Jubileu de São José

S. José foi o orago que o Bispo leiriense, D. Martim Afonso de Mexia, deu ao Alqueidão, na altura em que fez dele sede de Freguesia, a primeira e única, em toda a Diocese, com esta invocação.

Em “O Couseiro”, que é o livro mais antigo em que se fala do patrono da Freguesia, lê-se:

“O mesmo Bispo D. Martim Afonso de Mexia desmembrou da freguesia do Reguengo o lugar do Alqueidão da Serra, na parte que é termo de Leiria, com outros lugares, e levantou aí a Freguesia, da invocação de S. José, na ermida que estava no mesmo lugar; e para se dizer missa na nova igreja se deu licença no ano de 1620.”

Do culto religioso prestado a São José, há que referir que, antigamente raríssima era a família do Alqueidão em que não houvesse um menino chamado José. E quando numa família só nasciam meninas, alguma delas haveria de se chamar Maria José.

A devoção da Freguesia ao seu padroeiro vem dos primeiros meses do ano de 1756, altura em que era pároco Sebastião Vaz.

Encarregado, superiormente de escrever o que se passou no Alqueidão, quando foi o terremoto de 1755, o Padre Sebastião Vaz, descreve minuciosamente as providências de natureza espiritual, que tomou.

Mencionou certas devoções, que duraram “nove dias contínuos”, depois regista que se iniciou outra Novena ao Senhor S. José, e que no fim se realizou a Sua festa, com dois sermões, de manhã e de tarde, e uma procissão com seus andores, e que passados quinze dias se tornou a repetir outra festa ao mesmo Senhor S. José, Orago desta freguesia.

Tanta e tal era a fé que tinham ao grande Santo, que lhe repetiram as súplicas numa solene manifestação pública, pedindo para que a todos livrasse dos pavorosos perigos que o tremor de terra lhes tinha mostrado, tão clara, repetida e prolongadamente, na trágica manhã do 1º de Novembro de 1755.

Uma outra manifestação do culto a S. José chegou mais tarde. Trata-se de uma preciosa graça de natureza espiritual, concedida pelo Papa Pio IX: ” O Jubileu de São José”.

O documento que a concede aos paroquianos do Alqueidão, e que a estende a quantos desejarem beneficiar dela, tem a data de 11 de Julho de 1872. Ele é a resposta dada pelo Sumo Pontífice a um pedido que lhe fez o Padre Manuel Afonso e Silva.

Conservou-se na igreja paroquial em condições pouco famosas. As injúrias do tempo, e a indiferença de alguns, deram este fatal resultado: uma boa quantidade de mossas na moldura e a infiltração de humidade que prejudicaram a cópia feita pelo sacerdote requerente, de modo que ficou muito difícil a sua leitura.

Para que não se perdesse para sempre, Alfredo de Matos publicou no jornal “O Mensageiro”, de 17 de Maio de 1947, o teor do documento:

PIUS, PAPA IX

PIO IX, PAPA

Ad perpetuam rei memoriam. Ad augendam fidelium religionem et animarum salutem, coelestbus Ecclesiae. thesauris pia charitate intenti, omnibus utriusque sexus communione refectis, qui eccle-siam in honorem Sancti Joseph Beatae Mariae Virginis Sponsi, loci do Alqueidão da Serra nun-cupato dioecesis Leiren, domini-ca tertia post Pascha Ressurec-tionis Domini Nostri Jesu Christi, a primis vesperis us que ad occasum solis diei hujus, singulis annis devote visitaverint et ibi pro Christianorum Principum concordia haeresum extir-patione, Santae Matris Ecclesiae exaltatione pie ad Deum preces effunderint, plenariam omnium peccatorum suorum indulgentiam et remissionem quae et pro animabus Christifidelium quae Deo in charitate conjunctae ab hac luce migravere per modum sufragii applicari possunt, misericorditer in Domino concedimus. In contrarium non obstans quibuscumque praesentibus perpetuis futuris temporibus instimularis. Datum Romae apud Sanctum Petrum sub annulo Piscatoris die 11 julii MDCCCXLII pontificatus nostni anno vigesimo sexto.

Pius, Papa IX Para aumento da religião dos fiéis e salvação das almas. Nós, por pia caridade, atendendo aos celestes tesouros da Santa Igreja, a todos e a cada um dos fieis cristãos dum e doutro sexo, verdadeiramente arrependidos de seus pecados, que visitarem a Igreja de Alqueidão da Serra, dedicada a S. José, esposo da Bem-Aventurada Virgem Maria, desde primeiras vésperas até ao pôr-do-sol do terceiro domingo depois da Páscoa da Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, e aí tendo-se primeiro confessado e comungado, orarem pela concórdia dos príncipes cristãos, pela extirpação das heresias, e pela exaltação da Santa Madre Igreja, concedemos misericordiosamente no Senhor indulgência plenária e remissão de todos os seus pecados, indulgência esta, que se pode aplicar por modo de sufrágio por aquelas almas que unidas a Deus pela caridade, partiram deste mundo e estão detidas no Purgatório. As presentes letras perpetuamente terão vigor nos tempos presentes e futuros, não obstando qualquer coisa que haja ou houver em contrário, Dada em Roma, junto de S. Pedro, debaixo do anel do Pescador, a 11 de Julho de 1872, vigésimo sexto do nosso pontificado.

Pio, Papa IX

Nas freguesias e lugares vizinhos, também a concessão produziu seu eco. Houve tempos em que era considerável a afluência de pessoas de fora, à igreja matriz do Alqueidão por causa do Jubileu de S. José. Vinham do Reguengo, dos Golfeiros, das Alcanadas e da Fonte dos Marcos. Até 1925 muitos  foram os que se deslocavam ao Alqueidão a fim de ganharem o Jubileu.

Durante a sua paroquialidade o Revº. Américo Ferreira actuou no sentido de manter e dar novos alentos a esta tradição local do culto de S. José, impregnando-a da mais intensa e diversificada vida religiosa.

Com este objectivo específico, instituiu o Sagrado Lausperene, que durava desde as 7,30 horas do sábado em que abriu o Jubileu, até domingo depois da missa solene às 8,30 horas.

Durante as horas do dia, a participação nele era livre para ambos os sexos. Para de noite, levando em conta o louvor permanente enquanto dura a exposição do Santíssimo, criou zonas para os diversos turnos de rapazes e de homens.

A primeira vez que este facto se verificou na Freguesia, as zonas estavam marcadas da seguinte maneira:

  • Das 23 horas às 24, velavam os homens dos Casais, Vales e Covão de Oles;
  • Das zero horas à uma coube aos rapazes, e da da uma às duas aos homens da Carreirancha até à Barreira;
  • Das duas às três aos homens da Barreira até à escola;
  • Das três às quatro pertenceu aos homens do Alqueidão, lado nascente da estrada que dá para o Celeiro; e das quatro às cinco abrangeu os homens compreendidos entre esta estrada e a que leva a Porto de Mós e a das cinco às seis esteve a cargo dos homens situados na parte sul desta estrada.

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