O nome desta planta é Mostarda, mas no Alqueidão ela é conhecida pelo nome de Saramagos. Na primavera ela apresenta-se como um mar de flores amarelas espalhadas pelos terrenos não cultivados, e pelas bordas dos caminhos.
Antigamente esta era uma das plantas utilizadas na alimentação dos animais, mas depois que a criação de gado deixou de ter expressão na nossa terra, os saramagos são só uma flor do campo sem nenhuma utilidade.
Em alguns países esta planta, conhecida pelo nome de Mostarda é considerada uma hortaliça. É usada para fazer sopas e saladas.
As sementes da planta são utilizadas desde a Antiguidade, tanto no uso culinário como medicinal. Os egípcios usavam a mostarda para combater problemas respiratórios.
Dizem que a mostarda é rica em vitamina A, responsável pela integridade da pele e das mucosas, vitaminas do complexo B, importante no metabolismo energético, e em sais minerais, elementos que são constituintes estruturais dos tecidos do corpo humano.
15 de Maio de 2016 é o dia do Crisma em Alqueidão da Serra. É o dia em que o Sr.Bispo de Leiria nos visita. Este ano é maior o numero de candidatos a sacramento do Crisma, uma vez que em 2015 não tivemos a visita do Sr. Bispo.
Outras Visitas Pastorais
1902
Por falta de testemunhos documentais torna-se impossível afirmar quando foi a primeira Visita Pastoral feita ao Alqueidão pelo Bispo de Leiria.
A primeira Visita Pastoral de que há notícia, foi a que o Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. José Neto, levou a cabo no ano de 1902, quando o Alqueidão pertencia à diocese de Lisboa, por ter sido extinto o bispado de Leiria.
Este importante acto de natureza religiosa, começou no dia 26 de Abril de 1902. O repórter da história na altura foi o professor José Candeias Duarte, que era o correspondente do “Correio Nacional”, onde publicou o seguinte artigo:
“Chegou a esta terra, vindo de Porto de Mós, o Sr. Cardeal Patriarca de Lisboa, acompanhado pelo clero que estava com ele na Vila, e de muito povo. Aguardavam a chegada de Sua Eminência alguns padres e quase todo o povo da Freguesia, que esperava, apesar dos fortes aguaceiros que então caíam, com ansiedade que um sinal lhes anunciasse a chegada do ilustre visitante.
Às 11,30 formou-se na igreja a procissão, que se compunha das três irmandades erectas na Freguesia, a do santíssimo, do Coração de Jesus e de Nossa Senhora e de muitos anjos, para ir receber o Sr. Patriarca, debaixo do pálio, à entrada da Freguesia. Chovia então torrencialmente e o Rev.º Pároco, reconhecendo a impossibilidade da procissão sair, ordenou que só saísse o pálio.
Era meio-dia em ponto quando uma grande girândola anunciou a chegada do Sr. Patriarca à residência do pároco. É impossível descrever o entusiasmo, a alegria que se apoderou do grande número de pessoas que o esperavam. Todos, num brado uníssono e na alegria estonteante, levantavam muitos vivas a S.a Em.a.
O Sr. Patriarca revestiu-se na residência do pároco e dali saiu debaixo do pálio, acompanhado pelo clero dos concelhos de Porto de Mós e da Batalha, e por muito povo, para a igreja, sendo recebido à entrada do templo pelo Revº. Prior da Freguesia.
Depois das cerimónias do estilo, à entrada do templo, um coro de vinte criancinhas cantou o hino de S.a Em.a, ensaiadas pelo Revº. Prior. Vimos nessa ocasião S.a Em.a. tão impressionado, tão comovido que algumas lágrimas lhe deslizaram pelas faces.
As ruas por onde passou o Sr. Cardeal estavam ornadas com verdura e flores, muitas bandeiras e arcos. Na rua denominada de Cima, e que dá para a residência paroquial, viam-se alguns arcos triunfais e é ladeada por dois renques de paus, cobertos de verdura e flores, encimados por bandeirolas; estes paus são ligados por um cordão de buxo e alecrim. Esta rua foi ornada sob direcção do nosso amigo José Real, a quem felicitamos pela forma artística como se houve no desempenho da missão que lhe foi confiada.
À hora a que escrevo estão crismados novecentas pessoas. Noutra correspondência, direi o que houver de mais interessante, pois esta vai longa.”
Isto foi publicado no jornal “Correio Nacional de 2 de Maio de 1902.
O que vem a seguir, saiu no jornal do 14, mas foi escrito em 12, e diz:
“O segundo dia da visita, domingo, 27 de Abril, amanheceu também chuvoso. Não obstante porém, logo pela manhã, começou a afluir muito povo. À hora marcada por S.a Em.a. para celebrar a missa pelas Almas das pessoas sepultadas no cemitério desta freguesia, o templo estava repleto de fieis. S.a Em.a. ao Evangelho fez uma alocução substanciosa, atractiva e moralizadora, sobre o Evangelho do dia, “Eu sou a Videira e vós sois a vara”. O povo escutava-o em profundo silêncio. Simplesmente edificante!
Em seguida à missa, não podendo S.a Em.a. ir ao cemitério, como aliás era sua forte vontade, fez as orações fúnebres no corpo da igreja, procedendo logo depois, à administração do Crisma a mais de trezentas pessoas.
À noite houve terço e ladainha, com exposição e sermão pelo Revº. Dr. Cruz que, pela sua simplicidade, clareza e santidade, muito agradou ao auditório que, à cunha, enchia a igreja. Realçou muito esta cerimónia o acompanhamento feito no harmónio do pároco desta freguesia.
Segunda-feira, de novo vemos em volta de S.a Em.a. um numeroso concurso de filhos dóceis e humildes, conquanto a chuva estivesse ainda caindo. Neste dia foi administrado o crisma a mais de cem pessoas e, à noite, erigiu-se canonicamente e com solenidade a “Via-Crucis”, havendo também acompanhamento a harmónica e cânticos que mais de duzentas vozes fizeram ouvir. O número de pessoas crismadas sobe a mais de mil e cento e vinte.
Na terça-feira, dita a missa, despediu-se S.a Emº. Num discurso que fez a quem tantas provas de respeito e amor lhe tinham dado. Foi então que, pela segunda vez, vimos S.a Em.a. comovido, comovendo também a nós todos, clero e povo. As lágrimas foram a última prova de amor de S.a Em.a. por nós e de nós por S.a Em.a. Bem-haja o eminente prelado que assim sabe cativar os corações.
Às nove e trinta da manhã, partiu S.a Em.a. desta freguesia, em direcção a Serro Ventoso, acompanhado do pároco e vário clero e de muito povo. Apesar do mau tempo, foi encantadora e entusiástica a despedida. Mais de duzentas pessoas levantando vivas calorosas e cantando o Hino de S.a Em.a. seguiam o carro que devagar rodava pela estrada que leva a Porto de Mós. S.a Em.a vendo o sacrifício deste povo e com medo de que viessem a molhar-se, proibiu-lhe que fosse a Porto de Mós que fica a cinco quilómetros, como aliás era vontade do mesmo povo. Obedecendo, nem um só passo mais deu, mas triste e fiel à voz do amor, ajoelhasse, implora uma última bênção do prelado, levanta-lhe vivas, e até nos perdermos de vista, ficam aquelas duzentas pessoas fazendo estrugir no espaço, o hino.
E assim terminou nesta Freguesia a vista de S.a Em.a o sr. Cardeal Patriarca, D. José III, que nos deixou indeléveis recordações e profundas saudades. Em toda a Vigararia o Prelado tem sido sempre bem recebido, e uma nota de solenidade há que, ainda não foi referida, é que em todas as freguesias tem comparecido uma filarmónica, o que tem dado muito realce às recepções.”
A esta minuciosa e brilhante narrativa, ainda faltam acrescentar alguns acontecimentos vividos durante o tempo em que Cardeal Patriarca, D. José III, esteve no Alqueidão da Serra.
Um deles diz respeito a Joana de Jesus Barbeiro que, nesse tempo, era mãe de filhos já crescidos. Tendo adoecido com um forte ataque de gripe, que a deixou de cama, viu-se na aborrecida contingência de não receber o sacramento do Crisma, naquela oportunidade, o que era o mesmo que dizer que tarde ou nunca chegava a crismar-se, dado que as Visitas Pastorais se espaçavam muitíssimo umas das outras.
Lamentou-se a senhora da sua má sorte. E o caso é que a noticia da sua impeditiva doença, juntamente com o sentido pesar da candidata ao Crisma, chegaram aos ouvidos atentos do Senhor Bispo. Nada mais foi preciso para que o Patriarca dispusesse as coisas de forma que se cumprisse o desejo da enferma. Asseguia Castelhana abaixo, ele ai vai, liturgicamente paramentado, ministrar o Sacramento, debaixo de uma chuvinha miudinha, contra o qual nem sequer quis a defesa dum simples guarda-chuva.
Outro acontecimento vai dar mesmo ao Dr. Cruz. O Padre Francisco Rodrigues da Cruz, era este o seu nome completo, chegou ao Alqueidão antes do Cardeal Patriarca, a fim de, com a sua esclarecedora pregação, dar os últimos acabamentos na preparação de toda a gente para os actos em que tomaria parte, mais ou menos directamente.
Pela simplicidade do seu trato, conquistou imediatamente a total simpatia dos homens, com os quais se punha a conversar, no adro, antes dos ensinamentos que dava na igreja.
Neste meio tempo, espalhou-se entre a população a notícia dum facto que aumentou notavelmente a fama das muitas e grandes virtudes do Dr. Cruz, já faladas por todos. Esse facto vinha a ser, que ele tomava banho todas as noites em água fria, durante qualquer estação do ano, como acto de penitência.
As relações entre as partes chegaram a tal ponto, que os homens batalharam tanto com ele para voltar, dentro em breve, a fazer uma missão na Freguesia, que o bondoso sacerdote, em ar de graça, lhes cortou a insistência, dizendo:
– “Tornarei pela água-pé nova.”
Em Novembro, fixaram logo a data, ao que o P.e Cruz, por ver que as suas palavras eram interpretadas rigorosamente à letra, não teve remédio senão diminuir as esperanças, condicionando o regresso de forma pesarosa:
– “Se eu puder.”
Naquele vibrante adeus, de quem se despediria o Povo do Alqueidão? Do Cardeal-Patriarca ou do Padre Cruz?
Até à restauração da diocese de Leiria, foi esta a última vez que a Freguesia recebeu a visita pastoral dum Bispo.
1922
O acontecimento voltou a dar-se quando Leiria voltou à sua antiga dignidade de sede de bispado. Foi no dia 4 de Setembro de 1922, estando o governo da Diocese confiada a D. João Alves Correia da Silva.
O Prelado chegou à sede da Freguesia às 10 horas da manhã, acompanhado por seu secretário, o Padre Augusto de Sousa Maia e pelo Padre José Ferreira de Lacerda, devendo a presença deste atribuir-se à circunstância de viver, no Alqueidão, o Padre Júlio Pereira Roque, seu dedicado companheiro de luta pela restauração do bispado leiriense.
Esperava-o todo o povo, com as irmandades da Freguesia e crianças da primeira comunhão, que eram 110, tendo à frente o Pároco, auxiliado pelos Reverendos Dr. Joaquim Coelho Pereira (Batalha), Agostinho Cristóvão (Alvados), José da Cunha Gomes e José Marques.
Todos os actos da visita foram abrilhantados pela filarmónica dos Marrazes. A descrição pormenorizada e completa deste facto pode ler-se em “O Mensageiro”, de 9 de Setembro de 1922.
O mesmo Prelado ainda visitou a Freguesia mais uma vez, pelo menos. Em obediência às leis eclesiásticas, os Bispos que lhe sucederam têm repetido as visitas de acordo com a evolução da moderna técnica de evangelização.
Esta é uma planta que se adapta a diversos tipos de ambientes e aparece dispersa pelos terrenos não cultivados. Floresce de Maio a Agosto.
Seu nome científico é Silene Vulgaris, mas também é conhecida por erva traqueira ou Bexiga Candelária. No Alqueidão ela tem o nome de “Impichas” e é considerada uma erva daninha, tal como as más línguas.
Curioso é que, segundo a Wikipédia (em espanhol, francês e Italiano), esta planta é comestível e pode ser consumida em cru em saladas, ou usada como ingrediente na confeção de alguns pratos. Por exemplo, as folhas mais velhas são consumidas cozidas, fritas ou refogadas com alho. Também as utilizam na confeção de omeletes e arroz.
Antigamente as crianças nas suas brincadeiras pressionavam estas flores, e o seu rebentamento provocava um ruído a que achavam muita graça. Chamavam-lhe “Berros”.
Diz-se que foi nas imediações da Lagoa de Santa Catarina que apareceram as primeiras casas do Alqueidão.
Nas proximidades da lagoa, existiu em tempos a Capela de Santa Catarina.
Na altura do terramoto de 1755, a capela ainda existia e a ela se refere o padre Sebastião Vaz quando fez o relato dos estragos provocados pelo terramoto:
“Naõ se aRuinou caza alguma nesta minha freguezia, Nem sei que ficaçem em prigo algum. Nem ha mais edefiçios que esta Igreja desta Freguezia, e huma ermida de Santa Catherina, que algum damno teve; mas foi quazi nada so se abriram mais algumas Rachas que tinha nas paredes, que ja mandei Reteficar.”
Também a respeito desta Capela se conta a história do Lavrador da Chaínça, que foi passando de geração em geração.
A imagem da padroeira da Capela (Santa Catarina) também chegou até aos nossos dias.
Há quem diga que existiu um convento junto à capela, mas dele não se conhece qualquer referencia a não ser o facto de alguns terrenos de cultivo nas proximidades da Lagoa serem conhecidos por “Vale das Freiras”.
Uma velha tradição afirma a existência de um cemitério antigo a nascente da Lagoa, em terrenos que foram de Joaquim Sapateiro, e que depois pertenceram a várias pessoas. Em tempos que já lá vão encontraram aí muitos ossos humanos.
O tamanho da Lagoa foi diminuindo ao longo dos anos, e ficou ainda mais pequena com a construção da estrada até à curva da Gateira. Atualmente ela é tão discreta que nos dias quentes de verão já quase não se dá pela sua presença.
A Serra de Aire e Candeeiros é um dos locais privilegiados para observar esta rosa que floresce na primavera.
Atinge os 40 cm de altura, é perene, e cresce por entre as pedras nos locais mais sombrios.
As flores têm entre 8 e 10 cm de diâmetro, os filamentos dos estames são amarelos e têm dois a quatro carpelos penugentos.
Floresce nos meses de Abril a Junho.
Já é um pouco rara porque foi sendo destruído o seu habitat natural. Atualmente a rosa albardeira aparece em menor quantidade na natureza que nos rodeia, no entanto ela muito usada como planta de jardim.
Há quem a conheça por outros nomes, por exemplo: Peónia; Rosa-de-lobo; Rosa-cuca; Erva-casta; Erva-de-santa-rosa.
Conta a lenda que, ao nascer Zeus, a sua mãe, Rhea, fincou as mãos no solo, e desse gesto quase humano brotaram dez seres ardilosos: cinco femininos da mão esquerda, com poderes mágicos, cujos nomes estão ainda hoje no segredo dos deuses; e cinco masculinos da mão direita, hábeis artesãos do ferro. Um deles é Paeonius.
1 – Alqueidão da Serra: Apontamentos para a sua História – de Alfredo de Matos;
2 – A Comarca de Porto de Mós – de Alfredo de Matos;
3 – Dom António Pinheiro – de Alfredo de Matos;
4 – A Escola de Frei José e Frei Manuel da Conceição na Serra de Santo António – de Alfredo de Matos;
5 – Da Pré-História à Actualidade: Monografia de Porto de Mós – de Francisco Furriel;
6 – José da Silva Catarino: Uma Visão para além da Serra – de Nuno Matos
7 – Wikipédia
8 – Jornal “O Portomosense”
9 – Jornal “O Mensageiro”
10 – Tradição Oral