Bouceiros

Segundo uma estatística do Distrito Administrativo de Leiria referente à Freguesia de Alqueidão da Serra, no ano de 1837 existiam no lugar de Bouceiros 7 casas de habitação.

Em 1904, ano em que se escolheu um local para a construção da Capela, esta foi construída num local ainda longe da povoação, de forma a que ficasse o mais próximo possível dos outros lugares da Serra: Casal do Duro, Covas Altas, Demó, Lagoa Ruiva e Valongo. Com o normal crescimento da população, a Capela ficou integrada no aglomerado populacional dos Bouceiros.

Em 27 de Setembro de 1956 foi inaugurada a estrada dos Bouceiros à Demó, com a presença de alguns membros da Câmara Municipal e pároco.

Em 28 de Maio de 1958 foi inaugurado o primeiro telefone público dos Bouceiros que ficou sob a responsabilidade de Constantino Vieira. Fixaram-lhe o número 42282.

Em Dezembro de 1967, de acordo com uma estatística elaborada pelo padre Américo Ferreira existiam nos Bouceiros 50 casas de habitação. A povoação ficava longe da sede da freguesia, e não existindo estradas o acesso pelo meio da serra era bastante difícil.

A estrada entre o Alqueidão e os Bouceiros

Depois de vários pedidos à Câmara Municipal de Porto de Mós para a construção da estrada, esta só foi construída graças à invencível teimosia da população que decidiu unir esforços para construir a estrada de que tanto necessitava.

A ideia nasceu do Major, (menos tratado e conhecido pelo seu verdadeiro nome, que é João Pereira). Foi ele quem teve a ideia e, junto com os seus devotados companheiros de ideal e de luta e começaram as obras.

Espontaneamente neste assunto também se envolveu o Rev.º P.e Américo Ferreira. Estávamos em Agosto de 1966. Aparentemente, tudo foi uma inocente casualidade. Numa  deslocação aos Bouceiros, na companhia do, então, Presidente da Câmara de Porto de Mós, conduziu-o por troço do percurso que vai dos Bouceiros à sede da Freguesia, trilhando um piso mal definido, por onde a estrada se estende nos nos dias de hoje.

Falaram, da bem clara e urgente necessidade de fazer um acto de justiça ao povo dos Bouceiros, e lugares vizinhos, com a oferta de uma estrada. Abençoada conversa! foi nela que o Presidente garantiu:

– “Se o Povo fizer a terraplanagem, a Câmara alcatroará a estrada”.

A notícia redobrou a coragem e inflamou o entusiasmo geral. Em 12 de Setembro de 1966, o Povo do Alqueidão e Carreirancha continuou os serviços de terraplanagem da estrada Carreirancha – Bouceiros.

Dias houve em que sessenta e dois homens e sete mulheres se encontraram, gratuitamente, nos serviços de terraplanagem, todos animados de grande entusiasmo por verem realizada uma velha aspiração de seus pais e avós – a estrada da Serra.

No dia 22 de Outubro de 1966 conclui-se o alcatroamento da primeira fase do serviço, chegando-se às primeiras propriedades do Vale de Ourém.

No ano de 1968, continuaram-se os trabalhos de terraplanagem e alcatroamento, tendo-se avançado cerca de seiscentos metros, até que, no dia 17 de Outubro de 1970, com enorme alegria de todos os habitantes, se concluiram os serviços de alcatroamento até à Portela Onde Morreu o Cavalo, local a partir do qual se avista o Santuário de Fátima.

Nesse mesmo dia, em confraternização realizada num sítio chamado ‘Espinheira’, à sombra de pinheiros e eucalíptos, o Pároco agradeceu o sacrificio de todos, especificando o Presidente da Junta, António da Silva Correia e João Pereira, de alcunha “o Major”.

Na mesma altura foi feita a terraplanagem desde a Portela Onde Morreu o Cavalo até à lagoa do Curral das Vacas, tendo-se ajeitado o leito desse troço de estrada, o que permitiu fazer pela primeira vez e em razoáveis condições, a travessia Carreirancha – Bouceiros, em veículos automóveis”.

Tudo isto é o fruto saboroso de cerca de 3.000 dias de serviço voluntário, gratuitamente prestado ao País, pela gente humilde e laboriosa da Freguesia.

Transporte Público de Passageiros

Em sessão camarária de 22 de Fevereiro 1972 foi apreciado um ofício do Grémio dos Industriais de Transporte Automóvel, com o nº 2391, a pedir o parecer da Câmara a respeito da criação de uma carreira regular de passageiros, entre esta localidade e Porto de Mós, que se justificava por ser muito necessária.

Indústrias dos Bouceiros

Em Maio de 1909 existia nos Bouceiros um Lagar de Azeite que pertencia a  Manuel Antunes e de Fernando Antunes.

Em 31 de Dezembro de 1981 existiam nos Bouceiros três teares manuais montados por José Coelho Gomes, natural de Minde. Existiam vários outros, que trabalham em regime de artesanato caseiro. Entre eles, digno de registo, um que tem mais de cento e vinte anos e que pertenceu ao “ti” João Tecelão, artista extremamente considerado na região pela qualidade e esmero de acabamento dos seus cobertores de lã que, na orla da largura, tinham o nome dele, a vermelho, em fio pertencente à urdidura.

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3 respostas a Bouceiros

  1. Paulo Saragoça diz:

    Mais uma vez, muito obrigado pela partilha do seu trabalho. Os temas são muito interessantes e votos para que continue com este magnífico trabalho. Bem haja.

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  2. Maria rosa de Jesus Vieira Saragoça diz:

    Chamo me Maria rosa de Jesus Vieira Saragoça nascida nos Bouceiros em 1964 e Rs. Constantino foi meu padrinho batismo e meus pais Abílio Jesus Vieira saragoca ( o Tagaro) filho Lo Sr. Manuel Antunes ( fito lagareiro e meu avo)e de Olinda de Jesus Vieira menus avós maternos são escuros porque a minha avó Jacinta de Jesus Vieira faleceu eu tinha 3/1,2 anos e estava en França, meu avõ andou de casa de filho en filho ente o fim mas era o avo maravilhoso que gostava de beber seu copinho mas que ria e gostava contar coisas da vida que nao esqueci. Meus avós paternos dirão mais presentes na minha vida. A minha avõ Maria Da Iria de Jesus nascida nas Covas Altas permitiu- me conhecer minha vice avõ das covas altas falecida aos 99anos segundo me lembro e minha avó Iria e que lá ia todos dias en cima do seu burro ocupar se da sua mãe e eu ia muitas vezes cm ela que gostava imenso da minha avizinha querida que tanto me falta ainda hoje. Ela era uma boa costureira fez muitos vestidos de noivas et comunhões e batizamos e outros trabalhos ainda tenho a máquina dela e o tumatjismo de das mãos mas vamos cozendo!!quanto ao meu avõ O NICHO era o avõ que gostava também do seu compito et q dizia q quando morrer para lhe porém um funil e de fez en quanto enviar lhe un compito de tinto!!! Amo os meus avós e espero que descansem em paz.

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