Armas da Freguesia

Brazão:

Escudo de azul, uma faixa xadrez de prata e negro, de quatro tiras; monte de três cômoros de ouro realçados de negro; vara de verde florida de prata, posta em pala; coroa mural de prata de três torres; listel branco com a legenda a negro, em maiúsculas “ALQUEIDÃO DA SERRA”

Bandeira:

De branco, cordões e borlas de prata e azul, haste e lança de ouro.

Selo:

Nos termos da lei, com a legenda: “Junta de Freguesia de Alqueidão da Serra – Porto de Mós”.

Justificação da Simbologia

Faixa xadrez de prata e negro de quatro tiras

A faixa representa: o troço de Estrada Romana, testemunho notável da romanização na freguesia; a actividade mais tradicional da freguesia, a extracção de pedra utilizada nas típicas calçadas portuguesas, calcário preto apenas explorado em Alqueidão, e calcário branco; o reencontro das duas versões do topónimo da freguesia – tufo calcário e passos; a via entre os alqueidoenses do passado e os que edificam o presente com o seu trabalho na Freguesia.

O Monte

Monte de três cômoros de ouro realçados de negro

Os montes representam: A localização geográfica da Freguesia em região montanhosa das Serras de Aire e Candeeiros; As três zonas da freguesia: Alqueidão, Bouceiros e Casal Duro.

Vara Florida

Vara de verde florida de prata, posta em pala

A vara representa: O orago São José, esposo da Santíssima Virgem Maria e pai adoptivo de Jesus; a religiosidade de um povo peregrino nos caminhos da vida.

“In “O Portomosense” de 24 de Março de 2005
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Associação de Exploradores de Calçada à Portuguesa

Criada por escritura pública em 10 de Dezembro de 2001, a AECP que tem a sua sede em Alqueidão da Serra, tem por finalidade a promoção e desenvolvimento da exploração de Calçada à Portuguesa  e rochas ornamentais, assim como a defesa dos interesses sociais, profissionais e económicos dos exploradores das pedreiras.

A AECP pretende ser uma associação de intervenção activa e responsável na discussão e resolução dos aspectos que respeitam à actividade de exploração de pedreiras de calçada à portuguesa, assim como tornar a sua existência, objectivos e actividade social conhecidos dos exploradores de pedreiras, entidades locais e nacionais públicas e privadas, e também junto do publico em geral.

A AECP tem sido bastante interventiva na resolução de alguns casos que afectam o sector.

A Associação conta com cerca de centena e meia de associados, num universo superior a duzentos empresários que empregam mais de quinhentos trabalhadores.

Sem instalações próprias, a AECP tem a sua sede no edifício do CCR, que lhe cedeu um espaço para desenvolver a sua actividade.

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Centro Cultural e Recreativo

Foi em 1942 que teve início a atividade do primeiro grupo desportivo e cultural em Alqueidão da Serra.

Depois de vários jogos realizados em terrenos particulares, como por exemplo em Santo Estevão, Vale Peirão e Perulhal e ainda no Chão Nogeira, os jovens sentiram a necessidade de comprar um terreno só para fins desportivos.

Assim surgiu a ideia de comprar o terreno da Chã. Os jovens levaram a cabo várias iniciativas, entre as quais representações teatrais, com cujo proveito haveriam de pagar o terreno.

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Em 29 de Abril de  1976 foi fundada a colectividade Centro Cultural e Recreativo, usando, como sede, o edifício da antiga escola primária, a Escola Velha”. Eis o registo notarial :

“Associação Centro Cultural e Recreativo de Alqueidão da Serra

Cartório Notarial de Porto de Mós

Certifico para efeitos de publicação, que por escritura lavrada neste Cartório em catorze de Abril corrente, de folhas oitenta e nove a folhas noventa e uma, do livro de notas para escrituras diversas C – número setenta e quatro, foi constituída uma associação cultural e recreativa, sem fins lucrativos e que se regerá pelos seguintes estatutos:

Capítulo Primeiro:

O Centro Cultura e Recreativo de Alqueidão da Serra é uma associação cultural que visa a nível local o desenvolvimento recreativo e desportivo, com duração ilimitada a partir de hoje, constituído ao abrigo e em conformidade com as disposições aplicáveis do Código Civil e tem a sua sede no lugar e freguesia de Alqueidão da Serra, concelho de Porto de Mós.

Capítulo Segundo:

A associação terá sócios efectivos maiores e menores, sendo como tal considerados todos os sócios inscritos com as quotas actualizadas.

Capítulo Terceiro:

A associação tem como corpos gerentes: Uma Assembleia Geral, cuja mesa é composta por um presidente e dois Secretários e a quem compete aprovar, dirigir e redigir as actas dos trabalhos das assembleias gerais; a Direcção formada por um Presidente, Vice-Presidente, Secretário e Tesoureiro, competindo-lhe a gerência social, administrativa, financeira e disciplinar; e o Conselho fiscal com três elementos que fiscalizará os actos administrativos e financeiros da Direcção, verificando as contas e relató-rios e dando pareceres sobre os actos que impliquem aumento da despesas ou diminuição de receitas sociais.

Capítulo quarto:

As receitas são constituídas pelas quotas dos associados e por quaisquer outras receitas eventuais ou permanentes.

Capítulo Quinto:

A associação extingue-se nos casos legais. No caso de dissolução os bens da Associação terão o fim que a Assembleia Geral decidir.

Capítulo Sexto:

No que estes estatutos sejam omissos rege o Regulamento Geral Interno cuja aprovação e alterações são da competência da Assembleia Geral.

Capítulo Sétimo:

Na parte omitida nada há que contrarie as disposições legais vigentes.

Conferida, está conforme o original

Cartório Notarial de Porto de Mós, vinte e três de Abril de mil novecentos s setenta e seis.

O Notário

Ramiro Ferreira das Neves.”

ccr

Informações básicas sobre o CCR Alqueidão da Serra

  • Vencedor da Taça de Disciplina, da 2ª Divisão Distrital da AFL em 80/81;
  • – Vencedor da Taça José da Silva Oliveira da AFL em 80/81;
  • – Campeão Distrital da 2ª Divisão – Zona Sul da AFL em 86/87;
  • – Vencedor da Taça de Disciplina, da 1ª Divisão

O CCR tem estatuto de utilidade pública e conta com cerca de cinco centenas e meia de associados.

A sua primeira sede foi no edifício da Escola Velha.

A primeira sede do CCR

CCR

Instalações Actuais do CCR (Edificio Sede)

Desenvolvendo maioritariamente o futebol de onze, o CCR iniciou a sua actividade futebolística logo no ano da sua fundação.

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Actividade Desportiva

  • Nas épocas desportivas 1976/1977 e 1977/1978 participou no Campeonato de Futebol do Oeste.
  • Nas épocas de 1978/1979 a 1986/1987 participou no Campeonato Distrital da 2ª Divisão da Associação de Futebol de Leiria, vencendo o troféu disciplina nas três primeiras épocas
  • De 1987/1988 a 1992/1993 participou no Campeonato Distrital da 1ª Divisão da Associação de Futebol de Leiria , tendo sido Campeão da 1º Divisão Distrital na Época de 1992/1993,  e subiu à Divisão de Honra em 1993/1994.
  • Na época de 1995/1996 conquistou a Taça Distrial de Leiria, com uma finalíssima disputada no campo da União Recreativa Mirense.
  • De 1993/1994 até 2000/2001 participou no Campeonato da Divisão de Honra tendo subido à 3ª divisão Nacional no ano de 2001.
  • Pela primeira vez na sua história disputou na época de 2001/2002 o Campeonato da 3ª Divisão Nacional Série-D.
  • Na época 2002/2003 sagrou-se Campeão distrital da Divisão de Honra, título que ainda não possuía, vindo a integrar o Campeonato da 3ª Divisão Nacional na época seguinte.
  • Na época 2003/2004, mais concretamente em 28 de Dezembro de 2003, disputou e ganhou a Super Taça da Associação de Futebol de Leiria no estádio Municipal da Mata nas Caldas da Raínha, com a equipa do Bombarral, com o resultado de 1-0.
  • Na época 2003/2004 disputou o campeonato da 3ª Nacional na Série D, registando o facto de ser o único clube com um campo de terra batida, voltando a descer ao campeonato distrital.
  • Nas épocas seguintes, até à época de 2011/2012 disputou o campeonato Distrital da Divisão de Honra, voltando a ser campeão distrital na época 2011/2012.
  • O CCR abdicou da subida, pelo que na época seguinte 2012/2013 disputou o campeonato distrital da 1ª Divisão, subindo na época 2013/2014 de novo à Divisão de Honra da Associação de Futebol de Leiria.
  • Durante várias épocas o clube teve equipas de Futebol Juvenil, concretamente Escolinhas, Escolas Sub-12, Sub-13, Jevenis e Juniores.
  • Na época 1984/1985 participou no campeonato de Futebol Sénior Feminino da Associação de Futebol de Leiria, obtendo um honroso 3º Lugar.

Futebol Feminino

No futebol não oficial o CCR organiza regularmente o Torneio Interzonas, dividindo a freguesia em quatro zonas, torneio este que se efectua em Agosto possibilitando a participação dos emigrantes.

  • A equipe dos Veteranos, que tem uma actividade regular, e leva bastante longe o nome do CCR.
  • Organiza-se anualmente um ou dois torneios de Futebol de Salão.
  • A modalidade de futebol de 7, teve o seu inicio em 2008 com torneios anuais.

Outras Actividades

  • Atletismo
  • BTT

Festas em Dias Comemorativos

  • Dia Mundial da Criança – Trabalhos envolvendo directmente as crianças
  • Dia de São Martinho – Magusto
  • Carnaval – Desfile de Máscaras e Animação Musical
  • Feira do Livro
  • Semana Radical

Financiamento

  • Junta de Freguesia de Alqueidão da Serra
  • Serviços Prestados ao Municipio de Porto de Mós
  • Tasquinhas das Festas de São Pedro em Porto de Mós
  • Quotas dos Sócios
  • Publicidade
  • Bilheteira
  • Sorteios
  • Bar

Património 

  • Edifício sede composto de sala de espectáculos, Bar, Gabinete da Direcção, Gabinete dos Troféus, Instalações Sanitárias, Sala de Animação, Telheiro para chinquilho, Polidesportivo descoberto e logradouro.
  • Campo de Futebol adquirido ao Alqueidão Futebol Clube da Casa do Povo de Alqueidão da Serra, por 50.000,00, conforme escritura celebrada no Cartório Notarial de Porto de Mós em Setembro de 2004. Os custos suportados  em partes iguais pelo CCR e pelo Municipio de Porto de Mós. Consta de espaço para a prática do futebol, Balneários para as equipas de jogadores e de arbitragem e Instalações Sanitárias.
  • Em Outubro de 2004, com o apoio da população, foram construídos o Bar e as bancadas do topo sul com uma cobertura para cerca de 300 pessoas.
  • O relvado sintético foi colocado em Outubro de 2007

campo Manga Branca CCR

Orgãos Sociais

Direcção

  • Presidente: António Pereira Carvalho
  • Vice-Presidente: José Perfeito Cordeiro
  • Tesoureiro: José Carlos Bértolo
  • Secretário: Hélder Henrique da Silva Carvalho
  • Vogal: João Batista Laranjeiro

Assembleia Geral

  • Presidente: Filipe da Conceição Batista
  • Secretário: Adolfo da Silva Laranjeiro
  • Secretário: Rui Miguel Gomes Rato

Conselho Fiscal

  • Presidente: Nuno Henrique Rosa Carvalho
  • Vogal: Amaral Correia dos Reis
  • Vogal: Bruno Rafael Vieira Carvalho

Recortes

O Portomosense de 20 de Fevereiro de 2014

O Portomosense de 20 de Fevereiro de 2014 – ESPECIAL CCR Alqueidão da Serra

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O Major

Chamava-se Manuel Pereira e, nasceu na Carreirancha em Alqueidão da Serra no dia 9 de Outubro de 1906, e  sempre foi conhecido por “João Major”.

Nasceu no seio de uma família muito amiga. O seu pai Manuel Pereira, veio da Santa Casa da misericórdia, (pelo que se torna difícil saber quais foram os seus ascendentes), e a sua mãe Emília Laranjeiro, era natural da Carreirancha.

Em criança guardou gado. Contava que a 13 de Outubro de 1917, enquanto pastava cabras na Serra da Andorinha, viu o Sol muito diferente. Podia olhar para ele sem qualquer dificuldade. Pouco tempo depois, espanhou-se a noticia que os 3 pastorinhos e muitos peregrinos tinham assistido a essa mesma hora ao Milagre do Sol na Cova da Iria, em Fátima.

Nunca foi à escola, mas aprendeu a ler e a escrever com um Padre que lhe deu algumas lições. Tinha uma belíssima caligrafia.

Quando era jovem, o Ti Mareco ensinou-lhe o oficio de Alfaiate.

Aos 23 anos casou com uma rapariga de 19 anos que se chamava Maria Rosa, mas que toda a gente conhecia por “Leonor”. O Ti Mareco foi o padrinho do casamento.

Foram viver para casa dos pais da noiva que era filha única.

Tiveram 16 filhos, seis dos quais morreram ainda crianças, e ainda acolheram uma menina por sua mãe ter morrido durante o parto. A menina chamava-se Conceição Costa e fez parte da família até completar dois anos de idade. 

Para sustentar a sua grande família, o Ti Major trabalhava na agricultura, e tinha também o oficio de Alfaiate, que desempenhava na perfeição. Foi mestre de 3 discipulos: Albertino e José, que eram seus filhos, e o outro era um rapaz bastante baixinho e doente, a quem chamavam “Zé Mocho”.

O trabalho de Alfaiate não dava muito dinheiro, e a saúde também começou a faltar, pelo que se viveu um tempo de grandes dificuldades.

Por volta dos anos 1947/48 as crianças mais velhas foram trabalhar para a fábrica dos Justos em Mira de Aire, para ajudar nas despesas da casa.

Por volta do ano de 1951, Maria Rosa que era a única filha de Manuel Ribeiro e de Leonor, recebeu uma herança duma tia que não teve filhos.

Nesta altura a situação começou a melhorar um pouquinho. O rebanho dava leite queijos, a lã das ovelhas era vendida. Já não era uma sardinha para quatro, mas o Ti Major nunca deixou de agradecer aos amigos que o ajudaram nas alturas mais difíceis da sua vida.

O Ti Major era também o cozinheiro nos casamentos. Era uma pessoa muito divertida, e contava sempre com a ajuda da ti Miana.

Nos casamentos havia sempre bailarico, e eles faziam lá as suas palhaçadas. Esta faceta era característica do Ti Major. Quando os filhos era pequenos brincava com eles pondo um em cada joelho e  tocava musica com a boca. Era uma animação!

Hoje, um dos seus filhos é dono de um Restaurante em Alqueidão da Serra, é o “Restaurante O Major  – Sociedade Unipessoal, Lda” que fica situado na Borda da Ladeira, junto à rotunda do Major.


Embora fosse bastante dedicado à sua família, não deixou nunca de olhar para as necessidades das pessoas que o rodeavam.

Apercebendo-se das dificuldades que as pessoas tinham em se deslocar até aos terrenos que tinham que cultivar na serra, ou até mesmo às localidades vizinhas, pôs mãos à obra, juntou toda a gente que quis colaborar com o seu trabalho ou com materiais, e começaram as obras.

Toda a gente colaborava. O ti major organizava cortejos, festas (no largo das Calhandreiras), peditórios, etc.  E ele mesmo corria a aldeia toda a fazer a recolha dos donativos.

A primeira estrada que ajudou a construir foi a que vai da Carreirancha até aos Bouceiros.  Formou uma pequena equipa liderada por ele, pelo Rita, Mariola e ti Zé Catalão.

De inicio, não sentiram muita aceitação por parte da gente da terra. Pensavam que seria algo impossível de conseguir. Contudo a força de vontade destes homens persistiu e pouco a pouco foram conseguindo a confiança das pessoas.

O Ti Major andou de porta em porta a conquistar toda a gente que podia, incluindo senhoras, que deram um dia por semana à obra, trabalhando ao lado dos homens. Quanto mais os resultados iam aparecendo, mais interesse as pessoas manifestavam. Até que pediram ajuda ao presidente da Junta de Freguesia e à Câmara de Porto de Mós. O entusiasmo foi contagiante. 

Baixo relevo, da autoria de Francisco Furriel, Homenageando os homens que às suas custas rasgaram e construíram a estrada que liga Alqueidão da Serra a Bouceiros. Que não existia. Aqui também esteve bem presente a acção do P. Américo,José Catarino e António da Laura. Tudo partiu de uma reunião da Acção Católica.

Na nossa memória colectiva ficará para sempre gravado o empenho do Ti Major e de todas as pessoas que a ele se juntaram e tornaram possível a conclusão das obras:

O Padre Américo que apelava aos paroquianos ajuda aos homens na obra;

O Presidente da Junta de Freguesia, que na altura era o Sr. António Carreira;

O Marinha (José da Silva Catarino) que foi incansável no seu apoio ao Ti Major;

 

Os emigrantes que mesmo estando longe, contribuíram com a sua ajuda material;

Todas as pessoas que activamente participaram nas Festas organizadas pelo Ti Major no Largo das Calhandreiras, com vista a arranjar dinheiro para  as obras .

E ainda o deputado Silva Marques com quem o Ti Major falou várias vezes,  e que possibilitou o apoio da Câmara Municipal de Porto de Mós.

Com a colaboração de Fetal e Fátima (filha e neta do Major)
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Capela da Tojeirinha

Capela de Nossa Senhora da Tojeirinha

Segundo algumas versões, a Capela de Nossa Senhora da Tojeirinha foi construída por alguns gafos (leprosos) que, devido ao contágio, se afastaram da restante população.

Efetivamente, no final do século XVII, um surto de lepra alastrou sobre a região. Os doentes, obrigados a isolar-se, deslocaram-se para um lugar onde havia uns palheiros que transformaram em hospital e dormitórios. Deles fizeram uma gafaria.

Construíram o seu próprio cemitério  e uma capela onde faziam as suas orações. Alguns doentes traziam consigo uma imagem de Nossa Senhora e outra de Santo Estêvão que adotaram como patrono.

Conta-se que o arado puxado pelos bois de um agricultor que lavrava a terra nos arredores da Capela, não conseguiu arrancar um tojo. O agricultor escavou então a terra e encontrou sob o tojo, a imagem de Nossa Senhora.

Espalhada a noticia, levaram a imagem em procissão para a capela de Santo Estêvão.

Porque a imagem tinha sido encontrada debaixo dos tojos, passaram a denomina-la de Nossa Senhora da Tojeirinha.

Nossa Senhora da Tojeirinha

A devoção à Santa aumentou e passaram a designar a Capela com o nome de Nossa Senhora da Tojeirinha.

Os nossos avós contavam que Nossa Senhora saía da Capela  e ia para uma lapinha situada nos arredores, porque queria que lhe fizessem uma porta virada para as suas seis capelas irmãs, que são:

Nossa Senhora da Encarnação – Leiria
Nossa Senhora do Fetal – Reguengo do Fetal
Nossa Senhora do Monte
Nossa Senhora da Nazaré
Nossa Senhora da Gaiola – Cortes
Nossa Senhora do Ó – Alcanadas

Feita a obra tão desejada, Nossa Senhora da Tojeirinha nunca mais voltou a sair.

Do ponto de vista arquitetónico, a Capela de Nossa senhora da Tojeirinha é constituída por uma só nave, com altar mor e dois altares colaterais. No retábulo da Capela Mor há 3 nichos onde inicialmente foram colocadas as imagens de Nossa Senhora da Tojeirinha no nicho central, Santo Estevão do lado direito e o Pai Eterno do lado esquerdo. Esta disposição das imagens tem vindo a ser alterada ao longo dos anos.

Nos altares colaterais está a Imagem de Nossa Senhora do Rosário do lado direito e a imagem de São José no altar do lado esquerdo. Estas duas imagens estiveram Igreja Paroquial até terem sido compradas as atuais imagens de Nossa Senhora e São José.

A Capela teve ao longo dos tempos vários melhoramentos. Foi aumentada, foram colocados azulejos nas paredes e na parte exterior foi construído o muro.

A respeito desta antiga capela pode ler-se no jornal “O Portomosense” de 26 de Outubro de 1986, o seguinte:

“Esta capela que hoje se chama Nossa Senhora da Tojeirinha, é bem antiga. “O Couseiro” fala dela, ainda sob a invocação de Stº Estevão, e já a denomina “muito antiga” Noutra obra publicada em 1876, lê-se que esta capela no lugar de Alqueidão da Serra, sob a proteção de Santo Estevão, pertencera outrora à freguesia de São João de Porto de Mós, “é templo muito antigo, mas também se ignora a época da sua fundação”

No retábulo do altar-mor lê-se a data de 1631. Mas, pelas anteriores referências, bem se pode concluir que este templo é muito anterior. Para uns, a capela terá sido feita para permitir a assistência à Missa dominical dos habitantes do Alqueidão, poupando-lhes, assim o sacrifício de terem de se deslocar a Porto de Mós para cumprirem o preceito. Para outros, o seu aparecimento dever-se á ao facto de prestar, em separado, assistência religiosa aos leprosos que, na Idade Média, abundariam também por aqui. Daí a relação com Santo Estevão, protetor dos leprosos. E ainda que aqui teria havido alguma leprosaria, e a isso não será estranho o topónimo Gafarias que encontramos na zona a dois paços da Capela. Outros ainda sustentam a anterior pertença desta zona à Gafaria de Leiria.

A antiguidade ninguém lhe nega, e este facto deveria ter pesado no restauro que se fez. Mais tarde, e com o aparecimento  do lendário achamento da estátua de Nossa Senhora, o templo toma o nome que atualmente tem, e que nalguns livros se lê, talvez mais eruditamente “Nossa Senhora do Tojeirinho”.

Ao longo dos tempos a capelinha recebeu melhoramentos diversos. Sabe-se que o Padre Manuel Afonso e Silva que paroquiou o Alqueidão desde 1861, a ampliou substancialmente. Em 1960 concluíram-se mais umas obras de restauro, orientadas então pelo Padre Américo Ferreira, que custaram 28.000$00.

São hoje património do templo, além do retábulo de pedra, a imagem da padroeira, de pedra pintada e em estilo gótico do século XVII, e a de Santo Estevão, também de pedra pintada e do principio do século XVII em estilo gótico puro.

Existem ainda duas imagens de madeira, uma de Nossa Senhora do Rosário, de grande e muito antiga devoção, e outra da santíssima Trindade, ambas já muito deterioradas pelo tempo. Diz-se que a imagem de São Silvestre que se encontra na Igreja Paroquial também pertencia à Capela.

À memória desta secular ermida deixamos aqui estas notas, bem como em honra de Nossa Senhora da Tojeirinha, a quem um estudante de Coimbra, João Cunha Barreiros, dedicou o seu doutoramento. – C.A”.

No ano de 2003 foi editado o livro “PORTO DE MÓS” com direção de produção de Patricia Guedes e Rui Guedes, texto e notas de Prof. Doutor Joaquim Veríssimo Serrão e fotografia de Rui Guedes e Rui Gonçalves Moreno. Nele a história do Concelho de Porto de Mós é ilustrada com belíssimas fotografias do património histórico e arquitetónico do Concelho, inclusivamente da Capela de Nossa Senhora da Tojeirinha.

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No ano 2010 iniciaram-se novas obrasNo dia 1 de Janeiro de 2011, para cumprir a tradição, realizou-se a procissão com as imagens de Santo António, São Silvestre, Nossa Senhora da Tojeirinha e o menino Jesus, mas desta fez com a capela ainda em obras.

Depois seguiu-se a tradicional venda dos pinhões.

Em Abril de 2011 a Capela continuava em obras. Foi arranjado o telhado. Foram retirados os azulejos das paredes que tinham sido colocados numa das reconstruções anteriores (A capela originalmente não tinha azulejos). Foi ainda retirado o muro que delimitava o adro (inicialmente a capela também não tinha nenhum muro à volta).

Na primeira semana de Junho de 2011, faziam-se os acabamentos finais, para a inauguração que iria ocorrer no fim de semana de 11 e 12 de Junho, por altura da Festa em honra de Nossa Senhora da Tojeirinha.

A Imagem de Nossa Senhora da Tojeirinha permaneceu na Igreja Paroquial durante os 3 dias de preparação para a festa. Nesses três dias, quarta, quinta e sexta-feira, a população teve a oportunidade de participar na Santa Missa celebrada pelo Padre Frazão.

No Sábado dia 11 de Junho, à tarde, ocorreu a cerimónia de Inauguração e Benção da Capela, presidida pelo pároco Padre José Mirante Carreira Frazão, e onde estiveram presentes diversos convidados, representantes de Entidades Publicas, Associações e Coletividades.

O professor Carlos discursou sobre a história da Capela, falou sobre as várias reconstruções que sofreu, sobre as suas imagens e altares, etc.:

– “O retábulo tem ao cimo a data de 1631, e inicialmente,  era ornado com motivos florais e da natureza, e pintados a preto e a um vermelho alaranjado. Mas pelos escritos conhecidos, este retábulo, é muito posterior à construção inicial da ermida, e que não se conhece a data. O livro mais antigo sobre as coisas da diocese de Leiria, e, que rondará por 1620, já chama a esta ermida de MUITO ANTIGA, e ainda então com o inicial patrono Santo Estêvão e pertença de S. João de Porto de Mós. Mais tarde com a lenda do aparecimento da Imagem de Nª Sra da Tojeirinha, a Capela toma este nome, que já tem em 1755.”

No final pudemos contar com a atuação do Coral Calçada Romana, a que se seguiu um lanche.

Ainda no sábado, depois da missa vespertina, realizou-se a procissão da velas, levando  a imagem de Nossa Senhora da Tojeirinha para a Capela, a que se seguiu a atuação do organista Rui Saraiva.

No Domingo dia 12 pudemos contar com a celebração da Santa missa, Sermão, e procissão com a imagem de Nossa Senhora.

Durante a tarde assistimos à atuação das Concertinas da Barrenta e do Organista “LF Music.”

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