Tabernas

No Alqueidão, antigamente, existiam várias tabernas que serviam também como salas de convívio, sendo que algumas delas tinham também um lugar onde se comercializavam mercearias, tecidos, artigos para costura, etc.

Actualmente já não existe nenhuma, no entanto, elas perduram na memória dos mais velhos pelas suas características específicas.

A Taberna do Coxo (Francisco Vieira Saragoça), ficava na Carreirancha. Vendia o melhor vinho das regiões do Vale e da Borda da Costa, da produção do próprio taberneiro.

A Taberna do Santareno (Domingos Pereira Brioso), ficava ao meio da ladeira, do lado esquerdo de quem sobe do cruzamento da Casa do Povo até à Rua de Cima.  Esta ladeira foi conhecida durante muitos anos como “a Ladeira do Santareno”.

Era na taberna do Santareno que se reuniam os políticos da primeira Republica (de 5 de Outubro de 1910 até 28 de Maio de 1926), e que se decidiam as questões conflituosas sociais e políticas dessa época.

Foi nesta altura, por causa dos conflitos entre Progressistas e Regeneradores, que foi destruída a Calçada Romana, que então passava ao Vale de Ourém, só porque uma das facções teimava em passar por lá, mesmo depois de ter sido aberta pela outra facção, a variante pelo lado de baixo, por onde se passa actualmente. Por isto era preciso destruir a calçada, para a tornar intransitável aos que teimavam em passar por lá.

Tanto a taberna do Santareno como a do Coxo na Carreirancha, eram os locais onde os homens de juntavam nas noites de inverno, e disputavam autênticos campeonatos de jogos de cartas, do “vintém” ou “fito”.

A Taberna do Ti João Vitório, ficava em frente ao adro da igreja (onde hoje é o Centro de dia). Era grande a afluência de pessoas aos domingos e dias santos. À saída da missa muita gente passava por lá. Vendia vinho e aguardente a copos para os homens, e às crianças vendia copos de laranjada e gasosa. Também vendia pirulitos (garrafinhas com uma bebida gasosa que traziam um berlinde). Foi nesta altura que as crianças passaram a jogar ao berlinde com berlindes. Antes jogavam com bogalhos (bagas dos carvalhos).

Foi na taberna do Ti João Vitório que funcionou o segundo Posto de Correio, depois de ter saído da casa do enfermeiro José Vieira da Rosa, por volta do ano de 1935. Foi nesta taberna que foi instalado o telefone público, pouco tempo depois da transferência do correio.

O espaço estava dividido em duas partes: De um lado a taberna e do outro lado a loja de tecidos da tecidos da Ti Águeda do João Vitório. A ti Águeda era conhecida em todo o lado  porque ela saía com o seu burro e ia vender tecidos nas feiras.

A Taberna do Ti João Rosinha situava-se no então Fundo do Lugar (no cruzamento da Rua Padre Júlio Pereira Roque com a Rua do Fundo do Lugar).

Vendia a copos o vinho Branco das Barradas, Palhete da Várzea e Aguardente do Alambique do Ti Carlos (Carlos Vieira da Rosa).

A taberna do Ti João Rosinha foi a primeira Agência de Camionagem de Transportes Públicos do Alqueidão (Camionagem Ribatejana).

camionetadacarreira

A taberna do Hilário

Hilário Ferreira Santiago 

O Hilário era natural de Sever de Vouga. Veio com um irmão para trabalhar nas Minas de Carvão de Alcanadas. Aos  fins de semana vinha ao Alqueidão, onde conheceu uma filha do Ti Juca, (sapateiro que esteve no Brazil), que viria a ser a sua esposa.

27 de Outubro de 1940 Casamento do Hilário

Logo que casou no Alqueidão, ele começou a montar uma Taberna e Mercearia, e a seguir começou a fabricar Licores de excelente qualidade,  que eram de muita procura na época.

Como ele não tinha carta de condução, ele se servia de dois empregados, que faziam a distribuição por todo o Portugal.

Foram uns anos de sucesso. Era o mais dinâmico Empresário do Alqueidão. Muita gente lhe emprestou dinheiro, pagando ele os juros, porque os negócios estavam a dar resultado.

Tinha duas Citroens, que os empregados usavam para fazer a distribuição dos licores  por todo o Portugal. Depois  montou uma Moagem de Farinha a Gasóleo.

Durante a 2ª Guerra ele ganhava muito dinheiro, mas quando a Guerra acabou, a partir de 1950,  houve uma grande crise de dinheiro, por todo o Portugal.

Os seus Empregados que distribuíam os Licores, chegavam e diziam-lhe que o cliente não pagou, outro pagou pouco, e assim aos poucos, o Hilário entrou numa grande crise financeira, de tal modo que não tinha como pagar ao Grémio de Porto de Mós, que colocou o caso em Tribunal. Ficou sem a casa onde tinham nascido todos os seus oito filhos, e foi com a família morar na Moagem.

Nesta altura as carências eram enormes com oito filhos para criar. Mas a crise era Geral no Alqueidão.

A partir dos inícios de 1950, começou muita gente do Alqueidão e arredores a ir e vir a pé para Mira de Aire, para trabalhar nas Fábricas. Nesta altura o Hilário levou toda a família, para morar em Mira de Aire.

 

A taberna do Luis da Catrina

O ti Luis tinha uma taberna junto à Igreja onde os rapazes se juntavam para conversar e jogar às cartas até altas horas da noite.

Luis Francisco Amado

A taberna do Cego

Ficava na Carreirancha logo no inicio da ladeira do lado poente. O homem era completamente cego, andava sempre descalço e geria uma taberna. Vendia sobretudo vinho a copo. Para saber se o copo estava cheio, colocava a ponta do dedo na borda do copo, e logo que sentia o liquido, estava a dose completa. Manipulava as notas e as moedas como qualquer outra pessoa. Ia muitas vezes a Porto de Mós fazer compras de camioneta.

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