A Revolução dos Cravos

25 de Abril de 2014 – 40º Aniversário

Na memória dos portugueses está ainda presente a política do regime do Estado Novo que mantinha um estrito controlo dos meios de comunicação, recorrendo à censura prévia dos jornais e à apreensão sistemática de livros. A prisão e a morte eram frequentemente o castigo de quem ousava expressar aquilo que pensava, ou contrariava o discurso oficial do Estado.

A PIDE (Polícia Internacional de Defesa do Estado) tinha como finalidade condicionar, controlar, ou eliminar todas as manifestações de opinião, e impedir que se organizassem grupos de contestatários ou descontentes.

Os agentes da PIDE normalmente eram militares e alguns deles tinham curso superior, mas a maior parte dos inspectores tinham apenas a quarta classe, e vinham do campo, do Norte e Centro do País. Os informadores, esses, eram uma classe à parte. As pessoas eram informadoras porque queriam, e eram pagas para isso, mas não pertenciam à polícia.

A Guerra Colonial, para além de ser profundamente injusta e de causar muito sofrimento, era um sorvedouro dos dinheiros do Estado. A fome, a miséria, o medo e a angustia faziam parte da vida das pessoas.

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Muitos cidadãos emigraram, não só para fugir à miséria mas também à terrível Guerra Colonial, e à forte repressão politica.

Saíam do país clandestinamente, dizia-se que iam “a salto” para França. Um rapaz do Alqueidão foi morto quando tentava atravessar a fronteira, o nome dele era Viriato.

Os que conseguiram passar a fronteira tinham que se sujeitar aos interesses dos “passadores”, dos “alojadores” e dos patrões que pagavam salários miseráveis aos portugueses recém-chegados e os obrigavam a trabalhar muitas horas, aproveitando-se do facto de não terem papéis.

Na manhã de 25 de Abril de 1974 tudo começou a mudar. O MFA “Movimento das Forças Armadas” foi responsável pela revolução que acabou com o Estado Novo em Portugal. A sua motivação prendia-se com  o descontentamento pela política seguida pelo governo em relação à Guerra Colonial.

As tropas foram comandadas por diversos capitães de entre os quais se destacou Salgueiro Maia, que comandou tropas vindas da Escola Prática de Cavalaria de Santarém. No quartel da Pontinha as operações foram dirigidas por Otelo Saraiva de Carvalho.

Não houve mortos nem feridos, e neste dia os canos das metralhadoras encheram-se de cravos vermelhos. A direcção do País foi confiada à Junta de Salvação Nacional que assumiu os poderes dos órgãos do Estado.

Viveu-se a seguir um período de grande euforia. Toda a gente sentiu uma enorme alegria ao pensar que a guerra colonial iria acabar, foram libertados os presos políticos, os emigrantes que tinham saído clandestinamente do País podiam voltar sem medo de ser presos. Todos podiam expressar livremente a sua opinião sem medo que estivesse por perto algum informador. Foi há 40 anos.

Para as comemorações do 40º aniversário da Revolução a Junta de Freguesia do Alqueidão da Serra, convidou a população para um convívio no salão da Casa do Povo, onde os participantes tiveram oportunidade de partilhar as suas experiências e recordações do dia 25 de Abril de 1974. O serão foi animado com actuação do Coral Calçada Romana.

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