Mês das Almas

A Igreja escolheu o mês de Novembro para nos recordar o mistério da morte. 1 de Novembro é o Dia-de-Todos-os-Santos, conhecidos ou não, no dia 2 a celebração dos fiéis defuntos, e todo o mês de Novembro é dedicado à meditação da morte e à contemplação do purgatório.

Novembro é o mês das almas!

No Alqueidão da Serra antigamente era grande a devoção que as pessoas tinham às Almas do Purgatório. Os nossos antepassados ensinaram-nos que rezar pelas almas que esperam ver-se livres das suas faltas para entrarem no Paraíso, é uma verdadeira obra de caridade pois elas já nada podem fazer por si mesmas, e que, este ato de caridade podemos e devemos tê-lo para com os nossos familiares amigos e conhecidos, ou até por pessoas anónimas, aquelas que não têm ninguém que se lembre delas.

Quando o padre Américo Ferreira chegou ao Alqueidão em 1957, existia o costume de rezar as Amentas, isto é, havia uma lista com os nomes de algumas pessoas falecidas, as chamadas “amentas”, e como era costume, antes da missa das 7 horas da manhã, o padre, já paramentado, enunciava individualmente em voz alta o nome da pessoa referida na lista e rezava por ela em silencio um Pai-Nosso, a que os fiéis presentes se associavam. Os familiares do defunto que pediam esta oração entregavam ao pároco o valor acordado, ou seja, um alqueire de cereal por ano. Aos poucos foi diminuindo o numero das amentas, e quando o padre Américo deixou a freguesia do Alqueidão da Serra este costume já não existia.

Todos os domingos eram celebradas duas missas, sendo que, a missa da manhã era sempre pelas almas do purgatório.

Durante a quaresma inteira, todas as noites depois da ceia e da reza familiar, um elemento da Confraria das Almas andava pelas ruas do Alqueidão convidando o povo a rezar pelas Almas do Purgatório. Usava um amplo gabão que era pertença da Confraria e ao mesmo tempo que fazia soar a matraca de madeira chamava a atenção de todos dizendo: – “Irmão, lembra-te de rezar pelos que já lá estão”.

O Peditório para as Almas

Também na Quaresma se fazia o peditório das almas. Os rapazes da Freguesia tomavam à sua conta a prática da devoção.

Tudo se esfumou com o passar do tempo e agora já quase ninguém se lembra das Almas do Purgatório, porque para rezar por elas é necessário acreditar que o purgatório existe, e também é necessário ter fé e caridade.

É preciso fé para acreditar naquilo que a Igreja nos ensina: Purgatório é o processo de purificação das almas daqueles que morrem em estado de graça, para que possam entrar no Reino de Deus.

É possível ajudar essas almas através da oração, penitência e obras de caridade, já que essas almas nada podem fazer por si mesmas e contam exclusivamente com a ajuda dos que estão ainda nesta vida, e o maior auxílio que se pode prestar a elas é a Santa Missa.

Por isso no dia 2 de Novembro, e nas cerimónias de Finados a igreja do Alqueidão enche-se de pessoas que rezam pelas almas dos seus familiares falecidos porque têm fé e acreditam naquilo que lhes foi transmitido pelos seus antepassados.

Nossa Senhora, em Fátima, ensinou-nos a rezar assim “Ó meu Jesus perdoai-nos, livrai-nos do fogo do Inferno, levai as almas todas para o céu principalmente as que mais precisarem”. E as que mais precisam são exatamente as que estão no Purgatório, porque pelas que estão no inferno não vale a pena rezar, e as que estão no Céu não precisam que se reze por elas.

2016 – Celebrações de Finados ……….Visita ao Cemitério Novo

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Os Incêndios de Outubro

No final de setembro de 2017 o IPMA classificou todo o território português na situação de seca severa. No mês de Outubro as temperaturas ultrapassaram os 30 graus.

No domingo 15 de Outubro com um calor anormal para um dia de outono, tudo muito seco, zero humidade no ar, deflagraram incêndios por todo o país que num instante se tornaram incontroláveis. Cerca das seis horas da tarde, dos moinhos da cabeça avistavam-se ao longe 3 incêndios.

Uma hora depois chegavam os bombeiros ao Alqueidão porque o fogo tinha começado lá para os lados do Vale.

Os bombeiros defenderam as casas e fogo continuou para o Reguengo do Fetal e São Mamede queimando carvalhos, oliveiras e mato. A nossa serra, as árvores que purificam o ar que respiramos e que nos dão sombra e saúde, tudo foi ardendo pela serra acima.

O filme dos piores dias que Portugal viveu em matéria de incêndios

Dia 15

05h00 – Mais de 200 operacionais combatiam de madrugada três fogos nos distritos de Viseu, Viana do Castelo e Braga, de acordo com a Proteção Civil.

10h03 – O incêndio em Merufe, Monção, encontra-se “completamente descontrolado” e já “consumiu” várias casas, segundo a vice-presidente da câmara, Conceição Soares.

13h00 – Cerca de 30 pessoas foram retiradas de suas casas por precaução em aldeias do concelho de Seia, devido a um incêndio florestal, de acordo com o presidente da Câmara, Carlos Filipe Camelo.

15h05 – Um incêndio na freguesia de Ganfei, Valença, “está a tomar proporções alarmantes e a ser combatido apenas por ‘prata da casa’”, alertou o presidente da Câmara de Valença, Jorge Mendes.

15h40 – Por precaução, é decidida a evacuação do lugar de Lobiô Roussas, Melgaço, distrito de Viana do Castelo, devido ao incêndio que deflagrou de manhã em zona de mato.

17h30 – A localidade de Praia da Vieira, na Marinha Grande, está a ser evacuada desde 17h30, na sequência de ordem emitida pela GNR.

– Os incêndios provocaram, até às 17h30, ferimentos leves a 23 pessoas, das quais 17 bombeiros e seis civis, anunciou ANPC.

– Hoje “foi o pior dia do ano em matéria de incêndios”, tendo sido ultrapassados os 300 fogos florestais, segundo a ANPC.

18h30 – Mais de 20 estradas são cortadas devido a incêndios, entre autoestradas (A1, A11 e A25), estradas nacionais, estradas municipais, itinerários principais (IP3 e IP6) e itinerários complementares.

19h30 – O presidente da Câmara de Viana do Castelo descreve que os bombeiros estão a defender “casa a casa”, em Castelo Neiva, onde as chamas deflagraram cerca das 19:27. “O vento forte que se faz sentir está a dificultar o trabalho dos operacionais no terreno”, descreveu o autarca.

– A situação em Arganil, distrito de Coimbra, está incontrolável e já houve necessidade de evacuar várias aldeias na sequência de um incêndio que está a atingir aquele concelho, disse o presidente da câmara, Ricardo Alves.

20h10 – A Linha Ferroviária do Norte está cortada entre Aveiro e Oiã (Oliveira do Bairro), enquanto a Linha da Beira Alta está cortada entre Mortágua e Santa Comba Dão devido a incêndios, segundo a porta-voz da CP.

20h30 – Portugal acionou, devido aos incêndios florestais, o Mecanismo Europeu de Proteção Civil e o protocolo com Marrocos, relativos à utilização de meios aéreos.

21h20 – Um incêndio em Óbidos estava descontrolado e a centena de bombeiros no terreno apenas protegia habitações das aldeias de Casais Ladeira, Perna de Pau e Olho Marinho face à escassez de meios, disse o comandante dos bombeiros locais.

21h30 – As autoridades detiveram, pela manhã, em flagrante delito o presumível autor do incêndio florestal, no domingo, em Vale de Cambra, disse o secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes.

22h00 – O incêndio que deflagrou em Vale de Cambra, Aveiro, e alastrou até Arouca, encontrava-se “descontrolado”, de acordo com os bombeiros de Arouca.

– Pelas 22h00, segundo a ANPC, estavam 108 fogos ativos e, desses, 33 eram de “importância elevada”, pela sua duração, pelos meios que concentram e “pela complexidade no terreno”.

– Câmara de Monção informa que foi decidida a evacuação do lar de idosos da freguesia de Merufe, onde teve início o incêndio que lavra desde as 20:21 de sábado.

22h25 – O parque de campismo da Praia do Pedrógão, no concelho de Leiria, é evacuado por ordem da GNR.

23h00 – Os habitantes de duas localidades no concelho de Tomar, Santarém, são “deslocados por precaução” devido ao “fumo muito intenso” do incêndio naquela zona.

– Uma pessoa morre no incêndio que lavra no concelho da Sertã, segundo o Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Castelo Branco.

23h05 – A zona suburbana da cidade de Gouveia, na Serra da Estrela, distrito da Guarda, vive uma “situação complicada” devido aos incêndios, segundo o presidente da Junta de Freguesia de Gouveia, João Amaro.

23h45 – A Base Aérea n.º 5, de Monte Real, concelho de Leiria, abre as portas à população da zona que queira, por motivos de precaução, fugir aos incêndios que lavram na zona.

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Dia 16

00h01 – ANPC anuncia que alerta vermelho vai manter-se até às 20:00 de segunda-feira, apesar das previsões de chuva.

00h10 – “O Presidente da República manifesta a sua solidariedade às populações e aos autarcas por todo o continente, agradece o seu sacrifício, bem como dos Bombeiros e demais estruturas da Proteção Civil no combate aos fogos e exprime o seu profundo pesar aos familiares das vítimas”, lê-se numa mensagem publicada no ‘site’ oficial da Presidência da República, com o título “Presidente da República acompanha evolução dos incêndios”.

00h35 – Uma casa arde em Braga e um hotel situado “no acesso à Falperra” é evacuado, segundo a Proteção Civil de Braga.

01h24 – O Presidente da República defende, em declarações à SIC, que “se analise” o que aconteceu este ano em Portugal no que diz respeito aos incêndios.

01h29 – A ANPC sobe para quatro o número de vítimas mortais nos incêndios.

01h30 – Primeiro-ministro, António Costa, visita a sede da ANPC, em Carnaxide, Lisboa, acompanhado pela ministra da Administração Interna a quem mantém a sua confiança política. Depois da reunião, António Costa anuncia que foi assinado um despacho de calamidade pública, abrangendo todos os distritos a norte do Tejo, para assegurar a mobilização de mais meios, principalmente a disponibilidade dos bombeiros no combate aos incêndios.

O chefe do Governo anuncia que o número de mortos subiu para cinco.

António Costa admite que não há bombeiros que cheguem num dia com 523 incêndios, como no domingo, e avisa que não há soluções mágicas para os fogos florestais. O primeiro-ministro admite, mesmo, que os “problemas” vão repetir-se.

01h55 – Várias habitações e outros edifícios em número ainda indeterminado são destruídos pelo fogo em Oliveira do Hospital, Coimbra.

02h32 – “Portugal está a arder! Basta de discursos e boas intenções! É imperioso apurar responsabilidades e agir”, escreve Jorge Ortiga, arcebispo de Braga na sua conta de Facebook.

03h00 – A ANPC regista seis mortes na sequência dos incêndios florestais. Duas pessoas morreram em Penacova (distrito de Coimbra), uma na Sertã (distrito de Castelo Branco) e duas em Oliveira do Hospital, no distrito de Coimbra. Uma sexta vítima mortal foi registada em Nelas, distrito de Viseu, tratando-se uma pessoa que estava dada como desaparecida.

06h32 – Trinta concelhos dos distritos de Faro, Portalegre, Santarém, Castelo Branco, Guarda, Coimbra e Bragança, alguns destes fortemente afetados por fogos, estão hoje em risco ‘máximo’ de incêndio, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

07h50 – Aldeias do concelho de Viseu foram evacuadas durante a madrugada, na sequência dos vários incêndios que atingiram aquela região, anunciou a câmara local.

08h08 – Quase 6.000 homens estavam, ao início da manhã, no terreno a combater as chamas em todo o país, apoiados por cerca de 1.800 veículos, após um fim de semana com centenas de incêndios.

08h27 – O incêndio que lavrava desde as 15:53 de domingo no concelho de Tomar, distrito de Santarém, foi controlado cerca das 04:10, mantendo-se no local 124 operacionais e 41 viaturas, segundo a proteção civil.

09h10 – Vinte e cinco estradas das regiões do Norte e Centro estavam, cerca das 07:00, cortadas ao trânsito na sequência dos incêndios que estão a afetar aquelas zonas do país, segundo a Infraestruturas de Portugal (IP).

09h13 – Quatro pessoas morreram durante a madrugada no concelho de Vouzela, Viseu, na sequência de um incêndio florestal na freguesia de Ventosa, segundo o presidente da câmara, Rui Ladeira.

09h32 – Várias dezenas de habitações, barracões, unidades comerciais e unidades fabris arderam durante a madrugada no concelho de Tondela, Viseu, segundo o presidente da Câmara, José António Jesus.

09h40 – Incêndios em Monção, Viana do Castelo, e Braga estão controlados, segundo os bombeiros.

10h06 – Centro Hospitalar Tondela-Viseu ativa o plano de contingência interno para garantir “uma disponibilidade de meios acrescida” depois de terem ali chegado dezenas de feridos.

10h08 – A circulação ferroviária na Linha da Beira Alta continuava às 10:00 cortada entre Mortágua e Santa Comba Dão, distrito de Viseu, devido a um incêndio naquela zona, informou a CP.

10h10 – A ANPC confirma 20 mortos nos incêndios do fim de semana, em Portugal.

10h14 – Mais de uma centena de pessoas ficam desalojadas ou foram deslocadas das suas habitações no concelho de Penacova por causa dos incêndios.

10h46 – Dezenas de casas foram destruídas durante a madrugada em Mira, distrito de Coimbra, no incêndio que começou no domingo em Quiaios, na Figueira da Foz, disse o presidente da Câmara.

11h00 – ANPC eleva para 27 o número de mortos nos mais de 500 incêndios que deflagraram no domingo, o pior dia do ano em fogos em 2017.

11h50 – A ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, insiste que não tem intenção de se demitir, afirmando que agora é tempo de ações e não de reações.

12h50 – O incêndio no concelho de Penacova, distrito de Coimbra, que provocou duas mortes, está circunscrito, mas continuam a registar-se reativações, de acordo com a câmara.

13h00 – O número de mortos sobe para 31, de acordo com a Autoridade Nacional da Proteção Civil (ANPC).

13h10 – O CDS-PP pede audiência com caráter de urgência ao Presidente da República para abordar a situação dos incêndios do fim de semana.

13h11 – O Governo promete apoiar os agricultores das áreas atingidas pelos incêndios em várias zonas do país com medidas para assegurar a reposição das explorações agrícolas.

14h05 – O presidente da Câmara Municipal da Marinha Grande, Paulo Vicente, estima que cerca de 80% do Pinhal de Leiria tenha sido consumido pelas chamas, depois de ter alertado para a falta de limpeza desta mata.

 

14h19 – O Governo vai produzir uma resolução com base no relatório sobre os incêndios da comissão independente nomeada pelo parlamento. Secretário de Estado das Florestas, Miguel Freitas, considera que foi atingido o ponto de rutura.

14h28 – Mais de uma centena de pessoas ficaram desalojadas no concelho de Oliveira do Hospital, Coimbra, devido aos incêndios de domingo e de hoje, segundo o presidente da câmara, José Carlos Alexandrino.

14h30 – O presidente da Câmara de Vila Nova de Poiares, Coimbra, estima que já tenha ardido cerca de 70% do território do concelho, havendo “algumas dezenas de habitações” que ficaram destruídas.

14h45 – O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, pede uma ação urgente face aos incêndios e promete falar ao país após a estabilização dos fogos que se registam por todo o continente.

15h15 – O PCP anuncia que vai pedir audiências ao Presidente da República, ao primeiro-ministro e à procuradora-geral da República, na sequência dos incêndios florestais do fim de semana.

15h25 – O Ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, afirma, no Luxemburgo, que a situação “muito difícil” que Portugal e a Galiza enfrentam devido aos incêndios “exige é unidade e determinação, e não queixas recíprocas ou divisões”.

15h30 – Mais de cinco mil operacionais combatiam, às 15:30, 141 incêndios no norte e centro do país, apoiados por 1.600 meios terrestres e três meios aéreos, segundo a página da internet da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC).

– O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, telefonou, ao final da manhã, ao primeiro-ministro, António Costa, manifestando-se consternado com as consequências trágicas dos incêndios de domingo.

16h05 – O Rei de Espanha, Felipe VI, transmitiu ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, todo o seu “apoio e solidariedade” devido aos graves incêndios em Portugal, indicaram à agência EFE fontes do Palácio da Zarzuela, sede da casa real espanhola.

16h13 – O primeiro-ministro, António Costa, fala ao país a partir das 20:00, na residência oficial em São Bento, em Lisboa.

16h30 – A situação no concelho de Gouveia está a “ficar um pouco melhor” e já estão em curso operações de rescaldo dos incêndios, segundo a câmara local.

– Em Vila Pouca de Aguiar, Vila Real, as aulas foram suspensas na tarde de hoje devido ao “ar irrespirável” na zona.

17h20 – Um total de 337 militares do Exército e 60 viaturas estão em dez concelhos do país em operações de vigilância, rescaldo e evacuação de locais afetados pelos incêndios.

17h25 – A Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) decreta um minuto de silêncio nos jogos do próximo fim de semana da nona jornada da I Liga e da 10.ª da II, de homenagem às vítimas dos incêndios.

17h34 – O número de mortos nos incêndios de domingo aumentou para 35, segundo a Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC).

17h58 – O Governo aprova, por via eletrónica, em Conselho de Ministros extraordinário, o decreto que declara luto nacional nos dias de terça-feira, quarta-feira e quinta-feira como forma de pesar e solidariedade pelas vítimas dos incêndios.

18h20 – Na Sertã, Castelo Branco, há dois incêndios, um deles com duas frentes, ainda por controlar, cerca das 18:20, segundo a Câmara de Castelo Branco.

18h30 – Centenas de casas, “muitas de primeira habitação”, foram destruídas pelos incêndios de domingo na Pampilhosa da Serra, informou o presidente da câmara, José Brito.

18h35 – Os Estados Unidos manifestam “incondicional apoio” a Portugal e ao povo português perante os incêndios florestais que lavram no país desde domingo, num breve comunicado da sua embaixada em Lisboa.

18h40 – A direção do PS apresenta as condolências às famílias das vítimas atingidas pelos incêndios de domingo e insiste na necessidade de ação para que se concretize uma reforma estrutural da floresta.

19h05 – A coordenadora do BE, Catarina Martins, defende a necessidade de mudar a estrutura governamental para juntar a prevenção ao combate aos incêndios, esperando que o Governo “tire responsabilidades” no Conselho de Ministros do próximo sábado.

19h43 – O número de mortes ocorridas devido aos incêndios florestais que lavram no país desde domingo aumentou para 36, anunciou a Autoridade Nacional de Proteção Civil, indicando que estão desaparecidas sete pessoas.

20h26 – O primeiro-ministro, António Costa, disse hoje que o país vive “um momento de luto”, mas rejeitou demitir a ministra da Administração Interna, afirmando que “não é tempo de demissões, é tempo de soluções”.

O chefe do executivo prometeu “tudo fazer” para executar as medidas propostas pela comissão técnica independente aos incêndios de junho na região Centro.

20h39 – O primeiro-ministro pediu consenso político para a aplicação das recomendações da comissão independente aos fogos de junho e prometeu que, no fim dos incêndios, o Governo assumirá totais responsabilidades na reconstrução do território e reparação de danos.

Graças a Deus que começou a chover…

Dia 17

Não se regista nenhum incêndio na manhã do dia 17, mas o cenário é de guerra. Tudo ardeu. É elevado o numero de vidas perdidas, famílias destroçadas, pessoas desalojadas e feridas no corpo e na alma.

O que se passou aqui?

Agora discute-se o surpreendente aparecimento das armas roubadas em Tancos, discute-se que afinal Sócrates não é engenheiro, discute-se a demissão ministra da administração interna, mas e que tal apurar porque razão deflagraram 500 incêndios em 2 dias? Não?

A floresta não arde sozinha. As condições atmosféricas adversas não explicam 500 ignições praticamente ao mesmo tempo. Há que apurar responsabilidades, e criar as condições para que tal não volte a acontecer.

A natureza não precisa de nós, somos nós que precisamos dela.

Agora é a hora de fazer Portugal renascer das cinzas. É hora de insistir com o governo e com as autarquias para que invistam mais na prevenção dos incêndios. É preciso incentivar os cidadãos a cuidar da Natureza e a evitar comportamentos de risco. Só porque o que está em causa é a qualidade do ar que respiramos, ou seja, a nossa vida.

A FLORESTA É VIDA.

Estamos todos no mesmo barco. A mudança começa por cada um de nós.

As Consequências que todos Sofremos

Nos dias 16 e 17 de Outubro, Portugal registou um dos episódios mais graves de poluição do ar, conjugando meteorologia, partículas do norte de África e incêndios. Foram  registadas em algumas zonas do país ultrapassagens do ozono devido às altas temperaturas. Os incêndios, principalmente a 15 de outubro, que provocaram mais de 40 mortos e destruíram vastas áreas de floresta, casas e unidades industriais, levaram a que, em determinadas zonas do país, fossem atingidas “médias praticamente recorde” de poluentes ao longo do dia.

No dia 16 de outubro, a região centro atingiu o nível ‘mau’, o pior do índice de qualidade do ar, devido aos incêndios, e registou-se uma ultrapassagem ao limite diário de partículas em todo o país. O ar cheio de fumo acabou por ser transportado para o norte de Espanha e até Inglaterra, devido ao furacão Ophelia.

 

O atípico mês de Outubro de 2017

 

 

 

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Os Ranchos da Azeitona

Existem apenas na nossa memória os Ranchos da Azeitona que outrora fizeram parte da vida das gentes desta terra.

Em cada ano, nos meses de Outubro e Novembro, em dia e sítio combinado, juntavam-se os componentes dos “ranchos” falados com antecedência pelos encarregados da organização dos mesmos. Dali partiam, serra fora para os seus destinos: Bairro, Gouxaria, Covão do Feto e Serra de Santo António, principalmente.

Apesar das combinações quanto ao local e hora de partida, havia sempre a convocação pública. Esta era feita pelo toque daqueles búzios que o mar deita para a praia. Na falta destes, um canudo de cana também servia. O som provocado pelo sopro vigoroso de fortes e arejados pulmões espalhava-se pela aldeia toda.

Na parte da manhã do dia combinado para a saída, sempre ao domingo, o ritmo dos toques era calmo e lento. Depois do jantar voltava à carga, mas um pouco mais esperto. Quando se aproximava a hora da partida, aumentava a cadência e diminuía o espaço entre os toques.

O “tuu-tuu-tu-tu” inicial, fundia-se num só “tuuuuuuuuuuuuu” a que ninguém se atrevia a desobedecer. De todos os cantos iam saindo homens ou rapazes, de longa vara às costas e de mulheres ou raparigas com a cesta de vime enfiada no braço. Iam estar fora umas semanitas.

Finalmente juntos lá partiam à ordem do responsável pelo “rancho”. À frente seguiam  os burros carregados com roupa de cama e de vestuário, e também comida: pão, batata, carne, etc.

Atrás iam todos os elementos do “rancho” (incluindo a pessoa responsável pela volta dos animais) tropeçando nas pedras do caminho que, apesar das milhentas promessas de políticos, só muitos anos depois veio a ser estrada, aberta por iniciativa do Major e pelo trabalho de muitos, e o sacrifício de todos.

O silêncio era norma imposta pelas várias circunstâncias da partida. No meio dele imperava o som do búzio que, tendo-se calado para que o responsável do rancho dissesse o habitual “vamos lá com Deus”, voltara ao ritmo da toada inicial. O som era cada vez mais abafado à medida que se afastava da aldeia.

Cá em baixo, ficava-se a ver o “rancho” enquanto fosse possível acompanhá-lo com a vista e com o ouvido. Era no Penedo Grande, quando ele estropia, que o búzio deixava de se ouvir.

Todos seguiam com trabalho garantido e patrão certo. Acompanhava-os o palpite do tempo em que regressariam.

Uma regalia que nenhum rancho dispensava era o fornecimento de casa para dormir e condições para a confecção da comida. Pomposamente chamavam-lhe “Quartel”. Constava de quatro paredes mal rebocadas às vezes, cobertas sempre com telha vã. Havia sempre uma camada de palha ou de feno espalhada sobre as tábuas do soalho, onde cada um podia estender suas mantas.

Para efeitos de pagamento, havia duas modalidades de jorna: a seco ou com a comida incluída. Em qualquer dos casos havia sempre fornecimento do “Quartel”.

Todos iam pela última (com a comida incluída). Dentro desta modalidade, cada homem tinha direito a uma quarta de feijão e a certa porção de azeite, por semana. A ração das mulheres ou raparigas era metade. Havia patrões que manifestavam o seu apreço pelo pessoal oferecendo, de vez em quando, hortaliças.

A lenha necessária ao funcionamento da cozinha, tanto na parte de cozedura da comida como na do aquecimento ao borralho, também era um encargo da entidade patronal.

A vida no “Quartel” regia-se por normas que todos respeitavam. A cozinheira era escolhida entre as mulheres do “rancho”. Não precisava ela de ter grandes conhecimentos da matéria uma vez que a ementa era pouquíssimo variada.

A primeira refeição, o almoço, constava, salvo muito poucas excepções, de feijão guisado sabendo a loiro, com umas óptimas sopas de pão caseiro.

A segunda refeição, o jantar, era por volta do meio-dia. Entrava nela aquilo que por comum acordo se escolhesse. Embora fossem diversos os participantes, a comida era igual para todos em qualidade e quantidade.

Preparando esta refeição, a cozinheira tinha de fazer as coisas de forma a que sobrasse para a ceia. Antes de se deitar deixava preparado o almoço no dia seguinte. Este era ajeitado oportunamente pelas outras companheiras, uma das quais se levantava mais cedo, por escala, a fim de o aquecer e distribuir a tempo.

Na parte da tarde, a cozinheira, depois de lavada a loiça e arrumado o pequeno trem da cozinha, era obrigada a ir ter com o “rancho”, para colaborar no serviço da apanha.

A distribuição da comida tinha seus preceitos. Como os homens, por regra, são de mais alimento que as mulheres, juntava-se um homem e uma mulher quando se tratava de dividir os alimentos. Deste modo, cada homem tinha sua “mulher” na sociedade do prato, que era comum aos dois membros do improvisado “casal”.

Era da competência da cozinheira a distribuição das refeições e do conduto ou tempero, quando havia caso disso. Para lhe evitar complicações, se o tempero se fazia com azeite, sabiam todos o que lhes competia, visto que desde o princípio, ficava assente o número de voltas azeitadoras que a almotolia tinha que dar ao prato, deitando o fio de azeite sobre os alimentos do dia.

Se havia lugar para reclamação, só o responsável pelo “rancho” podia tomar conhecimento dela em ordem à sua resolução.

À noite, depois da ceia, uns faziam serão no “Quartel”, conversando sobre o trabalho feito e a programar o de amanhã ou lembrando cenas e gente do passado. Assim passavam as horas à luz mortiça da candeia de azeite, que era preciso espevitar de vez em quando puxando-lhe a torcida com um graveto ou com um gancho da trança de uma rapariga.

Outros jogavam à bisca utilizando cartas velhas que mantinham certa capacidade de uso graças ao poder da sujidade acumulada em anos sucessivos.

As raparigas aproveitavam o tempo ajeitando alguma peça de enxoval, quando não era a coser a rasgadela da saia ou da blusa feita pelo graveto de oliveira ou pelo bico de alguma silva..

Uma vez por outra, armava-se bailarico. E toda a minha gente dançava. Se não houvesse “harmónico” nem  realejo, remediava o assobio. Acontecia às vezes, com licença do organizador e responsável pelo “rancho”, irem até ao “quartel” mais vizinho ou mais amigo, e lá ficavam a dançar até às tantas.

Depois é que era o diabo. Quando regressavam à Freguesia, rapazes e raparigas tinham que ouvir o Senhor Prior, uma data de domingos a fio, a moer-lhes os ouvidos, na homilia da missa dominical, falando contra os bailes, e recomendando a ida à confissão. Mas, quem se lembrava destes amargos de boca, quando era na altura de dar ao chinelo?!…

Os “ranchos” da azeitona acabaram em consequência da profunda modificação das condições sociais.

Atualmente a apanha da azeitona faz-se da mesma maneira, ou seja, estendem-se os panos por debaixo das oliveiras e depois com uma vara, que pode ser de eucalipto seco, vai-se batendo a ramagem de modo a fazer cair a azeitona. Ou sobe-se à árvore e ripam-se os bagos em redor. Atualmente já existem máquinas que facilitam esta tarefa.

Depois da colheita a azeitona tem que ser limpa, separada das folhas e dos pedaços de rama. Antigamente este trabalho fazia-se manualmente, colocando a azeitona num monte e com uma pá, em pequenas quantidades, mandava-se pelo ar, contra o vento, para cima de uma outra manta, colocada a alguma distancia, cujos bordos eram levantados cerca de 50 cm, para que azeitona não saltasse para fora.

Agora também já existem máquinas para facilitar este trabalho, é só escolher os ramos maiores e o resto é feito pela máquina de limpar. E assim fica tudo pronto para levar para o lagar.

No lagar a azeitona começa por ser pesada e depois entra no processo de transformação.

O fabrico do azeite consiste no esmagamento das azeitonas para obtenção do seu sumo, e depois separa-se o liquido da parte sólida. Nos lagares tradicionais este trabalho é feito por prensagem.

Em 2017, ano estremamente quente e seco, a azeitona amadureceu mais cedo em algumas zonas. Corria ainda o mês de Setembro quando iniciaram os trabalhos da apanha da azeitona. Tudo muda com as alterações climáticas provocadas pelo efeito de estufa.

 

 

 

 

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Brisa da Serra

A publicação da Folha Paroquial de Alqueidão da Serra e Alcaria iniciou em 07 de Outubro de 2017 sob orientação do Padre Vitor Mira.

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Pretende ser um elo de ligação e comunicação no âmbito da comunidade cristã e também no contexto social, cultural e recreativo.

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A par desta folha paroquial que começará por sair em  média  uma vez por mês, será  editada todas as semanas uma folha com os Avisos para a semana que se inicia e uma refleção sobre a liturgia desse domingo.

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Nossa Senhora do Rosário

7 de Outubro

Dia de Nossa Senhora do Rosário

A mãe de Jesus revelou, numa aparição a São Domingos de Gusmão, em 1208, um meio fácil e seguro de salvação, entregando-lhe o santo Rosário.

O Rosário teve um papel decisivo nos momentos de grandes perigos e provações para a Igreja. O Papa São Pio V mandou rezar o Rosário a toda a Cristandade, pedindo a proteção de Nossa Senhora,  quando viu a Europa ameaçada pelos exércitos do império otomano.

Foi a 7 de outubro de 1571, que a frota católica encontrou a esquadra otomana no golfo de Lepanto. Apesar da superioridade numérica do adversário, os cristãos triunfaram, afastando definitivamente o risco de uma invasão. Antes desta batalha todos os soldados e marinheiros católicos rezaram o Rosário com grande devoção.

Nossa Senhora do Rosário de Fátima

Na última aparição em Fátima em 13 de outubro de 1917, a Virgem Maria disse o seu nome: “Sou a Senhora do Rosário”, e voltou a lembrar a recomendação que já tinha feito antes: “Continuem a rezar o terço todos os dias”.

Muitas pessoas do Alqueidão da Serra presenciaram as aparições de 1917, e deixaram-nos o seu testemunho, intensificando a devoção a Nossa Senhora do Rosário que já existia desde tempos muito antigos.

Devoção a Nossa Senhora do Rosário

Desde tempos muito antigos existem relatos de uma grande fé e devoção a Nossa Senhora do Rosário.

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Imagem de Nossa Senhora do Rosário que estava num dos altares frontais que foram destruídos numa das remodelações da Igreja Paroquial

A  imagem antiga de Nossa Senhora do Rosário foi transferida para a Capela de Nossa Senhora da Tojeirinha para ser substituída por uma imagem de pau, que só tinha a cabeça e as mãos, e era vestida de acordo com as épocas do ano.

Nossa Senhora do Rosário (em tempo de Quaresma)

Esta imagem foi venerada pelos fiéis até à década de 30, altura em que, no seu lugar foi colocada uma nova imagem de Nossa Senhora do Rosário: a imagem de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, como os pastorinhos a descreveram.

Esta nova imagem foi feita por encomenda por ordem do padre Henrique Antunes Fernandes.

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É uma peça única em madeira de cedro do Brasil, mede 48 centímetros de largura e 1 metro de altura, pesa 15,5 Kg, e custou à volta de 1.200$00. Foi feita em Santa Maria de Avioso.

Chegou a Leiria de comboio e de lá foi trazida de burro para o Alqueidão, dentro de um caixote de madeira, por Maria Gabriela.

Coroa da Imagem de Nossa Senhora do Rosário que se venera na Igreja Paroquial

Esta imagem foi solenemente coroada em 8 de Setembro de 1947. A coroa foi feita pela ourivesaria Aliança no Porto e custou 7.770$00. Foi imposta em grande festa pelo delegado do Sr. Bispo, Mons. Marques dos Santos. Houve missa cantada, a 3 vozes, acompanhada a orgão e violino. Para recordar foi editada e distribuída uma pagela alusiva.

A Coroa foi oferecida por todas as Marias da paróquia do Alqueidão da Serra que deram um ovo por semana para vender. A coroa foi comprada com o dinheiro da venda dos ovos.

A imagem de Nossa Senhora do Rosário de Fátima foi restaurada em 1988. O restauro custou 80.000$00.

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É a imagem que actualmente se venera na igreja do Alqueidão da Serra. Tem festa anual em Agosto, sendo esta a principal festa da terra.

Festa Nossa Senhora

As imagem do Francisco e da Jacinta Marto que atualmente se encontram, uma de cada lado da Imagem de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, foram compradas pelo padre Manuel Vitor de Pina Pedro e benzidas durante a celebração do dia 5 de Maio de 2013, que foi Dia da Mãe e também dia da 1ª comunhão.

No dia da Festa em honra de Nossa Senhora do Rosário em 2017, durante a missa, o Padre Manuel Vitor fez a cerimónia de entronização das relíquias dos pastorinhos, que ficaram à veneração dos fiéis, junto ao altar de Nossa Senhora.

A coroa da imagem de Nossa Senhora que foi restaurada em 2017, numa conceituada casa em Braga, por ordem do padre Manuel Vitor de Pina Pedro, ficou lindíssima para receber o novo pároco, o Padre Vitor Mira, que chegou a 3 de Setembro.

depois do restauro de 2017

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