A Lenda de Santo Estevão

Conta a tradição que a imagem de Santo Estevão foi encontrada numa loca situada nas Covas de Santo Estêvão, nas imediações da Capela de Nossa Senhora da Tojeirinha.

Quem a encontrou foi o pastor duma cabrada, na qual entremeava algumas ovelhas.

O guardador deste rebanho misto, tocou o gado pelas Bacalhoas abaixo em direcção às propriedades que hoje se chamam Covas de S.to Estêvão. Despreocupado porque naquele local os animais não tinham onde ir fazer mal, deixou as cabras e as ovelhas a pastar livremente.

O silêncio somente era quebrado pelo ruído feito pelas ovelhas que comiam o grão das espigas perdidas. O que lhe despertou a atenção foi o facto de as cabras comerem tão pacificamente que fazia admiração a qualquer um. Cheio de curiosidade resolveu aproximar-se para descobrir a razão para o que via.

Com a ponta do cajado arredou as guias das silvas. Não teve grande dificuldade no inicio da averiguação, mas à medida que avançava tudo ia ficando mais difícil. Ia abrindo caminho pelo meio do mato, o tufo de verdura crescia e aumentava a densidade das silvas. Isto aguçava no pastor a curiosidade por ver o fim daquilo que se lhe tornava cada vez mais difícil perceber.

Venceu todos as dificuldades, que foram muitas, mas não bastantes para o deter. Com a roupa esfarrapada e com a pele riscada por inúmeros e grandes arranhões, deu consigo em frente da entrada de uma gruta no sopé do monte.

Ainda lhe veio à ideia parte daquilo que ouviu contar a respeito de bruxas, de lobisomens e de moiras, mas atirou com isso tudo para trás das costas e decidiu avançar por ali dentro.

Esfregou os olhos que não viam nada na escuridão e, quando começou a enxergar alguma coisa foi tacteando o piso e verificando a altura da entrada com a ajuda do cajado, e ele aí vai em busca do desconhecido.

Seguiu encostado a um dos lados, por motivos de segurança e de orientação. Tudo correu sem novidade até ao fim. A luz não lhe dava a claridade suficiente, mas o tacto dizia-lhe que não tinha tocado em nada. Seguindo a mesma táctica de pesquisa, procurou saber a outra dimensão do buraco em que se metera.

Aí pelo meio do percurso, percebeu  que existia uma parte que não foi cavada até ao nível do piso geral, fazendo, assim, uma espécie de mesa. Estendeu-lhe o braço por cima e verificou que ela tinha a largura aproximada de um palmo e meio.

Continuando o exame, não tardou que os dedos tocassem num objecto poisado em cima da“mesa”. Tentou deslocá-lo e não conseguiu. Empregou as duas mãos e o que quer que aquilo fosse, não deu de si. Fincou os cotovelos, puxou e o pesado objecto inclinou-se.

Pelas formas que a palpação lhe dava, nada concluiu. Achou que aquilo era uma pedra com uns feitios esquesitos. Baixou-se ligeiramente o que fez com que o objecto passasse da mesa para o seu ombro e, apoiando-se no cajado tomou o caminho da saída.

Cá fora, arrumou a carga em cima da  parede mais próxima e deu de caras com a imagem de um Santo. Maior espanto não podia ter! E ao Santo  parece ter acontecido o mesmo, tão abertos estavam os seus olhos!

santo estêvão

Que fazer? Com tudo aquilo que se tinha passado, as horas voaram, sem que o pastor desse por isso. Era noite… A única ideia que lhe ocorreu foi meter a imagem na loca, juntar o gado e pôr-se a caminho de casa. Depois se veria…

Chegando a casa, as explicações do atraso fizeram com que tivesse que contar tudo o que se tinha passado. A família, em peso resolveu ir certificar-se do que ouviu. Pegaram numa lanterna e fizeram-se ao caminho com tal alvoroço que chamaram a atenção da vizinhança toda.

Todos no mesmo propósito seguiram em romaria, alumiados pela luz das suas lanternas, com a ideia declarada de lá chegarem o quanto antes.

Entrou o primeiro grupo que ficou abismado perante a confirmação do facto tirada pelos seus próprios olhos. Saíram para darem o lugar aos que não tinham cabido e ansiavam por admirar o espectáculo. O mesmo veio a dar-se com os que se lhe seguiram, até ao último.

Só no rosto das crianças é que se via um certo retraimento. Era por causa do receio que lhes meteram os olhos esbugalhados do Santo que, ainda por cima estava com uma pedra na mão…

Tiradas as dúvidas relativas ao inesperado e improvável caso, alguém perguntou que destino se devia dar ao religioso achado, que ninguém sabia dizer que Santo do Céu representava.

Discutiu-se largamente, houve mil e uma sugestões mas nada ficava definitivamente resolvido. Já uns falavam em ir dormir e que no dia seguinte se estudaria a solução para o caso, mas a proposta foi mal acolhida pela maioria.

Já a noite ia alta quando se decidiu por unanimidade, construir uma capela e logo alguns queriam que se iniciasse a obra no dia seguinte. Alguém lembrou que havia necessidade de licença do prior da Freguesia.

Rompeu a manhã e o pessoal continuava a discutir os problemas daquela ocorrência. Acabaram por decidir chegar até Porto de Mós e entender-se com o Prior de S. João, freguesia a que estava ligada aquela zona do Alqueidão.

O Prior ouviu atentamente a narração de todos os factos relativos ao aparecimento da imagem, e decidiu despachar o pedido de licença para a construção da capela. Mais ainda, acabou por pedir para também ele ver a imagem de que lhe falavam, e todos se dirigiram para o local onde ela se encontrava.

 – “Realmente!”, foi a palavra que saiu dos lábios do Prior afirmando-se melhor na estátua, disse explicativamente:

– “É o mártir S.to Estêvão, sem tirar nem pôr…”

Imagem encontrada pelo pastor

Imagem encontrada pelo pastor

Durante todo o tempo que demorou a construção da Capela,  a imagem do Santo ficou na Igreja de São João em Porto de Mós, uma vez que a zona do Alqueidão onde a imagem foi encontrada pertencia, naquela altura, à Freguesia de São João.

Santo Estevão

Santo Estêvão foi o primeiro mártir do cristianismo.

Segundo os Actos dos Apóstolos, Estêvão foi um dos sete primeiros diáconos da igreja nascente, logo após a morte e Ressurreição de Jesus, pregando os ensinamentos de Cristo e convertendo tanto judeus como gentios.

Foi detido pelas autoridades judaicas, levado diante do Sinédrio (a suprema assembleia de Jerusalém), onde foi condenado por blasfémia, sendo sentenciado a ser apedrejado (Atos 8). Entre os presentes na execução, estaria Paulo de Tarso, o futuro São Paulo, ainda durante os seus dias de perseguidor de cristãos.

Durante os primeiros século do cristianismo, o túmulo de Estêvão achou-se perdido, até que em 415 (talvez pela crescente pressão dos peregrinos que se deslocavam à Terra Santa), um certo padre, de nome Luciano, terá dito ter tido uma revelação onírica de onde se encontrava a tumba do mártir, algures na povoação de Caphar Gamala, a alguns quilómetros a norte de Jerusalém.

Gregório de Tours afirmou mais tarde que foi por intercessão de Santo Estêvão, que um oratório cristão a ele dedicado, na cidade de Metz, onde se guardavam relíquias do santo, foi o único local da cidade que escapou ao incêndio que os hunos lhe deitaram, no dia de Páscoa de 451.

Fonte:Wikipédia

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