Domingo Gordo

“Domingo das Cozinhas” era o nome dado por toda a gente do Alqueidão, ao domingo  que no calendário vem imediatamente antes do Carnaval e que também se conhece por Domingo Gordo.

Neste dia havia o tradicional costume de fazer um farto e festivo almoço. A cozinha onde este almoço se fazia, era o campo. Aí se almoçava, se brincava e cantava durante toda a tarde.

Rapazes e raparigas formavam grupos de acordo com os seus gostos, ideias, maneiras de ser, parentesco, vizinhança e tantas outras circunstâncias, e faziam todos os esforços para que a festa fosse memorável. Organizavam todas as coisas de acordo com as naturais aptidões de cada qual.

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A refeição constava sempre de um só prato, e  este era invariavelmente de carne. Nem fazia sentido não comer carne no Domingo Gordo. Para comer peixe bastava a rigorosa abstinência imposta pela Quaresma que ia começar daí a três dias.

A carne utilizada era de porco, já tinha estado na salgadeira algum tempo, e era oferecida pelos participantes. Um levava toucinho alto e gordo, outro levava o toucinho entremeado, a outro cabia levar o chouriço e outros ofereciam a chouriça, a farinheira etc. Depois havia também quem levasse os ossos para avivarem o gosto do conjunto e a hortaliça, batatas, arroz ou massa, sal, pão, vinho. E assim se juntavam todos os ingredientes necessários.

De igual maneira se distribuía o encargo dos trabalhos: preparar o sitio das fogueiras, rachar cavacas, juntar lenha miúda, fornecer água, lavar e partir carnes, preparar hortaliças, acender lumes e abaná-los, ajeitar mesas improvisadas com pedras rústicas do local, compor as panelas com as respectivas doses, vigiar e dirigir a cozedura, distribuir a comida, etc

Nada escapava porque cada um queria dar o seu melhor para que tudo corresse bem. Prontas as coisas e pessoas a postos, seguia-se a operação final, o Almoço!

É  escusado elogiar o apetite dos participantes, tanto rapazes como raparigas, que se deliciavam com o almoço ao ar livre, e com o aperitivo do convívio amigo.

No meio da conversa e da alegria, organizavam alguns jogos tradicionais em que todos participavam.

Os ditos almoços realizavam-se numa pequena propriedade situada na Cabeça, à qual deram o nome de Penas da Cozinha.

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