A Sopa dos Pobres

A ‘Sopa dos Pobres’ surgiu durante a I Guerra Mundial (1917) para matar a fome da população de Lisboa.

Naquela época Portugal era  um país profundamente rural, atrasado, e pobre, com taxas de mortalidade infantil avassaladoras e carências alimentares gravíssimas. Os produtos que Portugal produzia eram exportados, a comida era racionada e as pessoas passavam muita fome.

Algumas instituições em Lisboa começaram a servir a sopa dos pobres, que para muitas pessoas era a única refeição diária, e por isso era uma sopa forte, com grão, feijão, toucinho, acompanhada por um naco de pão.

A situação de pobreza manteve-se ao longo dos anos, um pouco por todo o país, e em 28 de Janeiro de 1947 a Sopa dos Pobres começou a funcionar em Alqueidão da Serra.

Socorria quinze pobres, distribuindo-lhe sopa abundante, que dava para duas refeições. Esta era levada pelos beneficiários para suas casas. Manteve-se com a quota dos sócios, com as ofertas voluntárias do povo e com o subsídio de mil escudos mensais do Governo Civil.

Atualmente a população, felizmente, já não tem o analfabetismo que tinha, e muitas questões foram ultrapassadas, mas estes problemas rebentam sempre que surge uma crise, os rendimentos baixam e o desemprego aumenta.

Em 1917 foi uma guerra, em 2012/2013 foi uma crise económica muito grave, e pelas mais variadas razões existem sempre pessoas que enfrentam situações económicas difíceis.

Para minimizar um pouco estas situações que atualmente existem na nossa terra, o Coral Calçada Romana organiza todos os anos, com a colaboração de todas as Associações da Freguesia, o Almoço Solidário, cujo proveito reverte a favor daqueles que, na nossa aldeia, passam por maiores necessidades.

Publicado em Costumes e Tradições | 1 Comentário

Falgar

Chamamos Falgar às terras de cultivo que ficam ao lado esquerdo de quem desce a estrada velha para Porto de Mós, mais para o lado da Fonte (logo à saída da povoação chamamos “Costinha”, e Tojeiros lá mais para o cimo da encosta.)

É uma das zonas mais férteis da nossa terra. Alfredo de Matos referia-se a estes terrenos como a “terra onde se cria muito do variado com que Deus torna mimosa a alimentação das gentes, a par da ferrã viçosa para os gados”.

Antigamente ter um terreno no Falgar era uma riqueza. Todos os bocadinhos de terra eram cultivados. De lá vinham as frutas, os legumes e as verduras necessárias para a alimentação. O acesso era um carreiro estreito por onde passavam os burros carregados com os produtos da terra e as alfaias agrícolas.

Com o passar do tempo foi-se alterando o modo de vida das pessoas, o caminho do Falgar foi alargado para permitir a passagem de veículos, mas isso não impediu que muitos terrenos ficassem abandonados e cobertos de silvas e fetos.

Actualmente alguns terrenos do Falgar voltaram a ser cultivados,  por lá abundam oliveiras e laranjeiras, e o caminho é também muito percorrido pelos que fazem as suas caminhadas, ou passeios de bicicleta.

Nesta zona abunda o tufo calcário.

O tufo é uma disposição ordenada de elementos geológicos, de origem sedimentar cuja consistência aumenta na razão em que a sua porosidade diminui e vice-versa.

  • Se os poros rareiam, aí, o processo evolutivo da formação deu uma pedra esbranquiçada e macia, que se emprega na construção.
  • Quando os poros se multiplicam, então o tufo é uma camada espessa e improdutiva, que fica por baixo da terra cultivável. Também o tufo se emprega nalgum tipo de construção civil como substituto de areia.

Foi o trabalho persistente e a adubação natural duma agricultura que durante muitos anos usou o arado,  que conseguiu transformar o tufo em terra produtiva e muito, muito fértil, como a que temos na Várzea, na Horta da Fonte e no Falgar.

Falgar

De acordo com  o iDicionário a palavra Falgar signinifica “Terra vermelha, muito fértil, resultante principalmente de decomposição do calcário”.

Publicado em Alqueidão | 1 Comentário

Caldo Verde

O caldo verde é uma sopa de couve galega (aqui chamamos-lhe couve de horto) típica da Região Norte de Portugal, mas muito divulgada em todo o país.

Devido à sua simplicidade e leveza, come-se no início de uma refeição principal. O caldo verde serve-se normalmente em tigelas e junta-se, no caldo, várias rodelas de chouriço. Fica bem acompanhado por bom vinho verde.

COUVES DE HORTO

A couve de horto cortada muito fininha é adicionada a um saboroso puré de batata e condimentada com azeite. É muito simples, toda a gente sabe fazer.

Os Benefícios do Caldo Verde

COUVES – As couves são a parte mais importante do caldo verde porque são muito ricas em fibras não-reabsorvíveis, vitamina A e vitaminas do complexo B. Para além disso possuem também cálcio, ferro, fósforo, potássio, e têm poucas calorias.

AZEITE — O azeite deve ser português porque é muito rico em ácidos não-saturados que fazem baixar o colesterol mau.

BATATA — serve para amaciar, tornar mais homogéneo o sabor do caldo verde, e o seu valor calórico não é muito significativo

ÁGUA QUENTE — A água quente do caldo verde é muito importante, porque faz funcionar muito melhor os sucos digestivos e os fermentos ou enzimas do aparelho digestivo. A água quente estimula a contracção normal da vesícula biliar e relaxa o estômago e os intestinos delgado e grosso, tornando a nossa digestão agradável e saudável.

SAL– Só o preciso! e usar apenas o SAL MARINHO Integral de 1ª.

CHOURIÇO — O chouriço para ser cortado às rodelas e juntar no caldo verde, deve ser cozido à parte para se deitar fora a água porque esta contem os produtos cancerígenos do chouriço devido ao processo de ter sido defumado.

BROA — A broa deve ser feita com o rolão e farinha de milho como se coze na nossa terra.

Publicado em Receitas Típicas - Guia Prático | 2 Comentários

O Médico da Aldeia

Em Alqueidão da Serra existe um Posto Médico, que  tem vindo a ser equipado e remodelado pela Junta de Freguesia, de forma a que a população possa ter médico de família e serviços de enfermagem.

Em 2016 o Posto Médico fechou, por três meses, diziam que por falta de funcionária administrativa, criando imensas dificuldades aos utentes que dele necessitavam. Na altura o que diziam as más línguas, era que isto acontece porque o médico se ia reformar, e que não se sabia se o Posto Médico voltaria a abrir. Ninguém acreditava que não existisse uma funcionária administrativa para substituir outra que se tinha ausentado por motivos de saúde.

Verificou-se efetivamente que o médico optou por se aposentar.

Em 2016, quando o PS voltou ao governo e os ministérios da Saúde e das Finanças definiram que além da reforma, os médicos acumulam ainda 75% do vencimento correspondente ao escalão em que estavam e às horas semanais contratadas, muitos médicos reformados voltaram ao ativo. Segundo dados da Administração Central do Sistema de Saúde, a 31 de dezembro havia 301 médicos reformados a trabalhar no SNS.

No Posto Médico de Alqueidão da Serra o médico, que se reformou, optou por ficar na mesma ao serviço, mas apenas a meio tempo. Ou seja, está de serviço 2 ou 3 dias por semana e o resto do tempo está de férias.

Passado que foi quase um ano nesta situação, o médico deixou de poder responder às necessidades da população, porque em metade do tempo é impossível atender as mesmas pessoas que atenderia se estivesse a tempo inteiro.

Então: Precisa de consulta? Só daqui a um mês, e não venha para cá à quinta-feira que é o dia dos diabéticos, e nos outros dias não vai haver vagas. Precisa de medicação? Agora não pode ser, talvez na próxima semana.

E em 14 de Novembro de 2017 o Posto Médico fechou. As consultas que estavam aqui marcadas foram transferidas para Porto de Mós. A funcionária administrativa tinha deixado na farmácia as receitas que o médico já tinha passado, porque os utentes iriam encontrar o Posto Médico fechado, sem qualquer aviso, quando as fossem lá buscar.

Nos dias seguintes quem precisasse de médico encontrava no Posto Médico muitos AVISOS diante de uma porta fechada, e nenhum deles informava até quando esta situação se iria manter.

Soube-se mais tarde que afinal o Posto Médico tinha fechado porque a funcionária administrativa teve necessidade de se ausentar por motivos de saúde, e não foi colocada outra funcionária no seu lugar.

Para esta situação foram imediatamente alertadas as entidades ligadas à saúde, e foi também dado conhecimento à Câmara Municipal de Porto de Mós.

No domingo 27 de Novembro, veio a TVI ao Alqueidão da Serra e nesta altura a população teve oportunidade de mostrar todo o seu descontentamento e preocupação, procurando encontrar uma solução para os problemas que enfrenta no acesso aos Serviços de Saúde.

Na segunda-feira seguinte a esta reportagem a única coisa que tinha mudado foram os AVISOS na porta do Posto Médico. Agora já sabemos que o nosso Posto Médico vai estar fechado até 31 de Dezembro, ou seja, mais um mês sem médico de família.

O Coordenador da UCSP de Porto de Mós devia ter vergonha de assinar um documento destes onde demonstra a sua total incapacidade e incompetência para o lugar que ocupa.

Se não tem capacidade para substituir uma funcionária administrativa que se encontra de baixa, contacte a ARS de Leiria, contacte o Ministério da Saúde, peça a colaboração da Câmara de Porto de Mós, accione os mecanismos para que seja aberto um concurso publico, invista na formação de novos técnicos administrativos, existem muitas, muitas coisas que pode fazer. A única coisa que não pode fazer é deixar um população inteira sem médico de família, só porque é mais fácil não fazer nada.

O novo presidente da Câmara Municipal de Porto de Mós, tão empenhado que estava antes das eleições em estar “ligado a si” também ainda não deu a cara para falar sobre este assunto e não apresentou até à presente data (1 dezembro 2017) alternativas, como por exemplo assegurar o transporte para que as pessoas se possam deslocar às consultas a Porto de Mós, ou informar no sentido de estar a ser tomada alguma medida que leve à resolução deste problema.

 Médicos de Antigamente

Manuel Vieira Amado, José Rosa e o enfermeiro Lourenço da Costa, serão sempre lembrados pelos cuidados médicos que prestaram à população de Alqueidão da Serra e lugares vizinhos, por vezes a troco de nada, porque não havia como lhes pagar, mas ganharam o carinho, a amizade e o respeito de todos, pelo que nunca serão esquecidos.

 

 

Publicado em Condições de Vida | Publicar um comentário

Corrida São Silvestre

Vai realizar-se no dia 9 de dezembro de 2017, pelas 17h00 horas, a 2ª Corrida São Silvestre. A Corrida tem uma distância de 10 km, volta única, com partida no Pavilhão Polidesportivo do Campo da Chã.

Esta corrida, organizada pela Junta de Freguesia de Alqueidão da Serra, realizou-se pela primeira vez nesta freguesia em 2016 e foi bastante participada, tendo a cerimónia de entrega de prémios ocorrido no Mercado de Natal.

História da Corrida São Silvestre

Foi no Brasil em 1925 que a corrida São Silvestre começou. Recebeu este nome porque se realizou em 31 de Dezembro, dia de São Silvestre.

A prova, desde a sua criação até 1944, era disputada de noite e apenas por corredores brasileiros. Só começou a ser uma corrida mista em 1975, ano em que iniciou a participação oficial das mulheres.

Nos anos 50, a prova já tinha chegado à Europa e à América Latina. A Portugal, esta tradição chegou na década de 70, com a corrida na Amadora.

Começou depois a realizar-se nas principais cidades portuguesas, e em 2016 chegou ao Alqueidão da Serra por iniciativa da Junta de Freguesia liderada pela Lista Independente JFAS.

A corrida Internacional de São Silvestre realiza-se actualmente em várias localidades do país, sendo que algumas regras foram postas de parte: enquanto antes a prova acontecia sempre no último dia do ano e à noite — de forma a que a meta fosse cortada, precisamente, na altura das doze badaladas — agora ela acontece entre meados de dezembro e o início de janeiro, com diferentes horários, dependendo do local.

 

 

Publicado em Costumes e Tradições | Publicar um comentário