O Cristo das Trincheiras

O Corpo Expedicionário Português (CEP) foi a principal força militar que Portugal enviou para a França durante a 1ª Guerra Mundial. Deste contingente faziam parte alguns homens da nossa terra, entre os quais se contava o Padre Manuel Frazão. 

Covão de Oles, o mais pequeno lugar desta freguesia, viu partir três dos seus filhos para as trincheiras da Flandres.

A partida de milhares de portugueses para a Flandres gerou um enorme descontentamento a nível nacional por causa dos enormes gastos a suportar pelo governo, que tinha o objectivo de, através da sua participação activa no esforço de guerra contra a Alemanha, que também ameaçava os nossos territórios ultramarinos, conseguir apoios dos seus aliados e evitar a perda desses mesmos territórios.

Em França, no sector português da Flandres, que ficava entre as localidades de La Couture e Neuve-Chapelle, encontrava-se um artístico cruzeiro com um Cristo pregado numa cruz de madeira, que dominava a paisagem da planície envolvente.

A imagem deste Cristo não era portuguesa, mas encontrava-se na zona defendida pelo Corpo Expedicionário Português, durante a ofensiva alemã que quase destruiu a 2ª Divisão de Infantaria.

No dia 9 de Abril de 1918, sobre aquela planície caiu uma tempestade de fogo de artilharia que, durante horas a fio, a metralhou, a incendiou e a revolveu. Era a ofensiva da Primavera de 1918 do exército alemão.

A povoação de Neuve-Chapelle quase desapareceu do mapa, ficou transformada em escombros. A área ficou cheia de cadáveres e, entre eles jaziam 7.500 portugueses da 2ª Divisão do Corpo Expedicionário Português, mortos ou agonizantes.

No final apenas o Cristo se mantinha de pé, mas mutilado. A batalha decepou-lhe as pernas e o braço direito e uma bala varou-lhe o peito, mas mesmo assim, Ele foi trazido pelos militares que conseguiram reagrupar-se e regressar às linhas aliadas.

Em 1958 o Governo Português mostrou ao Governo Francês o desejo de possuir aquele Cristo mutilado. Ele tinha-se tornado um símbolo da Fé e do Patriotismo nacional. Passou a ser conhecido como o “Cristo das Trincheiras”.

A imagem chegou a Lisboa de avião, a 4 de Abril de 1958, uma Sexta-feira Santa. Ficou em exposição e veneração na capela do edifício da Escola do Exército até 8 de Abril, para depois ser conduzida para o Mosteiro da Batalha e colocada, a 9 de Abril, à cabeceira do túmulo do Soldado Desconhecido, na sala do Capítulo.

trincheiras

 O “O Cristo das Trincheiras” simboliza a fé que manteve os militares portugueses na linha da frente, praticamente sem licenças, mal abastecidos, sentindo-se abandonados por quem os enviou para combater por algo que a maioria nem sequer entendia.

Esta imagem de Cristo crucificado, foi disponibilizada por parte da Liga dos Combatentes para fazer parte de uma exposição temporária que se realizou no Santuário de Fátima. Esta foi a primeira vez que a imagem deixou o Mosteiro da Batalha.

“Neste vale de Lágrimas” foi o nome da exposição, inaugurada a 29 de novembro de 2014, no Convivium de Santo Agostinho, na zona da Reconciliação da Basílica da Santíssima Trindade.

IMG_20141212_103052

Lembrando os Nossos Soldados

MANUEL PEDRO era do Casal Duro e seus pais chamavam-se Joaquim Pedro e Maria Rosa de Jesus. Assentou praça no antigo Regimento de Infantaria 7, em Leiria, e faleceu em França no ano de 1919, quatro dias antes de embarcar para Portugal. Durante a Guerra foi cozinheiro numa das messes de oficiais, apesar de ser carpinteiro de sua profissão. A morte foi provocada por gases que teria apanhado em combate. Presidiu às cerimónias religiosas do seu funeral o Alferes-Capelão Padre Manuel Frazão. Regista-se a coincidência de, uma irmã dele ter casado precisamente no dia em que se verificou o seu óbito.

De regresso a Portugal

O que é possível dizer sobre a data em que voltaram para casa, é o que em 5 de Junho de 1919, o correspondente do “Portomozense”, no Alqueidão, escreveu: ”Encontra-se aqui o nosso amigo Padre Manuel Frazão, há pouco regressado de França, onde foi alferes-capelão. As nossas boas vindas.

Aos seus conterrâneos o Padre Manuel Frazão falou sobre a protecção de Nossa Senhora aos soldados portugueses, lembrou o quanto eles são dignos de estima e consideração pelo seu sacrifício, e também frisou a circunstância de terem voltado sãos e salvos à Pátria, depois de se terem batido como leões nas planícies da Flandres.

Combateram em França:

ADRIANO DE MATOS, mais conhecido por Adrianico, nasceu no Alqueidão e faleceu em Casais da Arroteia (S. João da Ribeira – Rio Maior), onde residia, desde cerca de 1926.

ALBINO VIEIRA DIONÍSIO nasceu no Alqueidão em 1890. Faleceu em Lisboa e jaz no cemitério do Alto de S. João, desta cidade.

ANTÓNIO CARREIRA CEGO nascido e criado nos Casais dos Vales, ali terminou seus dias.

ANTÓNIO FRANCISCO também conhecido por António Francisco Pastilha era natural dos Bouceiros. Casou nas Covas Altas.

CUSTÓDIO VIEIRA era do Valongo e casou nos Bouceiros. Era também conhecido por Custódio Marcelino.

FRANCISCO DOS SANTOS embora nascido em Alcaria, figura nesta lista porque, desde os sete anos, viveu no Alqueidão, onde constituiu família e de onde se considerava natural. Por muitos anos exerceu o ofício de ferreiro, aprendido com Beltrão dos Santos, que o criou.

JOÃO PEDRO DE CARVALHO era natural do Casal Duro. Em 1981 contava 86 anos e ainda se lembrava de que permaneceu em França durante vinte e seis meses (de 1917-1919), na região de Lille.

JOAQUIM PEDRO RIBEIRO também era natural do Casal Duro e faleceu em 1976.

FRANCISCO VIEIRA DA ROSA era natural do Alqueidão, onde casou e viveu. De acordo com “O Mensageiro”, de 25 de Outubro de 1918, sabe-se que regressou de França pouco antes do dia 13 de Outubro de 1918.

JOSÉ CARREIRA nasceu no Covão de Oles e também foi conhecido por José Casqueta.

JOSÉ CORREIA também era natural do Covão de Oles.

MANUEL CORREIA também era natural do Covão de Oles.

JOSÉ DA COSTA nasceu na Carreirancha e foi conhecido por José Golveias. Não chegou a embarcar para França por ter desertado.

MANUEL FRAZÃO (PADRE), foi Alferes-Capelão.

MANUEL VIEIRA PEDRO nascido na Carreirancha. Regressado de França, chegou ao Alqueidão em 10 de Fevereiro de 1919.

Esta entrada foi publicada em Grandes Guerras com as etiquetas , , . ligação permanente.

3 respostas a O Cristo das Trincheiras

  1. Sim e sempre bom conhecer a nossa historia, sendo pessoas que eu nao conheci por nao ser desse tempo so tenho que agradecer a vce Dulce a coragem que teve pra fazer toda essa presquisa que gostei muito de ler mais uma vez obrigada .. mes sincères remercement merci
    mario Carvalho 41@yahoo.ca,

    Gostar

  2. Maria Matos Amado diz:

    A pesquisa foi excelente. Parabens! O meu avo Golveias fez o que eu ainda faria hoje.

    Gostar

  3. regina diz:

    Gostei mto Grande trabalho de pesquisa!Parabéns

    Gostar

Obrigado pela visita. Volte sempre!

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s