Capela da Tojeirinha

Capela de Nossa Senhora da Tojeirinha

Segundo algumas versões, a Capela de Nossa Senhora da Tojeirinha foi construída por alguns gafos (leprosos) que, devido ao contágio, se afastaram da restante população.

Efectivamente, no final do século XVII, um surto de lepra alastrou sobre a região. Os doentes, obrigados a isolar-se, deslocaram-se para um lugar onde havia uns palheiros que transformaram em hospital e dormitórios. Deles fizeram uma gafaria.

Construíram o seu próprio cemitério  e uma capela onde faziam as suas orações. Alguns doentes traziam consigo uma imagem de Nossa Senhora e outra de Santo Estêvão que adoptaram como patrono.

Mais tarde, ao que parece  antes da Invasões Francesas, as imagens foram retiradas da Capela. Uma delas, a de Nossa Senhora, foi escondida no meio do mato.

Reza a lenda que, o arado puxado pelos bois de um agricultor que lavrava a terra nos arredores da Capela, não conseguiu arrancar um tojo. O agricultor escavou então a terra e encontrou sob o tojo, a imagem de Nossa Senhora.

Espalhada a noticia, levaram-na em procissão para a capela de Santo Estêvão.

Porque a imagem tinha sido encontrada debaixo dos tojos, passaram a denomina-la de Nossa Senhora da Tojeirinha.

Nossa Senhora da Tojeirinha

A devoção à Santa aumentou e passaram a designar a Capela com o nome de Nossa Senhora da Tojeirinha.

Conta-se que Nossa Senhora saía da Capela  e ia para uma lapinha situada nos arredores, porque queria que lhe fizessem uma porta virada para as suas seis capelas irmãs, que são:

Nossa Senhora da Encarnação – Leiria
Nossa Senhora do Fetal – Reguengo do Fetal
Nossa Senhora do Monte
Nossa Senhora da Nazaré
Nossa Senhora da Gaiola – Cortes
Nossa Senhora do Ó – Alcanadas

Feita a obra tão desejada, Nossa Senhora da Tojeirinha nunca mais voltou a sair.

Do ponto de vista arquitectónico, a Capela de Nossa senhora da Tojeirinha é constituída por uma só nave, com altar mor e dois altares colaterais. No retábulo da Capela Mor há 3 nichos onde inicialmente foram colocadas as imagens de Nossa Senhora da Tojeirinha no nicho central, Santo Estevão do lado direito e o Pai Eterno do lado esquerdo. Esta disposição das imagens tem vindo a ser alterada ao longo dos anos.

Nos altares colaterais está a Imagem de Nossa Senhora do Rosário do lado direito e a imagem de São José no altar do lado esquerdo. Estas duas imagens estiveram Igreja Paroquial até terem sido compradas as actuais imagens de Nossa Senhora e São José.

A Capela teve ao longo dos tempos vários melhoramentos. Foi aumentada, foram colocados azulejos nas paredes e na parte exterior foi construído o muro.

A respeito desta antiga capela pode ler-se no jornal “O Portomosense” de 26 de Outubro de 1986, o seguinte:

“Esta capela que hoje se chama Nossa Senhora da Tojeirinha, é bem antiga. “O Couseiro” fala dela, ainda sob a invocação de Stº Estevão, e já a denomina “muito antiga” Noutra obra publicada em 1876, lê-se que esta capela no lugar de Alqueidão da Serra, sob a protecção de Santo Estevão, pertencera outrora à freguesia de São João de Porto de Mós, “é templo muito antigo, mas também se ignora a época da sua fundação”

No retábulo do altar-mor lê-se a data de 1631. Mas, pelas anteriores referências, bem se pode concluir que este templo é muito anterior. Para uns, a capela terá sido feita para permitir a assistência à Missa dominical dos habitantes do Alqueidão, poupando-lhes, assim o sacrifício de terem de se deslocar a Porto de Mós para cumprirem o preceito. Para outros, o seu aparecimento dever-se á ao facto de prestar, em separado, assistência religiosa aos leprosos que, na Idade Média, abundariam também por aqui. Daí a relação com Santo Estevão, protector dos leprosos. E ainda que aqui teria havido alguma leprosaria, e a isso não será estranho o topónimo Gafarias que encontramos na zona a dois paços da Capela. Outros ainda sustentam a anterior pertença desta zona à Gafaria de Leiria.

A antiguidade ninguém lhe nega, e este facto deveria ter pesado no restauro que se fez. Mais tarde, e com o aparecimento  do lendário achamento da estátua de Nossa Senhora, o templo toma o nome que actualmente tem, e que nalguns livros se lê, talvez mais eruditamente “Nossa Senhora do Tojeirinho”.

Ao longo dos tempos a capelinha recebeu melhoramentos diversos. Sabe-se que o Padre Manuel Afonso e Silva que paroquiou o Alqueidão desde 1861, a ampliou substancialmente. Em 1960 concluíram-se mais umas obras de restauro, orientadas então pelo Padre Américo Ferreira, que custaram 28.000$00.

São hoje património do templo, além do retábulo de pedra, a imagem da padroeira, de pedra pintada e em estilo gótico do século XVII, e a de Santo Estevão, também de pedra pintada e do principio do século XVII em estilo gótico puro.

Existem ainda duas imagens de madeira, uma de Nossa Senhora do Rosário, de grande e muito antiga devoção, e outra da santíssima Trindade, ambas já muito deterioradas pelo tempo. Diz-se que a imagem de São Silvestre que se encontra na Igreja Paroquial também pertencia à Capela.

À memória desta secular ermida deixamos aqui estas notas, bem como em honra de Nossa Senhora da Tojeirinha, a quem um estudante de Coimbra, João Cunha Barreiros, dedicou o seu doutoramento. – C.A”.

No ano de 2003 foi editado o livro “PORTO DE MÓS” com direcção de produção de Patricia Guedes e Rui Guedes, texto e notas de Prof.Doutor Joaquim Veríssimo Serrão e fotografia de Rui Guedes e Rui Gonçalves Moreno. Nele a história do Concelho de Porto de Mós é ilustrada com belíssimas fotografias do património histórico e arquitectónico do Concelho, inclusivamente da Capela de Nossa Senhora da Tojeirinha.

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No ano 2010 iniciaram-se novas obras de restauro da Capela de Nossa Senhora da Tojeirinha.

No dia 1 de Janeiro de 2011, para cumprir a tradição, realizou-se a procissão com as imagens de Santo António, São Silvestre, Nossa Senhora da Tojeirinha e o menino Jesus, mas desta fez com a capela ainda em obras.


Depois seguiu-se a tradicional venda dos pinhões.

Em Abril de 2011 a Capela continuava em obras. Foi arranjado o telhado. Foram retirados os azulejos das paredes que tinham sido colocados numa das reconstruções anteriores (A capela originalmente não tinha azulejos). Foi ainda retirado o muro que delimitava o adro (inicialmente a capela também não tinha nenhum muro à volta).

Na primeira semana de Junho de 2011, faziam-se os acabamentos finais, para a inauguração que iria ocorrer no fim de semana de 11 e 12 de Junho, por altura da Festa em honra de Nossa Senhora da Tojeirinha.

A Imagem de Nossa Senhora da Tojeirinha permaneceu na Igreja Paroquial durante os 3 dias de preparação para a festa. Nesses três dias, quarta, quinta e sexta-feira, a população teve a oportunidade de participar na Santa Missa celebrada pelo Padre Frazão.

No Sábado dia 11 de Junho, à tarde, ocorreu a cerimónia de Inauguração e Benção da Capela, presidida pelo pároco Padre José Mirante Carreira Frazão, e onde estiveram presentes diversos convidados, representantes de Entidades Publicas, Associações e Colectividades.

O professor Carlos discursou sobre a história da Capela, falou sobre as várias reconstruções que sofreu, sobre as suas imagens e altares, etc.:

– “O retábulo tem ao cimo a data de 1631, e inicialmente,  era ornado com motivos florais e da natureza, e pintados a preto e a um vermelho alaranjado. Mas pelos escritos conhecidos, este retábulo, é muito posterior à construção inicial da ermida, e que não se conhece a data. O livro mais antigo sobre as coisas da diocese de Leiria, e, que rondará por 1620, já chama a esta ermida de MUITO ANTIGA, e ainda então com o inicial patrono Santo Estêvão e pertença de S. João de Porto de Mós. Mais tarde com a lenda do aparecimento da Imagem de Nª Sra da Tojeirinha, a Capela toma este nome, que já tem em 1755.”

No final pudemos contar com a actuação do Coral Calçada Romana, a que se seguiu um lanche.

Ainda no sábado, depois da missa vespertina, realizou-se a procissão da velas, levando  a imagem de Nossa Senhora da Tojeirinha para a Capela, a que se seguiu a actuação do organista Rui Saraiva.

No Domingo dia 12 pudemos contar com a celebração da Santa missa, Sermão, e procissão com a imagem de Nossa Senhora.

Durante a tarde assistimos à actuação das Concertinas da Barrenta e do Organista “LF Music.”

Esta entrada foi publicada em Património Arquitectónico. ligação permanente.

Uma resposta a Capela da Tojeirinha

  1. M. Natália Fernandes diz:

    Obg pela publicação desta linda história. Levei trechos dela para mostra a uma Sra idosa que se lembra desta igreja mas que não sabe contar a história dela e das suas 6 irmãs. Um bem haja

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