A Cadeira de São Pedro

Existe lá em cima, nas Mangas do Goivado, uma extraordinária preciosidade. Nem mais nem menos que a Cadeira de S. Pedro, o  sucessor de Cristo na Terra.

Essa preciosidade, que é duplamente valiosa e impagável – por ter pertencido a São Pedro, e porque toda ela é feita do mais puro oiro maciço – está metida entre dois penedos, que lhe servem de esconderijo. A fraca e reduzida folhagem dum velho lentisco é que impede que a vejam os olhos dos que a procuram! E eles têm sido tantos, tantos que nem se podem contar!

Ninguém atina com ela. Não é que o sitio não esteja bem definido, ou que a extensão dele seja coisa por aí além. No entanto, o que se sabe é que ninguém dá com ela, e já lá vão muitos séculos, ninguém a utiliza e todos a procuram.

E como é que ali veio parar a Cadeira de S. Pedro? .

Reza a lenda que, uma noite, andava armada uma terrível perseguição aos cristãos de Roma, S. Pedro viu-se na urgente necessidade de fugir da cidade para não o matarem.

Como era de cima da Cadeira que ele pregava o Evangelho, resolveu levá-la consigo para o acreditarem, onde quer que fosse ter, quando pregasse a doutrina de Jesus.

Andou o Apóstolo por esse mundo de Cristo além e, ao fim de muito caminhar, dá consigo naquele ponto da Serra que hoje se trata por Mangas do Goivado.

Pensava ele com os seus botões que não persistiria por ali ninguém. Eis senão quando lhe surge, lá do meio dos penedos, um homem já carregado de anos, com barbas de ermitão a darem-lhe pela cintura, mal vestido e além disso, com ares de quem andava cheiinho de fome.

S. Pedro imediatamente aproveita a ocasião e pega na Cadeira, para lhe falar de Jesus. Conta-lhe os milagres que Ele fez, por Sua alta recreação ou atendendo a um pedido, em favor de pobres e de necessitados, e explica-lhe de que maneira foi tratado com a morte na Cruz, apesar de ter sido tão bom para toda a gente.

Palavra puxa palavra e o solitário morador daquele tão áspero ermo pede ao seu interlocutor que lhe diga quem é. S. Pedro responde, afirmando ser o representante cá na Terra, desse Jesus de quem lhe falava, com os mesmos poderes que Ele tinha.

Não foi preciso mais nada para o pobre homem começar a desfiar um enorme rosário de pedidos, e S. Pedro atendeu-os. E tão completamente isso foi, que até se desfez do gorro com que protegia a sua enorme calva, e com o qual por vezes, se disfarçava.

Indo as coisas por este caminho, lembrou-se o generoso Apóstolo de que o homem que lhe pedira tantas e tão variadas coisas, não faltaria nada para também lhe pedir a Cadeira…

Resoluto, agarra na Cadeira, anda meia dúzia de passos e, ao voltar pouco depois para junto do seu companheiro, vinha sem ela. Escondeu-a. E tão bem o fez que até aos dias de hoje ainda não apareceu ninguém que a conseguisse encontrar. No entanto, só está coberta pela miúda e rala folhagem dum velho lentisco serrano. Só as cabras a vêem, a utilizam e a estragam com as suas cabriolices.

Nos últimos anos, pode-se dizer que acabou a “estragação” da lendária Cadeira. É que, já não existem as daninhas cabradas de antigamente.

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