Neste jogo, somente as raparigas participavam. Os rapazes assistiam ao seu desenrolar, tão próximos quanto elas permitiam. Na verdade eles também tinham a ver com o divertimento, visto que os nomes de alguns deles eram mencionados, segundo as normas antigas do jogo.
Agrupado o rancho de moças dispostas a realizar esta distracção tradicional, seguia-se o arranjo do “raminho” que, por norma, se compunha de mais que uma qualidade de flores, as que houvesse na quadra do ano. Atadas as flores para que não se esbandalhasse o conjunto, resultava um “raminho entronchado” que é como quem diz, rechonchudo, encorpado, graças ao agrupamento das flores com o atilho.
“Raminho Entroixado” foi o nome que deram a este jogo tradicional, mas os raminhos utilizados na brincadeira eram mimosamente feitos e delicadamente variados no matiz.
Uma das raparigas (quase sempre a confeccionadora do “raminho”) com ele nas mãos, assim à altura do peito, aproximava-se de uma das parceiras do jogo e dizia-lhe:
– “Toma este “Raminho Entronchado” que manda o teu amor, que será do teu agrado…”
Curiosa, a interpelada, perguntava prontamente:
– “Que amor me dais?…”
E, logo, a do “Raminho Entronchado” lhe dizia ao ouvido, o nome do rapaz que, por palpite, por confidência, por observação das atitudes, quer dum quer doutro, estava no convencimento de que lhe quadrava.
Corridas todas as outras, sempre com o mesmo cerimonial, voltava à primeira, na compostura inicial, e perguntava-lhe:
– “Para que queres o amor que te dei?”
E lá vinha a resposta, ora tardonha e envergonhada, ora pronta e espevitada que exprimia sincera ou fingidamente, mas sempre com ar de reinação e brincadeira, as “intenções” da interrogada relativamente ao préstimo daquele que lhe fora dado como “amor”.
Diziam coisas que, trocadas em miúdos, vinham a dar, muitas das vezes, numa troça pegada, diziam por exemplo: “para o pôr a tirar água à nora”, “para lhe oferecer uma albarda”, “para lhe oferecer umas cangalhas e cântaros em que traga água da fonte”, “para lhe pôr um cabresto novo com que o puxe até à feira”. E, às vezes, chegava a surgir a declaração:
– “Para casar!”
Acontecia também aparecer na baila o próprio nome do rapaz, dito pela interveniente no jogo, adivinhado por uma resposta, palpitado por uma olhadela escapadia ou por um dedo indiscreto, que apontava de fora.
Segundo a praxe, o jogo terminava entre risadas sonoras cortadas por ditos de galhofa, comentários levemente escarninhos quando não era com a previsível primeira avançada para o namoro.