Ró-Rô

O “Ró-rô” era jogo exclusivamente para crianças. Durante muitas gerações, ele fez o maior deleite de um sem numero de crianças de ambos os sexos.

Entravam nele todos os que pretendiam brincar. Excluídos, só aqueles que estivessem marcados pela prática habitual da deslealdade em coisa de obediência às regras do jogo.

Da ranchada que se dispunha a jogar, havia um que “apoisava”. Sem ele, nada feito. “Apoisar” era permanecer, de olhos fechados pelo próprio e de cabeça fincada numa parede, repetindo sempre, até aviso em contrário, o seguinte:

– “Ró-rô, ró-rô”, esconde-te bem, que eu já lá vou”.

Quando alguém anunciava “já podes”, terminavam os convites à procura de esconderijo e principiava o trabalho de descobrir os esconderijos. Isto nem sempre era fácil, pelo menos em relação a alguns, mais hábeis em se esconderem.

À medida que os ia descobrindo, gritava os nomes respectivos (as alcunhas também davam jeito) e anunciava:

– “Fulano, estás morto.”

Dizendo isto, batia com a mão no sítio onde “apoisara”, a cabeça.

Os escondidos, se procurassem demorar o jogo, estavam no seu direito, aproveitando-se da parte vantajosa do seu esconderijo. Mas se este era de tal natureza que, por comum acordo, se verificasse haver especial dificuldade em dar com ele, o escondido era desafiado a aparecer, senão o jogo ficaria parado.

Também era do jogo abreviar a sua duração por meios que estavam regulados. Para isso, cada um tinha de arranjar forma de se ciscar despercebidamente e correr para o local onde o que “apoisou” arrumara a cabeça para bater lá, com a mão, gritando ao mesmo tempo:

– “A minha mão n’àpoisa”.

Ao contrário do que se passava com o que “apoisou”, os que andavam a rario no esconderijo, podiam receber o auxilio orientador que lhes quisessem prestar os que já estavam fora do jogo, ou por terem cumprido a praxe de bater com a mão no “poiso”, ou por haverem sido “mortos”.

A orientação podia ser fornecida por sinais, o que era melhor por não alertar o “inimigo” dos escondidos. Mas se o aviso para que o escondido não avançasse era verbal, então ouvia-se um sussurrante:

– “Inda não!”.

A indicação de que o terreno estava livre era fornecida por palavras, como:

– “Capa, capa, capa!”, que em regra, se pronunciavam com a maior rapidez e o mais baixo possível.

O escondido a quem se dirigiam tinha por distinta obrigação formar a corrida mais veloz de que dispunha, não se desse o caso de ser visto e “morto”.

Se conseguia realizar o que lhe indicavam e o que lhe indicavam era escapar, pois o “capa, capa” era a abreviatura de “escapa”, tomava lugar junto dos restantes parceiros, já fora da competição.

Se, ao contrário, era pilhado, das duas uma: ou o jogo continuava e podia não lhe vir daí imediato inconveniente, ou ele era o último e, neste caso, a ele tocava a obrigação e trabalhos de “apoisar” de seguida, na continuação do jogo.

Sendo o último e tendo escapado à intervenção fatal, “apoisava” o que fora “morto” em último lugar. Faltando algum nestas condições, continuaria a “apoisar” o mesmo, que estava com essa obrigação.

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