Alqueidão da Serra e o Futebol

O livro da autoria do Dr. António Pereira Carvalho intitulado “Alqueidão da Serra e o Futebol – Uma História Várias Gerações”, é uma obra que retrata a paixão pelo futebol vivida ao longo de várias gerações.

As lutas, as conquistas, as dificuldades, contadas por quem, de facto as viveu, por estar durante muitos anos na direção do CCR.

Neste livro, o autor recorda:

  • Os jogos num terreno junto à lagoa do Chão Nogueira,
  • O aparecimento da primeira bola de futebol
  • A construção do Campo da Chã
  • Os jogos de futebol até à criação do formal do CCR
  • A entrada na 2º Divisão Distrital da Associação de Futebol de Leiria
  • Todos os prémios conquistados pelo clube até à subida à 3ª Divisão Nacional
  • A sobrevivência financeira do futebol através dos tempos
  • Etc.

O livro foi editado por Jacinto-de-Água, tem capa de Rui Gabriel, e prefácio de Júlio Vieira (Diretor da Federação Portuguesa de Futebol), e é dedicado a todos aqueles que contribuíram para o nascimento e desenvolvimento do futebol no Alqueidão da Serra.

Olivia Matos Gabriel foi responsável pelas fotos (capa e troféus), e a Revisão esteve por conta do nosso conterrâneo Jorge dos Reis Amado. A composição esteve ao cuidado de João Amado Gabriel.

Um livro que é uma parte da nossa História.

Para encomendar este livro pode enviar mensagem para

alqueidaodascontas@gmail.com

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Luis Salgado de Matos

O professor universitário Luís Salgado Matos morreu na segunda-feira dia 15 de Fevereiro 2021 no Hospital de Santa Marta, em Lisboa.

As suas raízes estão no Alqueidão da Serra. Era filho de Alfredo de Matos, neto paterno de José de Matos e Maria Amado.

Luis Salgado de Matos nasceu em 1946, em Lisboa. Enquanto estudante passava as férias grandes no Alqueidão, na casa que foi dos seus avós, em frente à Igreja.

Foi um dos numerosos estudantes universitários presos pela PIDE em 1965.

Foi um especialista e investigador da história da Igreja e das Forças Armadas, investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ISCTE) e autor de uma biografia sobre o cardeal patriarca D. Manuel Cerejeira.

Foi consultor do antigo Presidente da República Jorge Sampaio e comentador da Renascença. Também fez parte do Governo de Transição de Moçambique, e foi consultor do ministro da Defesa Nacional, Júlio Castro Caldas, no segundo Governo liderado por António Guterres.

Durante o fim de semana de 29 e 30 de Agosto de 2015, em que ocorreu no Alqueidão a festa das comemorações dos 400 anos de freguesia, com missa de ação de graças transmitida pela TVI, chegou-nos de Lisboa a triste noticia do falecimento de sua mãe, D. Maria Luísa Salgado Correia.

Luis Salgado de Matos esteve presente no Auditório José da Silva Catarino, no Alqueidão, em 30 de Janeiro de 2016, para o lançamento da monografia: “Alqueidão da Serra – História e Lenda, Tradições, Usos e Costumes – de Alfredo de Matos” editada por Fernando Sarmento.

Gostava de cozinhar – e era bom cozinheiro… Surpreendia sempre os amigos que o visitavam. 

Ainda tinha em mente a publicação de um livro sobre a análise dos conteúdos do ensino da moral e religião católica nas escolas públicas.

A História perdeu um mestre …

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O Quarto Rei Mago

Diz-se que havia um quarto Rei Mago, que também viu brilhar a estrela sobre Belém e decidiu segui-la, e levar como presente ao menino um cofre cheio de pérolas preciosas.

No caminho, ele foi encontrando diversas pessoas que precisavam de ajuda. Ele atendia-as com alegria e diligência, estava com elas o tempo que fosse preciso e ia deixando uma pérola a cada um.

Este comportamento atrasou muito a sua viagem, e o seu cofre foi ficando vazio. Encontrou muitos pobres, doentes, encarcerados e miseráveis, e não podia deixar de os socorrer. Ficava com eles o tempo necessário para aliviar as suas mágoas e depois continuava o seu caminho, até ser interrompido novamente.

Quando finalmente conseguiu chegar a Belém, os outros Magos já não estavam lá, e a Criança tinha fugido com seus pais para o Egito, pois o Rei Herodes queria matá-lo.

O Rei Mago continuou a procurar a Criança mas já sem a estrela que antes o guiava. Procurou e procurou e procurou. Durante muitos anos percorreu a terra à procura da criança enquanto ajudava os necessitados que encontrava pelo caminho.

Um dia chegou em Jerusalém, no momento em que uma multidão enfurecida pedia a morte de um pobre homem. Olhando para ele, reconheceu nos seus olhos algo familiar. Entre a dor, o sangue e o sofrimento, via-se o brilho daquela estrela.

Aquele miserável era a Criança que por tanto tempo ele tinha procurado. A tristeza encheu o seu coração já velho e cansado. Embora ainda guardasse uma pérola no seu saco, já era tarde demais para oferecer à Criança que agora era um homem pendurado numa Cruz.

Sentido que falhou a sua missão, velho, cansado, e sem ter para onde ir, decidiu ficar em Jerusalém e esperar que a morte o levasse.

Apenas passaram três dias quando uma luz ainda mais brilhante que mil estrelas encheu o seu quarto. Era Jesus Ressuscitado que vinha ao seu encontro! O Rei Mago, caindo de joelhos, pegou a pérola que lhe restava e estendeu a mão enquanto fazia uma reverência. Jesus pegou ternamente e disse:

′′ Você não fracassou. Você me encontrou durante toda a sua vida. Eu estava nu e você me vestiu. Eu estava com fome e você me deu de comer. Tive sede e você me deu de beber. Estive preso e você me visitou. Pois eu estava em todos os pobres que você atendeu no seu caminho. Muito obrigado por tantos presentes de amor! Agora você estará comigo para sempre.”

Termina hoje o tempo litúrgico do Natal. Na procura de Jesus pelos caminhos da nossa vida, saibamos reconhecê-Lo em todos aqueles que precisam da nossa ajuda.

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Revista do ano 2020

Chegados ao final de mais um ano, aqui ficam os principais acontecimentos que marcaram a vida na nossa aldeia.

Este ano foi assim: Janeiro, Fevereiro, Março… Quarentena, Confinamento, Máscara, Alcool-gel… Dezembro.

As festas, e os convívios  foram possíveis nos primeiros meses do ano, quando apenas se ouvia falar de pandemia nos outros países do mundo. Depressa chegou cá.

A pandemia Covid-19 trocou-nos as voltas todas. Todos os eventos programados para este ano, tais como caminhadas, concertos, reuniões, tudo foi cancelado, no entanto as datas das festas tradicionais foram assinaladas da forma que foi possível, e o calendário cristão também foi cumprido com as devidas adaptações.

As missas passaram a ser transmitidas pela internet, e eram celebradas com o mínimo de pessoas presentes, e durante todos os dias do Mês de Maio se rezou o terço na Capela da Tojeirinha, transmitido em direto pelo facebook da paróquia.

Revista de um ano que veio para nos ensinar muitas coisas

No dia 1 de Janeiro a missa foi presidida pelo Padre José Frazão Correia, fez-se a tradicional procissão à Capela da Tojeirinha, a Benção de Ano Novo, e também vieram as vendedoras de pinhões como habitualmente.

No dia 11 de Janeiro teve lugar no Auditório José da Silva Catarino um concerto promovido pela Associação Alecrim e Salva., com os “Tribu da Vila”.

No dia 2 de Fevereiro celebramos como habitualmente a Senhora das Candeias. Na celebração as crianças da catequese fizeram a representação da Apresentação do Menino Jesus no Templo e o Padre Vitor invocou a benção de Deus sobre as mães e as crianças que nasceram entre 2 de Fevereiro de 2019 e 2 de Fevereiro de 2020. Como sempre, esta celebração contou com a presença de muito povo.

Depois disto, todas as atenções se voltaram para travar a pandemia, e as celebrações tiveram que ser todas adaptadas.

O tempo pascal que é o mais importante do calendário cristão foi diferente este ano.

Chegou 5 de Abril. Era Domingo de Ramos. Não se pode fazer a habitual benção dos Ramos no adro e a procissão de entrada para a missa. As pessoas foram convidadas a fazer uma cruz para colocar na porta, e assim este dia não passou despercebido.

Sábado Santo.

Tudo em casa. Não há Via Sacra pelas ruas. Não há ninguém pelas ruas. Tudo é silencio.

No Domingo de Páscoa a missa foi no adro, como aliás tem sido o novo normal. Todos levaram os seus banquinhos, todos desinfetaram as mão à entrada do adro, mantiveram as distancias e no fim todos voltaram para casa. Depois veio o dia de Pentecostes e foi a mesma coisa, sem festas, sem beijos nem abraços.

Chegamos ao mês dos santos populares. Não há festa de São Pedro. Não vamos lá, o São Pedro vem cá. Esperámos no adro, para uma pequena celebração, cumprindo todas as regras de segurança recomendadas.

E já estamos no verão. As grandes festas de Agosto também vão ser diferentes este ano.

Depois da missa no Adro, venderam-se cavacas, bolos, coscorões, morcelas e frango assado, para levar para casa e o sorteio foi transmitido em direto para a página do facebook da paróquia. As imagens de Nossa Senhora e São José percorreram todas as ruas da aldeia em cima de uma carrinha.

Uma semana depois da Festa do Alqueidão foi a Festa nos Bouceiros. Em 30 de Agosto celebrámos São Bento e Santa Quitéria, apenas com a missa, e a venda do andor de bolos e cavacas logo a seguir, e todo o mundo voltou para casa.

Depois em Setembro também se assinalou a Festa de Nossa Senhora da Saúde nos Bouceiros, não como todos os anos, mas da forma que foi possível.

Em 11 de Outubro foi a festa do Sagrado Coração de Jesus, também no adro e com todas as regras de segurança propostas pela DGS.

E chegou Novembro e com ele o Dia de Pão por Deus. Normalmente neste dia as ruas enchem-se de crianças, e é uma alegria ver tanta criança a correr pelas ruas. Este ano todas as ruas estavam todas desertas. Não se vê vivalma! Uma tristeza imensa…

E pelo São Martinho não há o Magusto. Não há convívio organizado pela Ação Católica nem as castanhas que a Junta de Freguesia costuma oferecer.

Mesmo assim a doença não nos dá tréguas, e tudo se desenvolve no sentido de não nos podermos juntar no Natal.

E chegamos ao ultimo mês de um ano que ninguém merece. Com os profissionais de saúde esgotados, não há espaço para se preocuparem com as outras doenças. Só se pensa em Covid, no entanto as outras doenças não deixaram de existir por causa disso. As pessoas com doenças crónicas sofrem mais, e algumas acabam por morrer por falta de assistência.

Todo este ano foi marcado por tufões, furações, tempestades, sismos, cheias e inundações. E como se não bastasse, não podemos esquecer todo o sofrimento causado pelos ataques de radicais ligados ao Daesh, na província de Cabo Delgado em Moçambique que espalharam o terror e a morte.

Em 21 de Dezembro começou o inverno. Este ano, neste dia acontece a conjunção planetária entre os dois planetas Júpiter e Saturno numa nova “Estrela de Belém”. Este fenómeno só vai voltar a repetir-se em 2080.

Chegou o Natal…. a luz voltou!

Mas, para variar, não pudemos celebrar como nos outros anos. Nós, que nos queixávamos de tantas coisas, nem fazíamos ideia nenhuma de que pudessem existir anos como este.

Em 30 de Dezembro de 2020 o ponto da situação no nosso país era o seguinte:

Nº de casos

  • Activos 68.205
  • Recuperados 331.016
  • Óbitos 6.830
  • Confirmados 406.051

Mas já há vacinas. Nunca uma vacina foi desenvolvida em tão curto espaço de tempo. A vacinação começou a 27 de Dezembro.

Na passagem de ano costumamos nos juntar no moinho para ver o fogo de artificio e apreciar todos os fogos de artificio nos concelhos à nossa volta. Com a proibição de circular na via pública nestes dias, o fogo de artificio só pode ser visto da nossa janela. Estamos gratos porque chegamos até aqui.

2020 foi um teste à nossa resistência. Acreditamos em 2021.

Feliz Ano Novo

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O Padre Cruz

Aquele homem único que foi o Padre Cruz, também esteve no Alqueidão da Serra.

Corria o ano de 1902. O Dr. Cruz, Francisco Rodrigues da Cruz, era este o seu nome completo, chegou ao Alqueidão antes do Cardeal Patriarca, a fim de, com a sua esclarecedora e convincente pregação, dar os últimos acabamentos na preparação de toda a gente para o sacramento do Crisma.

Pela simplicidade do seu trato, conquistou imediatamente a total simpatia dos homens, com os quais se punha a conversar no adro antes dos ensinamentos que dava na igreja.

Espalhou-se entre a população a notícia dum facto que aumentou notavelmente a fama das muitas e grandes virtudes do Dr. Cruz, já faladas por todos, esse facto vinha, então, a ser, que ele tomava banho todas as noites em água fria, durante qualquer estação do ano, como ato de penitência.

Toda a gente estava tão impressionada com as suas palavras, que os homens batalharam tanto com ele para voltar, dentro em breve, a fazer uma missão na Freguesia, que o bondoso sacerdote, em ar de graça, lhes disse:

– “Tornarei pela água-pé nova… Se eu puder”

Nesta altura o Alqueidão pertencia à diocese de Lisboa, por ter sido extinto o bispado de Leiria.

Depois das pregações do Padre Cruz, chegou o Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. José Neto, que aqui permaneceu durante 3 dias a fim de crismar o maior numero possível de pessoas.

Este acontecimento de natureza religiosa, começou no dia 26 de Abril daquele ano de 1902, e quem fez o relato escrito que se transcreve a seguir foi o o professor José Candeias Duarte na sua qualidade de correspondente do “Correio Nacional”.

“Chegou a esta terra, vindo de Porto de Mós, o Sr. Cardeal Patriarca de Lisboa, acompanhado pelo clero que estava com ele na Vila, e de muito povo. Aguardavam a chegada de S.a Eminência alguns padres e quase todo o povo da Freguesia, que esperava, apesar dos fortes aguaceiros que então caíam, com ansiedade que um sinal lhes anunciasse a chegada do ilustre visitante.

Às 11,30 formou-se na igreja a procissão, que se compunha das três irmandades erectas na Freguesia, a do SS.mo, do Coração de Jesus e de Nossa Senhora e de muitos anjos, para ir receber o Sr. Patriarca, debaixo do pálio, à entrada da Freguesia. Chovia então torrencialmente e o Rev.º Pároco, reconhecendo a impossibilidade da procissão sair, ordenou que só saísse o pálio.

Era meio-dia em ponto quando uma grande girândola anunciou a chegada do Sr. Patriarca à residência do pároco. É impossível descrever o entusiasmo, a alegria que se apoderou do grande número de pessoas que o esperavam. Todos, num brado uníssono e na alegria estonteante, levantavam muitos vivas a S.a Em.a.

O Sr. Patriarca revestiu-se na residência do pároco e dali saiu debaixo do pálio, acompanhado pelo clero dos concelhos de Porto de Mós e da Batalha, e por muito povo, para a igreja, sendo recebido à entrada do templo pelo Revº. Prior da Freguesia. Depois das cerimónias do estilo, à entrada do templo, um coro de vinte criancinhas cantou o hino de S.a Em.a ensaiadas pelo Revº. Prior. Vimos nessa ocasião S.a Em.a. tão impressionado, tão comovido que algumas lágrimas lhe deslizaram pelas faces.

As ruas por onde passou o Sr. Cardeal estavam ornadas com verdura e flores, muitas bandeiras e arcos. Na rua denominada de Cima, e que dá para a residência paroquial, viam-se alguns arcos triunfais e é ladeada por dois renques de paus, cobertos de verdura e flores, encimados por bandeirolas; estes paus são ligados por um cordão de buxo e alecrim. Esta rua foi ornada sob direcção do nosso amigo José Real, a quem felicitamos pela forma artística como se houve no desempenho da missão que lhe foi confiada.

À hora a que escrevo estão crismados nove centas pessoas. Noutra correspondência, direi o que houver de mais interessante, pois esta vai longa.”

Isto foi publicado no jornal “Correio Nacional” de 2 de Maio. O que vai a seguir, saiu no dia 14.

“O segundo dia da visita, domingo, 27 de Abril, amanheceu também chuvoso. Não obstante porém, logo pela manhã, começou a afluir muito povo. À hora marcada por S.a Em.a. para celebrar a missa pelas Almas das pessoas sepultadas no cemitério desta freguesia, o templo estava repleto de fieis. S.a Em.a. ao Evangelho fez uma alocução substanciosa, atractiva e moralizadora, sobre o Evangelho do dia, “Eu sou a Videira e vós sois a vara”. O povo escutava-o em profundo silêncio. Simplesmente edificante!

Em seguida à missa, não podendo S.a Em.a. ir ao cemitério, como aliás era sua forte vontade, fez as orações fúnebres no corpo da igreja, procedendo logo depois, à administração do Crisma a mais de trezentas pessoas.

À noite houve terço e ladainha, com exposição e sermão pelo Revº. Dr. Cruz que, pela sua simplicidade, clareza e santidade, muito agradou ao auditório que, à cunha, enchia a igreja. Realçou muito esta cerimónia o acompanhamento feito no harmónio do pároco desta freguesia.

Segunda-feira, de novo vemos em volta de S.a Em.a. um numeroso concurso de filhos dóceis e humildes, conquanto a chuva estivesse ainda caindo. Neste dia foi administrado o crisma a mais de cem pessoas e, à noite, erigiu-se canonicamente e com solenidade a “Via-Crucis”, havendo também acompanhamento a harmónica e cânticos que mais de duzentas vozes fizeram ouvir. O número de pessoas crismadas sobe a mais de mil e cento e vinte.

Na terça-feira, dita a missa, despediu-se S.a Emº. Num discurso que fez a quem tantas provas de respeito e amor lhe tinham dado. Foi então que, pela segunda vez, vimos S.a Em.a. comovido, comovendo também a nós todos, clero e povo. As lágrimas foram a última prova de amor de S.a Em.a. por nós e de nós por S.a Em.a. Bem-haja o eminente prelado que assim sabe cativar os corações.

Às nove e trinta da manhã, partiu S.a Em.a. desta freguesia, em direcção a Serro Ventoso, acompanhado do pároco e vário clero e de muito povo. Apesar do mau tempo, foi encantadora e entusiástica a despedida. Mais de duzentas pessoas levantando vivas calorosas e cantando o Hino de S.a Em.a. seguiam o carro que devagar rodava pela estrada que leva a Porto de Mós. S.a Em.a vendo o sacrifício deste povo e com medo de que viessem a molhar-se, proibiu-lhe que fosse a Porto de Mós que fica a cinco quilómetros, como aliás era vontade do mesmo povo.

Obedecendo, nem um só passo mais deu, mas triste e fiel à voz do amor, ajoelha e implora uma última bênção do prelado, levanta-lhe vivas, e até nos perdermos de vista, ficam aquelas duzentas pessoas fazendo estrugir no espaço, o hino.

E assim terminou nesta Freguesia a vista de S.a Em.a o sr. Cardeal Patriarca, D. José III, que nos deixou indeléveis recordações e profundas saudades. Em toda a Vigararia o Prelado tem sido sempre bem recebido, e uma nota de solenidade há, que ainda não foi referida, é que em todas as freguesias tem comparecido uma filarmónica, o que tem dado muito realce às recepções.”

Naquele vibrante adeus, de quem se despediria o Povo, do Cardeal-Patriarca ou do Santo que já se via no Padre Cruz?

Até à restauração da diocese de Leiria, em 1918, foi esta a última vez que a Freguesia recebeu a visita pastoral dum Bispo.


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