Chamava-se “o jogo da bola” o jogo que se praticava no Caminho Velho, aos domingos e dias santos.
Podiam jogar 4, 6, ou 8 pessoas de maneira a formarem dois grupos. Se fosse só com quatro pessoas o jogo era ganho pelo primeiro grupo de dois que derrubasse o fito de madeira 12 vezes, ou atingisse os 24 pontos.
Cada vez que se deitasse o fito ao chão marcava-se 2 pontos. Cada vez que a bola de madeira (meio palmo de tronco de oliveira) ficasse mais perto de fito, ganhava um ponto.
“Domingo das Cozinhas” era o nome dado por toda a gente do Alqueidão, ao domingo que no calendário vem imediatamente antes do Carnaval e que também se conhece por Domingo Gordo.
Neste dia havia o tradicional costume de fazer um farto e festivo almoço. A cozinha onde este almoço se fazia, era o campo. Aí se almoçava, se brincava e cantava durante toda a tarde.
Rapazes e raparigas formavam grupos de acordo com os seus gostos, ideias, maneiras de ser, parentesco, vizinhança e tantas outras circunstâncias, e faziam todos os esforços para que a festa fosse memorável. Organizavam todas as coisas de acordo com as naturais aptidões de cada qual.
A refeição constava sempre de um só prato, e este era invariavelmente de carne. Nem fazia sentido não comer carne no Domingo Gordo. Para comer peixe bastava a rigorosa abstinência imposta pela Quaresma que ia começar daí a três dias.
A carne utilizada era de porco, já tinha estado na salgadeira algum tempo, e era oferecida pelos participantes. Um levava toucinho alto e gordo, outro levava o toucinho entremeado, a outro cabia levar o chouriço e outros ofereciam a chouriça, a farinheira etc. Depois havia também quem levasse os ossos para avivarem o gosto do conjunto e a hortaliça, batatas, arroz ou massa, sal, pão, vinho. E assim se juntavam todos os ingredientes necessários.
De igual maneira se distribuía o encargo dos trabalhos: preparar o sitio das fogueiras, rachar cavacas, juntar lenha miúda, fornecer água, lavar e partir carnes, preparar hortaliças, acender lumes e abaná-los, ajeitar mesas improvisadas com pedras rústicas do local, compor as panelas com as respectivas doses, vigiar e dirigir a cozedura, distribuir a comida, etc
Nada escapava porque cada um queria dar o seu melhor para que tudo corresse bem. Prontas as coisas e pessoas a postos, seguia-se a operação final, o Almoço!
É escusado elogiar o apetite dos participantes, tanto rapazes como raparigas, que se deliciavam com o almoço ao ar livre, e com o aperitivo do convívio amigo.
No meio da conversa e da alegria, organizavam alguns jogos tradicionais em que todos participavam.
Os ditos almoços realizavam-se numa pequena propriedade situada na Cabeça, à qual deram o nome de Penas da Cozinha.
A urtiga nasce espontaneamente nos terrenos não cultivados. Aparece em grandes quantidades nos locais mais sombrios e húmidos e tem inúmeras aplicações.
Como utilizar o que a Natureza nos oferece gratuitamente
A urtiga pode ser utilizada na fertilização de solos, na indústria farmaceutica, na indústria têxtil, e na culinária.
Na Culinária
Chá de Urtigas
Deite 1 chávena de água a ferver sobre 1 colher de chá de folhas secas de urtiga. Deixe em infusão durante dez minutos e em seguida coe. Beba 3 a 4 chávenas durante o dia.
O chá de urtigas é extremamente benéfico para quem tem diabetes, mas não é só isso, ele tem muito mais utilidades. Por exemplo, deixa os rins limpos de sais, areias e pedras, fortalece o sistema imunitário e é também usado para o reumatismo.
Salada de Urtigas
Escolher as folhas e os rebentos tenros. Cozem-se as folhas inteiras em água com sal até que fiquem brandas, depois cortam-se aos pedacinhos.
Faz-se uma mistura com farinha torrada e manteiga, a que se juntam as cebolas picadas muito finas e as urtigas, e acrescenta-se leite e água. Leva-se ao lume durante quinze minutos. Pode-se substituir a farinha torrada por batatas raladas, cruas.
Sopa de Urtigas
Colocar as urtigas em água corrente abundante, durante 5 minutos, para deixarem de picar. Cortar uma cebola grande e batatas em cubos, e alho francês em rodelas. Levar uma panela ao lume com um pouco de azeite, juntar os legumes e deixar refogar durante cerca de 5 minutos, mexendo sempre para não queimar. Juntar caldo de carne, tapar a panela e deixar cozer em lume médio cerca de 20 minutos. Passar a mistura com a varinha mágica, e acrescentar água, se necessário.
Cortar as urtigas grosseiramente. Levar novamente a panela ao lume e, assim que levantar fervura, juntar as urtigas. Rectificar os temperos e deixar cozer cerca de 10 minutos.
Esparragado de Urtigas
É preciso apanhar uma boa quantidade de urtigas porque com a cozedura o volume da planta fica reduzido a um décimo.
Escalde as urtigas em água com sal e escorra muito bem. (Aproveite a água para caldo de sopa…)
Numa tábua de cozinha corte a planta aos pedaços. Leve ao lume uma frigideira com 2 ou 3 colheres sopa azeite com 1 ou 2 dentes alho picados. Junte as urtigas, deixe saltear, mexendo sempre. Junte um pouco de vinagre.
Faça um polme com 2 colheres sopa de farinha e um pouco de água da cozedura das urtigas. Adicione ao preparado na frigideira, envolva e deixe cozer suavemente até engrossar um pouco.
Depois de apagar o lume pode juntar um pouco de sumo de limão.
Bolo de Urtigas
Ingredientes:
– 180g de urtigas (escaldadas e trituradas)
– 200g de açúcar amarelo
– 250g de farinha
– 1 c.s. de fermento
– 100g de margarina
– 5 ovos
– raspa de 1 limão e de 1 laranja
Preparação:
Juntar a margarina com o açúcar. Deitar as gemas e mexer bem. Peneirar a farinha com o fermento e envolver. Juntar as urtigas ao preparado anterior e por fim a raspa do limão e da laranja.
Bater as claras em castelo e envolver sem mexer para não perderem o volume. Levar ao forno previamente aquecido.
Na Medicina
Um texto de Pedro Lôbo do Vale, médico:
“As folhas contêm teores elevados de clorofila, molécula vegetal de cor verde, cuja composição química é muito semelhante à da hemoglobina (transportador de oxigénio no nosso sangue) e ferro. Estes constituintes são responsáveis pelas suas propriedades desintoxicantes e antianémicas, uma vez que estimulam a produção de glóbulos vermelhos. São ainda ricas em outros sais minerais como o fósforo, magnésio, cálcio e silício, e vitaminas A, C e K. Do ponto de vista terapêutico as folhas possuem uma forte acção diurética, anti-inflamatória e remineralizante, sendo ainda ligeiramente hipoglicemiantes. De uma forma geral, a urtiga ajuda o organismo a eliminar os líquidos em excesso, pelo que uma infusão (1 colher de chá de folhas secas por chávena de água quente, três a quatro vezes ao dia) pode ser útil como tratamento auxiliar em muitas doenças. As folhas são ainda ricas em proteínas (100 gramas de urtigas secas contêm 35 a 40 por cento de proteínas) e em vitaminas e sais minerais, e constituem uma ajuda válida no caso de anemia. Com acção vasoconstritora e hemostática, as folhas ajudam também a estancar hemorragias nasais e a aliviar menstruações abundantes, contribuindo ainda para diminuir os níveis de açúcar no sangue.”
As urtigas são também utilizadas em tinturas contra a caspa e a queda do cabelo:
Prepara-se a tintura da seguinte maneira: cozem-se 250 g de raízes de urtiga, finamente picadas, durante meia hora, num litro de água com meio litro de vinagre. Seguidamente, filtra-se o líquido. Com esta tintura lava-se a cabeça uma vez por semana esfregando-se depois o couro cabeludo com azeite de oliveira puro.
Na Agricultura
Como Fertilizante
Evite colher as urtigas que se encontram à borda das estradas pois essas absorvem o chumbo liberado pelos tubos de escape.
Recolha cerca de 1kg, dando preferência às maiores e que não tenham florido ainda (são mais ricas em nutrientes).
Descarte os pés e raízes das urtigas e coloque as urtigas num recipiente não metálico com capacidade para 10 litros de água.
Junte 10 litros de água da chuva, de nascente ou de um poço (a água não deve ter cloro).
Durante o dia deixe o recipiente destampado ao sol e, à noite coloque a tampa. Isto vai acelerar o processo de fermentação.
Mexa a mistura a cada 2 dias para libertar o gás da fermentação (é normal que liberte um cheiro forte e muito desagradável). Enquanto borbulhar significa que ainda não está pronto, e deve ser deixado por mais uma ou duas semanas
O fertilizante está pronto quando do já não borbulhar e presentar uma espuma esbranquiçada e as urtigas se apresentarem com uma tonalidade amarelada.
Agora já pode coar a mistura, deitar as urtigas na compostagem e guardar o liquido fertilizante num local escuro.
A aplicação do fertilizante de urtigas é feita de seguinte forma:
É necessário respeitar as medidas porque o fertilizante encontra-se muito concentrado e pode destruir as plantas mais sensíveis.
Dilua 1L do líquido em 10L de água sem cloro para usar como estimulante. aplicando-o nas folhas utilizando um pulverizador.
Dilua 2L do líquido em 10L de água sem cloro para usar na rega.
No livro “Alqueidão da Serra – Apontamentos para a sua história”, garante-se que até à vinda do Padre Manuel Afonso e Silva as pessoas eram sepultadas no adro da Igreja.
O prior que antecedeu o Padre Afonso, (chamava-se Domingos José Lopes), escrevia em todos os assentos de óbito: “enterrado no adro”. O último, que lavrou, foi a 22 de Junho de 1861 e diz respeito a “Joaquim, innocente” .
O primeiro assento de óbito que o Padre Afonso registou, tem a data de 6 de Setembro de 1861 e nele se fala de Francisca de S. José, de “oitenta annos”, viúva de Manuel Jorge, mas não refere nada sobre o local onde foi sepultada.
Em 6 de Dezembro de 1878, surge o auto de falecimento e de enterro de “Maria, de cinco meses”, filha de José Vieira Santana e de Maria Joaquina, e nele se lê pela primeira vez que “foi sepultada no cemitério publico”.
Assim, terá sido, em 6 de Dezembro de 1878 que o cemitério paroquial principiou seus préstimos. Em 6 de Novembro de 2005 foi inaugurado um novo cemitério que foi construído num terreno próximo do cemitério antigo que não tinha qualquer possibilidade de ser alargado.
O nome desta planta, muito comum na Europa, é Geranium robertianum. É conhecida pelo nome de Erva-de-São-Roberto.
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É uma planta anticancerígena, antioxidante e digestiva. Encontra-se em terrenos húmidos e zonas sombrias. É composta por óleos essenciais que lhe conferem o aroma amargo, taninos, substâncias resinosas e vitamina C.
A Erva de São Roberto, além de purificadora do sangue, é ainda útil no tratamento de hemorróidas, úlceras de estômago e intestinos. É diurética, antiséptica, anti-inflamatória, antibacteriana, antidiarreica.
Pode utilizar-se em forma de gargarejos para aliviar dores de garganta, inflamação da boca e das gengivas.
Em forma de compressas, pode ser aplicada sobre vista inflamada e também é indicada para cicatrizar feridas.
A Erva de São Roberto é muito parecida com a cicuta que é extremamente venenosa. Se não estiver seguro da sua identificação, é melhor comprá-la seca na ervanária.
1 – Alqueidão da Serra: Apontamentos para a sua História – de Alfredo de Matos;
2 – A Comarca de Porto de Mós – de Alfredo de Matos;
3 – Dom António Pinheiro – de Alfredo de Matos;
4 – A Escola de Frei José e Frei Manuel da Conceição na Serra de Santo António – de Alfredo de Matos;
5 – Da Pré-História à Actualidade: Monografia de Porto de Mós – de Francisco Furriel;
6 – José da Silva Catarino: Uma Visão para além da Serra – de Nuno Matos
7 – Wikipédia
8 – Jornal “O Portomosense”
9 – Jornal “O Mensageiro”
10 – Tradição Oral