José Vieira da Rosa

Nasceu em Alqueidão da Serra no dia 09-12-1856. Era filho de António Vieira da Rosa e de Maria do Rosário.

Casou com Maria de Jesus Alfaiate e foi pai de 4 filhos:

  • Afonso Vieira da Rosa, que passou grande parte da sua vida no Brasil;
  • Carlos Vieira da Rosa, que foi ajudante do Registo Civil, Presidente da Junta de Freguesia e Regedor durante muitos anos
  • Adolfo Vieira da Rosa, Jornalista e Director da Agência Noticiosa Inglesa “United Press” em Lisboa até à década de 50.
  • Gracinda Vieira da Rosa, passou toda a sua vida no Alqueidão como doméstica.

jose vieira da rosa

José Vieira da Rosa desenvolveu a sua actividade de enfermagem, durante cerca de 60 anos, no meio rural onde nasceu, mas também era bastante conhecido nas freguesias vizinhas.

Montado na sua mula percorria montes e vales para prestar assistência a quem necessitava. Durante o inverno vestia o seu grande oleado que o cobria a ele e à mula e seguia pronto a executar a sua tarefa.

Adquiriu os seus conhecimentos na área da enfermagem com o seu esforço particular, por intuição, e sem nunca ter tido um mestre ou professor.

Curava os seus doentes com remédios caseiros, massagens e aconselhava medidas preventivas.

Recomendava para as febres ventosas e caldos de galinha; o chá de salva para problemas digestivos; a flor de sabugueiro para a prisão de ventre; as folhas de malva fervidas para as inflamações, feridas ou úlceras; etc. etc.

O mel fazia parte dos remédios para a tosse, e as papas de linhaça no peito combatiam o catarro. A enxúndria de galinha tinha várias aplicações, entre elas a papeira.

Fazia massagens quando achava oportuno e ligava os membros superiores e inferiores quando partidos ou deslocados.

Praticou a enfermagem com convicção e espírito altruísta, embora os seus doentes lhe pagassem um alqueire de trigo por ano para serem assistidos sempre que fosse necessário.

José Rosa e esposa (Mª de Jesus Alfaiate) no Casamento do Sr. Adolfo

Depois do Padre, José Vieira da Rosa era a pessoa de maior destaque na freguesia, tinha uma mini-biblioteca, lia muito, assinava as melhores revistas da época e vários jornais.

Foi na sua casa-consultório, situada perto da residência paroquial, que funcionou o primeiro Posto de Correio desde 1901 até cerca de 1935.

A casa de José Rosa ficava na Rua Comandante Afonso Vieira Dionisio e foi destruída para dar lugar ao Centro de Dia. Nesta casa funcionou o primeiro Posto de Correio desde 1901 até cerca de 1935.

A casa de José Rosa ficava na Rua Comandante Afonso Vieira Dionisio e foi destruída para dar lugar ao Centro de Dia.
Nesta casa funcionou o primeiro Posto de Correio desde 1901 até cerca de 1935.

José Vieira da Rosa foi presidente da Junta de Freguesia desde 09 de Abril de 1911 até 14 de Dezembro de 1913. Foi durante o seu tempo de presidente que o professor Candeias Duarte deixou de exercer as suas funções de professor primário no Alqueidão, para ocupar o lugar de Inspector Escolar. Na acta de 15 de Agosto de 1911 deixou um agradecimento pelo serviços prestados pelo professor Candeias Duarte em prol da educação das crianças desta freguesia.

Acta da sessão de 15 de Agosto de 1911 
(assinada pelo presidente José Vieira da Rosa e pelos vogais Manuel Vieira Alfaiate, Francisco Vieira da Rosa e Manuel Amado.)
 

“Intérprete  dos sentimentos do povo desta Freguesia, se felicite o referido cidadão pela justiça que o governo da República acaba de fazer-lhe, mostrando assim esta Junta, em nome do Povo, o seu penhor pelos serviços por ele prestados causa da instrução e educação das creanças desta Freguesia, pelo zelo inexcedível que mostrou sempre no desempenho das suas funções de educador que, muitas vezes, se privava do seu descanso”.

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A Granja dos Monges de Cister

As Granjas eram prédios rústicos que os monges de Cister construíam nas mais diversas áreas dos Coutos de Alcobaça, para recolha de fundos ou controle de actividades agrícolas artesanais que mais lhes interessavam implementar.

A do Alqueidão da Serra foi construída em 1734 e situava-se no então Fundo do Lugar.

Foi seu proprietário João Biscoito. Por sua morte foi vendida pelos herdeiros, a Manuel Jorge Furriel em 1935.

Foi demolida por volta de 1950 para no mesmo sítio se construir a actual casa pertencente aos herdeiros de Telmo Gabriel Ferreira.

granja dos frades de alcobaça

desenho de Francisco Furriel

Toda a área é rodeada por estrada pública por todos os lados, e nela se encontram hoje as casas do Telmo, Joana Farrompes e filha do Inocêncio Bertolo. Tudo isto em 1734 pertencia aos Monges de Alcobaça, onde tinham, além da mais bela casa da região, vários celeiros, cavalariças, palheiros, e espaços que eram oficinas de contas, rosários, coroas, etc.

A Granja constava de duas casas geminadas, uma mais recuada que outra e ambas de rés-do-chão e primeiro andar.

A mais recuada era absolutamente ampla. O rés-do chão teria servido de adega e celeiro, e o primeiro andar foi a cozinha, com uma grande lareira (cerca do dobro do tamanho das lareiras normais do Alqueidão). Tinha duas grandes janelas, uma virada para o nascente e outra para o norte, e ambas com assentos interiores salientes da parede e revestidos a cantaria da mesma procedência das estruturas das janelas (Pedreiras).

Da casa que estava mais avançada em relação ao eixo da estrada actual para a dita cozinha, havia apenas uma estreita comunicação interior por uma porta com três pequenos degraus, o que significa que dos primeiros andares de cada casa havia um desnível de cerca de 45 cm.

Todo o rés do chão da casa mais avançada era a sala de visitas principal. Tinha o tecto perfeitamente pintado de branco com “volutas” a azul, amarelo e castanho claro, tendo como elementos decorativos os cálices das tulipas e as pinhas estilizadas que saíam dos quatro cantos da sala, convergindo para o centro onde estava um belo florão estilizado, que por sua vez , fazia convergir as suas quatro hastes no sentido dos outros elementos decorativos.

tecto granja dos frades de alcobaça

Desenho de Francisco Furriel

Do centro do tecto pendia um candelabro que devia ser pesado, a avaliar pela fortaleza e pelo desgaste do gancho de ferro em que se dependurava.

Do lado norte a escada exterior de acesso ao primeiro andar, toda coberta pela alpendurada com duas colunas cilíndricas de cantaria, era larga e tinha os degraus de pedra preta arrancada no local.

Ao cimo da escada havia uma varanda quadrada com assentos corridos, em lages de cantaria , da qual se entrava na grande sala do primeiro andar, apenas só com um quarto anexo independente desta sala.

Segundo a lenda,  foi da referida varanda que os soldados das Invasões Francesas de 1810, mataram a tiro um homem que andava na Tojeira.

A ultima sala referida tinha também duas janelas, uma virada a sul, outra a nascente. Era na cantaria desta janela virada para a estrada, que estava a data de 1734.

No interior desta sala do lado sul, havia um pequeno nicho embutido na parede, com um Cristo esculpido em madeira. Do lado norte havia, também embutido na parede um armário de madeira (cantareira) para a colocação de dois cântaros de olaria para a água.

A porta da entrada era larga, de madeira de pinho, com seis almofadas bem trabalhadas, tinha ferragens extremamente fortes artesanais, assim como a enorme fechadura, chave e espelho da fechadura, era tudo trabalho dos artesãos ferreiros da época.

Para o lado poente, ou seja para a retaguarda da casa, tinha esta sala uma porta mais modesta, com dois ou três degraus devido aos desnível das ruas circundantes.

Os telhados eram em cúpula, de quatro águas, o forro era pregado por cima dos barrotes (bem aparelhados) e as ripas eram pregadas sobre o forro. Todo este madeiramento era puro “cerne” e pintado de branco. As telhas eram de canudo.

Havia em toda a volta da casa uma faixa (moldura de madeira), com cerca de 15 centímetros de largura e meias canas do lado de cima, tudo pintado de branco com tintas da melhor qualidade que duraram até à demolição.

Do livro ” da Pré história à Actualidade – Monografia de Porto de Mós – de Francisco Jorge Furriel
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A Capela do Casal Duro

capela casal duro

A Capela do Casal Duro foi mandada construir por Adelino Ribeiro, emigrante no Brasil, e foi inaugurada em 10-08-1986 por D. Alberto Cosme do Amaral (Bispo de Leiria), com a presença do Pároco da Freguesia Padre José Mirante Carreira Frazão.

A Padroeira da Capela é Nossa Senhora de Fátima.

Nossa Senhora de Fátima

É também venerada a imagem de Nossa Senhora Aparecida.

Nossa Senhora Aparecida

Adelino Ribeiro que nasceu a 09-04-1926 e faleceu em 09-04-1987, já antes da construção da Capela tinha mandado construir mesmo em frente à casa onde nasceu, um grande nicho com a imagem de Nossa Senhora de Fátima, como prova da sua devoção à Virgem, por intercessão da qual, dizia ele, angariou a sua grande fortuna no Brasil.

casal duro

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Orgão da Igreja Paroquial

Segundo os especialistas o orgão de tubos da Igreja Paroquial data dos principios do século XVIII, e é o mais antigo do Concelho de Porto de Mós.

orgão1

Foi construído em Mafra pelo Organeiro Português, Fontanes, e foi oferecido pelo Padre Joaquim Vieira da Rosa.

Este orgão foi bastante utilizado pelo Padre Henriques. O Padre Américo acompanhava o terço tocando este Orgão.

 No anos 70 o Professor Carlos ainda tocava nele.

Orgão de armário com 2 portas, tem um teclado de 45 notas. Comandos de registos de puxar postos ao lado do teclado e 7 registos reais. O conjunto fónico (tubos) é de chumbo e madeira.

orgão1

Em cima tem um ornamento com um monograma em talha dourada.

orgao 2

Em 1982 o orgão já não funcionava, precisava de um restauro radical e minucioso.

Todo o conjunto da mecânica de funcionamento do teclado e dos registos era muito barulhento e impreciso. O suporte dos tubos já se encontrava bastante degradado por causa do caruncho. Todas as guarnições em pele estavam ressequidas, e o fole estava inutilizável. O conjunto fónico (tubos de chumbo e madeira) também estava bastante danificado.

Foi consultado um organeiro italiano que se deslocou à nossa igreja e que deixou o seguinte orçamento de reparação:

Porque as dificuldades financeiras eram enormes, o Padre Faria enviou em 9 de Junho de 1982 um requerimento ao Instituto Português do Património Cultural, solicitando um financiamento que nunca se concretizou.

O estado de conservação do orgão foi-se degradando, devido aos elevados custos de reparação e restauro.

O orgão esteve guardado muitos anos numa das salas da igreja, onde havia catequese, depois foi para uma arrecadação da Capela da Tojeirinha, depois para a Residência Paroquial, até que se optou pelo restauro.

O orçamento foi de 40.000 euros + IVA.

O instrumento foi para restaurar no dia 11 de Fevereiro de 2023.

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O Primeiro de Janeiro

No dia 1 de Janeiro de 2013, depois da Santa Missa das 11h30, realizou-se, como  é da tradição, a procissão em honra de Nossa Senhora Rainha da Paz, em direcção à capela de Nossa Senhora da Tojeirinha, com  as imagens do Menino Jesus, de Santo António e de S. Silvestre.

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No recinto da Capela, com toda a gente reunida, foi feita uma breve leitura.

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Seguidamente o Padre Manuel procedeu à bênção dos campos, das pastagens, dos animais, e implorou o dom da paz para toda a humanidade.

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Seguiu-se a tradicional venda de pinhões.

Antigamente no dia 1 de Janeiro de cada ano tinha lugar a festa em honra de São Silvestre, na Capela de Nossa Senhora da Tojeirinha, à volta da qual  os animais eram levados para darem 3 voltas à Capela e depois eram benzidos pelo pároco da freguesia, numa cerimónia solene no exterior da Capela. Seguia-se a tradicional venda de pinhões.

 

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