Toponímia – Alqueidão da Serra

Património Histórico não é só monumentos, vestígios arqueológicos e cultura material. Existem também outros elementos patrimoniais que fazem parte do nosso dia-a-dia. A toponímia é um desses elementos.

Toponímia estuda os nomes geográficos ou topónimos, ou seja, os nomes próprios dos lugares, a sua origem e evolução.

Os nomes de ruas do Alqueidão da Serra que passaram na tradição oral são poucos, da lista constam apenas a Aceguia Castelhana, a Rua de Cima, o Largo da Rua de Cima e a Rua da Senhora da Tojeirinha, e…..nada mais, embora nos registos mais antigos nos apareça “Rua do Freixo”, este nome não existe nos dias de hoje, e nem tão pouco passou na tradição oral.

Asseguia Castelhana

O nome deriva duma palavra árabe que significa regato, ribeirinho. Nos dicionários portugueses, aparece como “acéquia”, que equivale a regueira, açude, represa…

No Alqueidão significa caminho estreito ladeado por muros, e diz-se “Asseguia”. É uma rua onde só passa uma pessoa de cada vez, e que liga o Largo Carlos Vieira da Rosa ao Largo Luís de Camões.

Rua de Cima

Este topónimo na realidade nunca existiu, ou seja, nunca existiu uma placa com este nome, embora o lugar sempre tenha sido conhecido assim.

A Rua de Cima era um insubstituível ponto de encontro da população que ali conversava em tardes solheiras e nas noites de luar.

Ali se divertia a mocidade, jogando alegremente ao “Cântaro”, ao “Lenço”, à “Cadeirinha de S. Simão”, etc., etc.

Uma placa com o nome de Rua de Cima ficaria a testemunhar por escrito a existência de uma rua com história no Alqueidão.

Esta rua forma naturalmente uma ladeira que designavam por “Ladeira do Santareno” porque a meio da ladeira, ao lado esquerdo existia a Taberna do Santareno. O dono da taberna que se chamava Domingos Pereira Brioso, tinha a alcunha de “Santareno”.

A toponímia não registou estes factos. A rua de cima foi designada por “Rua Padre Manuel Afonso e Silva”.

Largo da Rua de Cima

O Topónimo “Largo da Rua de Cima” testemunha nos dias de hoje, a existência da Rua de Cima, que foi um importante ponto de encontro das gentes desta terra.

Rua Nossa Senhora da Tojeirinha

Reza a lenda que a imagem de Nossa Senhora da Tojeirinha foi encontrada por um lavrador que andava com uma junta de bois a lavrar um terreno.

Os bois pararam junto a um pequeno arbusto, um tojo, ou tojeira, e não andavam nem para a frente e nem para trás. O lavrador muito intrigado por não perceber porque carga de água é que os bois não avançavam, (não seria certamente por causa de uma tojeira tão insignificante), foi averiguar e encontrou uma imagem de Nossa Senhora.

Foi a correr ao povoado dizer o que tinha acontecido. Deram à imagem o nome de Nossa Senhora da Tojeirinha porque foi encontrada junto a uma tojeira e levaram-na em procissão para a Capela de Santo Estêvão onde ficou à veneração dos fiéis.

Nunca mais ninguém se lembrou dos bois, senão quando os viram ajoelhados à porta da Capela, a olhar lá para dentro.

Tão importante foi este acontecimento que a Capela que até aqui era de Santo Estevão, passou a chamar-se Capela de Nossa Senhora da Tojeirinha.

Esta é de forma muito abreviada, a lenda de Nossa Senhora da Tojeirinha que deu o nome a esta rua.

Rua Nossa Senhora da Tojeirinha

E foi com estes nomes que se foram governando as gerações, em matéria de catálogo de nomes de ruas. E parece que a coisa não ia mal de todo…

Mas, um dia, o Município interveio no assunto. Há que poder de anos isso foi…

Consta na ata da sessão camarária de 1 de Junho de 1890:

”Foi presente um officio do Ex.mo Snr. Governador Civil a mandar cumprir o determinado na Circular de 1 de Março deste anno e a Camara assim o resolveu e nomeou para fazer a numeração ordenada, a Francisco Martins Canteiro, e Domingos Pereira mediante o preço de 400 reis diários.”

“…A Camara resolveu que os letreiros e numeração das ruas e portas, por economia, se façam só nas povoações aglomeradas do Concelho, que são: Villa, Juncal, Minde, Mira e Alqueidão.”

Alfredo de Matos afirmava com toda a certeza que ao Alqueidão nunca chegou nem um chavo furado com a dita finalidade.

As casas foram sendo construídas ao longo das estradas principais, e houve a necessidade de criar zonas para mais fácil identificação do local. Por altura das Festas de Nossa Senhora cada zona fazia o seu andor, e esta divisão servia ainda como referencia para outros eventos. Para além da Rua de Cima e da Senhora da Tojeirinha, havia ainda as seguintes zonas:

A do Ferreiro

Carreirancha

Fundo do Lugar

Rua Adeferreiro

Esta rua iniciava no Largo da Escola Velha, mas o local onde terminava não estava bem definido e confundia-se com a Rua Dr. Brito Cruz, mas a zona conhecida historicamente como “A do Ferreiro” terminava no largo da Barreira onde estava a casa do Ferreiro.

Durante muitos anos o ferreiro foi Francisco dos Santos, que, embora nascido em Alcaria, veio para o Alqueidão com sete anos e aqui viveu e constituiu família. O oficio de ferreiro aprendeu-o com Beltrão dos Santos que o criou, ensinando depois o seu filho que também tinha o nome de Francisco dos Santos, e que continuou a profissão do pai.

A profissão de Ferreiro que antigamente era essencial porque era o ferreiro que fazia e reparava a maior parte dos utensílios usados na agricultura e colocava as ferraduras nos animais que ajudavam nos trabalhos do campo, deixou de ser necessária quando os trabalhos no campo passaram a ser feitos por máquinas. Atualmente a profissão de Ferreiro não existe, por isso, nenhum dos filhos do Xico Ferreiro continuou com este oficio.

Rua da Carreirancha

Carreira Ancha – Significa caminho largo.

Uma passagem folgada, livre e larga, uma carreira ancha que, se dava para carros, melhor servia para gente e gados.

Rua do Fundo do Lugar

Era o fundo do lugar porque, na estrada para o Reguengo do Fetal apenas existiam casas até ao Cruzeiro. Foram depois construídas as casas do Marinha e do Carenco, para lá do Cruzeiro, mas era fundo do lugar na mesma.

Não era necessário nome para a rua, porque como ponto de referência as pessoas diziam: “à porta de”, “pegado com”, “ao pé de” (e vinha o nome da pessoa mais conhecida do local), ”junto ao adro”, e para além disso o carteiro era sempre o mesmo e conhecia toda a gente…

As casas foram aumentando, e as ruas também, já não era possível as coisas continuarem da mesma maneira. Houve então necessidade de atribuir nomes às ruas.

O primeiro nome que se afixou numa rua do Alqueidão, gravado na pedra, foi o do Presidente da Câmara de Porto de Mós Dr. Manuel Brito Cruz.

Rua Dr. Brito Cruz

A rua principiava em A-do-Ferreiro, e seguia na direção da Calçada e Carreirancha, extremo que não tinha ficado lá muito bem definido.

O Dr. Brito Cruz vivia em Mira de Aire, era Médico e foi Presidente da Câmara Municipal de Porto de Mós. Foi por sua influencia que se alcatroou a estrada da Carreirancha.

Atualmente esta rua começa no Largo das Calçadas e termina no Largo da Barreira.

Rua Arantes e Oliveira

O segundo nome escolhido para uma rua foi o do engenheiro Arantes e Oliveira. Coube-lhe a rua que principiava na “Escola Velha” e terminaria no Largo de S. João, se a Câmara tivesse dado validade toponímica aos azulejos que um particular afixou numa esquina da sua moradia. Este topónimo não chegou até aos nossos dias.

O Ministro das Obras Públicas, Eng.º Arantes e Oliveira esteve presente na cerimónia de inauguração da nossa Escola Nova em 27 de Outubro de 1966.

Escola nova em construção

Chegamos a 1970. Finalmente chegou a vez da homenagem, oficial e pública, a vultos relevantes de filhos do Alqueidão. Foi no dia 25 de outubro que a Freguesia, na sua expressão civil e religiosa, na jubilosa comemoração centenária, enobreceu um largo e honrou as esquinas de algumas ruas com nomes, bem vivos na memória de todos e no coração de muitos.

A começar pelas manifestações de amizade e de estima, referem-se as Ruas de Porto de Mós e a do Reguengo, que nascem na saída do Alqueidão para as respetivas localidades, e seguem-se o Largo do Fiscal Costa, a Rua do Padre Manuel Afonso e Silva, a Rua do Padre Júlio Pereira Roque e a Rua do Comandante Afonso Vieira Dionísio.

Rua de Porto de Mós

Hoje, esta é a estrada velha para Porto de Mós, sem transito depois de ter sido concluída a estrada pelo caminho velho, no entanto esta foi durante muitos anos a estrada que ligava o Alqueidão à sede do concelho.

A primeira reunião municipal em que falaram nesta estrada foi ano de 1879, a estrada devia chegar aos Bouceiros, no entanto passavam os anos, e por entraves de toda a espécie, os trabalhos não avançarem.

A estrada só se acabou graças à invencível teimosia duma população que decidiu levar de vencidos os obstáculos de que a Natureza a rodeou. A ideia nasceu do Major, menos conhecido pelo seu verdadeiro nome, que é João Pereira. A ideia e as obras.

É com justificado orgulho que, referindo-se às primeiras cavadelas que deu mai-los seus devotados companheiros de ideal e de luta, afirma que as autoridades da Freguesia classificaram a obra de “estrada dos bêbados”. Eram assim as ajudas oficiais!

Estávamos em Agosto de 1966. O Padre Américo ajeitou uma deslocação aos Bouceiros, na companhia do então Presidente da Câmara de Porto de Mós, e meteu-o num troço do percurso que vai daquela povoação à sede da Freguesia.

Falaram da bem clara e urgente necessidade de fazer um ato de justiça ao povo dos Bouceiros, e lugares vizinhos. Conversa abençoada foi ela que o Presidente garante:– “Se o Povo fizer a terraplanagem, a Câmara alcatroará a estrada”. A notícia redobrou a coragem e inflamou o entusiasmo geral.

Dias houve em que sessenta e dois homens e sete mulheres se encontraram, gratuitamente, nos serviços de terraplanagem, todos animados de grande entusiasmo por verem realizada uma velha aspiração de seus pais e avós – a estrada da Serra.

Foram cerca de 3.000 dias de serviço voluntário, gratuitamente prestado ao País, pela gente humilde e laboriosa da Freguesia, gente que tem por brasão de nobreza o trabalho.

Rua do Reguengo do Fetal

O Alqueidão da Serra foi durante muitos anos um lugar pertencente à Freguesia do Reguengo do Fetal.

Em “O Couseiro”, o livro mais antigo em que se fala do padroeiro da freguesia de Alqueidão da Serra, podemos ler:

“O mesmo Bispo D. Martim Afonso de Mexia desmembrou da freguesia do Reguengo o lugar do Alqueidão da Serra, na parte que é termo de Leiria, com outros lugares, e levantou aí a Freguesia, da invocação de S. José, na ermida que estava no mesmo lugar; e para se dizer missa na nova igreja se deu licença no ano de 1620.”

Com o passar do tempo houve pessoas do Reguengo do Fetal que tiveram uma ação fundamental no desenvolvimento da freguesia de Alqueidão da Serra. Teremos aqui forçosamente que lembrar a professora Adelaide Lalanda Ramos, e o Padre Poças.

Painel de Azulejo na parede da casa do Padre Francisco Carreira Poças no Reguengo do Fetal

Também eram do Reguengo os dois eletricistas que fizeram a instalações elétricas nas casas, quando a eletricidade cá chegou em 1960, o Agapito e o Caga-Lérias.

Também a tia Mónica era do Reguengo e nos ensinou a fazer as cavacas para os andores das festas, da maneira como ainda hoje as fazemos.

Em tempos o pessoal do Alqueidão ia muito às festas no Reguengo, mas esse costume também se foi perdendo com o tempo.

Não há, não há. mocidade igual, como no Alqueidão da Serra e Reguengo do Fetal”.

Largo Fiscal Lourenço da Costa

Lourenço partiu para Lisboa com 12 anos de idade, a convite da sua madrinha D. Felismina de Jesus Patrício da Silva Garcia Alves.

Tinha apenas a 4ª classe quando ingressou na Escola Artur Navarra onde concluiu, com alta classificação, o curso de enfermagem. Foi admitido por despacho de 17 de Novembro de 1891 como “Ajudante de Enfermaria”, no hospital de Rilhafoles, (que depois se chamou Hospital Miguel Bombarda).

Promovido a “Enfermeiro” por Despacho de 2 de Janeiro de 1906, foi colocado nos “Quartos Particulares”. Em 1915 foi nomeado “Ajudante do Fiscal” privativo do hospital do Rego, mais tarde denominado de “Curry Cabral”.

Passou depois a Fiscal Privativo do hospital de São José, cumulativamente com as funções decorrentes do que se refere no parágrafo anterior.

Em 1918, na altura do fim da primeira guerra mundial, alastra uma epidemia de doenças infeciosas: Gripe, broncopneumonia e tuberculose. A afluência de doentes foi tão grande que os hospitais ficaram superlotados: foi então ordenada a utilização das escolas como hospitais.

Deste modo, em Outubro de 1918 Lourenço da Costa foi encarregado da fiscalização do hospital instalado no liceu Camões. O seu trabalho foi muito elogiado pelo seu diretor que via no Fiscal Costa um elemento de grande valor, dentro as suas aptidões profissionais, era um trabalhador metódico e muito organizado.

Apesar de conhecer o grau de contagio de que a broncopneumonia gripal é dotada, não hesitou nunca no cumprimento dos seus deveres, honrando assim a instituição onde trabalhava.

Em 11 de Março de 1929 foi distinguido, pelo Governo da Republica, através do Ministro do Interior, com a Cruz Vermelha da Dedicação, pelos bons préstimos e serviços. Em Dezembro de 1938 foi nomeado Fiscal Geral.

Terminado a sua vida ativa na cidade de Lisboa, voltou para o Alqueidão da Serra, e de regresso à terra natal, revela-se um homem exemplar e digno de respeito.  Era estimado por todos, apesar de ser homem de poucas falas. Passava pelas ruas e casas com um olhar observador, e sempre que avistava crianças atirava-lhes guloseimas.

Percorria o Alqueidão de bengala na mão e com o seu estojo de enfermeiro, acorrendo aos pobres e doentes que tratava com um carinho especial. Também se encarregava das vacinas no dispensário materno infantil do Alqueidão. Aqui é que a garotada tinha medo dele, mas ele tinha um jeito especial para distrair as crianças. Deixava-as brincar com caixas de medicamentos, enquanto dava a vacina num piscar de olhos.

Mas não se dedicou apenas à enfermagem: sempre que podia ou lhe era solicitado, dava concelhos e como amigo do povo sentia as suas dificuldades procurando resolve-las. Também dava valor ao património e incitava sempre as pessoas a preserva-lo. Deu dinheiro para que o lavadouro da fonte fosse reconstruído, pois tinha sido totalmente arrasado pelo forte ciclone de 15 de Fevereiro 1941.

Lourenço da Costa tinha todas as virtudes de um bom católico mas não frequentava a igreja e naquela altura isso era considerado muito importante. As pessoas diziam: «Que pena, um homem tão bom, e não vai à Igreja!»

Anos mais tarde, dizem que a sua sobrinha, com quem vivia, a Tia Ermelinda, o converteu e ele passou a ir sempre à missa, acabando por tornar-se ele próprio, um exemplo para os outros.

Foi tal a alegria da sua conversão que lhe ofereceram um lugar especial na Igreja: Uma cadeira com genuflexório. Mesmo após a sua morte, a cadeira ainda lá permaneceu vazia durante uns anos, até serem feitas as obras na igreja. Mas durante todos esses anos, ela foi sempre apontada como «a cadeira do Fiscal Costa».

Lourenço da Costa

Lourenço da Costa faleceu a 18 de Março de 1950, com 76 anos e encontra-se sepultado no cemitério do Alqueidão. Infelizmente não se sabe o local e este não possui uma campa.

Rua Padre Manuel Afonso e Silva

A Rua de Cima

O Padre Afonso chegou cá em meados de 1861, e teve um papel muito importante no desenvolvimento da freguesia, começando por fundar uma escola na sua própria casa, para ensinar as pessoas a ler e a escrever. Foi presidente da Junta de Freguesia desde 20 de Março de 1899 até 03 de Julho do mesmo ano e realizou um vastíssimo trabalho para o desenvolvimento da Freguesia.

Rua Padre Manuel Afonso e Silva

Das muitas obras que podemos agradecer ao Padre Afonso, registam-se aqui apenas:

  • As obras de ampliação e manutenção da Igreja e da Capela de Nossa Senhora da Tojeirinha;
  • O Cemitério. Até à sua vinda, faziam-se no adro os enterramentos. O funeral de  Inocêncio Pereira Roque foi dos últimos que se fizeram no adro. Vitimou-o uma febre tifóide;
  • A Fonte – Para dar resposta aos problemas da falta de água que a população enfrentava;
  • A Estrada – Ia-se até Porto de Mós, descendo ao Falgar, cortando depois para os Tojeiros ou para o Zambujal e atravessando a Cunca, de onde, a meia encosta da Cabeça, se caminhava por um carreiro. Para que se abrisse a estrada o Padre Afonso teve que se embrulhar nos enredos políticos daquele tempo, tendo a sua ação sido parte grande na abertura da estrada, que ainda assim levou mais de 100 anos até ser concluída.

Rua Padre Júlio Pereira Roque

Júlio Pereira Roque nasceu no Alqueidão da Serra no dia 27 de Maio de 1876, era filho de José Pereira Roque e Maria do Rosário. Tinha 4 irmãos: Águeda de Jesus Roque, Albina de Jesus, Maria Amado, Francisco Pereira Roque e Alípio Pereira Roque.

Frequentou o Seminário de Santarém, donde saiu sacerdote, para coadjutor de Porto de Mós, onde era pároco o Revº.Padre Joaquim Vieira da Rosa, também nosso conterrâneo.

O Padre Júlio Pereira Roque, com o pseudónimo de JUPÉRO aplicou com vigor único a pena na propaganda da causa pela Restauração do Bispado de Leiria. Foi o primeiro grande jornalista de Leiria. Foi também redator do Jornal “O Mensageiro”, nos anos de 1915 e 1916. 

A doença atinge-o de forma particularmente cruel a partir de 1921.

Segundo o seu grande amigo e companheiro de luta, Revº.Padre José Ferreira de Lacerda, teriam contribuído para a doença do Padre Júlio os acontecimentos do “Dezanove de Outubro“: uma revolução que ficou célebre particularmente pelos crimes que à sombra dela se cometeram, em Lisboa e em Leiria.

Faleceu pelas 18 horas do dia 18 de Outubro de 1928, sem ver realizado o seu último anseio de leiriense, que era o caminho de ferro entre a Nazaré e Tomar, ligando Alcobaça, Batalha, Leiria, Fátima e Vila Nova de Ourém, ainda que dias antes o tivessem sobressaltado com a noticia de que tudo corrida segundo os seus desejos.

Rua Padre Júlio Pereira Roque

Rua Comandante Afonso Vieira Dionísio

Afonso nasceu pelas onze horas da manhã do dia 5 de Agosto de 1883, em Alqueidão da Serra, na rua que hoje tem o seu nome, ou seja, a 1ª do lado direito de quem desce a Rua Padre Júlio Pereira Roque.

Era filho de Cláudio Vieira Dionísio de Thereza Affonsa. Neto paterno de Francisco Vieira Dionísio e de Maria Correa, e neto materno de João da Costa e de Anna Fructuoza Affonsa.

Foi baptizado na Igreja Paroquial de Alqueidão da Serra no dia 8 de Agosto de 1883, sendo  padrinho o Manoel Affonso e Silva, pároco desta freguesia. Enquanto criança viveu em Alqueidão da Serra, e como os pais não tinham muitas posses, guardou cabras e ovelhas, para ajudar na vida da família.

Um dia os pais decidiram sair do Alqueidão, e fixaram-se em Famalicão da Nazaré. A preferência dada a esta localidade deve ter influenciado poderosamente a escolha da sua vida profissional, enveredando por uma carreira na Marinha Mercante. O registo de inscrição na Marinha data de 13 de Setembro de 1900. Tinha então 17 anos. Tendo saído do Alqueidão apenas com a preparação dada pelo Padre Affonso, ao chegar a Lisboa, tinha apenas a 4ª classe, que fez em Famalicão. Nada mais se sabe a respeito da preparação académica de Afonso Vieira Dionísio.

O primeiro facto na vida do marinheiro que foi Afonso Vieira Dionísio foi o salvamento histórico do Vapor “Machico”.

Comandante Afonso Vieira Dionísio

O capitão Afonso Vieira Dionísio defendeu o “Machico” como quando, anteriormente junto a Bordéus, ao comando do navio “Gaza”, também tinha mostrado que não se deixava apreender ou afundar facilmente.

Navegando diretamente sobre o submarino alemão obrigando-o a mergulhar de emergência, tendo ficado inclusivamente suspeitas que o teriam danificado, dado o aparecimento de óleo à superfície.

Com o aumento do número de disparos do submarino alemão, o comandante lançou um SOS, com as coordenadas da posição, mas não deu ordem de lançar as baleeiras, executando manobras defensivas, em ziguezague, como tinha treinado nos comboios navais. O navio conseguiu alcançar 15 nós, velocidade que lhe permitia afastar-se do submarino, mas que o ainda mantinha ao alcance dos canhões inimigos.

Entretanto, o navio “Portugal”, ao ser avisado pelo “Machico” afastou-se do local e um navio de guerra inglês indicou ao “Machico” que o ia socorrer. O submarino alemão era o UC20 comandado por Franz Becker.

O “Machico” acabou por se libertar da perseguição inimiga, não chegando a ver o navio de guerra inglês.

Tentou fundear no porto de Mogador (Marrocos), mas não lhe foi autorizado. Encontrou um rebocador francês que o orientou na travessia nocturna do Cabo de S.Vicente.

Chegou a Lisboa a 20 de Novembro, assim como o “Portugal”. Conseguiu finalmente chegar a Bordéus no final do mês, cumprindo a sua missão.

Pelo ato heroico o capitão Afonso Vieira Dionísio recebeu, por Decreto do Diário do Governo de 24 de Setembro de 1919, a condecoração de “Torre Espada de Valor, Lealdade e Mérito”.

O “Século” e os restantes jornais enchem suas colunas de elogios ao comandante do “Machico”, chamando-lhe “O bravo Capitão do vapor”, “o Oficial jovem e inteligente cuja figura se impõe” etc.

Afonso Vieira Dionísio foi casado com Beatriz de Couto Vieira e não teve descendência.

Faleceu súbita e inesperadamente a 1 de Dezembro de 1945, na Portela – Bombarral – para onde tinha sido convidado por Adolfo Vieira da Rosa, para participar num banquete festivo na sua propriedade, o “Solar das Andorinhas”.

E com esta lista de nomes de ruas, chegamos a 1974. Outras novas ruas foram surgindo, para assinalar datas ou acontecimentos.

Rua do MFA

Após o 25 de Abril de 1974, surgiu um nome para uma travessa da antiquíssima Rua da Senhora da Tojeirinha, à qual, com alguma precipitação, chamaram de “Rua do MFA” (Movimento das Forças Armadas). Este nome acabou por não chegar até aos nossos dias, e atualmente a referida travessa tem o nome de Travessa da Senhora da Tojeirinha.

Largo Luís de Camões

Em 1980 na comemoração do quarto centenário da morte de Luís de Camões, o nome do inexcedível Poeta português foi posto a alumiar um largo desta povoação. É aquele largo em que vão desaguar a Asseguia Castelhana e a Rua do Comandante Afonso Vieira Dionísio.

Assim nos governamos até 2003, altura em que por deliberação da Assembleia Municipal de Porto de Mós tomada em seção ordinária de 24 de Março, foi aprovado o Regulamento Municipal de Toponímia e Numeração de Policia do Concelho de Porto de Mós.

Ficou estabelecido que, para a atribuição de nomes de Ruas, Becos, Largos, Travessas, Pátios, é necessário que exista uma proposta que tem que ser aprovada pela Assembleia de Freguesia e comunicada à Câmara Municipal de Porto de Mós.

A Toponímia revela uma forte ligação aos valores culturais e sociais da população lembrando também as personalidades que marcaram épocas, usos e costumes.

Os nomes das ruas da nossa terra homenageiam pessoas que se distinguiram por algum motivo, ou que viveram naquela rua, lendas, presidentes e ministros que nos ajudaram a ter melhor qualidade de vida, os terrenos de cultivo onde as pessoas trabalhavam para obter o seu sustento, etc. São nomes que revelam a nossa história comum.

Rua D. Martim Afonso de Mexia

D. Martim estudou em Salamanca onde também foi professor. Foi Bispo de Leiria e de Lamego donde foi transferido para a Sé de Coimbra, em 1619. O decreto episcopal da criação da paróquia de Alqueidão da Serra foi um dos últimos atos de D. Martim Afonso de Mexia, enquanto Bispo de Leiria. Faleceu em Lisboa a 30 de Agosto de 1623.

Rua de São José

A rua principal tem o nome do padroeiro da freguesia. Quando a freguesia foi criada em 1615, ela foi colocada sob a proteção de São José.

Uma manifestação do culto a S. José chegou mais tarde. Trata-se de uma preciosa graça de natureza espiritual, concedida pelo Papa Pio IX. ” O Jubileu de São José”.

O documento que a concede aos paroquianos do Alqueidão, e que a estende a quantos desejarem beneficiar dela, tem a data de 11 de Julho de 1872. Ele é a resposta dada pelo Sumo Pontífice a um pedido que lhe fez o Padre Manuel Afonso e Silva.

Diz o seguinte:

“a todos e a cada um dos fieis cristãos dum e doutro sexo, verdadeiramente arrependidos de seus pecados, que visitarem a Igreja de Alqueidão da Serra, dedicada a S. José, esposo da Bem-Aventurada Virgem Maria, desde primeiras vésperas até ao pôr-do-sol do terceiro domingo depois da Páscoa da Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, e aí tendo-se primeiro confessado e comungado, orarem pela concórdia dos príncipes cristãos, pela extirpação das heresias, e pela exaltação da Santa Madre Igreja, concedemos misericordiosamente no Senhor indulgência plenária e remissão de todos os seus pecados, indulgência esta, que se pode aplicar por modo de sufrágio por aquelas almas que unidas a Deus pela caridade, partiram deste mundo e estão detidas no Purgatório. As presentes letras perpetuamente terão vigor nos tempos presentes e futuros, não obstando qualquer coisa que haja ou houver em contrário, Dada em Roma, junto de S. Pedro, debaixo do anel do Pescador, a 11 de Julho de 1872, vigésimo sexto do nosso pontificado. “.

Antigamente muitas pessoas dos lugares vizinhos, visitavam a nossa igreja no terceiro domingo depois da Páscoa, afim de ganharem as indulgências plenárias concedidas pelo Jubileu de São José.

Rua da Ti Maria Amada

Nesta rua viveu a ti Maria Amada e seu marido José de Matos, e foi aqui criaram os seus quatro filhos: Alfredo Amado de Matos, Cândida Matos, Carlos Amado de Matos e Fernando Matos Amado. Apenas a Cândida ficou no Alqueidão da Serra.

José de Matos era sapateiro, e amanhava algumas fazendas. Em certas alturas era necessário contratar pessoal para o ajudar com as tarefas nos campos. Maria Amado tratava sempre muito bem das pessoas que trabalhavam para eles. Era muito boa cozinheira. Uma das pessoas que ainda se lembra de ter trabalhado para eles, lavrando as terras à frente dos bois, ainda recorda: “Muito bem se comia naquela casa”!.

Rua dos Fornecos

Os terrenos situados do lado direito de quem vai para Leiria, a iniciar quando se acentua o declive da estrada, chamam-se Fornecos. É uma área que abrange milhares de metros quadrados e não há marcos a dividir. Termina, onde começa a zona do Barreiro da Laje, na parte do Norte, sendo irrealizável determinar a estrema pelo Nascente.

E porquê Fornecos?

Porque naquela zona existiam alguns dos fornos em que no Alqueidão se cozia a deliciosa broa amarela e o pão branco e fofo.

Quanto ao sufixo “eco”, ele usa-se com muita frequência no Alqueidão. Emprega-se como depreciativo e como diminutivo. Fala-se num “almoceco” se a comida ainda deixou um buraquito no estômago, diz-se um “burreco” se o jerico é fraco, ou uma “chuveca” se, quando se sente a falta de água, a chuva pouco mais fez que apagar a poeira.

“Forneco” tem de ser inevitavelmente um forno pequeno. E para o comprovar, o ti João Gancho (João Vieira Pedro) achou um forno numa propriedade sua, mas já a uma razoável distância da zona a que atualmente chamamos Fornecos.

Rua Adolfo Vieira da Rosa

Adolfo Vieira da Rosa nasceu em Alqueidão da Serra no dia 1 de Janeiro de 1893. Era Filho de José Vieira da Rosa e de Maria de Jesus Alfaiate.

Foi redator do jornal “O Mensageiro” desde 27-12-1918 até 16-01-1920 sob o pseudónimo de “João de Leiria”.

Em Lisboa, ainda no ano de 1920, foi nomeado diretor da “United Press”, agência de noticias americana, pioneira na cobertura e distribuição de notícias em todo o mundo (atualmente chama-se UPI).

O Sr Adolfo casou em Lisboa em Setembro de 1927, e constituiu família naquela cidade.

Foi professor e jornalista de grandes méritos durante a 2ª Guerra Mundial (1939-1945), e no desempenho das suas funções jornalísticas viajou pelo Brasil e para França. As funções de diretor da Agência de Noticias americana “United Press” em Lisboa desempenhou-as desde 1920 até à década de 50, vencendo sempre com altivez todas as dificuldades inerentes a um cargo de tão grande responsabilidade.

Uma das consequências da sua atividade jornalística foi ter sido preso pela PIDE, por suspeitas de transmitir para o estrangeiro notícias tendenciosas. Foi-lhe retirada a liberdade por três vezes, a ultima das quais em 17-10-1943, data em que recolheu à cadeia do Aljube, local para onde eram levados os presos políticos do Estado Novo.

Foi o Sr. Adolfo quem doou à Igreja, a casa que se encontra do lado direito da Igreja Paroquial de Alqueidão da Serra, a que atualmente chamamos de “Casa de São José”.

Faleceu em Lisboa no dia 25-09-1985.

Largo Carlos Vieira da Rosa

Carlos Vieira da Rosa nasceu em Alqueidão da Serra no dia 27 de Outubro de 1889. Era filho de José Vieira da Rosa (conhecido cirurgião daquela época) e de Maria de Jesus Alfaiate.

Foi um homem activo e dinâmico, agricultor competente, conhecido por ser um bom produtor de vinhos e um apaixonado apicultor.

Era dono da maior casa agrícola da freguesia, e estava sempre muito atento às necessidades dos outros. Tanto ele como a sua esposa Águeda socorriam e apoiavam todos os necessitados que a eles recorriam.

Carlos Viera da Rosa desempenhou ainda as funções de Regedor e de juiz da paz. Foi durante longos anos encarregado do Posto de Registo Civil que existia no Alqueidão, e que na sua casa tinha a sede. Aí de faziam os registos dos nascimentos e óbitos, e até os noivos por lá passavam para fazer o registo civil e o cumprimento das formalidades legais, antes da cerimónia do casamento religioso.

Foi presidente da Junta de Freguesia de Alqueidão da Serra desde  02-09-1960 até 01-12-1963. Faleceu no dia 13 de Março de 1974. Ficou sepultado no cemitério do Alqueidão da Serra.

Rua das Carrasqueiras

Serventia para os terrenos de uma zona que se chama Carrasqueiras. Têm este nome os terrenos que atualmente ficam de um lado e do outro na Estrada dos Casais dos Vales, antes da Retunda do Major.

Largo da Escola Velha

A escola foi criada por decreto de 5 de Dezembro de 1894.

O primeiro professor foi João José Gomes Mendes que nasceu no Reguengo do Fetal em 1848, e era filho de António José e Maria Felizarda, o primeiro, natural do lugar do Reguengo e a segunda, era natural da Torre da Magueixa.

Foi casado com Maria Vitória Lopes da Cunha, parente muito próxima do poeta Afonso Lopes Vieira, e faleceu na sua casa e terra natal, ás duas horas da tarde do dia 30 de Julho de 1900.

O edifício onde funcionava a escola ficava situado no fim da rua que atualmente se chama “Rua Padre Manuel Afonso e Silva”. Foi o primeiro edifício escolar da Freguesia. Tinha duas salas de aula, era só para o sexo masculino, e ficava ligada à residência do professor, da qual era natural prolongamento.

Durante a regência do professor Joaquim da Costa Rei, que veio para o Alqueidão em Outubro de 1910, as aulas passaram a ser num outro edifício que pertencia a Luís Gaspar da Silva Raposo e que se situava mais ou menos a meio da rua da Senhora da Tojeirinha, à mão esquerda de quem caminha na direção do Sul.

Durante a regência de Ema Rodrigues Namora, que veio para o Alqueidão em Novembro de 1924, as aulas voltaram a funcionar no edifício da escola velha.

As aulas só deixaram de funcionar no edifício da escola velha em 27 de Outubro de 1966, que foi o dia em que foi inaugurado o novo edifício escolar na Rua da Gafaria.

Depois o edifício da escola velha foi a sede do CCR até esta coletividade possuir instalações próprias. Funcionou também neste edifício uma delegação da Casa do Povo de Porto de Mós até à fundação da Casa do Povo de Alqueidão da Serra em 1983. Começou nesta altura a remodelação do edifício que viria a ser inaugurado em 30 de Setembro de 1984 e que passou então a ser a sede da Casa do Povo de Alqueidão da Serra.

Beco do Couceiro

Neste lugar existiu uma casa onde moravam Francisco Vieira da Rosa que tinha a alcunha de “Couceiro”, e sua esposa Maria, a quem chamavam Maria Coiceira. Eram os pais da D. Conceição Amado.

Francisco Vieira da Rosa

As alcunhas eram atribuídas às vezes pela maneira de ser, ou pelas ideias que expressavam, ou pela simpatia que tinham por determinada pessoa. Neste caso Francisco Vieira da Rosa para algumas pessoas lembrava o Paiva Couceiro, que foi um militar, administrador colonial e político português que se notabilizou nas campanhas de ocupação colonial em Angola e Moçambique e como inspirador das chamadas incursões monárquicas contra a Primeira República Portuguesa. Talvez por isto ele tenha ficado com a alcunha de “Couceiro”.

Rua do Caminho Velho

O “Caminho Velho”, que era ainda parte da calçada romana, há-de ter sido por onde os romanos transportavam a água, desde as bandas da Fonte, (da chamada “Mina)”, até às suas explorações de ferro.

Noutra época existiu no caminho velho a fábrica de cortumes que pertencia a Luis Gaspar da Silva Raposo.

Noutra época no caminho velho existia um local que se chamava “Jogo da Bola” onde os homens se juntavam para jogar um jogo parecido com o chinquilho.

Era um caminho que era percorrido pelos nossos antepassados para ir trabalhar para os talhos da Várzea, quando a Várzea era um jardim. Caminho percorrido vezes sem fim, pelas nossas avós que acarretavam à cabeça cântaros com água e bacias de roupa para lavar na fonte.

Foi por lá que construíram a estrada que nos liga à sede do Concelho.

Rua das Mindinhas

A zona da Tojeira que fica à nossa direita, se entrarmos na estrada da Tojeira pelo cruzamento do Jardim da Barreira, é denominada Mindinhas.

É Mindinhas deste a Tojeira até ao Vale das Freiras.

A primeira casa que foi construída nesta zona foi a casa do Isidro e da Maria do Carmo, a quem, no inicio, chamavam a Maria das Mindinhas.

Rua de Santo Estêvão

Nas imediações da Capela de Nossa Senhora da Tojeirinha existe uma zona a que chamam Bacalhoas e a seguir encontramos as Covas de Santo Estevão onde dizem que existia uma gruta onde apareceu a imagem de Santo Estêvão.

Diz a lenda que um guardador de um rebanho de cabras e ovelhas, tocou o gado pelas Bacalhoas abaixo para irem pastar numas propriedades que hoje se chamam Covas de S.to Estêvão.

O que lhe despertou a atenção foi o facto de as cabras comerem tão pacificamente que fazia admiração a qualquer um. Cheio de curiosidade resolveu aproximar-se para descobrir a razão para o que via.

Ia abrindo caminho pelo meio do mato, e reparou que o tufo de verdura crescia e aumentava a densidade das silvas. Venceu todos as dificuldades, que foram muitas, mas não bastantes para o deter, e com a roupa esfarrapada e com a pele riscada por inúmeros e grandes arranhões, deu consigo em frente da entrada de uma gruta no sopé do monte.

Foi tateando o piso e verificando a altura da entrada com a ajuda do cajado, e ele aí vai em busca do desconhecido…Aí pelo meio do percurso, percebeu  que existia uma parte que não foi cavada até ao nível do piso geral, fazendo, assim, uma espécie de mesa. Estendeu-lhe o braço por cima e verificou que ela tinha a largura aproximada de um palmo e meio.

Continuando o exame, não tardou que os dedos tocassem num objecto poisado em cima da“mesa”. Tentou deslocá-lo e não conseguiu. Empregou as duas mãos e o que quer que aquilo fosse, não deu de si. Fincou os cotovelos, puxou e o pesado objeto inclinou-se.

Pelas formas que a palpação lhe dava, nada concluiu. Achou que aquilo era uma pedra com uns feitios esquisitos. Baixou-se ligeiramente o que fez com que o objeto passasse da mesa para o seu ombro e, apoiando-se no cajado tomou o caminho da saída.

Cá fora, arrumou a carga em cima da  parede mais próxima e deu de caras com a imagem de um Santo. Maior espanto não podia ter! E ao Santo  parece ter acontecido o mesmo, tão abertos estavam os seus olhos!

Voltando para casa contou o que tinha acontecido. A família, em peso resolveu ir certificar-se do que ouviu. Pegaram numa lanterna e fizeram-se ao caminho com tal alvoroço que chamaram a atenção da vizinhança toda.

Tiradas as dúvidas relativas ao inesperado e improvável caso, alguém perguntou que destino se devia dar ao religioso achado, que ninguém sabia dizer que Santo do Céu representava. Decidiu-se por unanimidade, construir uma capela e logo alguns queriam que se iniciasse a obra no dia seguinte. Alguém lembrou que havia necessidade de licença do prior da Freguesia.

Acabaram por decidir chegar até Porto de Mós e entender-se com o Prior de S. João, freguesia a que estava ligada aquela zona do Alqueidão. O Prior ouviu atentamente a narração de todos os factos relativos ao aparecimento da imagem, e decidiu despachar o pedido de licença para a construção da capela. Mais ainda, acabou por pedir para também ele ver a imagem de que lhe falavam, e todos se dirigiram para o local onde ela se encontrava.

 – “Realmente!”, foi a palavra que saiu dos lábios do Prior afirmando-se melhor na estátua, disse explicativamente:

– “É o mártir Santo Estêvão, sem tirar nem pôr…”

Rua do Pelingrim

Rua do Pelingrim

A palavra Pelingrim significa peregrino, ou vagabundo.

Era antigamente a serventia para os terrenos da Cunca de Cima.

Quando em 1971 foi pedido o abastecimento domiciliar aos lugares que não foram considerados no plano inicial, o Pelingrim tinha 4 habitantes numa extensão de 95 metros. Hoje é um pouco maior porque foram construídas mais casas de habitação, algumas delas de emigrantes.

Rua da Carreirinha

Serventia, carreiro pequeno, ou estreito. Ao contrário de Carreira Ancha que significa caminho largo. Era uma serventia que dava acesso aos terrenos da Tojeira, Pregal do Orfão, e Vale Pousio, e onde estavam as casas da Maria Emília, da Maria Júlia e da Nicas. Nos anos 60 esta rua tinha poucas casas e muita gente. Hoje em dia tem muitas casas, mas pouca gente.

Outubro de 2021

Rua Dr. Silva Pinto

Facto histórico incontestável, é que foi o Sr. Dr. Joaquim da Silva Pinto quem resolveu, em toda a sua linha, o velho e grave problema da água, que atormentou gerações sucessivas, durante séculos, no Alqueidão. Reconhecê-lo é um ato de elementar honestidade.

O Dr. Joaquim da Silva Pinto foi nomeado para o cargo de Subsecretário de Estado das Obras Públicas em 1968. Tinha um especial carinho ao distrito de Leiria, e o Alqueidão estava, naturalmente, na sua linha de pensar e de agir, devido ao enquadramento administrativo.

A densidade demográfica desta Freguesia impuseram ao novo membro da governação nacional, o caso do abastecimento de água como o mais urgente das exigências mais imperativas desta terra.

Logo depois que a Junta Sanitária de Águas disse que o projeto feito gozava das condições para “merecer aprovação”, o Subsecretário de Estado imediatamente o impulsionou com a decisão que lhe competia. Foi isto no dia 31 de Outubro de 1968, data em que proferiu o competente despacho de aprovação.

Travessa do Ti João Biscoito

Conhecido pelas populações do concelho de Porto de Mós por Ti João Biscoito, foi um homem muito vigoroso e robusto, nascido em Alqueidão da Serra por volta do ano 1865.

Naturalmente iletrado, conseguia no entanto prever o tempo meteorológicamente certo, com um rigor surpreendente, talvez por instinto ou por conhecimentos adquiridos empiricamente.

Ele interpretava a lua nas suas diversas fases, como que a real influenciadora não só do comportamento das ondas do mar, mas também dos animais e vegetais na terra, incluindo a espécie humana.

O João Biscoito ( João Vieira Pedro), sabia prever como ninguém quando ia chover ou abrandar, se o vento ia soprar de Norte ou de Sul, se proximamente vinha calor ou frio.

Olhava o céu constantemente, durante o dia procurava perscrutar na intensidade da luz solar, como estaria no dia seguinte, durante a noite julgava ver nas sombras do luar imagens otimistas ou pessimistas para a luminosidade ou escuridão noturnas.

Mas o mais curioso é que o João Biscoito, nunca tendo fumado tabaco, era todavia um viciado inveterado pelo “Rapé”, uma mistura de tabaco com plantas aromáticas silvestres, secas e moídas, como o poejo, a pimenteira, alecrim, rosmaninho, etc.

Era avô de José Vieira Pedro (o Sortivão) que vivia na sua casa em A-do-Ferreiro.

Faleceu em 1933 ou 1934, na sua residência que foi a Granja  dos Frades de Alcobaça de 1734, onde está agora a residência dos herdeiros de Telmo Gabriel Ferreira.

Rua Padre Joaquim Vieira da Rosa

Nasceu em Alqueidão da Serra no dia 6 de Janeiro de 1866, e aí foi baptizado também.

Era filho de Domingos Vieira da Rosa e Maria da Silva. irmão dos padres António Vieira da Rosa e Francisco Vieira da Rosa.

Com dezassete anos passou das aulas do Padre Afonso para as do Seminário de Santarém no princípio do ano académico de 1883/84.

Foi Diácono a 14 de Março. A ordenação sacerdotal, em que oficiou o Arcebispo de Mitilene, D. Manuel Baptista da Cunha, realizou-se a 28 de Junho de 1891, na capela do Paço de S. Vicente de Fora, de Lisboa. 

Entrou na luta pela restauração da diocese de Leiria, como fizeram os outros sacerdotes da região dentro de suas possibilidades e competências. Na diocese restaurada, continuou a exercer o cargo de Vigário da Vara em que fora provido pelo Cardial D. António Mendes Belo. Neste posto se manteve enquanto duraram suas funções de pároco do Alqueidão, que se estenderam ao longo de mais de trinta anos.

Foi presidente da Junta de Freguesia de Alqueidão da Serra de 27-07-1905 até 25-10-1910.

Por incumbência do seu competente superior hierárquico, participou no processo eclesiástico instaurado ao caso das Aparições de Nossa Senhora, na Cova da Iria, em 1917, inquirindo pessoas da sua Freguesia, testemunhas oculares dos extraordinários casos verificados a 13 de Outubro, no sol com sua “dança” e nas pessoas com suas imprevisíveis reações.

Faleceu no Alqueidão, em cujo cemitério está sepultado. Sucedeu-lhe, na paróquia e na vigairaria, o Padre Henrique Antunes Fernandes.

Beco do Lagar

O Padre Manuel Afonso e Silva dotou a Freguesia com um lagar de azeite, que fez construir junto à Barreira. Durante muitos anos, toda a gente o tratava por “lagar do Padre Afonso”.

Depois o lagar do Padre Afonso ficou para Luís Vieira da Rosa, que lá trabalhou durante muitos anos e o lagar passou a ser conhecido como o lagar do Ti Luís, até que terminou a laboração.

Hoje é uma casa de habitação que fica num Beco perto da Barreira, a que deram o nome de Beco do Lagar.

Rua da Cova

Chama-se Rua da Cova porque antigamente era uma serventia para uns terrenos que tinham o nome de Cova da Pereira. Atualmente é um atalho que vai da Rua da Carreirancha para a Rua Nossa Senhora de Fátima.

Estrada do Vale

A estrada começa na Rua Nossa Senhora de Fátima num lugar a que chamam “Laranjeira” e depois de uma descida muito acentuada passa 3 vales até chegar ao Reguengo do Fetal: o Vale Caxia, o Vale da Moita Longa e o Vale do Outeiro.

Rua do Vale Pousio

Entre a Rua do Vale Pousio e a Rua da Tojeira fica uma zona que se chama o Vale Pousio. Chamava-se assim porque os terrenos nesta zona, ficavam por cultivar, ou seja, interrompiam-se as culturas durante um ou mais anos para que depois se tornasse mais rentável. No tempo em que não era cultivado cresciam as maias, o rosmaninho, o sargaço e as estevas.

Rua Frei Diogo de Santo Alberto

Frei Diogo de Santo Alberto, de alcunha “O Calça” nasceu em Alqueidão da Serra no dia 1 de Agosto de 1630.

O seu nome de baptismo era Diogo Esteves e era filho de Domingos João Mendes  e Maria Esteves Malha.

Em 31 de Agosto  de 1651, entrou para o Convento de Nossa Senhora dos Remédios em Lisboa, onde professou em 8 de Setembro de 1652.

Estudou filosofia no Colégio de Nossa Senhora do Carmo de Figueiró, no ano de 1655, e três anos depois foi estudar teologia no colégio de São José de Coimbra.

Foi um dos fundadores do Convento de Nossa Senhora do Carmo de Luanda, em Angola, para onde partiu em 31 de Maio de 1659. De regresso a Portugal o barco onde viajava passou por uma grande tempestade e naufragou. Os frades foram resgatados por um barco de Mouros, e seguiram para Argel como prisioneiros. Frei Diogo de Santo Alberto e os seus companheiros estiveram cativos em Argel durante algum tempo.

Em Maio de 1670 tomou posse do noviciado, tendo sido nomeado Mestre dos Noviços. Em 22 de Abril de 1673 foi eleito Prior do Convento de Nossa Madre Santa Thereza de Santarém.

Foi nomeado Visitador Geral dos Conventos Ultramarinos, lugar que ocupou até 1683. Em 12 de Maio de 1685 foi nomeado Definidor Geral e Protetor das Províncias das Índias, cujo lugar ocupou até 8 de Maio de 1688, altura em que foi declarado Reitor do Colégio de Coimbra, no qual entrou a 20 de Junho.

Em 15 de Abril de 1690 nomearam-no II Difinidor e I Substituto para acompanhar os padres que deviam vir votar no Capítulo Geral XXXVII  de 5 de Maio de 1691.

Faleceu em 17 de Junho de 1698, com 67 anos de idade e 46 anos de hábito.

Rua Nossa Senhora de Fátima

Esta rua começa no alto da Carreirancha, onde está a cruz, e vai até ao Cruzamento da Estrada do Vale, Rua da Cova e a EM 543-2 (onde fica a Lagoa de Santa Catarina).

Deram-lhe este nome de Rua de Nossa Senhora de Fátima porque dá acesso a Fátima e por causa da devoção que o povo tem a Nossa Senhora.

Os nossos antepassados viram o milagre do Sol em Outubro de 1917 e transmitiram a sua fé em Nossa Senhora de Fátima às gerações seguintes.

Atualmente muita gente reza o terço às 18h00 todos os dias, acompanhando as transmissões do Santuário de Fátima.

Também a nossa maior Festa, em Agosto, é em honra de Nossa Senhora do Rosário.

Rua da Lapa

É a estrada para Fátima.

A meio da subida está o Parque de Lazer da Lapa. É o resultado da recuperação do espaço onde se encontrava uma lapa, da qual, há milhares de anos, jorrava água abundante nos meses de Inverno.

A obra ficou concluída em Abril do ano 2000, e teve o apoio do Programa Leader II.

Rua da Cunca

Porque dá acesso a uma zona rural denominada “Cunca” que fica situada na encosta da Cabeça da Vaca.

Cabeça da Vaca vista da Cunca

A palavra Cunca desapareceu do nosso vocabulário para designar um objeto de uso caseiro ao serviço da cozinha. Noutros tempos, tratava-se por este nome uma espécie de tigela de pau vulgarmente empregada para beber água.

Mas se a palavra “cunca” desapareceu por terem abatido ao efetivo do trem da cozinha a malga que significava, ela mantém-se viva para classificar determinada zona rural – a Cunca.

Quem fez alguma estadia no sítio da Cunca, reparou por certo nas pequenas escavações naturais que apresentam as inúmeras lajas fixas que se estendem pela encosta. Entre maiores e menores, são praticamente incontáveis. A melhor forma de atinar com elas é, depois da queda de uma forte bátega de água que as encha.

A estas pequenas concavidades naturais dá-se o nome de pias. Era a elas que, devido ao seu formato, antigamente se chamava cuncas.

 Das inúmeras e variadas cuncas, espalhadas por toda aquela área, lhe veio o nome de Cunca. E ninguém se atreve a dizer que foi mal posto.

Rua Eng. Artur Homem da Trindade

Artur José Pontvianne Homem da Trindade, foi presidente da Câmara Municipal de Porto de Mós entre 1978 e 1985. Desempenhou, também, funções de Secretário-geral da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) entre 1986 e 2014.

Por sua influencia foram feitos vários melhoramentos na nossa freguesia.

Rua Dr. José Ferreira

José Ferreira esteve presente em várias inaugurações, e também acompanhou o Coral Calçada Romana numa digressão a França e Espanha, numa altura em que o Coral ainda pertencia à Casa do Povo, e José da Silva Catarino era presidente da Junta de Freguesia.

José Ferreira foi presidente da Câmara de Porto de Mós entre 2000 e 2005. Foi com o Presidente José Frerreira que se iniciaram os conflitos por causa da Renda do Parque Eólico, em Janeiro de 2005.

Largo Prof Doutor Mota Pinto

Depois do 25 de Abril de 1974, Mota Pinto ajudou a fundar o Partido Popular Democrático (PPD), atual Partido Social Democrata (PPD/PSD).

Prof. Mota Pinto, então na função de 1º Ministro, veio em grande cortejo a pé, desde a fonte, para várias inaugurações, aqui na nossa terra, a convite de José Catarino, Presidente da Junta. Neste dia foi inaugurada a Casa do Povo, Posto Médico, e algumas ruas. O Largo Prof. Dr. Mota Pinto fica situado junto ao Posto Médico.

Rua do Sol Nascente

O nome foi proposto pelos moradores e aprovado pela Assembleia de Freguesia. Fica na encosta da Cabeça da Vaca, voltada para o Nascente, de onde se tem uma vista privilegiada do nascer do sol.

Beco da Pia

Porque dava acesso a um local onde existia uma pia que abastecia de água quem vivia na Carreirancha, muito longe da Fonte.

Beco da Mina

Dava acesso a um local onde brotava água do meio das rochas, e ao qual chamavam Mina. Ficava na encosta da Cabeça da Vaca, num local denominado Bacalhoas, perto das Covas de Santo Estevão.

Este nome recorda que, nas imediações existia uma Mina de água que secou, como tantos outros pontos de água que existiam na freguesia.

O Beco da Mina é um atalho na Rua dos Campos que leva ao sitio onde estava a Mina.

Beco da Eira do ti João d`Avó

A eira ficava na Rua de Nossa Senhora da Tojeirinha perto do local onde vivia o João com a mãe, e era partilhada com as pessoas da família.

O João já tinha 50 anos e ainda não tinha casado. Vivia com a mãe. Os sobrinhos quando iam visitar a avó viam lá sempre o tio solteirão e começaram a chamar-lhe o João da avó.

A vizinha, a ti Cecilia, há muito tempo que lhe vinha dizendo: “Eu ainda vou ter uma filha que há-de casar contigo”.

Pois foi verdade. O João já com mais de 50 anos casou com a Assunção de 19 anos, filha da ti Cecilia. E foi muito bem a tempo de criar muitos filhos.

Ficou conhecido por rezar o terço todos os dias andando em volta da capela, quer chovesse ou fizesse sol, pedindo a Nossa Senhora para não morrer enquanto o filho mais novo não atingisse a maior idade. E Nossa Senhora ouviu as suas orações.

Largo da Barreira

Hoje existe um jardim, no local onde em tempos existiu uma Barreira que era utilizada pelos Romanos para o fabrico de cerâmica.

Tinha muita água, quer de inverno quer de verão, ficava mesmo à beirinha da estrada e era onde os animais iam matar a sede. A água da Barreira também servia para construção e para lavar roupa.

Era um perigo eminente, por estar tão perto da estrada. Lá morreu o Troia que vendia terços, garfos e colheres nas feiras. Também uma criança lá morreu afogada.

A Barreira foi entupida para evitar males maiores. Foi feito um jardim, e arranjado um largo: O largo da Barreira.

Rua da Estrada Romana

Porque dá acesso ao troço de calçada romana que existe no Alqueidão da Serra, que é considerado um dos mais importantes vestígios arqueológicos do período romano, no concelho de Porto de Mós.

A estrada tem cerca de 100 metros de comprimento e 4 metros de largura e estima-se ter sido construída entre o século I a.c. e o século I d.c..

Este pedaço de estrada romana foi restaurada em 2021.

Largo da Fonte

Era na fonte antiga que toda a gente se encontrava para fazer os mais diversos trabalhos.

  • Uns iam buscar água com os cântaros, que acarretavam à cabeça ou com a ajuda dos burros
  • as mulheres ficavam lá muitas horas a lavar a roupa,
  • quem voltava com os animais dos trabalhos no campo lá parava para matar a sede,

Era um local muito movimentado.

Quando a agua foi canalizada para nossas casas, todo o complexo da Fonte ficou soterrado, ficando apenas um Fontanário.

Travessa Padre António

António Vieira da Rosa nasceu no Alqueidão da Serra no dia 4 de Julho de 1878, era filho de Domingos Vieira da Rosa e de Maria da Silva, irmão do Padre Francisco e do Padre Joaquim Vieira da Rosa.

Aprendeu a ler e a escrever com o  Padre Manuel Afonso e Silva, e no ano letivo de 1895/1896 entrou no Seminário Patriarcal de Santarém de onde saiu sacerdote.

Quanto à Missa Nova, vem publicado o relato pormenorizado, no jornal “O Portomosense”, de 7 de Outubro de 1904, sob o título “Festa de Nossa Senhora da Piedade”, :

“Realizou-se domingo com desusada imponência, nesta vila, esta festividade que todos os anos costuma ser muito concorrida (…) A missa, que por sinal era a primeira que cantava o nosso amigo Padre António Vieira da Rosa, há pouco ordenado, decorreu com bastante unção e bom desempenho da parte dos cantores e todos os que nela tomaram parte. Serviram durante ela de padrinhos do novo sacerdote os reverendos Padre Manuel do Espírito Santo e Padre Joaquim Rosa. Acolitavam o Sr. Padre António Rosa, os nossos amigos Padre Júlio Roque e Fialho. .

O sermão foi dito pelo nosso amigo e esclarecido colega do “Notícias de Alcobaça”, Padre Lopes Soares que produziu uma bela oração sobre o tema “Ego mater” que foi muito apreciada pelo selecto auditório que enchia a igreja completamente. Lopes Soares foi felicíssimo no seu discurso, principalmente no exórdio, a peça melhor burilada do seu trabalho. Também no improviso que dirigiu ao sacerdote, seu antigo companheiro de seminário que cantava a sua primeira missa, teve frases duma verdade incontestável e conselhos a um principiante que mais parecia de um velho que dum sacerdote há pouco saído dos bancos das escolas…

À missa seguiu-se a tocante cerimónia da primeira comunhão dada pelo novo sacerdote, que é da praxe ser ministrada a seus pais e irmãos, depois o beija-mão aos mesmos e a todos os presentes”.

Foi prior da freguesia de Nossa Senhora de Belém em Rio de Mouro, pároco de Évora de Alcobaça, Pároco da freguesia de Mira. de São Silvestre do Gradil, de Sobral da Abelheira etc….

Foi por volta de 1913 que ele se fixou no Alqueidão. Aqui chegou a manter curso para alfabetização de rapazes adultos que funcionava de noite a fim de que a aprendizagem não prejudicasse os trabalhos agrícolas em que todos se ocupavam.

As últimas dezenas de anos da sua vida passou-as no Alqueidão, sem exercer as funções eclesiásticas.

Foi nomeado presidente da Junta de Freguesia de Alqueidão da Serra em 19 de Julho de 1919, tendo como vice-presidente o Padre Júlio Pereira Roque.

Segundo notícia de 25 de Agosto de 1919, publicada em “O Portomosense”a Junta de Freguesia, presidida por António Vieira da Rosa solicitou às esferas competentes, a criação de uma escola para o sexo feminino na sede da freguesia. Na prática, verificou-se que o parecer não foi favorável uma vez que o sexo feminino só viria a ter a sua aula independente no primeiro edifício escolar de que a Freguesia beneficiou.

António Vieira da Rosa viveu numa casa nas imediações da igreja com a sua companheira Genoveva, na rua que hoje tem o nome de Travessa Padre António.

Rua do Kionga

Joaquim Vieira Patrão, natural de  Alqueidão da Serra, era filho da ti Maria da Serra e de Francisco Patrão (natural de Serro Ventoso).

Foi o único alqueidanense que combateu os alemães no norte de Moçambique na primeira Grande Guerra (1914-18).

Quionga é uma localidade situada junto à foz do Rio Rovuma, no norte de Moçambique, onde Joaquim Vieira Patrão combateu.

Quionga era naquela altura uma localidade constituída apenas por três casas comerciais e uma centena de palhotas, mas era o único lugar habitado, de importância, no chamado triângulo de Quionga. Um lugar que Joaquim Patrão quis juntar com orgulho ao seu nome… como alcunha.

Joaquim Vieira Patrão falava daquela época da sua vida com satisfação e orgulho. Ele fez parte do corpo expedicionário que voltou a incorporar, no domínio português, a zona de Quionga, em Moçambique, de que os alemães se tinham apossado em 1894.

A rua onde morava Joaquim Vieira Patrão e sua esposa, a ti Emília Lenhoa, passou a chamar-se “Rua do Kionga” porque esta era a alcunha pela qual ele gostava de ser chamado.

Rua Padre Frazão

Depois de terminados os estudos na escola primária do Alqueidão, com o professor José Candeias Duarte, Manuel Frazão decidiu entrar no seminário de Santarém, mas não conseguiu realizar o seu intento. No ano seguinte, voltou a fazer o mesmo pedido, enviando para o Seminário o seguinte requerimento:

“Ex.mo e Rev.mo Snr.:

Manoel Frazão, de 15 anos, e filho de José Frazão e de Maria de Jesus, natural da freguezia de S. José de Alqueidão da Serra, Concelho de Porto de Mós, Patriarcado de Lisboa, tendo requerido já em princípios de Agosto de 1905 a graça da admissão como aluno no Seminário Diocesano, visto sentir vocação para o estado eclesiástico, e tendo sido indeferido o seu requerimento, mui humilde e respeitosamente de novo vem aos pés de V.ª Em.cia pedir-lhe a referida graça da admissão como aluno gratuito, visto ser pobre.

Alqueidão da Serra, 30 de Julho à de 1906 Manoel Frazão”

Foi nomeado pároco do Paço, em Torres Novas, mas a vida paroquial do Padre Manuel Frazão foi interrompida na altura em que foi convocado para cumprir o serviço militar, e teve de partir para o campo da batalha, como tantos outros portugueses.

Acompanhou o primeiro grupo de enfermeiras militares portuguesas, que chegaram a Paris  destinadas aos hospitais de base do C.E.P.

Do Padre Manuel Frazão, em serviço nas trincheiras, sabe-se que em Setembro de 1918 pertencia à 1ª Brigada de Infantaria. Era o “mestre escola” do Batalhão, fornecia aos soldados, por conta da Assistência religiosa, absolutamente gratuito, o papel e envelopes que precisavam para escrever todos os dias às suas famílias.

Voltou em  5 de Junho de 1919, e ficou ao serviço de Pataias.

Nasceu dotado de um extraordinário ouvido musical. A prova disso é um papel de musica que ele próprio ofereceu a Francisco Pereira Roque onde se lia na parte de cima da comprida folha: “Ao Francisco Pereira Roque, oferece este “Te-Deum”, copiado de ouvido na igreja de (…), o Padre Manoel Frazão.”

Muito mais era de esperar do Padre Manuel Frazão se a morte não lhe ceifa a vida com pouco mais de trinta anos e sete meses.

Rua Eira do Ti Manel da Mónica

O ti Manuel da Mónica era o pai da ti Celeste do Manel da Mónica.

Sempre conhecemos a ti Celeste como Celeste do Manel da Mónica, mas ela tinha mais irmãos. A eira era para uso da família. Muitos dos trabalhos do campo faziam-se na eira, a debulha, a escamisada, etc.

Hoje a rua tem o nome de “Rua Eira do ti Manel da Mónica”. Começa no “Pátio do ti Graxa”, e não tem saída, termina na casa de um dos filhos da ti Celeste.

Pátio do ti Graxa

O ti Graxa era o pai da ti Florinda do Graxa. Antigamente todas as casas tinham um páteo, mas este era grande, e pegava com a estrada. Foi onde ficou a viver a ti Florinda. Todos os filhos dela emigraram. Foram para França, para o México etc. Alguns deles fizeram as suas casas lá no Páteo, e voltaram a viver no Alqueidão, mas outros nunca mais voltaram.

Beco da Ti Ana do Vitório

É o local onde morava a ti Ana do Vitório .Ela representa todas as mulheres de antigamente que tinham muitos filhos, cuidavam da casa e ajudavam os maridos no trabalho no campo.

Cuidar da casa significa:

  • ir à lenha para fazer fogueira para cozinhar,
  • lavar a roupa toda à mão, estender e passar, sendo necessário fazer brasas para o ferro; 
  • limpar a casa e cuidar das crianças;
  • cuidar dos animais domésticos incluindo o porquinho para matar no natal;
  • Inventar o que cozinhar para a família, não tendo frigorifico, nem arca congeladora, nem nada para comer.

E ainda tinham que ajudar os maridos, que trabalhavam no campo o dia inteiro, ficavam muito cansados e tinham que ir para a taberna com os amigos,

Rua Dr. Pedro Matos

Filho de Francisco Amado de Matos e de Inês dos Anjos Roque de Matos, nasceu em Alqueidão da Serra (Porto de Mós) em 31 de Outubro de 1961. 

Realizou os seus estudos secundários em França, e entrou na Universidade de Coimbra, no ano de 1980. 
Licenciou-se em Matemática (ramo Educacional), em 1985 com a classificação final de 16 valores e apresentando a Monografia “Elementos de Cálculo Tensorial”.
  • Foi professor estagiário na Escola Secundária de Avelar Brotero em Coimbra.
  • Foi professor do quadro com nomeação definitiva na Escola Secundária de Mira de Aire, requisitado na Escola Secundária de Porto de Mós.
  • Foi professor do quadro com nomeação definitiva na Escola Secundária de Porto de Mós, onde lecionou todos os níveis da disciplina de Matemática no Ensino Secundário (7º a 12º anos) e exerceu os cargos de Diretor de Turma e de Delegado de Grupo.
  • Foi assistente convidado do Departamento de Matemática da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, lecionando as disciplinas de Álgebra Linear e Geometria Analítica, Geometria e Geometria Diferencial.
  • Frequentou o ramo Científico do Departamento de Matemática da Universidade de Coimbra, tendo completado o 3º ano e obtido aprovação em duas disciplinas do 4º ano. Interrompeu este curso para frequentar o Mestrado em Matemática, ramo de especialização em Física-Matemática, no referido Departamento de Matemática.
  • A 20 de Abril de 1993 obteve o título de Mestre com a classificação final de Muito Bom, por unanimidade, apresentando a dissertação “Sobre a Interpolação com um Parâmetro Função em Grupos Abelianos Quasi-normados”, sob a orientação do Professor Doutor Jorge António Sampaio Martins.
  • No ano letivo de 92/93 voltou a lecionar a disciplina de Matemática na Escola Secundária de Porto de Mós, até Fevereiro de 1994, e depois  passou a ser Professor Adjunto da Escola Superior de Tecnologia e Gestão (ESTG) do Instituto Politécnico de Leiria, lecionando nesse semestre as disciplinas de Análise Numérica e Matemática II.
  • Foi conselheiro do Conselho Científico da ESTG e a 8 de Outubro de 1996 assumiu pela primeira vez a coordenação do Departamento de Matemática da ESTG.

No ano 2000 concluiu o seu Doutoramento em Matemática (área de Matemática Pura), também na Universidade de Coimbra, com a tese “Interpolação por meio de espaços intermédios gerais de operadores compactos, operadores estritamente singulares e outros ideais relacionados”, tendo como orientadores os Professores Doutores Fernando Coboz Díaz (Universidade Complutense de Madrid) e Jorge António Sampaio Martins (Universidade de Coimbra).

À data do seu falecimento, era Professor Coordenador de Nomeação Definitiva no quadro da ESTG e Presidente do seu Conselho Científico.

Além da actividade académica, era ainda Presidente da Assembleia de Freguesia de Alqueidão da Serra, concelho de Porto de Mós, de onde era natural. Por outro lado, ao longo da sua vida, teve uma forte intervenção nas realidades locais de Alqueidão da Serra, ocupando durante vários anos os seguintes cargos:

• Director do Jornal Cruzeiro;
• Director da Rádio Cruzeiro;
• Director da Catequese Paroquial;
• Membro da Direcção do Centro Cultural e Recreativo;
• Membro do Conselho Fiscal da Casa do Povo.

Aos 43 anos de idade, faleceu na madrugada do dia 28 de Julho de 2005, em Coimbra, vítima de doença prolongada, e está sepultado no cemitério da freguesia de Alqueidão da Serra.

Rua do Moinho

Na chã não existiam casas. A povoação chegava só até ao Cruzeiro, e na chã existiam os melhores terrenos de cultivo. Era impensável construir na Chã. Existiam lá 4 moinhos. Hoje apenas existem as ruinas de um deles, e já fica dentro do aglomerado populacional.

A Rua do Moinho era o caminho para o moinho do Luzio.

Rua da Cabeça

A subida da Cabeça da Vaca até ao Moinho, tem o nome de Rua da Cabeça.

O proprietário do Moinho é o Sr. João Carreira, que, por estar reformado, há muito que deixou de exercer a sua profissão de moleiro.

Na Cabeça foram construídos dois Moinhos. Atualmente ainda existem, embora um deles esteja em ruínas. Participou na construção do moinho que fica mais para o lado Nascente, Francisco de Matos (Galo), pedreiro de seu ofício, nos intervalos dos trabalhos agrícolas de sua casa.  Como isto aconteceu pouco depois do seu casamento, o moinho deve ter sido posto a funcionar cerca dos meados da década de 1880.

Estrada dos Casais dos Vales

Saída do Alqueidão da Serra para os Casais dos Vales.

A primeira estatística em que a Freguesia se nos apresenta unificada diz respeito ao ano de 1837, e refere que em Casais dos Vales existiam 15 casas de habitação. Eram descendentes de pessoas que moravam nos Vales e que aí construíram as suas casas. Viviam isolados, muito longe da sede da freguesia, onde apenas se chegava por uns carreiros, galgando mato e pedras. Depois de construída a estrada as casas começaram a surgir de um lado e de outro da estrada e o lugar ficou integrado no aglomerado populacional do Alqueidão da Serra.

Estrada dos Casais dos Vales

Rua das Gafarias

A história regista várias pandemias.

Na na época medieval os leprosos eram enviados para as Gafarias, onde eram deixados os doentes que não sobreviviam.

No Alqueidão os doentes eram deixados numa zona distante de tudo, mas que ficava nas imediações de uma capela a que chamavam “Capela de Santo Estevão”.

A rua das Gafarias e o Beco das Gafarias marcam a zona para onde, na época medieval eram enviados os leprosos.

Largo Engenheiro David

O Engenheiro David era o Diretor do Gat – Gabinete de Apoio Técnico de Leiria, e esteve na origem dos projetos de construção do Centro de Dia e também da Casa do Povo de Alqueidão da Serra.

A entidade Gat – Gabinete de Apoio Técnico de Leiria tem a sua atividade principal na categoria:
Projectos e Estudos Arquitectura e Engenharia.

Rua do Zambujal

Antigamente o Zambujal era um povoado um pouco distante da sede da freguesia. Com o tempo o lugar ficou praticamente desabitado.

Atualmente a rua que atravessa todo o lugar ficou com o nome de Rua do Zambujal.

Largo das Calçadas

Um troço de caminho, entre o Alqueidão e a Carreirancha ficou a ser tratado por Calçadas.

As Calçadas eram a continuação da calçada que havia no Caminho Velho, e encaminhava-se para aquela que ainda hoje existe lá no cimo da Carreirancha. O Largo das Calçadas lembra a calçada que durante muito tempo existiu naquele sitio.

Travessa do Barreiro da Laje

O Barreiro da laje hoje é um jardim, onde foi colocada uma estatua dedicada ao emigrante que nos foi oferecida pelo nosso conterrâneo Sr.Vitor Santiago.

No tempo dos romanos existia no local um barreiro de onde extraíam o barro para a industria da cerâmica.

Da água que existia no Barreiro da Laje nunca se ouviu dizer coisa que leve a crer ou pensar que tenha servido para usos domésticos.

Beco Serrada do Manecas

O espaço atrás da casa da ti Ilda do Manecas, onde estão hoje duas casas de habitação eram terrenos que pertenciam à família do Manecas, e onde os filhos construíram as suas casas.

O Manecas e a Adelina com a Estelinha

Beco do Alecrim

Porque na nossa serra abunda o alecrim, que deixa um cheirinho maravilhoso quando passamos.

Os apelidos das famílias que ficam perpetuados para sempre:

Existem ruas cujo nome é o apelido dos moradores, por exemplo:

Beco dos Calvários

Beco dos Marques

Também as alcunhas não conseguiram ficar de fora da atribuição dos nomes de ruas, e então temos o Beco do Passa (que antigamente se escrevia Paça), o Largo do Tuta e o Beco do Barradas.

Os nomes das zonas rurais onde antigamente os moradores tinhas as suas hortas, e onde passavam largas horas do dia a trabalhar, também ficaram registadas como nomes de rua, e assim temos:

  • Rua da Tojeira
  • Rua das Moirãs
  • Rua do Covão
  • Rua do Mourão
  • Rua do Vale das Matas
  • Rua do Vale de Algar
  • Rua do Vale Salvado
  • Rua dos Campos
  • Rua dos Vales
  • Rua do Vale da Sobreira
  • Rua da Chã

E com estes nomes de ruas chegamos à parte final do ano de 2021, altura em que o presidente da Junta Filipe Batista colocou mão à obra e, em colaboração com a Câmara Municipal de Porto de Mós, atualizou também a numeração de policia pelo sistema métrico, de acordo com a lei.

A Toponímia é a nossa história sempre presente na nossa vida de todos os dias.

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Uma resposta a Toponímia – Alqueidão da Serra

  1. BeckyB diz:

    Superb research, wonderful to read

    Gostar

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