Lagoa do Chão Nogueira

A pequena lagoa cujo diâmetro não deve ultrapassar os 6 metros, situa-se perto da estrada que liga o Alqueidão às Covas Altas.

Era nos terrenos junto a esta lagoa que antigamente a malta se juntava para jogar futebol. Os jogos realizavam-se entre a equipa do Alqueidão, e as equipas dos lugares vizinhos (Bouceiros, São Mamede, Demó, etc.).

As pessoas que vinham dos diversos lugares da freguesia faziam grandes piqueniques junto à lagoa, assistiam aos jogos de futebol e passavam lá as tardes de domingo em alegre convívio.

Surgiu então a ideia de comprar o terreno da Chã para a prática desportiva. Foi por volta do ano de 1942 que os jovens levaram a cabo várias iniciativas, entre as quais representações teatrais, com cujo proveito haveriam de pagar o terreno onde fizeram o Campo da Chã.

 Os terrenos junto à lagoa deixaram de ser frequentados para a prática desportiva, e alguns anos mais tarde foram feitos no local desaterros e movimentos de terras, e foi também alcatroada a estrada. Como consequência a Lagoa passou a ter menos água, e nos meses quentes de verão ela é quase inexistente.

Lagoa do Chão Nogueira

Lagoa do Chão Nogueira em Janeiro de 2014

Lagoa do Chão Nogueira

A Lagoa do Chão Nogueira na Primavera de 2016. Fotografia de 22 de Abril de 2016

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Primeiros Anos da Republica

Foi a 8 de Dezembro de 1912, portanto, mais de dois anos depois da implantação do novo regime em Portugal, que se realizou a primeira manifestação da actividade da política republicana na sede da Freguesia de Alqueidão da Serra. A finalidade desta manifestação foi eleger os corpos dirigentes do Partido Republicano Português.

Para a classe dos efectivos foram nomeados Luís Gaspar da Silva Raposo, Joaquim da Costa Rei, João Carreira, Francisco Vieira Saragoça e Manuel Baptista.

Para suplentes ficaram Francisco Vieira Patrão, Domingos Pereira Brioso (mais conhecido por Santareno), Luís José Meireles e Manuel de Matos Barreiros.

As funções de regedor, neste ano, foram confiadas a João Vieira Padre Nosso como efectivo e a Francisco Vieira Patrão como suplente.

A tomada de posse foi no dia 1 de Janeiro de 1913. Luis Gaspar da Silva Raposo foi nomeado presidente da Comissão Paroquial Republicana. Foi a partir daqui que começaram as confusões e as escaramuças.

O Raposo odiava tudo o que dizia respeito à Igreja. Levou ao extremo a sua perseguição aos padres colocando uma bomba no parapeito da janela do quarto onde dormia o padre Júlio Pereira Rosa e o seu irmão Francisco.

A histórias que ouvimos contar aos nossos avós deixam perceber o medo e a insegurança em que viviam as pessoas do Alqueidão nesta época.

Estávamos em Maio de 1913. Era domingo e já passava das oito da noite.  Já tinha acabado a “Oração” e uma grande parte das pessoas já estavam em casa. Na taberna que ficava  à saída do adro do lado direito da Rua Padre Júlio Pereira Roque é que ficaram alguns homens que ainda resolviam casos pessoais, rematavam seu negócio ou combinavam troca de trabalho para o dia seguinte, enquanto iam bebendo o copito como era velho costume. E tudo corria bem e na melhor harmonia.

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De repente entrou Luís Gaspar da Silva Raposo que começou a repreender e a ameaçar com “porrada”, um dos elementos do grupo, devido ao facto de este ter deixado de o servir, trocando-o por Domingos Carvalho, que era, precisamente, o dono do estabelecimento.

Cresceu o tom ameaçador do Raposo e Domingos Carvalho garantiu-lhe que em sua casa nunca consentiria que ele tocasse no trabalhador em causa. O Raposo saiu porta fora direito a sua casa, que era a dois passos dali, onde foi buscar uma pistola e voltou à taberna onde todos ainda se encontravam. Entrou e deu três tiros à queima-roupa sobre Domingos Carvalho que foi atingido por uma das balas num cotovelo.

Criou-se um enorme alvoroço. Uns retiraram-se cautelosamente, outros socorreram o ferido e procuraram remediar a inesperada situação. Correram para Porto de Mós, mas o estado exigia maiores cuidados. Seguiram de comboio para Lisboa, e no Hospital de S. José foi-lhe diagnosticada uma fractura nos ossos do cotovelo.

Ao Raposo é que não aconteceu nada. Nem uma repreensão do Regedor, nem do Administrador do Concelho, nem nada. Isto apesar de Domingos Carvalho ser membro efectivo da Comissão Municipal Republicana do Concelho.

Às autoridades administrativas do Concelho, não consta que tenha dado qualquer explicação. Também ninguém lha pediu. Teve no entanto o cuidado de ir ao jornal “Povo de Porto de Mós” rectificar o que nele se tinha publicado a respeito do caso. Na versão que fez contou que Domingos Carvalho tentou agredi-lo e ele, para o amedrontar, disparou contra o balcão, e que foi na precipitação da fuga que Domingos Carvalho foi ferido pela bala!…

O criminoso era membro do Partido Republicano Português e Presidente da Comissão Paroquial Republicana. De mais importância que isso, era ele ser quem era, Luís Gaspar da Silva Raposo. Ninguém se atrevia a fazer-lhe nada.

Entretanto, a vítima, radiografado no Hospital de S. José, teve de sofrer a operação para lhe tirarem a bala e comporem a fractura resultante do tiro. Ficou na enfermaria de S. João Baptista do referido Hospital, durante algumas semanas.

Entretanto, a 22 de Maio deste ano de 1913, Luis Gaspar da Silva Raposo baptizou “civilmente” um filho, oferecendo aos amigos um grande jantar que terminou com vivas entusiásticos ao Partido Democrático, “à nossa querida República” e a Afonso Costa! A criança chamou-se Joaquim e foi a primeira nascida no Alqueidão, afectada de mongolismo.

Os habitantes do Alqueidão viviam em constante sobressalto. Corria ainda o ano de 1913 quando a filha de Domingos Carvalho encontrou uma bomba no palheiro quando foi dar de comer aos animais. No mesmo saco onde estava a bomba havia um papel que parecia ser um esquema de uma bomba, e uma carta com os dizeres “para dar cabo dos malandros dos republicanos”, além de outras palavras muito comprometedores para várias pessoas da terra.

Sobre este assunto, as pessoas honestas da terra formaram a opinião de que se tratava de criminosa aldrabice para excitar os ânimos dos Republicanos contra os Monárquicos. Toda a gente sabia que os Monárquicos locais não faziam mal a uma mosca.

Chamadas as autoridades, houve buscas na casa de Luís Gaspar da Silva Raposo, cuja esposa teve que prestar declarações. Além de Domingos Carvalho, foram ainda chamados a prestar declarações, o P.e Joaquim Vieira da Rosa, prior da Freguesia, o P.e António Vieira da Rosa, o presidente da Junta José Vieira da Rosa e sua mulher. Nada se apurou.

Luis Gaspar da Silva Raposo foi, em 22 de Março de 1919, nomeado presidente da Comissão Administrativa que substituiu a Junta de Freguesia de Alqueidão da Serra por força do Decreto 3738, e do Alvará do Governador Civil de Leiria datado de 19 de Março de 1919. Aproveitando as suas novas funções tomou posse de alguns terrenos particulares informando que seriam para a Junta, facto que nunca se verificou, e apoderou-se também dos prédios que pertenciam à Igreja que foram posteriormente vendidos em hasta pública.

Terminado o mandato da Comissão Administrativa em 19 de Julho de 1919, foi António Vieira da Rosa nomeado presidente da Junta de Freguesia.

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Dia de Reis

O Dia de Reis é celebrado anualmente a 6 de Janeiro. Este dia é também conhecido como a Festa da Epifania.

A Epifania é uma celebração católica que está associada à quadra natalícia, recorda os três magos vindos do oriente que visitaram o Menino Jesus na noite de 5 para 6 de Janeiro. Jesus Cristo, o filho do Criador dá-se a conhecer ao Mundo.

Os três reis magos chamavam-se Belchior, Baltazar e Gaspar e levaram de presente ao Menino Jesus, incenso, mirra e ouro.

Neste dia as famílias voltam a reunir-se para celebrar o fim dos festejos do Natal. Os alimentos da Noite de Reis são o bacalhau com batatas, bolo-rei, pão-de-lo, rabanadas, sonhos, e outros doces próprios do Natal.

É também altura de cantar as Janeiras. O cântico das Janeiras começa no dia seguinte ao Natal e prolonga-se até ao dia de Reis.

Logo depois do Dia de Reis as famílias começam a retirar os enfeites de Natal que decoram as casas durante a época de Natal.

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Devoção ao Menino Jesus

A devoção ao Santíssimo Nome de Jesus foi pregada e difundida por São Bernardino de Sena e pelos Franciscanos.

Em Camaiore di Luca, na Itália, começou a celebrar-se a festa depois de aprovada para a Ordem dos Franciscanos em 1530, e posteriormente sob o pontificado de Inocêncio XIII (1721) foi estendida a toda a Igreja.

O próprio Deus revelou o Nome que devia ser dado ao Verbo Encarnado, para significar a sua missão de Salvador do género humano. O SS. Nome de Jesus é um nome grande e eterno, vitorioso e misericordioso, o único que nos pode salvar. É alegria para o coração… “Ilumina, conforta e nutre; é luz, remédio e alimento” (S. Bernardo).

“Jesus é o mais fiel amigo da alma; é o benfeitor mais generoso, que por ela se imola sobre o altar, por ela entrega-se sem reservas e se oferece em alimento e sustento. É o advogado mais poderoso, que cuida incessantemente de seus interesses junto do Pai; é “título de eterna predestinação””. (Missal Romano)

Por altura do Natal, no espaço de tempo compreendido entre o dia de Natal e o dia de Reis, no fim das missas de Domingo no Alqueidão o sacerdote dá a beijar a imagem do Menino Jesus.

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Adoração ao Menino
 
Cantemos com alegria
Não temos que recear
Nasceu-nos hoje o Messias
O Deus que nos vem salvar.
 
Eu vos adoro Menino
Filho de Deus humanado
Que da Virgem fostes nado
Por minha culpa, por minha culpa e pecado.
 
Eis Jesus recém nascido,
O Ungido do Senhor,
Eis a promessa de Deus,
Eis o nosso Redentor.
 
Nasceu numa pobre gruta,
No meio dos animais,
O Deus do Céu e da Terra
Que vem trazer-nos a paz.
 
Numa humilde manjedoura,
Em noite de denso véu,
De nascer não se desdoura
O Rei da Terra e do Céu.
 
Fez-se pobre com os pobres,
C’os pequenos pequenino,
Para a todos tornar nobres
Quis partilhar seu destino
 
Os tristes têm conforto,
Os humildes protector,
Os pobrezinhos um pai
E o mundo um Salvador.
 
Colhei florinhas do Campo
Trazei-Lhe prendas de amor,
Vinde cantar o Bendito
Ao Divino Redentor.
 
Alegrem-se os céus e a terra
 
Alegrem-se os céu e a terra,
cantemos com alegria,
que já nasceu o menino,
filho da Virgem Maria.
 
Ó meu Menino Jesus,
ó meu Menino tão belo,
logo vieste nascer
na noite do caramelo.
 
Entrai, pastores, entrai
por este portal Sagrado.
Vinde adorar o menino
numas palhinhas deitado.
 
Pastorinhos do deserto
todos correm para o ver
trazem mil e um presentes
para o menino comer.
 
O meu Menino Jesus
convosco é que eu estou bem
nada deste mundo quero
nada me parece bem
 
Alegrem-se o céu e a terra
cantemos com alegria
já nasceu o Deus Menino
filho da Virgem Maria
 
Deus menino já nasceu
andai ver o rei dos reis
ele é quem governa o céu
quer que vós o adoreis
 
Ó meu menino Jesus
que lindo amor perfeito
se vem muito cansadinho
vem descansar em meu peito.
 

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1 de Janeiro

Antigamente no dia 1 de Janeiro de cada ano tinha lugar a festa em honra de São Silvestre, na Capela de Nossa Senhora da Tojeirinha, à volta da qual os animais eram levados para darem 3 voltas à Capela e depois eram benzidos pelo pároco da freguesia, numa cerimónia solene no exterior da Capela. Seguia-se a tradicional venda de pinhões.

Durante todo o ano, os animais eram uma preciosa ajuda nos trabalhos do campo. Os bois puxavam o arado na altura de lavrar a terra, e em muitos outros trabalhos.

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Os burros carregavam todo o tipo de produtos da terra, alfaias agrícolas, água, pessoas, e ainda faziam a debulha, dando voltas e mais voltas na eira até se separar a palha dos cereais.

Como não existiam estradas de acesso aos campos agrícolas, e alguns deles situavam-se bem longe da aldeia, os burros circulavam facilmente por qualquer caminho.

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Ir à Capela de Nossa Senhora da Tojeirinha benzer os animais no ínicio de cada ano, era uma tradição com grande significado para as pessoas da aldeia.

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Aos poucos a força dos animais foi sendo substituída por máquinas e os animais deixaram de ser necessários para os trabalhos agrícolas, que também foram diminuindo, uma vez que as pessoas se dedicaram a outras actividades. No entanto a tradição mantêm-se até aos dias de hoje.

Neste novo ano de 2014 a santa missa do dia 1 de Janeiro foi celebrada pelo padre José Frazão Correia e pelo Padre Manuel. Na homilia o Padre Frazão salientou que Deus quis nascer como qualquer um de nós para poder estar presente nas nossas coisas, e que não é preciso abandonar nada para estar perto de Deus. Ele está na nossa família, no nosso trabalho e nas coisas que usamos todos os dias.

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Logo de seguida se organizou a tradicional procissão até à Capela de Nossa Senhora da Tojeirinha, onde o sacerdote invocou a benção de Deus para toda a Natureza e para as pessoas presentes.

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Seguiu-se a tradicional venda dos pinhões.

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