Lenda de Nossa Senhora da Tojeirinha

Conta a tradição que certa vez, um lavrador do Alqueidão se dispôs a tirar do poisio em que se encontrava, um terreno de sua propriedade que ficava nas imediações da capela de Santo Estêvão. Arranca os bois da manjedoira, põe-lhes a canga, pega no arado, e põe-se a caminho.

Como era perto, breve foi a caminhada. Arria o arado, e quando está tudo pronto começa o trabalho.

Já o trabalho ia a meio, e tudo corria tão bem que nem fez caso duma tojeira que florescia no eito daquele rego. Nem ela era coisa para merecer as atenções dum lavador que trabalhava com uma junta de bois daquelas!… Seguiu o mais descuidadoso que se pode imaginar.

E o caso é que o arado, à medida que entrava no espaço da tojeira, mais devagar e mais dificultosamente o fazia.  Chegou uma altura em que não avançava mais, apesar dos esforços dos bois e do lavrador.

Não encontrando explicação para uma coisa assim, decide apurar o segredo… Que raízes podia ter uma tojeira de tão reles aparência? Embicaria o arado nalguma pedra?

Com a ponta da bota cardada, afastou os ramos da tojeira, que nem eram tantos como isso, e ficou espantado com o que viu.

Quando a surpresa lhe deu liberdade de movimentos, dobrou-se e, estendendo os braços e levantou o que, de imediato, lhe deu a ideia de ser uma imagem religiosa.

Com toda a facilidade a identificou. De coroa, com o Menino Jesus ao colo e tudo… era Nossa Senhora!

Deixando tudo para trás o lavrador foi a correr ao povoado contar o que se tinha passado. Então o povo esclarecido quanto a todos os pormenores do aparecimento da imagem, imediatamente lhe deu apropriado nome, invocando-a com título de “Senhora da Tojeirinha”.

Organizou-se de imediato uma procissão, em que participou uma grande parte de povo que ali se juntou e, recolhidamente, a imagem aparecida foi levada para a capela de Santo Estevão, onde ficou exposta às súplicas e louvores dos habitantes do Alqueidão.

Quando foi à saída, cá fora, nova surpresa se apresentou aos olhos de todos. Os bois, dos quais ninguém mais se lembrou nem teve cuidados, ali estavam, em frente da porta da capela a olhar lá para dentro.

Capela

Como forma de devoção à imagem de tão misteriosa origem, começaram a levar os animais domésticos à capela, no dia de Ano Novo, e davam com eles três voltas ao templo, após o que o dono se ajoelhava no arrebato da porta principal e fazia a sua oração com o gado ao pé.

Durante muitas décadas os animais eram levados até á Capela no dia 1 de Janeiro de cada ano, para serem benzidos. Os animais, principalmente burros e bois, eram uma  indispensável ajuda no trabalho dos agricultores.

Esta entrada foi publicada em Alqueidão. ligação permanente.

Obrigado pela visita. Volte sempre!

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s