Os Sapateiros

De entre as profissões que desapareceram encontramos a profissão de Sapateiro. Quando não existiam à venda sapatos já feitos, as pessoas andavam descalças ou tinham que mandar fazer sapatos por medida aos sapateiros.

Em 1305, o Rei Eduardo I decretou que a medida de uma polegada deveria equivaler a três grãos secos de cevada, e estabeleceu assim medida padrão para o fabrico de calçado. Os sapateiros passaram a fabricar calçado seguindo esta medida, ou seja, um sapato de criança, que medisse treze grãos secos de cevada, recebia a medida padrão treze.

No Alqueidão quem se dedicava a esse trabalho de fazer sapatos era:

  • O Farramenta (pai da ti São Brilhanta) trabalhava na Rua de Cima numa casa perto do lugar onde hoje é a Farmácia.
  • O Rafael Gabriel trabalhava numa casa em frente da atual Casa do Povo. Foi quem fez os sapatos para o casamento da tia Adélia Locádia.
  • O Caturra (pai do Alfredo de Matos) trabalhava na sua casa em frente à Igreja
  • O Afonso Safrino trabalhava na sua casa onde hoje é a clinica Saude e Sorrisos
  • O José de Matos Galo (marido da tia Amélia) trabalhava na sua casa no atual Largo do Fiscal Costa na estrada para Porto de Mós.

José de Matos Galo, perto da sua sapataria

O Zé de Matos Galo era filho do Adriano Galo e da ti Doroteia que viviam numa casa onde hoje é o parque de estacionamento do Centro de Dia.

O Zé de Matos Caturra era o pai do Alfredo de Matos e vivia com a família numa casa em frente à Igreja.

Porque muitos nomes eram iguais eles eram mais conhecidos pelas alcunhas. Para evitar alcunhas, e para não haver enganos, nos Casais dos Vales usavam colocar o apelido Desenganar, quando já havia outra pessoa com o mesmo nome.

As casas do Alqueidão eram todas construídas ao longo dos caminhos principais. As únicas casas que existiam para além do Cruzeiro, eram o ti Marinha e o Carenco. A Carreirancha ficava muito longe mas também lá existiam sapateiros.

Por vezes os sapateiros eram contratados para ir arranjar calçado a casa das pessoas, ou fazer sapatos novos caso fosse necessário, ou seja, trabalhavam ao domicilio e ganhavam entre 200 e 240 reis.

O calçado de trabalho era untado com sebo, para ficar mais maleável e impermeável e para durar mais tempo. As botas de trabalho dos homens eram cardadas e com protectores na sola.

O sapato por medida é coisa do passado, nos tempos que correm os sapateiros apenas consertam o calçado.

25 de Outubro dia do Sapateiro

Por volta do ano 280, os irmãos Crispim e Crispiniano, que pertenciam à classe rica daquela época, converteram-se ao Cristianismo. Foram perseguidos pelos governantes e tiveram que sair de Roma. Foram para Gália e passaram a trabalhar como sapateiros.

Diz-se que certo dia, fugindo do imperador, passaram a noite na casa de uma senhora e no dia seguinte, depois de eles terem ido embora, ela percebeu que tinham deixado um sapato cheio de moedas de ouro.

Dizem que foram capturados e amarrados numa pedra e atirados no rio, mas que conseguiram sobreviver. Quando os encontraram prenderam-nos e em seguida foram decapitados.

Passaram mil anos e,  por volta de 1.300, o Cristianismo tomou conta de Roma. Nessa altura  um bispo recuperou as vestes dos irmãos e criou uma Igreja em sua homenagem.

Foi então convencionado o Dia 25 de outubro como o Dia do Sapateiro, em homenagem aos irmão Crispim e Crispiano.

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O Ano de 2019

Recordamos aqui os principais acontecimentos que marcaram a vida da nossa comunidade em 2019.

Janeiro

01-01-2019

Tradicionalmente começamos o ano na Capela de Nossa Senhora da Tojeirinha, para onde vamos em procissão depois da missa das 11h30, levando as imagens de Santo António, São Silvestre e o menino Jesus. Celebramos Nossa Senhora Rainha da Paz, e com toda a gente reunida em volta da Capela, o senhor prior abençoa a natureza, as terras de cultivo, os animais e as pessoas presentes, e implora a paz para toda a humanidade.

É dia de comprar pinhões às pinhoeiras da Maceira, que seguindo o exemplo das suas bisavós, sempre vêm cá neste dia.

06-01-2019

A Festa da Catequese com a missa celebrada pelo padre Vitor Mira no salão da Casa do Povo, onde as crianças fizeram a representação do nascimento de Cristo, foi no dia seis.

Fevereiro

02-02-2019

Neste dia celebramos Nossa Senhora das Candeias, com a presença das mães e crianças na missa. Toda a gente leva uma vela. O sacerdote invoca a  Benção do Senhor para as mães, futuras mães e crianças. Estão presentes nesta ocasião os nascidos entre 2 de Fevereiro de 2018 e 2 de Fevereiro de 2019.

03-02-2019

O Almoço Solidario este ano é para ajudar no restauro do Cruzeiro da Capela de Nossa Senhora da Tojeirinha que foi vandalizado em Dezembro de 2018.

23-02-2019

O Festival das Sopas no CCR, organizado pelos Veteranos, reverte a favor do António Gabriel.

Março

04-03-2019

O Baile de Carnaval no CCR, organizado pelos nascidos em 1979, reverte a favor das Festas de Nossa Senhora que se vão realizar em Agosto.

19-03-2019

Dia do Pai.

Celebramos São José, o padroeiro da freguesia de Alqueidão da Serra.

20-03-2019

A Super Lua de Março. Na noite de 20 para 21 de março, a Lua foi maior e mais brilhante que o habitual. Observámos uma linda e brilhante  super lua cheia.

Abril

Nasceu em Abril, a  associação ALECRIM E SALVA – ASSOCIAÇÃO CÍVICA, CULTURAL E AMBIENTAL.

Esta  associação pretende envolver a comunidade e as restantes instituições, criando grupos de trabalho para tratar temas como tradições, Cultura, Histórias Tradicionais, Gastronomia, ervas Aromáticas, Percursos de Natureza e Património.

O grupo de Cultura, propõe realizar sessões de cinema como forma de levar as pessoas a sair de casa e terem acesso a filmes de qualidade.

O projecto “dar luz ao Alqueidão” leva os voluntários a caiar as casas desabitadas à beira da estrada, deixando tudo mais bonito.

14-04-2019

Fundação da Ur’Gente, Associação de Utentes de Saúde, com vista a resolver os problemas que existiam na freguesia devido à ausência do médico de família, à falta de transporte para Porto de Mós, e outras problemas ao nível dos cuidados de saúde.

14-04-2019

Já em tempo de quaresma a Via Sacra percorreu as ruas da aldeia. Teve a participação das crianças da catequese, catequistas e toda a comunidade.

28-04-2019

Inauguração da Exposição José Afonso.

Da iniciativa do Coral Calçada Romana, inserida nas comemorações do 25 de Abril, esta exposição esteve patente ao publico de 28 de Abril a 12 de Maio, na sede da Junta de Freguesia.

Maio

19-05-2019

Profissão de Fé

Uma marco importante na vida das crianças da catequese. Agora já são crescidos,  já podem afirmar por eles próprios que acreditam em Deus, e renovam as promessas que seus pais fizeram por eles no Batismo. 

24-05-2019

Manifestação por melhores cuidados de saúde.

Estamos sem médico de família à vários meses, e juntámos-nos junto ao Centro de Saúde de Porto de Mós para pressionar as entidades responsáveis, a tomar as decisões necessárias para resolver este problema que afeta não só a população do Alqueidão, mas também algumas outras freguesias do Concelho.

26-05-2019

A festa de encerramento da Época Desportiva no CCR,  estabelece o convívio com atletas, técnicos, colaboradores, dirigentes e famílias.

 

26-05-2019

Primeira Comunhão

As crianças  vão receber pela primeira vez o “Corpo e Sangue de Cristo sob a forma de pão e vinho”.

Preparar as crianças para receber o Corpo de Cristo é o trabalho voluntário dos catequistas que se dispõem, em conjunto com os pais,  a ensinar e fazer compreender às crianças alguns princípios fundamentais da Igreja, tais como os 10 Mandamentos, as principais orações e os 7 sacramentos.

Junho

02-06-2019

Comemoração do Dia da Criança no Campo da Manga Branca.

Tarde de convívio, onde são vendidos bolos caseiros e coscurões, que reverte a favor do António Gabriel, para que este possa continuar a fazer os seus tratamentos altamente dispendiosos.

04, 05 e 06 de Junho de 2019

Semana da Educação

Durante os dias 4, 5 e 6 de junho, a freguesia do Alqueidão da Serra acolheu a Semana da Educação de Porto de Mós 2019. Cerca de 2000 crianças vieram visitar o Alqueidão da Serra e participar em dezenas de atividades lúdicas e didáticas. Foi dado a conhecer aos alunos do jardim-de-infância, 1º e 2º ciclos, a freguesia de Alqueidão da Serra com as suas tradições, costumes e histórias.

Nesta ocasião foi-nos apresentado o Borraponto.

A Junta de Freguesia de Alqueidão da Serra desenvolveu um projecto que permite reciclar as cápsulas do café.

Uma ideia de Silvia Carvalho que também tratou de toda a parte burocrática juntamente com Filipe Batista. O Luis tratou da parte do estudo e desenvolvimento do “bidon”, e a ideia foi posta em prática na oficina do Domingos “Sanfona”.

Os utentes do Centro de Dia fazem a separação dos materiais, e a verba da venda das borras, plástico e alumínio das cápsulas, reverte a favor da instituição.

No final de tudo, o alumínio e o plástico são transformados, e a borra do café vai servir de fertilizante para os terrenos e para fazer pellets para recuperadores de calor.

14-06-2019

Restauro da Cruz da Tojeirinha, depois da campanha de angariação de fundos “Operação de Restauro” que permitiu juntar o dinheiro necessário para restaurar a cruz e para reparar o chão da Capela de Nossa Senhora da Tojeirinha.

15-06-2019

Festa em honra de Nossa Senhora da Tojeirinha

Sábado da Festa – Procissão das velas

Depois da missa na Igreja Paroquial o andor com a imagem de Nossa Senhora da Tojeirinha vai em procissão até à Capela, passando pelas ruas iluminadas com velas.

16-06-2019

Domingo da Festa – Inauguração do Cruzeiro reconstruido

No domingo da Festa a missa é no adro da Capela e depois a tarde é de convívio. Este ano foi inaugurado nesta ocasião, o cruzeiro restaurado.

23-06-2019

Dia do Idoso e do Doente

Depois da missa os idosos e doentes juntam-se para um lanche convívio da Casa de São José.

29-06-2019

Festas de São Pedro em Porto de Mós

O tema da decoração da tasquinha do CCR foi “o mar”.

Julho

07-07-2019

Crisma

Neste dia recebemos a visita do Sr. Bispo, e a missa teve a participação do Coral Calçada Romana.

14-07-2019

Concerto de Encerramento do ciclo de Musica Coral  “Via de Cultura – Coros XXII” que contou com a presença do  Coral Calçada Romana (Alqueidão da Serra),  Coro Carlota Taylor ( Espinhal -Penela) e do Orfeão do Centro Cultural da Guarda (Guarda).

19-07-2019

Eleição dos Orgãos Sociais da Associação de Utentes “Ur´Gente”. 

A Associação tem como finalidade resolver problemas que as pessoas têm no acesso aos Serviços de Saúde e zelar pelo bom funcionamento destes serviços.

Agosto

16, 17 e 18 de Agosto 

Festas de Nossa Senhora do Rosário

Sábado

No sábado a missa vespertina é pelas intenções dos Festeiros, que são os que fazem 40 anos este ano de 2019. Depois o arraial vai até altas horas da noite.

Domingo

No domingo de manhã os festeiros recebem a Banda Filarmónica que começa com a saudação a Nossa Senhora junto à porta da igreja e depois segue para a sede da Junta de Freguesia para saudar o presidente, e vão logo a seguir a cada uma das zonas da freguesia buscar os andores.

Chegam ao adro quase em cima da hora da missa, depois da qual decorre a procissão com os andores de Nossa Senhora e São José (porque ele é que é o padroeiro), os andores de bolos e cavacas, a banda e muito povo.

Segunda-Feira da Festa 

Este dia é tradicionalmente dedicado ao emigrante, muitos deles estão cá de férias e a missa é pelas suas intenções. Segue-se a procissão com o Santíssimo Sacramento.

25-08-2019

Festa em honra de São Bento e Santa Quitéria 

No fim de semana seguinte ao da Festa de Nossa Senhora no Alqueidão, é a Festa dos Bouceiros em honra de São Bento e Santa Quitéria.

Setembro

08-09-2019

Festa em honra de Nossa Senhora da Saúde

Sempre no dia 8 de Setembro, quer seja domingo ou um dia normal de semana, as gentes dos Bouceiros fazem a Festa em honra de Nossa Senhora da Saúde.

Outubro

03-10-2019

Os caçadores que fazem parte do  Clube de caça, Pesca e Tiro do Alqueidão da Serra e Reguengo do Fetal, semeiam os campos abandonados, com ordem dos respectivos proprietários, de forma a que exista sempre comida para os animais selvagens.  Deste modo, havendo comida na serra, javalis e raposas não vem para a aldeia à procura de comida.

Milho dos caçadores, colocado para secar ao sol

31-10-2019

Inauguração da Pista de Pumptruck

Projeto vencedor do orçamento participativo de 2018, a pista, que foi uma proposta de Luis Boal, foi inaugurada neste dia, mas não está ainda concluída.  

31-10-2019

No final do ano a pumptrack ainda não tinha sido concluída mas mesmo assim tem atraído pessoas de diferentes partes do país tendo já recebido malta do Porto, Rio Maior, Caldas da Rainha etc

Novembro

01-11-2019

Dia de Pão por Deus

Para cumprir a tradição as crianças vão em grupos pedir o pão por deus, e nas portas das casas algumas pessoas esperam para dar pão por deus. E há para todos, para miúdos e para graúdos.

03-11-2019

Dia de Fieis Defuntos

Neste dia lembramos todos aqueles que já saíram do nosso convívio. Os cemitérios ficam cheios de flores e de gente que vai visitar as campas dos seus familiares falecidos.

03-11-2019

De regresso do cemitério o pessoal passa pela sede da junta de freguesia porque neste dia a Junta também dá pão por Deus.

Convívio na sede da Junta de Freguesia

Também é dia de entregar os certificados aos jovens que participaram nos Estágios de Verão de 2019. Nas férias de verão estes jovens trabalharam em áreas tão diversas como ambiente, património, cultura, cidadania, etc.

03-11-2019

Caminhada de Outono

A partida é junto à igreja dos Bouceiros, é para caminhar 10km pelo meio da natureza. A participação é gratuita e a Junta de Freguesia ainda oferece um lanchinho.

09-11-2019

Magusto no CCR

10-11-2019

O Magusto organizado pela Acção Católica Rural este ano foi no Casal Duro. A Junta de Freguesia ofereceu as castanhas, como habitualmente.

Dezembro

A Revista do Município de Porto de Mós referente a Dezembro, que todos recebemos na caixa do correio, tem na capa o Manuel, neto do professor Carlos, fotografado pela nossa conterrânea Ilda Silva.

Também nos dá conta da homenagem ao ti Daniel Correia por ocasião dos 50 anos do Fundo Social dos Funcionários da Câmara Municipal de Porto de Mós.

E também ficamos a saber que existe o Vamós, o transporte urbano que liga as freguesias à sede do Concelho, mas não passa no Alqueidão da Serra. Sabe-se lá porquê!…

06-12-2019

Mercado de Natal

Uma oportunidade para promover o artesanato e os produtos regionais. Podemos comprar aqui presentes originais feitos por artesãos da nossa terra, e ainda provar as especialidade típicas do Alqueidão como morcelas, coscurões, bolos caseiros e chocolates. Há musica, convívio e muitas atividades para as crianças.

07-12-2019

Corrida São Silvestre

Integrada no mercado de Natal a inscrição é de um bem alimentar que reverte a favor do Centro de Dia. 

O Pódio da Corrida São Silvestre é no mercado de natal.

08-12-2018

Mercado de Natal

O CCR serve refeições para quem quiser lá almoçar ou jantar, e para sobremesa ou lanche há sempre muito por onde escolher.

12-12-2019

Super Lua Cheia de Dezembro. A última do ano.

18-12-2019

Campanha para encontrar um dador de medula óssea para a nossa conterrânea Carla Vitorino, que tem um cancro e a única solução para ela é um transplante de medula.

De louvar a dedicação e o empenho das analistas do laboratório Beatriz Godinho, que se disponibilizaram, num sábado de tarde, para tirar sangue para os testes, aos voluntários que lá chegaram. Também a Câmara de Porto de Mós disponibilizou um autocarro para este fim.

21-12-2019

Concerto de Natal – Coral Calçada Romana 

Para terminar as suas actividades em 2019, o Coral Calçada Romana realizou o seu Concerto de Natal na Igreja Paroquial.

Natal de Alqueidão da Serra

23-12-2019

Iluminações de Natal

A novidade deste ano foi o presépio e a árvore de natal no largo da padaria.

O presépio do adro foi feito pelo Hugo Ferraz e pelo Hugo Santos.

25-12-2019

Missa do Galo

A tradicional missa da meia-noite teve a participação dos jovens.

29-12-2019

Festa das Famílias

No ultimo domingo do ano, 29 de Dezembro, dia da Sagrada Familia de Nazaré, estiveram presentes na missa os casais que neste ano de 2019 completaram 25, 50 e 60 anos de matrimónio cristão. 

O Padre  Vitor invocou a Benção do Senhor para as imagens da Sagrada Familia que ofereceu aos casais presentes.

O Padre, o Médico e o Presidente da Junta

As três pessoas mais importantes

O padre Vitor é missionário, e está numa verdadeira terra de missão. Os jovens muito afastados da igreja, só aparecem até fazerem o Crisma, depois disso não há mais quem lhes ponha a vista em cima. O trabalho incansável do padre Vitor tem sido levar Cristo ao coração das pessoas, mostrando-se disponível e atencioso, e propondo diversas atividades, encontros e formação cristã.

O médico chegou cá a meio do ano de 2019 e ainda está a “arrumar a casa”. Tem que conhecer as pessoas, atualizar os registos, ver se a medicação crónica que cada um está a tomar continua a ser a medicação adequada, e isto não se faz de repente, leva tempo.

O Presidente da Junta, Filipe Batista, apoia todas as associações e todos os projetos que contribuam para o desenvolvimento da freguesia. Está lá para ajudar, em todo o lado que for preciso.

A sua acção este ano tem sido voltada para as estradas que passam por dentro da aldeia, construindo muros e passeios, falando com os herdeiros das casas desabitadas que se encontram à beira da estrada, de forma a fazer acordos que permitam alargar a estrada nos pontos onde ela é mais apertada.

Na Rua da Carreirinha

Também as placas com os nomes das ruas foram removidos das paredes onde estavam e colocadas num suporte mais visível, no inicio e no fim da rua.

Quando as alcunhas dão o nome à Rua, já ninguém sabe como se chama o Tuta

Estatísticas

Neste ano de 2019, em toda a freguesia do Alqueidão da Serra, houve 3 casamentos, 13 batismos e 27 funerais.

31-12-2019

O ano termina no Moínho, porque aí há fogo de artificio por todos os lados. 

Não foi bom?… Chegaram agora 366 novas oportunidades para fazer melhor.

És tu que tens que mudar, não é o ano!… Vamos começar tudo de novo. 

01-01-2020

Janeiro

Tradicionalmente começamos o ano na Capela de Nossa Senhora da Tojeirinha, para onde vamos em procissão depois da missa das 11h30, levando as imagens de Santo António, São Silvestre e o menino Jesus. Celebramos Nossa Senhora Rainha da Paz, e com toda a gente reunida em volta da Capela, o  senhor prior abençoa a natureza, as terras de cultivo, os animais e as pessoas presentes, e implora a paz para toda a humanidade.

Que 2020 seja um ano especial, para cada um de nós.

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Gente de Fé

Dia 8 de Dezembro de 2019, dia da Imaculada Conceição, faz 83 anos que morreu o Jesus.

Tinha 18 anos. Perdeu a vida no desastre da Escola em Porto de Mós, quando o  chão do 1º andar do edifício desabou, caindo em cima de quem estava no rés-do-chão.

Grande multidão estava em Porto de Mós naquele dia 8 de Dezembro de 1936 para a festa da juventude da Ação Católica. Estava gente de todas as freguesias do concelho. Do grupo do Alqueidão da Serra só o Jesus perdeu a vida neste desastre que vitimou 44 pessoas.

O Jesus era um dos filhos de Manuel Laranjeiro, que tinha a alcunha de Plante e Maria de Jesus, a quem chamavam Perquita.

A família vivia numa casa baixinha na Rua Adeferreiro.

Maria de Jesus

A mãe, Maria de Jesus, tratava das crianças e da casa. Ela educou as suas filhas para serem boas donas de casa e ensinou-as a fazer as lides domésticas.

Ensinou-as a lavar a roupa, a passar a ferro e a cozer o pão de forma a que, elas é que faziam esses trabalhos em casa e assim ela estava mais disponível para ajudar o marido nos trabalhos no campo.

 

Manuel Laranjeiro

O pai, Manuel Laranjeiro, trabalhava no campo. E muito que lavrar ele tinha! Era um homem de fé. Pertencia a todos os organismos da Igreja Católica.

No caminho para as fazendas benzia-se sempre quando avistava ao longe a torre da Igreja, e quando o sino tocava as avés-marias ele parava o que estava a fazer, tirava o chapéu e rezava o Angelus.

Na sua casa rezava-se o terço em família todos os dias, porque “Familia que reza unida permanece unida”, é o que diz o ditado, e na realidade a família continuou sempre unida até aos dias de hoje, apesar de atualmente não se rezar tanto.

Os irmãos do Jesus eram: O Tiago Plante, o Zé Plante, a Céu, a Maria da Encarnação (São Perquita), a Adélia e a Maria da Conceição.

As meninas estudaram até à terceira classe, porque naquele tempo as meninas não podiam estudar mais.

Maria da Conceição e Adélia

Maria da Conceição

A Maria da Conceição decidiu seguir a vida religiosa. Estávamos no final da década de 40 quando ela foi estudar para a Casa de São Vicente de Paulo em Lisboa

Estudou enfermagem, e depois empregou os conhecimentos adquiridos cuidando da saúde dos pobres e desfavorecidos.

Enfermeira Vicentina

Primeiro ela foi tratar de leprosos para a Tocha. Depois na sua qualidade de enfermeira foi para o hospital de Alijó. Em 1971 chegou a  Cucujães, e mudou a vida daquela comunidade, trabalhando incansavelmente com os jovens. É que não bastava que ela amasse a Deus, era preciso que os outros o amassem também.

Começou por chamar as jovens para um “curso de economia doméstica, e a partir daí desenvolveu muitas atividades com os jovens. Soube acompanhar todas as transformações, percebendo a evolução da sociedade e da juventude e adaptando a sua ação às novas realidades.

A irmã Conceição aprendeu a andar de motorizada e então aí é que nunca mais ninguém teve descanso.

Não podia por existir em Cucujães nenhum jovem adormecido ou apático porque a irmã Conceição na sua motorizada ia bater-lhes à porta e incentivava-os a pedir autorização dos pais para frequentar os grupos de jovens.

A irmã Conceição era sempre a primeira a pôr os projetos em andamento e a motivar todo o mundo à sua volta.

Ouvia os jovens com um amor maternal, e falava-lhes com carinho, mas com firmeza. Com eles rezava, cantava, fazia a animação da eucaristia, retiros, reflexões, teatros, discutiam temas da atualidade, etc.

Nunca se esquecia de quem precisava dela, conhecia pelo nome cada doente, cada pobre, cada jovem.

Foi co-responsável pela fundação da Associação Juventude Mariana Vicentina a nível nacional (1984), e esteve sempre presente como animadora, assessora, delegada, impulsionadora.

A todos ela apontava o caminho para Jesus com o seu exemplo.

Na Igreja do Alqueidão

O seu exemplo de vida e trabalho foram reconhecidos pelo Presidente da Republica, que elogiou a sua visão estratégica, a sua capacidade empreendedora e o seu testemunho de amor ao próximo.

Existe em Cucujães uma rua com o nome da irmã Conceição

  • Artéria: Rua Irmã Conceição

  • Localidade: Cucujães

  • Freguesia: Vila de Cucujães

  • Concelho: Oliveira de Azeméis

  • Distrito: Aveiro

Comemoração de 79 anos de vida

Em 2019 a irmã Conceição celebra os seus 89 anos de vida.

 Adélia

Irmã Adélia

Era tradutora de português-francês dentro da congregação dela, são Vicente de Paulo, chamadas filhas da caridade.

Traduziu alguns livros religiosos de francês para português.

Viveu muitos anos em Paris, representava a comunidade portuguesa na casa mãe em França.

Esteve algum tempo em Felgueiras e também em Peniche e em Lisboa.

 

A congregação tinha uma casa em Fátima, e todos os anos se juntava lá a família toda, mãe, irmãos, sobrinhos… Era uma alegria.

 Maria da Encarnação

Maria da Encarnação casou e foi viver para Porto de Mós.

Ela herdou a alcunha da sua mãe, e era também conhecida por Perquita.

Tinha um talho no Alqueidão, nas traseiras da Igreja, e vinha cá vender carne. Toda a gente conhecia o Talho da Perquita.

 Tiago

O Tiago trabalhava na agricultura. Quando casou construiu a sua casa ao lado da casa do pai e teve 8 filhos. Transmitiu a todos eles os valores que recebeu de seus pais.

Tiago com a esposa a mãe e as irmãs

Réplica da fachada da casa do Tiago, em casa de uma filha.

Zé Plante

Emigrou durante algum tempo, mas quase toda a sua vida foi dedicada à agricultura e criação de gado. Casou com a Susana e teve 6 filhos. A sua casa ficava na Rua Adeferreiro,  junto à casa do pai, perto do irmão Tiago.

Zé Plante com as esposa e filhos

 Céu

A Céu com os pais

Estudou enfermagem e obstetrícia na universidade de Coimbra.

Trabalhou na maternidade Alfredo da Costa.

Também trabalhou algum tempo no dispensário em Porto de Mós que era onde as mães iam com os seus bebés, quando havia algum problema de saúde.

Depois foi com o marido para o Canadá, onde exerceu a sua profissão com zelo e dedicação.

A família do Jesus

Moral da história: A vida passa num instante e só tem sentido quando fazemos a diferença na vida dos outros.

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120 Anos depois

Em 10 de Novembro de 1899, em Alqueidão da Serra, nasceu Manuel de Matos.  Era um dos filhos de Adriano de Matos e Doroteia Joana, neto paterno de António de Matos e Luciana de Oliveira.

Tinha 2 irmãos, mais novos:

O Joaquim de Matos que nasceu em 19 de Agosto de 1901, casou a 25 de Dezembro de 1927 com uma filha de Francisco Marto e Cecilia de Jesus Correia que se chamava Laura, e teve 7 meninas (Maria Manuela, Brigida, Virginia, Águeda, Maria José, Cecília e Mónica). Faleceu a 8 de Setembro de 1940 com 39 anos de idade.

O José de Matos que nasceu a 20 de Junho de 1903, casou em 28 de Julho de 1928 com  uma filha da tia Amélia que também se chamava Amélia, e teve 8 filhos, sete meninos e uma menina, eram eles: José Acácio de Matos, Américo de Matos, Armando de Matos, Francisco Carlos da Encarnação Matos, Manuel da Encarnação Matos, Artur e Helena. Faleceu a 17 de Agosto de 1969 com 66 anos de idade.

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Adriano de Matos nasceu a 4 de Fevereiro de 1869 e foi batizado a 15 do mesmo mês e ano na Igreja Paroquial do Alqueidão da Serra. Quando era solteiro o Adriano gostava de correr atrás das raparigas, e um dia ao saltar uma parede a correr, caiu e ficou com um enorme galo na testa, logo toda a rapaziada troçando dele, lhe colocou a alcunha de “Galo”.

O Galo era agricultor, e casou em 08 de Janeiro de 1899 com Doroteia Joana, uma das 5 filhas de Manuel da Costa Rei e Felicidade Joana, neta paterna de Manuel da Costa Rei e Constãncia de Jesus. Todos os seus 3 filhos ficaram com a alcunha do pai, ou seja, Manuel de Matos Galo, Joaquim Galo e José Galo.

Sua esposa Doroteia nasceu a 7 de Abril de 1866 e foi batizada no dia 17 do mesmo mês e ano, na Igreja Paroquial do Alqueidão da Serra. Faleceu em 30 de Março de 1949 com 82 anos de idade.

Em 1917, quando Nossa Senhora apareceu em Fátima, Adriano Galo tinha 48 anos de idade. Ele foi testemunha ocular dos factos ocorridos em Fátima no dia 13 de outubro  e disse que olhou perfeitamente para o sol sem este o incomodar e representou-se-lhe ver Nossa Senhora com o Menino Jesus no braço esquerdo e viu em roda do dito astro cores diferentes.

Quando faleceu em 18 Dezembro 1949, Adriano de Matos tinha 80 anos de idade.

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Manuel de Matos Galo, (o primeiro filho de Adriano Matos) nasceu a 10 de Novembro de 1899 e foi batizado no dia 19 do mesmo mês e ano na igreja paroquial do Alqueidão da Serra, casou em 19 de Setembro de 1928, (aos 29 anos de idade) com uma filha de Manuel Vieira Amado e Águeda de Jesus Roque, que se chamava Laura e tiveram 8 filhos, eram eles: João Bispo, Zica, Chico, Lhuca, Zé das Mantas, Helena, Sôr e Carmita.

Para sustentar a sua grande família, 0 Manuel Galo trabalhava na agricultura e na construção civil.

No tempo da guerra, as crianças passaram muita fome, tal como toda a gente da aldeia. Salazar dizia “livro-vos da guerra mas não da fome”, e assim foi… grande parte dos produtos alimentares produzidos em Portugal eram exportados para os países envolvidos no conflito, e por isso por cá havia grande escassez de produtos e fome. Os miúdos iam de madrugada para as filas com as senhas de racionamento, mas por vezes os produtos não chegavam para todos e eles voltavam para casa de mãos vazias.

Nesse tempo (anos 30 e 40) em casa do Manuel Galo comiam todos da mesma saladeira que se colocava no chão, e havia só uma colher. A mais esfomeada, logo de manhã cedo corria a esconder a colher para ser a primeira a comer. Um dia, a ti Celeste de Torres Novas, (irmã da mãe), trouxe colheres para toda a gente. Foi uma alegria.

Era uma sardinha para três, mas aquilo é que era uma sardinha boa! Nada que se compare como estas de agora…

Manuel Galo estava meses inteiros sem trabalhar por causa das crises do reumatismo e a esposa Laura é que tinha que colocar comida na mesa todos os dias, por isso ela ia pedindo broa aos vizinhos e quando finalmente podia cozer já devia a fornada quase toda. Tempos houve em que ela esperava que a galinha pusesse um ovo para poder comprar uma caixa de fósforos.

O Fiscal Costa quando passava na rua tinha o hábito de mandar umas moedas pelos buracos da porta do corredor, e de vez em quando por lá se achavam umas moedinhas que davam para pagar algumas coisas.

Lá em casa rezava-se o terço em família todos os dias, e havia uma grande devoção a Nossa Senhora. Era uma família muito alegre apesar das agruras da vida. O Manuel Galo contava histórias da Bíblia às crianças, nos serões de inverno à lareira, e sabia muitas lengalengas e cantigas.

O tempo foi passando e os filhos já podiam trabalhar para ajudar o pai, e para as despesas da casa. Fundaram a fabrica das mantas, tinham empregados e produziam mantas de lã nos teares. O Zé saía para vendar as mantas nos mercados e por isso era conhecido em todo o lado como “o Zé das Mantas”.

Depois os filhos casaram e alguns deles emigraram para fugir à miséria que se vivia em Portugal. Dois foram para França e três para o Canadá. Os que estavam na França vinham cá passar o verão e era uma alegria enorme estarem todos juntos de novo em casa dos pais.

O pai Manuel Galo faleceu em 13 de Setembro de 1972, com 73 anos de idade.

A mãe Laura de Jesus Amado, que era mais conhecida por ti Laura Sarrana, filha de Manuel Vieira Amado e Águeda de Jesus Roque (Serrana), sempre dizia que queria morrer a um sábado dia 13 (dia de Nossa Senhora) porque acreditava que Nossa Senhora a levaria para o Céu nesse mesmo dia, e efetivamente ela veio a falecer em 13 de Setembro de 1986, que era sábado, com 84 anos de idade.

 

A Zica deixou-nos em 09-04-1972, o Sôr em 17 de Junho de 1996 e 0 João em 19 de Agosto de 2008.

Os filhos, noras e genros em 2 de Agosto de 2011

Chegando a 2019

O Chico partiu em 17 de Janeiro e a Lhuca a 18 de Outubro do mesmo ano (2019).

120 anos depois, a 10 de Novembro de 2019, Manuel Galo tem 25 netos, 35 bisnetos, 10 trinetos, e por aí vai…

 “Uma pessoa está em paz quando todas as pessoas que pertencem à sua família tem lugar no seu coração” (Bert Hellinger)

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Século XX

As nossas avós viveram num tempo em que as famílias eram muito numerosas, e todos viviam daquilo que a terra produzia. Os pais valorizavam muito mais o trabalho do que os estudos, mesmo assim alguns meninos puderam frequentar o ensino primário.

As meninas não, elas não precisavam de estudar. Faziam falta em casa para cuidar dos irmãos mais novos, para ajudar no trabalho no campo e para guardar o gado.

Eram educadas para serem boas donas de casa, esposas e mães. Tinham que aprender a cozinhar, lavar, passar, costurar, bordar, e tudo o que fosse preciso para tratar bem do marido e dos filhos.

joãorosinhacomospais

Habitações

As casas de habitação tinham por regra dois quartos, a casa de fora, a cozinha, uma pequena dispensa e um sótão. Logo em frente à porta  da cozinha estava o pátio e os palheiros dos animais.  Não existia casa de banho, nem água, nem luz.

Casa Pão por Deus 1930

Mobiliário

Quartos: Cama de ferro e colchão de camisas, uma pequena cómoda e um lavatório.

 

Casa de Fora: Uma mesa ao centro com algumas cadeiras e um guarda-louça e arca. Aqui se recebia o Sr. Prior pela Páscoa, durante o ano esta era uma divisão muito pouco utilizada.

A sala. Chamava-se Casa de Fora e era onde se recebia o Sr.Prior pela Páscoa

A sala. Chamava-se Casa de Fora e era onde se recebia o Sr.Prior pela Páscoa

Cozinha: Lareira, um armário com espaço próprio para os cântaros da água, e uma mesa com algumas cadeiras.

Aspecto da coizinha. Tinha uma porta para a dispensa onde se colocavam as talhas do azeite e as salgadeiras entre outras coisas

Aspecto da cozinha. Tinha uma porta para a dispensa onde se colocavam as talhas do azeite e as salgadeiras entre outras coisas

As Tarefas do dia a dia

Cozinhar

Tudo se cozinhava ao lume, em cima da trempe numa panela de ferro. A púcara de cozer feijões estava sempre encostada ao lume. Para fazer as torradas encostava-se o pão caseiro ao ar do lume.

 

“Haja saúde e coza o forno” era uma expressão muito utilizada quando se falava das agruras desta vida.

Ao sábado cozia-se o pão para toda a semana. Para isso era preciso ir à serra com o burro buscar carrascos, e por vezes não havia lá muitos porque toda a gente precisava deles!

A farinha era produzida no moinho da Cabeça, no moinho do Covão de Oles, ou nos moinhos da Chã, com os cereais que os agricultores produziam.

MOINHO DA CHA

Para fazer o pão a farinha era amassada num alguidar de barro, deixava-se levedar, tendia-se e levava-se a cozer no forno a lenha.

Alguidar para amassar o pão

Alguidar para amassar o pão

A Lavagem da Roupa

Lavar a roupa tinha que ser na Fonte. A não ser que perto de casa existisse um poço ou uma cisterna onde se guardava a água da chuva. Neste caso lavava-se a roupa em cima de uma pedra grande que existisse no quintal.

Lavadouro, Lavar Roupa

Quanto a detergentes, havia sabão azul e mais nada. Para a roupa ficar branquinha, lavava-se com sabão azul e depois colocava-se numa bacia com água e cinza. Deixava-se estar por umas horas e depois passava-se por água limpa. Ficava branquinha que dava gosto.

Passar a Roupa a Ferro

Era preciso colocar as brasas do lume dentro do ferro, e ir colocando mais brasas para manter o ferro quente. As famílias mais abastadas tinham um ferro com uma peça que se desencaixava, e era só essa peça que se aquecia no lume.

Ferro para passar a roupa - Colocavam-se as brasas lá dentro (de Felix Reis)

Ferro para passar a roupa – Colocavam-se as brasas lá dentro (de Felix Reis)

Limpeza da Casa

O soalho da casa toda, era de madeira. Tinha que ser esfregado com água e sabão, era encerado, e depois passava-se lustro com um pano seco.

Para tirar os maus odores de dentro de casa, queimava-se alecrim com um pouco de açúcar escuro em cima de uma telha.

Tratar dos filhos

As fraldas dos bebés eram de pano, depois de sujas eram lavadas, enxugavam ao sol e usavam-se de novo.

Um filho que nascia, era uma alegria. Mesmo que ele fosse o numero 14. Não era preciso fazer ecografias. Os sintomas de gravidez era conhecidos de todos, e para saber se estava mesmo grávida esperava-se, como o passar do tempo logo se via.  O sexo do bebé via-se quando ele nascesse, o que ia acontecer no tempo próprio e com a ajuda da parteira, ou da mãe, ou das tias, ou vizinhas que na altura estivessem mais perto.

Como normalmente as casas só tinham 2 quartos, um quarto era dos pais e o outro era o quarto das raparigas. Os rapazes enquanto bebés dormiam com os pais, depois passavam a dormir em cima das arcas onde se guardavam os cereais, quando já fossem um pouco mais crescidinhos passavam então a dormir no palheiro.

As crianças ajudavam os pais no trabalho do campo. Um ditado popular dizia que “o trabalho do menino é pouco, mas quem o desperdiça é louco”. O resto do tempo brincavam na rua, mas quando ouvissem o sino tocar as ave-marias, às 20 horas, iam todos a correr para casa.

Aos domingos as avós preparavam um lanchinho e iam com as crianças para os “eucaliptos”, onde passavam a tarde a brincar. O ar dos eucaliptos fazia bem quando o pessoal estava constipado. Com as folhas do eucalipto fazia-se um chá bom para tratar febres e náuseas.

 

O Sustento da Família

 O pai trabalhava todo o dia, ou na agricultura, ou nas minas, ou na construção, e por vezes tinha que sair de casa durante longos períodos, de acordo com o local onde arranjasse trabalho.

A mãe trabalhava em casa. Tinha que se preocupar em colocar comida em cima da mesa todos os dias, mesmo naquelas alturas do ano em que não existia dinheiro nenhum. Para isso criava galinhas, coelhos, porco e vacas, e cultivava os quintais mais perto de casa.

As coisas que não podia produzir, como arroz, açucar, velas, petróleo para os candeeiros, etc., tinha que comprar na mercearia.

As mercearias da aldeia, conhecidas por lojas, vendiam todo o tipo de coisas, mas não havia nada embalado. O arroz, açúcar, grão e outros cereais, chegavam à mercearia em sacos de serapilheira de 25 kg, que depois eram entornados para dentro das tulhas, (grandes caixotes de madeira com uma tampa) para serem vendidos a peso.

Era possível comprar por exemplo 250 gramas de açúcar, que era embrulhado num cartucho de papel manteiga.

O jornal União Nacional dedicado ao concelho de Porto de Mós, menciona os comerciantes do Alqueidão da Serra, todos eles donos de mercearias.

JornalUniãoNacional

Estatísticas

 Início do Século XX

Segundo o Censo de 1900 a população total do Continente e Ilhas era de 5.428.659 habitantes. Nesta altura Portugal tinha 17 distritos. A grande maioria vivia no campo. Menos de 20% desta gente toda era de condição urbana, e destes 20% mais de metade vivia nas cidades de Lisboa e Porto.

A Economia Agrícola

Nas primeiras décadas do século XX, Portugal tinha um elevado índice de pessoas que trabalhavam no campo. Em 1910, cerca de 85% da população vivia da agricultura. Esta atividade era praticamente o único meio de subsistência dos habitantes da freguesia de Alqueidão da Serra.

Aqui as culturas mais importantes eram as da oliveira, da vinha, da batata, do trigo e do milho, logo seguidas de outras como a fava, grão-de-bico, chicharo, aveia e cevada.

O milho e o trigo eram utilizados para consumo dos agricultores e suas famílias, a aveia e a cevada era mais para alimento dos animais.

Nos quintais e hortas mais perto de casa, cultivavam-se alfaces, nabos, cenouras, feijão verde, couves, alhos, cebolas, etc.

A População 

Na Freguesia de Alqueidão da Serra (segundo o censo de 1900), viviam 561 pessoas do sexo masculino e 619 do sexo feminino, distribuídas por 285 habitações.

O Serviço Militar 

Aos 18/19 anos os jovens eram chamados para a inspecção militar (provas físicas e médicas) e habitualmente eram incorporados no ano em que cumpriam o 20.º aniversário.

O serviço militar era obrigatório, mas a lei permitia a dispensa do mesmo em troca de 150 mil reis, que podiam ser pagos em três prestações. Além disso estavam dispensados os indivíduos deficientes, inválidos, ou que fossem o amparo único de mãe ou irmão.

O tempo de recruta, de instrução militar básica, durava cerca de três meses e o restante tempo de serviço era cumprido na unidade para onde o militar era enviado. O principal objectivo, de acordo com a legislação, era a defesa da pátria.

tropa26

O serviço militar obrigatório terminou em Setembro de 2004.

A  fé que nos salva

Povo de grandes tradições religiosas, rezava-se o terço em família, quase todas as raparigas pertenciam à Pia União das Filhas de Maria, ou à Ação Católica, ou ao Apostolado da Oração, e existia uma enorme devoção a Nossa Senhora.

Com o passar o tempo as pessoas foram-se afastando da Igreja. Ainda levam as crianças à catequese,  mas já não têm tempo de ir à missa logo a seguir. Os jovens fazem o Crisma e nunca mais ninguém os vê nas actividades da Igreja. Cada qual tem a sua própria fé.

Somos batizados e no entanto afastamo-nos, desviamo-nos…

É tempo de voltar para casa.

 

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