Quatro Cantinhos

Nos ângulos de um quadrado colocavam-se outros tantos jogadores. Por norma, os cantos deviam ficar a distâncias tão iguais quanto possível.

No meio ficava outro jogador. Este, uma vez que não tinha ponto onde se fixasse, via-se obrigado a descobrir um. Isto só podia verificar-se por mudança dos jogadores. E esta, que era obrigatória, fazia-se logo que o jogador, com ordens para isso, a ordenava dizendo:

– “Cerra muda a muda”.

Palavras não eram ditas e aí estavam os jogadores a largarem o lugar na direcção do que se lhes afigurava mais a jeito, às vezes, depois de prévia combinação por sinais.

Era numa destas ocasiões que o parceiro sem poiso arranjava o seu. Podendo ele estar onde melhor lhe aprouvesse, bastaria colocar-se à beirinha de um para ter garantido a posse do mesmo. Ninguém lá deitaria pé mais rapidamente que ele.

Como o jogo consistia, precisamente, na mudança, ninguém “aquecia” o lugar. Acabada uma, e posto cada qual no seu, o mandatário imediatamente ordenava outra mudança, do que não era difícil resultar que vez sim, vez não, o mesmo andasse às velas com a obrigação de procurar onde se meter, o que despertava o interesse do jogo.

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Pedrinhas

Uma das brincadeiras que atravessou os séculos, e que no Alqueidão dos anos 80 ainda era jogado pelas crianças que o tinham aprendido com seus pais e avós, é o jogo das pedrinhas.

Não se sabe ao certo sua origem. Os romanos chamavam-lhe  Pentalia, porque era jogado com cinco tentos.

No Alqueidão “das pedras negras” o jogo das pedrinhas jogava-se assim:

Numa superfície plana, colocam-se “pedrinhas”, tantas quantos forem os jogadores. Neste grupo de “pedrinhas” não se conta a do primeiro a jogar, que a guarda em mão. Com ela principia a competição, atirando-a ao ar.

Enquanto ela sobe, tem de apanhar uma das que estão na  superfície e recolher também a sua, mas sem que ela toque no chão. Conseguido isto, prossegue sempre até perder ou ganhar o jogo.

Para chegar a vencedor, tem de apanhar todas as dos parceiros, uma a uma. Finda esta parte, coloca-as todas no mesmo lugar conservando sempre a sua própria e novamente joga como das outras vezes, com a diferença que agora deve apanhar todas as outras e a sua, no mesmo lance de jogo. De contrário, é como se não tivesse feito nada e perde.

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Bugalha

Este jogo tinha as mesmas características que do jogo do berlinde. A diferença é que se utilizavam bugalhas de chaparreiro ou de carvalho, por uma razão muito simples: Não havia berlindes.

Os berlindes só aparecerem quando começou o fabrico do refrigerante gasoso a que foi dado o nome de “pirolito”. Foi a morte do jogo da “bugalha”.

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Amorinhos

O nome desta planta é Abrunheiro Bravo (Prunus spinosa).

No Alqueidão chamamos-lhe Amorinhos

Arbusto espinhoso. Ramos espinhosos com folhas e grande número de raminhos. Folhas verde-escuras pequenas. Cheiro agradável. Sabor áspero. As bagas são comestíveis somente quando estão muitíssimo maduras. Também são usadas para fazer aguardente de amorinho.

Este arbusto é benéfico para tratamento de: acne, boca, crescimento, cura de Primavera, fadiga, furúnculo.

 Propriedades terapêuticas: adstringente, depurativo, diurético, laxativo, sudorífico, iónico

 Componentes: lanino, helerósidos. ciano-genéticos, vitamina C

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A Rotunda do Major

No cruzamento junto ao café do Major, onde se uniam as estradas de Porto de Mós em direcção a Fátima, e do Alqueidão em direcção aos Casais dos Vales, era um local onde a circulação automóvel apresentava muitos problemas.

A visibilidade era pouca, a sinalização insuficiente. Era um local onde ocorriam muitos acidentes. A população pedia  à Câmara Municipal uma rotunda para aquele cruzamento, mas não se via qualquer interesse da parte do Município em resolver o problema.

Ocorreram dois acidentes com vitimas mortais, naquele cruzamento. Perante a notória falta de interesse por parte da Câmara Municipal, toda a população apoiada pela Junta de Freguesia levaram a cabo várias ações com vista a pressionar a Câmara a construir uma rotunda no cruzamento junto ao café do Major .

E a obra fez-se.

A adjudicação vem publicada no Diário da República, 2ª série nº 98 de 22 de Maio de 2007.

 A obra foi feita por  Cimalha — Construções da Batalha, S. A.,  e custou 80 251,89.

Para viabilizar a construção da rotunda, a Junta de Freguesia teve de adquirir os terrenos circundantes a Joaquim Luís Gomes Vieira, Arménio Pereira Amado e Fernando Vieira Pedro. O esforço financeiro da Junta de Freguesia ascendeu a 25 mil euros.

O embelezamento de todo o espaço envolvente foi um trabalho de colaboração entre a Junta e a Câmara.

A inauguração ocorreu em pleno período eleitoral, em parte para fazer esquecer o compromisso do presidente Salgueiro para com o Alqueidão: resolver o diferendo que existia entre a população (representada pela Junta de Freguesia) e a Câmara Municipal no que respeitava à renda do Parque eólico do Chão Falcão.

Salgueiro não o resolveu.

Só nos primeiros 4 anos de atividade do Parque Eólico do Chão Falcão, Salgueiro levou do Alqueidão UM MILHÃO DE EUROS. Em troca construiu uma retunda no valor de 80 mil euros, num cruzamento problemático, tendo ainda assim a Junta de Freguesia de comprar alguns terrenos em volta por alguns milhares de euros para que a obra fosse feita.

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