Padre Francisco Vieira Real

Nasceu em Alqueidão da Serra em 2 de Outubro de 1879, e foi baptizado na igreja paroquial. Era filho de José Vieira Real e de Maria de Jesus. 

Entrou para o seminário de Santarém com a preparação literária obtida nas aulas do Padre Manuel Afonso e Silva. Matriculou-se no ano escolar de 1893/94 e findou o quarto ano de Teologia em 25 de Junho de 1903.

A 25 de Março de 1901, o Cardeal-Patriarca D. José Sebastião Neto deu-lhe a Prima Tonsura e Ordens Menores na capela do Pequeno Seminário de Jesus, Maria, José, que funcionava no antigo convento de S. Vicente de Fora em Lisboa, como se lê no manuscrito 694, fls. 294 vs, do Arquivo da Câmara Patriarcal de Lisboa. Recebeu o grau de Diaconado em 24 de Maio de 1902.

Recebeu ordens de missa em 20 de Dezembro de 1903 sendo ministro consagrante o Arcebispo de Mitilene, D. José Alves de Matos. A cerimónia decorreu na capela do Seminário de S. Vicente, como vem no 1º Livro de Registo de Cartas de Ordens, fls. 118, da  Câmara Eclesiástica. Foi ordenado com dispensa de património.

Neste ano, teve lugar a sua festa de na igreja do Alqueidão, cuja descrição pormenorizada se lê em “O Portomosense” da época.

Foi nomeado pároco das freguesias de Parceiros de Igreja e de Bugalhos em 14 de Janeiro de 1904.

A 26 de Fevereiro de 1905, foi-lhe passada carta de prorrogação da paroquialidade por mais um ano, com as cláusulas da primeira. Essas cláusulas consistiam em fazer homilia, dar catequese e entregar o terço do rendimento da paróquia de Bugalhos.

A posse do lugar foi-lhe renovada por mais um ano, em data de 26 de Fevereiro de 1906, com as imposições anteriores, salvo no respeitante ao terço de Bugalhos que foi convertido em esmola voluntária para o Seminário de Santarém. O mesmo se passou relativamente a 1908.

A seu requerimento, no dia 15 de Fevereiro de 1910, obteve nomeação para o cargo de ”capelão da Real Capela do Cabo Espichel” até ao fim do ano.

Num documento patriarcal de 24 de Março de 1915, originado por requerimento do P.e Real afirma-se:

  ”Pode o reverendo supplicante exercer as funções de Parocho, com a faculdade de binar na capela a que se refere, por tempo de quinze dias, dentro do qual explicará de modo attendível, as razões porque não requereu a renovação das suas licenças em devido tempo.”

A 16 de Agosto de 1916 é passada Provisão que o nomeia, por um ano, pároco encomendado da freguesia do Castelo em Sesimbra, podendo também dizer segunda missa na Capela do Cabo Espichel, como diz a “Vida Católica”.

A esta nomeação segue-se um intervalo de anos sem que os registos eclesiásticos dêem conta de lhe haver sido comunicado algum despacho.

Este intervalo de tempo, estende-se até 18 de Maio de 1921.

 Alguma coisa de importante e de anormal se passou,  sob o aspecto disciplinar, com sua condição de padre, porque foi nomeado Secretário da Câmara Municipal de Sesimbra, tomando posse em 6 de Dezembro de 1919.

É em 21 de Maio de 1921 que, no registo eclesiástico do Padre Real, se vê em palavra que lhe diz respeito e que vai ter directamente às funções civis que passara a desempenhar no Município de Sesimbra. É uma informação enviada para a competente esfera do Vaticano, a qual teve origem nalgum requerimento ou exposição feita pelo PadreVieira Real. Assina-a o Cardeal D. António Mendes Melo e, nos seus precisos termos, diz:

 “A Freguesia que o orador parochiava estava no respeitante aos meios precizos para a sua sustentação, nas mesmas condições em que se encontravam outras freguesias, cujos parochos se têm nellas mantido, sem recorrer a empregos civis. O cargo de Secretario de uma Camara Municipal, como o actualmente exercido pelo orador, não pode bem conciliar-se com o caracter sacerdotal, nem com a indole das funções proprias do Padre católico.

 A. Cardeal Patriarcha.”

Em 27 de Janeiro de 1922 prestou juramento segundo as cláusulas do Breve de 11 de Janeiro desse mesmo ano, no qual lhe é concedida licença, valedoira por cinco anos, para ser empregado da Câmara de Sesimbra.

Em 30 de Dezembro de 1930 é autorizando celebrar em todos os domingos e dias santos na capela da Misericórdia.  Em 1932 é nomeado capelão e coadjutor de Sesimbra com direito a continuar na capela da Misericórdia local.

De 12 de Janeiro de 1955,é nomeado para a freguesia de Santiago e para capelão do Calhariz até finais deste ano.

De coração bondoso, dava tudo para matar a fome a quem não tinha nada para comer. Como Capelão do Hospital da Misericórdia nunca recebeu um centavo. Como Coadjutor só tinha como remuneração a satisfação de ser útil à Igreja e aos colegas.

Faleceu vitima de doença prolongada, no dia 27 de Fevereiro de 1933, em Sesimbra. Morreu pobre, nada deixando à família, de quem era o único amparo. 

No seu funeral que se realizou no dia 28 de Fevereiro de 1933, não faltaram os pobres de quem o saudoso padre era desvelado protector. Havia lágrimas em todos os olhos, manifestando dor e saudade.

Fonte: Artigo do jornal “A Voz do Domingo” com data de 8 de Março de 1933, cedido pelo Professor Carlos
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