no Alqueidão da Serra. Era filho de Alfredo de Matos, neto paterno de José de Matos e Maria Amado.

Luis Salgado de Matos nasceu em 1946, em Lisboa. Enquanto estudante passava as férias grandes no Alqueidão, na casa que foi dos seus avós, em frente à Igreja.

Foi um dos numerosos estudantes universitários presos pela PIDE em 1965.

Foi um especialista e investigador da história da Igreja e das Forças Armadas, investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ISCTE) e autor de uma biografia sobre o cardeal patriarca D. Manuel Cerejeira.

Foi consultor do antigo Presidente da República Jorge Sampaio e comentador da Renascença. Também fez parte do Governo de Transição de Moçambique, e foi consultor do ministro da Defesa Nacional, Júlio Castro Caldas, no segundo Governo liderado por António Guterres.

Durante o fim de semana de 29 e 30 de Agosto de 2015, em que ocorreu no Alqueidão a festa das comemorações dos 400 anos de freguesia, com missa de ação de graças transmitida pela TVI, chegou-nos de Lisboa a triste noticia do falecimento de sua mãe, D. Maria Luísa Salgado Correia.

Luis Salgado de Matos esteve presente no Auditório José da Silva Catarino, no Alqueidão, em 30 de Janeiro de 2016, para o lançamento da monografia: “Alqueidão da Serra – História e Lenda, Tradições, Usos e Costumes – de Alfredo de Matos” editada por Fernando Sarmento.

Gostava de cozinhar – e era bom cozinheiro… Surpreendia sempre os amigos que o visitavam. 

Ainda tinha em mente a publicação de um livro sobre a análise dos conteúdos do ensino da moral e religião católica nas escolas públicas.

A História perdeu um mestre …

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