Beco da Ti Ana do Vitório

A ti Ana do Vitório morava na Carreirancha, na casa que faz esquina com o Beco que hoje se chama “Beco da Ti Ana do Vitório”.

Ela chamava-se Ana da Silva Saloia, era uma das filhas do ti João Biscoito. Seus irmãos eram o ti João Vitório (que tinha a taberna em frente à Igreja), o José Vitório, a Jaquina Policia, entre outros.

Foi casada com João Vieira Pedro e teve duas meninas: A Maria da Silva e a Joaquina da Silva Pedro (Joaquina do Trinta). O marido morreu quando ela ainda estava grávida da Joaquina.

Casou depois com José Vieira Amado e teve mais três filhos: A Olinda (do ti António da Laura), a Helena (do ti Tiago) e o Manuel da Silva que vive em França e já deve ter perto de 90 anos.

A vida da Ti Ana é um exemplo da vida das mulheres da aldeia nos primeiros anos do século XX. Cuidava da casa, cuidava dos filhos, cuidava dos terrenos, cuidava das roupas…

Durante a Segunda Guerra Mundial, todos passaram muita fome porque havia racionamento de alimentos. Foram criadas as Comissões Reguladoras do Comércio Local, para fazer face “às circunstâncias derivadas do estado de guerra”.

Nesta altura a ti Ana do Vitório, ia buscar os alimentos que precisava à mercearia da ti Jaquina, esposa de Paulo Vieira Saragoça. que ficava da Rua do Ferreiro conforme consta de um documento existente no Arquivo Municipal de Porto de Mós.

“O abaixo assinado Ana da Silva Saloia residente em Carreirancha freguesia de Alqueidão da Serra, chefe de um agregado familiar, declara, para os efeitos de racionamento, de que assegura a alimentação a 4 pessoas que com êle cohabitam e constam da relação no verso.” (Arquivo Municipal de Porto de Mós).

Os netos ainda se lembram de ir com ela à serra apanhar carrascos para acender o forno e cozer o pão. Aquelas bolas de pão caseiro a sair do forno, nas quais se fazia um buraco e colocava dentro azeite e açúcar eram as delicias da criançada.

Hoje existe uma Rua com o nome da ti Ana do Vitório, mas já pouca gente tem ideia de quem ela era.

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Uma resposta a Beco da Ti Ana do Vitório

  1. Inocêncio Amado Laranjeiro diz:

    Minha avó de quem me lembro bem e muitas vezes.
    Uma mulher boa, rigorosa no trabalho e intolerável com a preguiça, e não poderia ser de outra forma; as vicissitudes da vida moldaram-lhe a dureza. Quantas caroladas levei na cabeça por abrandar o ritmo de esgravulhar o milho.
    Quando era criança tinha muito respeito a minha avó Ana, hoje tem também a minha admiração.

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