A Igreja Paroquial

O Bispo D. Martim Affonso de Mexia criou a Paróquia de Alqueidão da Serra em 1615, elevando a Igreja Matriz uma antiga capelinha, já existente no mesmo local em honra de São José.

A Capela de Santa Catarina, que existia perto da Lagoa de Santa Catarina continuou a assegurar a administração dos Sacramentos, porque só em 1620 o Bispo D. Frei António de Santa Maria deu licença para se celebrar a Santa Missa na Igreja Matriz (ou Paroquial).

Por esta altura a porta da Igreja Paroquial estava voltada para a estrada que hoje dá para Porto de Mós. No livro “O Couseiro” memórias do bispado de Leiria editado em 1868 pode ler-se no Capitulo 139º:

“No altar da capela Mór está a imagem de São José, de vulto, ainda sem retábulo. Tem dois altares colaterais; o da parte do evangelho, de Santo António, imagem de vulto, em nicho de pedra; o da parte da epístola, de Nossa Senhora do Rosário, imagem de vulto, também em nicho de pedra. Tem sacristia, alpendre, capela de pia de baptizar e um sino”.

O Padre Manuel Afonso e Silva que foi pároco da freguesia desde 1861 até 1894, e depois de novo em 1898, (até Agosto de 1899), fez obras na Igreja e transformou-a.

Reza a tradição que, uma tal Joana, senhora muito mal-afamada, decidiu fazer uma casa de passe, mesmo em frente à porta da Igreja. Vendo isto o Padre Afonso não esteve com meias medidas, iniciou as obras na Igreja, pela porta principal que fez mudar para o lado oposto. Todo este episódio pode ler-se em pormenor no livro “Alqueidão da Serra – Apontamentos para a sua História” de Alfredo de Matos.

Foi feita a Capela-mor, com o tecto azul-escuro com umas estrelinhas amarelas de madeira, e um altar de cada um dos lados.

A Capela-mor, que era bastante acanhada, tinha o altar-mor com um curto espaço em redor.

Um pouco abaixo do arco cruzeiro, (o arco da Capela-mor), resguardando um relativo espaço havia uma bonita e trabalhada grade de madeira, que se abria em dois portões ao centro, e já ao cimo da escadaria de acesso ao chamado presbitério. O Sacrário, o mesmo de hoje, ficava logo atrás, em cima de um suporte de tijolos e cimento.

O Sacrário é um cofre de ferro, a prova de roubo e de fogo, e com segredo. Todo ele é revestido em talha dourada e foi adquirido nos anos 40, no tempo do Padre Henrique A. Fernandes,

Na altura da comunhão, dois homens com opas vermelhas acompanhavam o sacerdote, um de cada lado, e a sagrada comunhão era então distribuída pelas pessoas que se ajoelhavam ao longo da grade de madeira. Logo a seguir à grade do lado esquerdo a Capela de São Francisco que tinha uma porta para a rua, por onde entravam os homens, que durante a missa ficavam separados das mulheres pela grade de madeira.

Foram feitos ainda os dois altares laterais, o coro, o púlpito e ao fundo da Igreja do lado direito a capela com a pia baptismal.

O Padre Manuel Afonso e Silva construiu ainda uma torre e para além de colocar os sinos (alguns dos quais ainda hoje existem) mandou colocar um galo cata-vento no cimo da torre. A pedra para estas avultadas obras, foi arrancada em diversos locais da freguesia e transportada em carros de bois. O próprio padre Afonso colaborou nos trabalhos de construção.

Em 1965 o Padre Américo Ferreira, encetou obras no exterior, incluindo o novo pórtico de entrada da porta principal, sob a orientação do grande arquitecto, Camilo Korrodi, incluindo ainda portas, paredes e janelas com vitrais simples, tudo no valor de 54.941$50  escudos.

Em 1970, e para celebrar a criação da Freguesia, O Padre Américo procedeu às obras no interior, sob a orientação do arquitecto Célio Cantante, do Gabinete de Korrodi, tendo a preocupação de seguir as normas recentemente saídas do Concílio Vaticano II.

Foram retirados os dois altares que existiam de cada um dos lados da Capela Mor e o tecto pintado de azul clarinho. Foi alargado o arco cruzeiro, e foram retirados os degraus, a grade de madeira e a Capela de São Francisco. Nesta altura foram colocados os bancos.

Mais tarde com o Padre António Faria, (que foi pároco da freguesia desde 1 de Janeiro de 1972 até Setembro de 1983) e com a orientação do Arquitecto Célio Cantante, se procedeu à execução das obras anexas à Igreja: salão, salas e sacristia. Estas obras custaram um total de 370.000$00.

Em 1982, o Padre Faria, com a colaboração generosa de todos os homens da calçada, levaram a cabo, todo o calcetamento do adro, uma obra que, se fosse paga, custaria, 700.000$00.

Assim com a colaboração referida, a da junta e a da Câmara, só se pagou a alguns calceteiros de fora, o que custou, à Paróquia 176.660$00.

Com o Padre Frazão, (que é pároco da freguesia desde Outubro de 1983) no ano de 1986 repararam-se os três sinos existentes, que levaram cabeçalhos novos em madeira de taly, e um badalo em aço vazado. Os trabalhos foram efectuados em Braga pela casa Serafim da Silva Jerónimo e custaram 197.700$00, Comprou-se ainda um novo sino, na mesma casa e ano, por 157.760$00. Ficando assim completo o campanário.

Foi também por esta ocasião adquirido um novo relógio computadorizado, e ligado ao velho mostrador já existente na torre que vinha do antigo relógio de corda. Marca as horas e meias horas, tem muitas possibilidades, como a do toque programado dos sinos para diferentes dias e horas, e com variados e diferentes toques. Custou 595.305$00, todo o sistema com montagem e devidas adaptações.

Num artigo escrito pelo Professor Carlos para o Jornal “O Portomosense” de 12/11/1987 pode ler-se: “Procedeu-se ainda à pintura de todo o interior, paredes e tecto e limpeza de cantarias. Custou este trabalho 380.000$00. Houve ainda necessidade de proceder a trabalhos de carpintaria no teto fechando as juntas que tanto desfiguravam, Esta reparação custou 99.749$00. Foram ainda pintadas e retocadas as portas e restantes madeiras.”

Em 2001-10-16 deu-se início a uma Fase de Restauro da Igreja comportando: Ampliação do Coro, Altar-Mor, Ambão, Pia Baptismal e Nichos de Nossa Senhora do Rosário e de São José.

Com o Conselho Económico Paroquial de 2003-2005 do qual fizeram parte João Manuel Amado de Matos Gabriel; Ercília Maria Vieira Cecílio; Ivone Maria Vieira Rodrigues; Jorge Carreira dos Santos; José Paulo de Matos Baptista e Rui Marto Correia Marto, foi colocado um telhado novo e abertos os três arcos na parede lateral direita.

 

 

Para a inauguração destas obras a Junta de Freguesia presidida por Fernando Sarmento ofereceu o órgão electrónico com pedaleira completa e três teclados, no valor de cerca de 15 mil euros.

 

DG2010

 

 

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O Sol da Serra

Durante os anos de 1956 e 1957, e sob a Direcção do Padre Manuel Ferreira foi editado o  Boletim Paroquial: ” O SOL DA SERRA “

Jornal de Formação e informação, muito especialmente dirigido aos Alqueidoenses migrantes, que pelas várias zonas de Portugal, especialmente, Lisboa, Sintra Cascais, faziam longas temporadas, procurando o seu sustento e o da sua família.

Nele estava publicado tudo o que acontecia no Alqueidão: Casamentos, baptizados, festas, acidentes, nomes das pessoas que se encontravam doentes, e ainda o que cultivavam, as épocas das colheitas, e ainda havia espaço para alguma catequese.

Era um jornal muito apreciado, especialmente pelas pessoas que ganhavam a vida longe da sua terra, os ausentes, que mesmo estando longe participavam na vida da comunidade enviando algum dinheiro.

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Os Cruzeiros

O Cruzeiro da Independência

No dia 1 de Dezembro de 1940, foi inaugurado, junto à ultima casa do Fundo do Lugar (ao tempo a casa do Manuel Santana) o Cruzeiro comemorativo do 8º centenário da independência e o 3º da Restauração de Portugal.

Num artigo publicado na Voz do Domingo de 10/02/1991, Francisco Furriel  recorda  essa data em que era ainda criança:

Lembro-me bem que o dia da inauguração estava lindo ,de sol brilhante; foi uma festa solene, com missa cantada no local, sermão, e recitação de poesias de índole patriótica, por crianças como eu, nesse tempo em plena 2ª Guerra Mundial.

No final foi lida em voz alta, uma acta do acontecimento, que julgo existir ainda nos arquivos paroquiais, e hoje, decorridos 50 anos, fazemos votos para que nos próximos cinquentenários, nunca deixe de ser realçado o nome e o valor humano e espiritual do inesquecível pároco Henrique Antunes Fernandes, à memória do qual, quisemos também  nesta ocasião , juntar a nossa modesta mas sincera homenagem”

Acta da Inauguração do Cruzeiro da independência

No ano de Nosso Senhor Jesus Cristo de 1940, no primeiro dia do mês de Dezembro, veio ao local onde agora fica o Cruzeiro chamado da independência  grande multidão de povo, vindo dos diversos lugares da freguesia com o fim de assistir à bênção e inauguração do Cruzeiro.

Pôde ele ser construído com o produto duma subscrição aberta entre os habitantes do Alqueidão e Carreirancha, que para se associarem às comemorações  ou  centenários  – VIII da Fundação e III da Restauração de Portugal – quiseram mandar erguer este padrão. Todo em pedra de cantaria, consta de 2 degraus formando quadrado, do meio dos quais se levanta um pedestal sobre o qual assenta uma coluna redonda  encimada por uma pedra lavrada, formando  4 faces, numa das quais se desenha o escudo da bandeira portuguesa (ou armas de Portugal), noutra a esfera armilar, e nas outras duas, uma espada e cruz cruzadas.

Por sobre esta assenta outra pedra circular em forma de coroa, e é desta que sai uma cruz latina com que termina todo o monumento.

Mede este 6 metros em toda a sua altura, e no pedestal está gravada esta inscrição: VIII centenário  da independência – III da Restauração de Portugal – 1940.

Foi empreitado incluído o seu assentamento por 1.380$00 escudos.

Às 9 horas e meia desse dia, o pároco celebrou a missa paroquial, que foi cantada, subindo ao púlpito na altura própria para fazer a homilia. Enalteceu as glórias cristãs de Portugal, a fé dos seus paroquianos, lançando maldição sobre os que , no presente ou no futuro, venham a negar a fé e a fazer irreverência a este glorioso cruzeiro.

Terminada a missa, organizou-se um cortejo em que tomaram parte os organismos da Acção Católica, Juventude Católica Masculina e Feminina, Liga dos Homens da Acção Católica, Cruzada Eucaristia, crianças das escolas do Alqueidão , dos Bouceiros e do posto de ensino dos Casais, com os seus professores, trazendo cada qual um distintivo e estandarte, e muito povo.

No local procedeu o pároco à bênção do Cruzeiro acrescentando algumas palavras ditadas pelo seu espírito patriótico. Foram recitadas poesias por diversas crianças e outras pessoas,  Houve um pequeno coro falado em que tomou parte muita gente. Tendo pronunciado discursos  Fernando António Pereira dos Santos professor primário oficial do Alqueidão , e António Luís Fernandes, também professor primário em Leiria.

O bom acolhimento que esta festa havia de ter manifestou-se logo  na generosidade das ofertas para as despesas a fazer com este monumento, e por isso o entusiasmo foi grande  nesse dia de verdadeira festa patriótica em que estrugiram vivas e aplausos.

Deixamos esta acta que vai ser arquivada, como testemunho e exemplo para os vindouros, da nossa fé religiosa e patriótica, formulando o voto de que no ano cinquentenário desta celebração , o então pároco desta freguesia, promova , em dia e mês que lhe pareça mais conveniente, a celebração de uma missa cantada pelas almas daqueles que hoje tomaram parte desta festividade e se empenharam por ela para que, ao relembrar esta data, no sufrágio, se junto o estimulo da devoção e patriotismo que devem aliar-se sempre na alma dos portugueses.

Com fé de que os presentes que Deus deixar chegar a esse dia empenhem a sua palavra. Em nome do Pai e do Filho e do Espirito Santo.

Alqueidão da Serra junto ao Cruzeiro da independência. Ao primeiro dia do mês de Dezembro de 1940.

E eu, Henrique Antunes Fernandes, pároco desta freguesia, a subscrevo.

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Foi autor do projecto o então pároco da freguesia,  Padre Henrique Antunes Fernandes, que se empenhou numa subscrição publica para a construção deste monumento, custou nesse tempo, colocado onde está , 1.380$00 (mil trezentos e oitenta escudos).

A pedra utilizada é proveniente da pedreira do “Chaimite” , perto da Perulheira, onde foi executado, segundo o projecto ali levado de bicicleta por Joaquim Vieira Saragoça (o Joaquim Velho) .

O Cruzeiro foi iluminado pela primeira vez no inicio dos anos 70.  Desde então é a Junta de freguesia que se tem encarregado de fazer a manutenção daquela iluminação, que embeleza o ambiente nocturno numa das entradas do Alqueidão.

No dia 1 de Dezembro de 1990, por parte das escolas de toda a freguesia , fez-se uma homenagem recordando o 350º aniversário da Restauração e o 50º do monumento

Organizou-se um cortejo a partir da Escola Primária, que era composto por mais de duas centenas  de crianças e populares.

Os alunos ta Telescola fizeram recitativos e uma evocação histórica,, sempre acompanhada pelos comentários do Professor Carlos Rosa Vieira que foi mostrando a importância e o simbolismo de cada passo da cerimónia.

Subiram ao céu foguetes estridentes quando a Bandeira Nacional foi hasteada, e ouviram-se novamente palmas  fortes e orgulhosas batidas por um povo que há cinquenta anos atrás teria estado naquele mesmo local por motivos idênticos, mas desta vez contando com a novíssima geração, os filhos e os netos daqueles que construíram o Cruzeiro.

Também foi hasteada a bandeira do município, e foi deposta uma coroa de flores em homenagem aos mais importantes de há 50 anos.

Foi descerrada um lápide que imortaliza a dupla efeméride e cantou-se o Hino Nacional, rematado pelo lançamento de três pombas.

Por fim a Directora da Escola Primária Prof.Dionisia Marques  encerrou a sessão.

Curiosamente, nunca mais foi celebrada nenhuma missa como tinha votado o Padre Henrique  ao actual pároco o Padre Frazão.

Em Março de 1994 foi iniciada a publicação de um jornal mensal de nome “O Cruzeiro” propriedade da Cooperativa Cultural Cruzeiro,  que informava a população de todo os factos de interesse que aconteciam na aldeia, bem como curiosidades, lendas, etc.O preço deste jornal era de 100$00.

O Cruzeiro de Nossa Senhora da Tojeirinha

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O Cruzeiro da Capela de Nossa Senhora da Tojeirinha, que é o mais antigo,  é um belo trabalho esculpido em cantaria onde os diversos símbolos da paixão de Cristo aparecem com extrema perfeição. O povo trata-os por “martírios do Senhor” e acham-se distribuídos por todos os elementos do cruzeiro.

Na parte que entesta com a frontaria da capela, vêem-se a escada, a lança, os cravos, o martelo, a turquês e a esponja, todos eles esculpidos em baixo relevo, exibindo perfeição de figura e delicadeza de acabamento.

Na face que mira o Norte, talhou o canteiro a tradicional inscrição “INRI” que está na parte emissa da cruz, ou seja a que fica por cima dos braços da mesma. Um pouco abaixo, no encontro destes com o elemento que parte do soco, desenhou um coração alanceado. 

Em 1924, no encerramento da missão religiosa que pregaram, na Freguesia, os padres franciscanos Frei Luís de Sousa e Dr. Augusto de Araújo, indulgenciaram especialmente este Cruzeiro. Daí nasceu a devoção de muitas pessoas o beijarem, nomeadamente no regresso do cemitério, depois de qualquer cerimónia fúnebre.

 O Cruzeiro do Alto da Carreirancha

O cruzeiro do alto da Carreirancha foi, mandado fazer, em 1927, pelo devoto de Nossa Senhora de Fátima, Francisco Henriques, da Mata de Porto Mouro, da freguesia de Santa Catarina, concelho das Caldas da Rainha no cumprimento duma promessa, de assinalar no alto da Carreirancha o caminho para Fátima, aos numerosos peregrinos da sua região, que já nesse tempo se deslocavam frequentemente a pé ao Santuário.

Esta legenda é completada no tronco vertical da cruz pelos seguintes pormenores topográficos e cronológicos:

                                                                SAN=

TA

CATA=

RINA

MATA

POR=

TODE=

MOU=

RA

CAL=

DAS

1927

Trata-se da inscrição da morada completa do ofertante Francisco Henriques.: lugar de Mata de Porto Moira, freguesia de Santa Catarina, concelho de Caldas da Rainha, ano de 1927 .

Cruzeiro do alto da Carreirancha

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Lourenço da Costa

Lourenço da Costa

22 de Julho de 1873 – 18 de Março de 1950

Lourenço da Costa nasceu às 6 horas da manhã do dia 22 de Junho de 1873 em Alqueidão da Serra, e foi baptizado no dia 10 de Agosto do mesmo ano, na Igreja Paroquial desta freguesia pelo padre Manuel Afonso e Silva.

Era filho de João da Costa, (mais conhecido pelo Juiz) e de Ana da Silva (Guia), ambos naturais de Alqueidão da Serra.

Era irmão de Maria Filomena Silva Amado, e Adelaide da Silva Costa Assis.

Lourenço da Costa nunca casou, e a sua Irmã Adelaide que era casada com Frederico Augusto Xavier de Assis, teve um único filho que faleceu ainda criança.

Talvez por isso todas as suas atenções eram voltadas para os  filhos da sua irmã Filomena, que eram Guilhermina Amado Gabriel, João Amado, Ermelinda Amado e Adelaide da Silva Amado.

 Aos 12 anos de idade partiu para Lisboa,  a convite da sua madrinha D. Felismina de Jesus Patricio da Silva Garcia Alves.

Tinha apenas a 4ª classe quando ingressou na Escola Artur Navarra onde concluiu, com alta classificação, o curso de enfermagem.

Foi admitido por despacho de 17 de Novembro de 1891 como “Ajudante de Enfermaria”, no hospital de Rilhafoles, (que depois se chamou Hospital Miguel Bombarda).

Por despacho de 22 de Junho de 1892, passou ao serviço do Real Hospital de São José, como “Praticante de Enfermaria”, sendo, em 16 de Abril de 1893 transferido para a Casa de Assentos.

Nomeado “Ajudante de Enfermaria”, foi colocado nos “Quartos Particulares” por despacho de 2 de Dezembro de 1901.

A 10 de Dezembro de 1904, e em comissão de serviço, desempenhou as funções de “Preparador”das 1ªs e 2ªs Secções do Laboratório de Análises Clínicas do hospital de São José. Em 20 de Dezembro de 1906, foi transferido, a seu pedido, para o quadro do pessoal de enfermagem  a que pertencia, continuando em comissão de serviço como “Preparador”.

Promovido a “Enfermeiro” por Despacho de 2 de Janeiro de 1906, foi novamente colocado nos “Quartos Particulares” em 26 de Dezembro de 1906.

Por despacho de 26 de Janeiro de 1915 foi nomeado “Ajudante do Fiscal” privativo do hospital do Rego, mais tarde denominado de “Curry Cabral”.

Em 20 de Dezembro de 1916, começou a servir como Ajudante de Fiscal Geral, sendo-lhe dada a nomeação pela Ordem de Serviço nº 186 de 20 de Janeiro de 1917.

Passou depois a Fiscal Privativo do hospital de São José, cumulativamente com as funções decorrentes do que se refere no parágrafo anterior.

Em 1918, na altura do fim da primeira guerra mundial, alastra uma epidemia de doenças infecciosas: Gripe, broncopneumonia e tuberculose.

A afluência de doentes foi tão grande que os hospitais ficaram superlotados: foi então ordenada a utilização das escolas como hospitais.

Deste modo, em Outubro de 1918 Lourenço da Costa foi encarregado da fiscalização do hospital instalado no liceu Camões.

O seu trabalho foi muito elogiado pelo seu director que via no Fiscal Costa um elemento de grande valor, dentro as suas aptidões profissionais, era um trabalhador metódico e muito organizado.

Grupo de Médicos, Enfermeiros e Trabalhadores do Hospital de São José

 Apesar de conhecer o grau de contagio de que a broncopneumonia gripal é dotada, não hesitou nunca no cumprimento dos seus deveres, honrando assim a instituição onde trabalhava.

Em 11 de Março de 1929 foi distinguido, pelo Governo da Republica, através do Ministro do Interior, com a Cruz Vermelha da Dedicação, pelos bons préstimos e serviços.

Por Alvará de 31 de Dezembro de 1938, foi nomeado Fiscal Geral.

Ao longo da sua carreira hospitalar de mais de 50 anos de serviço, vários foram os louvores que recebeu, e que se transcrevem seguidamente:

Em 20 de Dezembro de 1906, ainda como preparador de Análises Clínicas, o director do laboratório informa que “foi sempre um empregado zeloso, inteligente, disciplinado e disciplinador, mostrado a maior dedicação pelo serviço. É um empregado modelo”

Tem informação prestada em cumprimento da Ordem de Serviço nº 303 de 17 de Dezembro de 1912, relativamente às qualidades do pessoal das enfermarias.

O director dos Quartos Particulares informa que “È um empregado óptimo que reune todas as qualidades”

Em 18 de Fevereiro de 1914, a mesma informação do mesmo Director.

Em 26 de Janeiro de 1915, quando da sua mudança de categoria de enfermeiro para Ajudante de Fiscal privativo do Hospital do Rego, o então Director dos Hospitais Civis de Lisboa Dr. L. Magalhães da Fonseca, prestou a seguinte informação: ” Reconheço qualidades, inteligência, e carácter que o recomendam para o difícil cargo de Fiscal.”

Pela Ordem de Serviço nº 2007 de 15 de Junho de 1938, emitida pela então Direcção Geral dos Hospitais Civis de Lisboa, foi louvado por fazer parte da Comissão Organizadora duma enternecedora festa para os doentes, realizada nos Claustros de São José, por iniciativa de Sua Excelência a Ministra da Bélgica, onde demonstrou carinhoso zelo e dedicação.

Em 8 de Outubro de 1938, em ordem de serviço nº 2040, teve o seguinte louvor: “Porque este dedicado funcionário, nos seus cargos de Ajudante de Fiscal Geral, e ultimamente como Adjunto do mesmo, durante mais de 21 anos tem dado sobejas provas de muito zelo na defesa dos interesses da Fazenda Hospitalar, a par de uma carinhosa dedicação pelos doentes, e pelo pessoal sob as suas ordens, a Instituição é-lhe por isso devedora de assinalados serviços, que me apraz consignar aqui, ao mesmo tempo que lhe confirmo o merecido Louvor”.

Em 28 de Março de 1939, pela Ordem de Serviço nº 2104, foi novamente louvado “pelo muito zelo e dedicação que põe ao serviço dos Hospitais Civis de Lisboa”.

Por último, ao atingir o limite de idade, foi louvado mais uma vez pela Ordem de Serviço nº2471 de 23 de Maio de 1942, subscrita pelo Exº Enfermeiro-Mor Coronel João Nepomuceno de Freitas, que a seguir se transcreve:

“Sendo hoje desligado do serviço para efeitos de aposentação, o Fiscal Geral, Senhor Lourenço da Costa , é com grande mágoa que os Hospitais Civis veêm afastar-se um empregado que durante mais de 50 anos pôs ao serviço desta Instituição, toda a sua inteligência e dedicação. Eu tive neste prestimoso funcionário, um dedicado amigo e colaborador, e por isso, na ocasião em que abandona o serviço, cabe-me, em nome dos Hospitais, prestar homenagem ao Fiscal Geral Senhor Lourenço da Costa, louvando-o pelo muito zelo, dedicação e inteligência com que desempenhou, durante tão largo espaço de tempo as delicadas funções dos cargos que ocupou.

Foi aposentado, sendo-lhe contados 50 anos de serviço, e a referida aposentação veio publicada no Diário do Governo nº 120 de 23 de Meio de 1942.

A Bem da Nação

O Administrador Fernando Pimenta”

Terminado a sua vida activa na cidade de Lisboa, voltou para o Alqueidão da Serra.

De regresso à terra natal, revela-se um homem exemplar e digno de respeito.  Era estimado por todos, apesar de ser homem de poucas falas.

Passava pelas ruas e casas com um olhar observador, e sempre que avistava crianças atirava-lhes goloseimas.

Percorria o Alqueidão de bengala na mão e com o seu estojo de enfermeiro, acorrendo aos pobres e doentes que tratava com um carinho especial

Também se encarregava das vacinas no dispensário materno infantil do Alqueidão. Aqui é que a garotada tinha medo dele, mas ele tinha um jeito especial para distrair as crianças. Deixava-as brincar com caixas de medicamentos, enquanto dava a vacina num piscar de olhos.

Mas não se dedicou apenas à enfermagem: sempre que podia ou lhe era solicitado, dava concelhos e como amigo do povo sentia as suas dificuldades procurando resolve-las.

Também dava valor ao património e incitava sempre as pessoas a preserva-lo. Deu dinheiro para que o lavadouro da fonte fosse reconstruído, pois tinha sido totalmente arrasado pelo forte ciclone de 15 de Fevereiro 1941.

Lourenço da Costa tinha todas as virtudes de um bom católico mas não frequentava a igreja e naquela altura isso era considerado muito importante. As pessoas diziam: «Que pena, um homem tão bom, e não vai à Igreja!»

Anos mais tarde, dizem que a sua sobrinha, com quem vivia, a Tia Ermelinda, o converteu e ele passou a ir sempre à missa, acabando por tornar-se ele próprio, um exemplo para os outros.

Foi tal a alegria da sua conversão que lhe ofereceram um lugar especial na Igreja: Uma cadeira com genuflexório. Mesmo após a sua morte, a cadeira ainda lá permaneceu vazia durante uns anos, até serem feitas as obras na igreja. Mas durante todos esses anos, ela foi sempre apontada como «a cadeira do Fiscal Costa».

Não havia família no Alqueidão quem não lhe devesse um favor, não havia pobre ou doente a quem ele não tenha dispensado todos os seus cuidados.

Foi incansável, sacrificava muitas vezes a sua saúde levantando-se às 5 da manhã para acudir aos seus doentes. Todos eram tratados de igual modo sem olhar a posições sociais ou crenças.

A sua vida não se resumiu em ganhar dinheiro pois ele não cobrava a ninguém os seus favores. Não era um santo, mas era um santo homem.

Lourenço da Costa morreu a 18 de Março de 1950, com 76 anos e encontra-se sepultado no cemitério do Alqueidão. Infelizmente não se sabe o local e este não possui uma campa.

Nunca poderá ser esquecida a sua constante lida e preocupação ao percorrer as ruas da nossa terra de porta em porta, malinha na mão acudindo aos pobres e aos doentes por quem tinha uma excepcional dedicação.

Noticia do falecimento do Fiscal Costa:

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H O M E N A G E N S

O Jardim do Fiscal Costa fica situado na Rua A-do-Ferreiro,  foi construído em 2001, e lá se encontra um monumento com o busto de Lourenço da Costa que foi oferecido pela Junta de Freguesia.

O Largo Lourenço da Costa fica na Estrada de Porto de Mós. Este sitio ficava a caminho da casa onde vivia Lourenço da Costa, e era lá, sentado numas grandes pedras que o Fiscal, depois de reformado, passava grande parte do tempo.

DG2010

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Irmã Alice

16 de Março de 1920 – 3 de Novembro de 2010

A Irmã Alice nasceu a 16 de Março 1920 em Alqueidão da Serra.

Helena Amália com os pais e irmãosFilha de Manuel Vieira Gomes e de Gracinda Vieira da Rosa, foi batizada na Igreja paroquial de Alqueidão da Serra. Recebeu o nome de Helena Amália Vieira Gomes.

Entrou na Congregação (Dominicanas) a 14 de Outubro de 1941, tendo recebido o hábito religioso no dia 29 de Setembro de 1942. Fez a sua profissão temporária a 2 de Outubro de 1943 e a perpétua a 10 de Janeiro de 1947.

Recebeu o nome de irmã Alice de Jesus Amália.

A irmã Alice passou pelas comunidades do Ramalhão, Leiria, Cardais, Fátima, Guarda e Aveiro.

Grande cozinheira. Foi mestra nessa área. Era sempre zelosa na transmissão dos conhecimentos e solícita na ajuda a todos quantos dela se aproximavam.

A Irmã Alice tinha gosto pelo estudo e leitura da Palavra de Deus como boa Dominicana que era, de tal modo que marcou. Quando não podia ler, pedia que lhe fizessem leitura espiritual. Era muito piedosa e manifestou sempre grande amor a Jesus Eucaristia e através do seu testemunho de vida incentivava as irmãs e as jovens a estarem sempre em oração.

Tinha sempre palavras de conforto e de esperança.

Era simples, humilde, alegre, atenciosa e carinhosa, particularmente com as crianças na casa da Guarda onde esteve nos últimos 25 anos, onde era muito querida. Tinha muito bom senso e sentido crítico, sabendo gerir com equilíbrio as situações mais delicadas. Tinha grande espírito de sacrifício evitando dar trabalho aos outros, mesmo ao longo da doença.

Faleceu em Aveiro no dia 3 de Novembro de 2010, festa de S Martinho de Lima. Esteve consciente até ao fim acompanhando a oração e os cânticos das Irmãs, agarrando o seu crucifixo até expirar na serenidade e na paz.

ir Alzira Ferreira

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