José da Silva Catarino

José da Silva Catarino nasceu em 5/10/1931 em Alqueidão da Serra. Foi o primeiro filho de José Augusto Vieira Catarino (que nasceu a 5 de Outubro de 1910), e de Maria da Conceição da Silva Carvalho (nascida em 30 de Dezembro de 1907).

José da Silva Catarino de alcunha “O Marinha” frequentou a escola primária em Alqueidão da Serra, onde completou a 4ª classe.

marinha

Com cerca de 14 anos de idade, e devido ao falecimento de seu pai, o Marinha teve que ir trabalhar para garantir o sustento dos seus irmãos.

Trabalhou na agricultura no Alentejo e posteriormente nas mondas do arroz e na construção civil, em Lisboa. Depois destas experiências foi trabalhar para Minde.

Tinha cerca de 20 anos quando foi para Minde onde começou por dar serventia a pedreiros, e depois foi trabalhar para uma vivenda como jardineiro.

Casou na Igreja Paroquial de Alqueidão da Serra em 21 de Outubro de 1956 com Maria Trindade de Jesus Frazão, e depois continuou a trabalhar em Minde na sua actividade de jardineiro, até ao nascimento do seu primeiro filho, Vitor Frazão Silva.

No final do Verão de 1958 o casal regressa ao Alqueidão da Serra. Nessa altura o Marinha recebeu um convite para ir para os Correios, começando então a trabalhar como carteiro, cargo que desempenhou durante 36 anos.

José da Silva Catarino iniciou a sua carreira politica na Junta de Freguesia de Alqueidão da Serra, como tesoureiro, entre 1964 e 1968, sendo nesta altura o presidente António da Silva Correia. Nos quatro anos seguintes, de 1968 a 1972 continuou a desempenhar as funções de tesoureiro.

Depois do 25 de Abril de 1974, continuou na Junta de Freguesia, desempenhando as funções de Presidente, cargo que desempenhou durante vários mandatos. Em 1990 cedeu o lugar a Félix Reis, e nas eleições de 12 de Dezembro de 1993 regressou de novo à presidência.

Das obras realizadas, enquanto presidente da Junta de Freguesia, destacam-se:

  • A criação da Pré-Primária em Alqueidão da Serra e nos Bouceiros;
  • O Alcatroamento da estrada que liga o Alqueidão às Covas Altas;
  • Recuperação do edifício da Escola Velha, onde estava sediado o CCR de Alqueidão da Serra, e que seria posteriormente a sede da Casa do Povo, Posto Médico e Junta de Freguesia;
  • Construção do Jardim Infantil em Alqueidão da Serra e nos Bouceiros;
  • Alargamento e reforço da rede eléctrica, e iluminação em vários locais da Freguesia
  • Construção da Casa-Velório
  • Construção do parque de merendas, e do edifício junto à Estrada Romana
  • Monumento ao Jurássico;
  • Construção da ponte em ferro que dá acesso à Lapa;
  • Entupimento da Barreira e construção do Jardim em homenagem ao Major;
  • Construção do Jardim com o monumento ao emigrante (o Jardim das Oliveiras);
  • Construção do Centro de convívio da 3ª idade;  Etc.

Em 28 de Setembro de 2001 José da Silva Catarino anunciou à Assembleia Municipal a sua decisão de abandonar todos os cargos políticos que exercia, e escreveu também ao Padre Américo Ferreira que não tardou em enviar-lhe uma resposta.

  Teor da carta que o Padre Américo Ferreira enviou a José da Silva Catarino

“Exmo Senhor

  José da Silva Catarino

  Alqueidão da Serra

        Acabo de receber a sua carta com data de l5  de Outubro de 2001, que, penhorado,  agradeço.

       Informa-me, na mesma carta, que as suas funções de Presidente da Junta de Freguesia terminaram. E o motivo que alega – o estado de saúde da Trindade – preocupou-me, sobremaneira. Que Deus a conforte e lhe conceda as melhoras que deseja. Eu rezarei por ela.

       Ao terminar  a sua nobre e notável obra de bem servir recordo, com enlevo, os tempos distantes dos inícios da década dos anos sessenta, em que alegre e ardorosamente, como Secretário da Junta, já pugnava pelo progresso da freguesia, tão carenciada de meios económicos e  estruturas de serviço público.

     Com mais de três dezenas de anos ao serviço do difícil como honroso poder  autárquico, o senhor José deve sentir- se orgulhoso pela obra que ajudou a concretizar, nos domínios do progresso económico, cultural,  social e desportivo da freguesia.

     Querer enumerar todos os actos que enobrecem a história do Alqueidão, no decurso  do seu serviço de autarca competente e lutador, seria  minimizar os méritos alcançados por tantas bemerências  prodigalizadas a todos os seus conterrâneos .

    Há dias resolvi visitar o Alqueidão de hoje e peregrinei, sentimentalmente, até Janeiro de 1958. Tomei a estrada do Celeiro de maquedame esburacado e encontrei a primeira casa da aldeia, a do Adelino Crenco; enchi o peito de fresca brisa no irregular e pequenino campo de futebol da Chã; contornei a velha escola e cantina muito pobre: inflecti pela curva da fonte, onde  encontrei  muita gente a lavar roupa,  no lavadouro, e muitos burros com cântaros aos pares  a equilbrar  cangalhos.

      Entre  o pó levantado dos buracos que “alcatifavam” a estrada encolhi-me na curva da Valicova  e desci a Porto de Mós. Que pobreza!

      Regressei.  Depois, a pé, atravessei a Carreirrancha e subi até á  casa da mulher que, todos os dias, ia  à vila, buscar e levar o correio (não me recordo do nome dela); meti-me pelas congostas dos carreiros ínvios do Vale de Ourém e, num dia 8 de Setembro quando ia aos Bouceiros festejar Nossa Senhora da Saúde,  contei 112 burros, carregados de milho,  de regresso a casa dos seus donos, sem que antes tivessem experimentado o vexame dumas vozes mansas e o  carinho duns golpes de bonomia.

      A seguir, subi até  ao Valongo soalheiro e parei no Casal Duro vaidoso. Eram tempos pobres  de gente humilde,  mas alegre,  bairrista e amante da sadia convivência.

      E  nas sinuosidades do encéfalo, rebusquei as tardes divertidas dos domingos, com muita gente na igreja  na devoção  vespertina; muitos pares de namorados, amparando os muros toscos e desalinhados da aldeia; as reuniões da LAC e da Conferência de São Vicente de Paulo, esta com honras de acta, redigida pelo Senhor Carlos.

      Volvidos quarenta e cinco anos, retomei a estrada do Celeiro que me transportou  a uma terra arejada, que continua a receber com fidalguia, mas desta vez, na sua sala de visitas, em ambiente de monumento ao emigrante. Parabéns.

        Saudoso,  subi ao velho campo de jogos da Chã  e envaideci-me com um harmonioso, moderno e  amplo  parque desportivo.

      Detive-me a observar o remodelado edifício da sede da Junta de Freguesia e do Cento de Saúde. E estive com os idosos,  no seu Lar, pedaço harmonioso e benquisto da alma do velho burgo.

        Desci à escola com a sua cantina nova e admirei o monumento  ao Fiscal Louenço da Costa. Sentei-me no relvado ajardinado  do Largo João Major e prestei  homenagem aos homens “pequenos” que fizeram grande o Alqueidão.

          Subi a estrada que leva aos Bouceiros e ao ler  os topónimos  da terra, fiquei  triste porque a placa toponímica  que mereceria o nome dum pároco, seria a do Pe Henrique Fernandes, o grande cabouqueiro e dinamizador da alma cristã do Alqueidão.

          Esgotada  a escalada dos Bouceiros não encontrei  nenhum burro.

      Avancei até ao Casal Duro. Desci as Covas Altas e,  no Covão da Oles, ri-me com o Trinta Quilos. Parei nos Casais dos Vales, recordei o seu rocio, a senhora Mariazinha, o tipo do camponês: o Domingos e o seu irmão e chorei a sua escola, ontem buliçosa, ora deserta. Inflecti para zonas vizinhas da ponte da Valicova.  

       Que contraste gritante entre a de ontem e a de hoje!

      Por onde passei, descobri progresso, abonado por casas dignas e arejadas , afirmando bem estar, poder económico, bairrisnmo sadio. Em tudo, bocados de alma do José Catarino, o incansável obreiro e impulsiondor do muito o que constitui o Alqueidão renovado de 2001.

    Se o homem se sente feliz quando se reconhece como útil, o  senhor José, ao terminar as suas funções autárquicas deve senti-se ufano por ter propiciado aos seus conterrâneos  esta rica sementeira de de bem e de progresso.

      Parabéns  e o obrigado pela obra realizada, fruto do espírito empreendedor e amor desvelado ao seu povo.

      Deus lhe pague. Todo o bem que fazemos Deus o faz connosco.   

      Deixa o cargo, mas a obra realizada ficará a falar por si, tempos fora.

      Volvidos tantos anos e ao sentir a  sua acção,  dói-me a alma por tão pouco ter dado a esta terra que tanto me deu a mim e com quem tão pouco partilhei.

 Obrigado pelo nobre exemplo de bem servir que nos legou.  E continue a dar algo de si à sua família e à sua terra. Sinta-se  util!

Leiria, 31 de Outubro de 2001

( Pe Américo Ferreira)”

José da Silva Catarino faleceu no dia 7 de maio de 2007, num incêndio ocorrido num dos seus terrenos na serra, quando procedia a uma queimada.

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Uma resposta a José da Silva Catarino

  1. roger.pedro1@aliceadsl.fr diz:

    Paz a tua alma Marinha

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