Francisco Vieira Dionisio

Nasceu no Alqueidão em 2 de Maio de 1893. Era filho de Cláudio Vieira Dionisio de de Thereza Affonsa.  Tinha dois irmãos: Afonso vieira Dionisio e Albino Vieira Dionisio.

Com decidida vocação para uma profissão marítima, matriculou-se no “Curso Elementar de Pilotagem”, em Lisboa, e a primeira vez que o frequentou foi em 1919, tendo concluído o ano com a classificação de 10 valores. Continuando os estudos em 1920, fechou este ciclo obtendo a mesma nota.

Em Julho de 1922 foi-lhe passada carta de 3º Piloto.

De acordo com o jornal  “O Mensageiro” de 22 de Novembro de 1916, era praticante do vapor “Machico” e, nesta qualidade, participou na proeza heróica, humanitária e patriótica em que seu irmão Afonso deu provas evidentes de coragem e abnegação, de grande sangue frio e de alta competência.

Concluído o curso na sua parte teórica, quando já tinha um bom grau de inteligente treino e de experiência , começou a executar os trabalhos de oficial de Marinha Mercante.

Nos finais de 1923,  princípios de 1924, seguiu para África. Ia como piloto do vapor “Lourenço Marques”. Passou depois a trabalhar no vapor “Manica” no posto de imediato.

Na então colónia de Moçambique, ficou cerca de dois anos. Era muito competente, no ponto de vista profissional, e conquistava amigos entre superiores e subordinados pela integridade do seu carácter e pela naturalidade do trato. Todos o viram regressar ao Continente, lamentando que se afastasse.

Em má hora regressou. Pouco depois, morria em circunstâncias verdadeiramente dramáticas que se resumem assim:

Na noite de 14 para 15 de Agosto de 1926, depois de ter ido com a namorada assistir à comemoração da Batalha de Aljubarrota, e quando se despedia desta que já se encontrava à janela, foi atingido por um pesado objecto de barro, lançado de um dos andares superiores dum prédio da Travessa dos Mastros.

Caiu redondamente no chão, como que fulminado, esgotando-se em sangue. Do choque, resultara um golpe no chapéu e um lanho profundo e extenso na cabeça. Aos gritos aflitivos da namorada, acodiu muita gente e o ferido foi levado para o Hospital de S. José, em estado muito grave. Apesar de ter sido operado, veio a falecer no dia 18 seguinte. Após a autópsia, foi sepultado no cemitério dos Prazeres em Lisboa.

Inicialmente houve suspeita de que a agressão teria sido causada por motivos amorosos. Os fundamentos desta conclusão inicial assentavam na circunstância de ele ter namorado, na mesma Travessa, uma outra rapariga de quem veio a afastar-se. Mas não tardou que uma investigação cuidada revelasse a verdade dos factos, que foi esta:

Na Travessa dos Mastros, morava, igualmente, José Manuel Dias, conhecido pela alcunha de “Zequinha”. Tendo a profissão de picador de caldeiras, era pessoa de muito maus instintos e de péssimo comportamento. Basta dizer que, à data, já o seu cadastro registava dez prisões, uma por agressão e as outras por roubo.

Na tarde da noite em que praticou o crime, trabalhava quatro horas na caldeira do vapor “Tagus”. O resto do tempo gastou-o na bebedeira, até à hora em que decidiu ir para casa, que era na Travessa dos Mastros, nº 25, 4º.

No caminho deparou-se-lhe um grande boião de barro que levou consigo. Foi com ele que agrediu Francisco Vieira Dionísio, depois de ter tentado fazê-lo com um prato, que lançou lá de cima, sem resultado, como ele próprio declarou quando foi da reconstituição do crime, altura em que a população tentou linchá-lo. Era a indignação do povo contra um assassínio praticado sem a menor razão, em pessoa que gozava da estima geral dos moradores da Travessa dos Mastros, onde morava há dois anos.

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