Britadeiras

Uma das características desta região do país, é a abundância de pedra na natureza que nos rodeia.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Para além das várias explorações de pedreiras, existem ainda no Alqueidão duas britadeiras. A mais antiga, no Penedo Grande, está desactivada desde a década de 80. Nos últimos anos de laboração toda a sua produção foi absorvida pelas obras do Porto de Abrigo da Nazaré, que ficou concluído em 1985. Era explorada por Rui da Cunha Carvalho, dos Marrazes.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Continua em laboração uma britadeira explorada por Manuel Gomes António, (MGA Agregados, Lda) que produz brita que é utilizada na construção de estradas, auto-estradas e edifícios.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Publicado em Actividade Económica | Etiquetas | Deixe um comentário

3 de Novembro

2013

Sendo este o primeiro domingo depois do dia de Fieis Defuntos (que se celebra a 2 de Novembro), como é da tradição foi celebrada a Missa de Finados às 15 horas, seguindo-se a romagem ao cemitério local. No largo junto aos portões o padre Manuel Vitor orientou a oração pelos defuntos.

DSCN1652

Quem estava no cemitério não pode deixar de reparar no fumo lá para os lados da fonte. Foi com surpresa e muita tristeza que receberam a noticia que já tinham sido chamados os bombeiros, e que o antigo lavadouro tinha ardido.

Este slideshow necessita de JavaScript.

O Pão por Deus

Devido ao facto de o  Dia de todos os Santos ter deixado de ser feriado, foi neste primeiro domingo depois do dia 1 de Novembro, que as crianças percorreram as ruas da aldeia pedindo o Pão por Deus.

A Junta de Freguesia tinha preparado para este dia um pequeno convívio, pelo que terminadas as cerimónias religiosas do dia, os que quiseram comparecer, pararam na sede da Junta para um agradável lanchinho, onde não faltaram as saborosas merendeiras dos Santos entre outros bolinhos, os tremoços e as pevides e variadas bebidas.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Publicado em Datas com História | Deixe um comentário

Trabalho no Campo

Nos anos 60 a emigração em Portugal cresceu de uma forma extraordinaria. No ano de 1966 saíram de Portugal 120.239 pessoas. Os principais destinos eram a França, Canadá, Alemanha, Venezuela.

Os fatores que determinaram esta emigração massiva foram: a crise do setor agrícola, a total incapacidade dos outros setores económicos absorverem a população rural que abandonava os campos, a Guerra Colonial e a repressão política. Muitos dos habitantes do Alqueidão da Serra emigraram nesta altura.

alqueidao

Os poucos terrenos bons para cultivar que existiam no Alqueidão e a falta de indústrias locais e nos arredores, provocavam na Freguesia crises periódicas de falta de trabalho para as quais as pessoas procuravam soluções, não hesitando perante as dificuldades e os sacrifícios que isto lhes exigisse, ao longo de todo o ano.

Feitas as sementeiras dos seus próprios “bocaditos”o trabalhador rural ocupava-se a servir os outros enquanto eles tinham que lhes dar a fazer.

Durante os primeiros três ou quatro meses do ano, a mão-de-obra local ia-se remediando sem precisar de sair da terra.

Fazia-se a sementeira do trigo e de outros cereais de pragana, a  fava e o milho. A seguir era a altura de fazer a poda e a empa das vinhas, a plantação da batata, etc.

Nisto, chegava-se a cava das vinhas, e como isto era serviço que não se podia adiar, especialmente se o tempo se apresentava com o sol primaveril, os vinhateiros da Ribeira, da Batalha, da Azóia etc, viam-se na estrema necessidade urgente de contratar braços de fora. O pessoal do Alqueidão era sempre contratado para estas cavas.

Depois desta quadra, aproximava-se a altura de cada um pensar em sair. Sair, neste caso, significava procurar trabalho fora da terra.

Em geral, esta saltada obrigatória fazia-se para o velho e conhecido termo de Lisboa. Gente honesta, trabalhadora, ordeira e que facilmente se adaptava às mais desencontradas tarefas, respeitadora e dedicada aos patrões, facilmente encontravam trabalho.

Ceifa

Ceifavam rijamente para donos de fazendas onde já seus avós e pais tinham trabalhado. Feno ou cereal de pragana, tanto fazia.

Depois da ceifa faziam a debulha. Depois desta, servia qualquer ocupação que aparecesse, tanto podia ser a rebentar pedra numa pedreira, como a colocá-la na berma de uma estrada ou a carregá-la no transporte, a regar ou a compor os canteiros dum jardim. Eram meses de trabalho doido e constante para ganhar alguns tostões.

procissão7A aproximação do mês de Setembro era um chamariz de voz irresistível. Chegava a festa de Nossa Senhora (que se fazia nesta altura sempre no primeiro domingo do mês de Setembro) e não havia quem se segurasse lá por terras longínquas. O alqueidanense que se visse amarrado por força de um contrato, arranjava sempre maneira de ter dois ou três dias de folga para estar presente nas festividades em honra de Nossa Senhora.

Logo a seguir chegava o tempo das vindimas, e pelos arredores, Bombarral, Torres Vedras, Matacães, etc. espalhavam-se homens e mulheres, rapazes e raparigas disponíveis para o serviço. E muitos chegavam cá ainda a tempo de cortarem as suas próprias uvas de fazer o vinho e a água-pé.

Verdadeiramente característica era a ida para a apanha da azeitona.

Aí pelos “Santos”, em dia e sítio combinado, juntavam-se os componentes dos “ranchos” falados com antecedência pelos encarregados da organização dos mesmos. Dali partiam, serra fora para os seus destinos: Bairro, Gouxaria, Covão do Feto e Serra de Santo António, principalmente.

Apesar das combinações quanto ao local e hora de partida, havia sempre a convocação pública. Esta era feita pelo toque daqueles búzios que o mar deita para a praia. Na falta destes, um canudo de cana também servia. O som provocado pelo sopro vigoroso de fortes e arejados pulmões espalhava-se pela aldeia toda.

Na parte da manhã do dia combinado para a saída, sempre ao domingo, o ritmo dos toques era calmo e lento. Depois do jantar voltava à carga, mas um pouco mais esperto. Quando se aproximava a hora da partida, aumentava a cadência e diminuía o espaço entre os toques.

O “tuu-tuu-tu-tu” inicial, fundia-se num só “tuuuuuuuuuuuuu” a que ninguém se atrevia a desobedecer. De todos os cantos iam saindo homens ou rapazes, de longa vara às costas e de mulheres ou raparigas com a cesta de vime enfiada no braço. Iam estar fora umas semanitas.

Finalmente juntos lá partiam à ordem do responsável pelo “rancho”. À frente seguiam  os burros carregados com roupa de cama e de vestuário, e também comida: pão, batata, carne, etc.

Atrás iam todos os elementos do “rancho” (incluindo a pessoa responsável pela volta dos animais) tropeçando nas pedras do caminho que, apesar das milhentas promessas de políticos, só muitos anos depois veio a ser estrada, aberta por iniciativa do Major e pelo trabalho de muitos, e o sacrifício de todos.

O silêncio era norma imposta pelas várias circunstâncias da partida. No meio dele imperava o som do búzio que, tendo-se calado para que o responsável do rancho dissesse o habitual “vamos lá com Deus”, voltara ao ritmo da toada inicial. O som era cada vez mais abafado à medida que se afastava da aldeia.

Cá em baixo, ficava-se a ver o “rancho” enquanto fosse possível acompanhá-lo com a vista e com o ouvido. Era no Penedo Grande, quando ele estropia, que o búzio deixava de se ouvir.

Todos seguiam com trabalho garantido e patrão certo. Acompanhava-os o palpite do tempo em que regressariam.

Uma regalia que nenhum rancho dispensava era o fornecimento de casa para dormir e condições para a confecção da comida. Pomposamente chamavam-lhe “Quartel”. Constava de quatro paredes mal rebocadas às vezes, cobertas sempre com telha vã. Havia sempre uma camada de palha ou de feno espalhada sobre as tábuas do soalho, onde cada um podia estender suas mantas.

Para efeitos de pagamento, havia duas modalidades de jorna: a seco ou com a comida incluída. Em qualquer dos casos havia sempre fornecimento do “Quartel”.

Todos iam pela última (com a comida incluída). Dentro desta modalidade, cada homem tinha direito a uma quarta de feijão e a certa porção de azeite, por semana. A ração das mulheres ou raparigas era metade. Havia patrões que manifestavam o seu apreço pelo pessoal oferecendo, de vez em quando, hortaliças.

A lenha necessária ao funcionamento da cozinha, tanto na parte de cozedura da comida como na do aquecimento ao borralho, também era um encargo da entidade patronal.

A vida no “Quartel” regia-se por normas que todos respeitavam. A cozinheira era escolhida entre as mulheres do “rancho”. Não precisava ela de ter grandes conhecimentos da matéria uma vez que a ementa era pouquíssimo variada.

A primeira refeição, o almoço, constava, salvo muito poucas excepções, de feijão guisado sabendo a loiro, com umas óptimas sopas de pão caseiro.

A segunda refeição, o jantar, era por volta do meio-dia. Entrava nela aquilo que por comum acordo se escolhesse. Embora fossem diversos os participantes, a comida era igual para todos em qualidade e quantidade.

Preparando esta refeição, a cozinheira tinha de fazer as coisas de forma a que sobrasse para a ceia. Antes de se deitar deixava preparado o almoço no dia seguinte. Este era ajeitado oportunamente pelas outras companheiras, uma das quais se levantava mais cedo, por escala, a fim de o aquecer e distribuir a tempo.

Na parte da tarde, a cozinheira, depois de lavada a loiça e arrumado o pequeno trem da cozinha, era obrigada a ir ter com o “rancho”, para colaborar no serviço da apanha.

A distribuição da comida tinha seus preceitos. Como os homens, por regra, são de mais alimento que as mulheres, juntava-se um homem e uma mulher quando se tratava de dividir os alimentos. Deste modo, cada homem tinha sua “mulher” na sociedade do prato, que era comum aos dois membros do improvisado “casal”.

Era da competência da cozinheira a distribuição das refeições e do conduto ou tempero, quando havia caso disso. Para lhe evitar complicações, se o tempero se fazia com azeite, sabiam todos o que lhes competia, visto que desde o princípio, ficava assente o número de voltas azeitadoras que a almotolia tinha que dar ao prato, deitando o fio de azeite sobre os alimentos do dia.

Se havia lugar para reclamação, só o responsável pelo “rancho” podia tomar conhecimento dela em ordem à sua resolução.

À noite, depois da ceia, uns faziam serão no “Quartel”, conversando sobre o trabalho feito e a programar o de amanhã ou lembrando cenas e gente do passado. Assim passavam as horas à luz mortiça da candeia de azeite, que era preciso espevitar de vez em quando puxando-lhe a torcida com um graveto ou com um gancho da trança de uma rapariga.

Outros jogavam à bisca utilizando cartas velhas que mantinham certa capacidade de uso graças ao poder da sujidade acumulada em anos sucessivos.

As raparigas aproveitavam o tempo ajeitando alguma peça de enxoval, quando não era a coser a rasgadela da saia ou da blusa feita pelo graveto de oliveira ou pelo bico de alguma silva..

Uma vez por outra, armava-se bailarico. E toda a minha gente dançava. Se não houvesse “harmónico” nem  realejo, remediava o assobio. Acontecia às vezes, com licença do organizador e responsável pelo “rancho”, irem até ao “quartel” mais vizinho ou mais amigo, e lá ficavam a dançar até às tantas.

Depois é que era o diabo. Quando regressavam à Freguesia, rapazes e raparigas tinham que ouvir o Senhor Prior, uma data de domingos a fio, a moer-lhes os ouvidos, na homilia da missa dominical, falando contra os bailes, e recomendando a ida à confissão. Mas, quem se lembrava destes amargos de boca, quando era na altura de dar ao chinelo?!…

Os “ranchos” da azeitona acabaram em consequência da profunda e vasta modificação das condições sociais. Os incontáveis estragos causados pela Grande Guerra e os avanços do progresso converteram-se num chamariz de emigrantes.

Os braços que rompiam os poisios e que lavravam as terras de semeadura, passaram-se, legalmente ou “a salto”para França, Alemanha, Canadá e muitos outros países, tendo em vista a melhoria das suas condições financeiras. E há que reconhecer que os novos horizontes foram notavelmente propícios à grande maioria dos que se candidataram a padecer todos os sacrifícios.

No Alqueidão as raparigas passaram a ter ocupação certa nas muitas e progressivas fábricas de Mira de Aire e de Minde, onde conseguiram o salário com que jamais tinham sonhado. Os homens passaram a dedicar-se à exploração de pedreiras produzindo pedra para o mercado nacional e também  para o mercado externo.

Caixas de Pedra Pedra

Nos tempos que vão correndo, a pedra deixou de ter tanta procura e começou a ficar amontoada nas pedreiras. A maior parte dos exploradores tiveram que encerrar a sua actividade devido ao aumento dos custos de exploração aliada à falta de clientes. E de novo o pessoal teve que emigrar.

Actualmente regista-se em Portugal um surto migratório superior ao que ocorreu nos anos 60. De acordo com os dados das Estatísticas Demográficas do INE, em 2012 abandonaram Portugal 121.418 pessoas. Os destinos principais de quem sai continua a ser a Europa, com destaque para França, Luxemburgo, Suíça e Reino Unido. A seguir a estes 4 países, Angola é o destino mais procurado.

Publicado em Costumes e Tradições | 1 Comentário

1 de Novembro

1755

O terramoto fez-se sentir na manhã de 1 de Novembro. O epicentro foi no mar, entre 150 a 500 quilómetros a sudoeste de Lisboa.  A magnitude pode ter atingido 9 na escala Richter.

Os abalos causaram  fissuras enormes de que ainda hoje há vestígios em Lisboa. O tsunami, que se seguiu (supõe-se que possa ter atingido pelo menos seis metros de altura), fez submergir o porto e o centro da cidade, as águas penetraram até Campo de Ourique. Nas áreas que não foram afectadas pelo tsunami, o fogo alastrou e os incêndios duraram pelo menos cinco dias.

Todo o sul de Portugal, sobretudo o Algarve, foi atingido e a destruição foi generalizada.  As ondas de choque do sismo foram sentidas por toda a Europa e norte da África.

O que se passou no Alqueidão da Serra, foi relatado pelo pároco da freguesia, que na altura era o padre Sebastião Vaz, que respondeu a um questionário que lhe tinha sido enviado pelo Senhor Bispo de Leiria,  sobre os estragos provocados pelo terramoto na freguesia:

1 – A que horas principiou o Terremoto do primeiro de Novembro, e que tempo durou?

 – Pellas nove horas e hum quarto da manhan pouco mais ou menos principeava, e se percebeo nesta freguesia o primeiro Terremoto do primeiro de Novembro de 1755; e estando eu no conficionario tanto que percebi o que hera, e vendo concorrer a gente para a Igreja que pouca ficou que não fugisse a ella vendo a todas as pessoas em altas vozes pedindo a Deus Nosso Senhor Mizericordia asendi a sera no Altar abri a porta do Sacrario, e diçe a todos fizeçem o acto de contrição, e os absolvi, e hum Sacerdote que tambem estava diçe que me absolvesse, e tendo assim o Sacrario principiamos a Rezar alguns preses e oraçois huns Rezando ou pedindo Mizericordia que sertamente ninguem cuidou senão que hera o ultimo dia da vida para o Mundo todo; e neste tempo me chamaram para hum Sacramento e pella preça com que fui não pude julgar o tempo que duraria o Terremoto; Mas sempre julguei que seria sinco minutos pouco mais ou menos.

2 – Se se percebeu, que fosse maior o impulso de huma parte, que da outra, v.g. do Norte para o Sul, ou pelo contrario, e se parece, que cahirão mais ruinas para huma, que para outra parte?

– No tempo que estive na Igreja reparei que o impulsso seria maior da parte do Poente para o Nascente, por ver hum banco, que estava junto a mim, que se lavantava da parte do Poente para a parte do Nascente, e tambem alguas vezes se levantava do Nascente para a parte do Poente, mas não era com tanta forsa. Esta Igreja teve sua Ruina para a parte do Nascente, que ficou para ahi a parede inclinada, ao que já mandei acudir do modo possivel.

3 – Que numero de cazas arruinaria em cada Freguezia, se havia nella edificios notaveis e o estado, em que ficarão?

– Não se aRuinou caza alguma nesta minha freguezia. Nem sei que ficaçem em prigo algum, nem ha mais edefiçios, que esta Igreja, desta Feguezia, e huma ermida de Santa Catherina, que algum damno teve; mas foi quazi nada so se abrirão mais humas rachas que tinha nas paredes, que ja mandei Reteficar.

4 – Que pessoas morrerão, se algumas erão distintas?

– Não tenho que dizer neste Capitulo.

5 – Que novidade se vio no mar, nas fontes, e nos rios?

– A fonte ficou nella a agoa muito suja, de tal maneira que forão algumas pessoas para a buscar, e não a quizerão trazer e huma pessoa me dice que não corria como dantes.

6 – Se a maré vazou primeiro, ou encheu? Quantos palmos cresceu mais do ordinario? Quantas vezes se percebeu o fluxo, e refluxo extraordinario? Se se reparou no tempo que gastava em baxar a agoa, e quanto em tornar a encher?

– Tambem não tenho que dizer neste Capitulo.

7 – Se abrio a Terra algumas boccas, o que nellas se notou, e se rebentou alguma fonte de novo?

– Nem tambem neste.

8 – Que providências se derão immediatamente em cada lugar pelo Ecclesiastico, pelos Militares, e pelos Ministros?

– Logo, que se acabou o primeiro Terremoto fui fazer doutrina a meus freguezes; e estando á ela veio o segundo Terremoto, e logo sem mais demoras, eu, e os mais Sacerdotes que prezentes estavão fomos em procição cantando o terço de Nossa Senhora para huma Ermida da mesma Senhora com o titulo de Togeirinha que está neste lugar, mas na freguesia de S. João de Porto de Mos e se continuou por nove dias continuos os quais acabados se principiou outra novena ao Senhor S. Jose, e no fim sua festa com dois Sermois manhan e tarde, e huma procição com seus Endores, que não se fez ainda outra nesta freguezia semelhante, e passados quinze dias, se tornou a Repetir outra festa ao mesmo Senhor S. Jose Orago desta Freguezia; as devoçõis vam continuando, ás Ave Marias, Terço de Maria Santissima, e ao dipois Terço do Santissimo, como ja dantes se fazia; queira Nossa Senhora que não se enfade a gente.

9 – Que Terremotos tem repetido depois do primeiro de Novembro, em que tempo, e que damno tem feito? Se há memoria de que em algum tempo houvesse Terremoto, e que danmo fez em cada lugar?

– Haverá pouco mais ou menos vinte annos me dice hum clerigo que estando hum dia de noite estudando, sentira hum grande tremor de terra, e me perguntou se sentira eu; porque, tamburetes e menza aonde elle estava fizera grande movimento, e que tivera munto grande medo.

10 – Que numero de Pessoas tem cada huma Freguezia declarando se poder ser, quantas há de diferente Sexo?

– As pessoas que há nesta Freguezia do masculino sexo sam cento, e vinte, e nove, e do sexo feminino, cento, e quorenta.

11 – Se se experimentou alguma falta de mantimentos?

– Neste não tenho que dizer.

12 – Se houve incendio, que tempo durou, e que damno fez?

– Tambem neste não há que dizer.

E isto he o que soube ter suçedido nesta Freguezia de S. Jozé do Alqueidão da Serra deste Bispado de Leiria.

Menor Subdito de Vossa Excellencia Reverendissima

O Cura Sebastiam Vaz”

Arquivo Nacional da Torre do Tombo (ANTT), “Ministério do Reino”, maço 638
 

https://youtu.be/fKigEJj3iVI

Publicado em Datas com História | 2 comentários

O Dia de Todos os Santos

Celebra-se a 1 de Novembro.  A festa do dia de Todos os Santos é celebrada em honra de todos os santos e mártires, conhecidos ou não.

Tudo começou no final do segundo século, quando os cristãos começaram a honrar os que tinham sido martirizados por causa da sua fé e, achando que eles já estavam com Cristo no céu, rezavam para que eles intercedessem a seu favor.

O Papa Gregório III (731-741 DC) dedicou uma capela em Roma a todos os santos e ordenou que eles fossem homenageados no dia 1.° de novembro. Posteriormente o Papa Gregório IV (835 DC) declarou o Dia de Todos os Santos uma festa universal.

Segundo o ensinamento da Igreja, a intenção desta celebração que tem lugar em todo o mundo, é o chamamento de Cristo a cada pessoa para O seguir e ser santo. Isto faz entender que são inúmeros os potenciais santos que não são conhecidos. Todos são chamados à santidade: “Sede perfeitos, como o vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5, 48).

A data em que ocorreu o grande terramoto de 1755 que destruiu a cidade de Lisboa, coincidiu com o Dia de Todos os Santos. A população ficou a viver com enormes dificuldades, e por isso, no dia em que se cumpria o primeiro aniversário do terramoto resolveram fazer um peditório por toda a cidade, com a intenção de minimizar a situação em que ficaram. Este foi o início de uma tradição que se mantém até aos dias de hoje (o pão por Deus).

Ao longo do dia 1 de Novembro é costume visitar os cemitérios para deixar ramos de flores e velas nas campas, como preparação para o dia dos Fiéis Defuntos que se celebra a 2 de Novembro.

DSC09798

No Alqueidão a celebração de finados ocorre no domingo seguinte ao dia 2 de Novembro. No final desta celebração é feita a romagem ao cemitério.

O Més de Novembro é dedicado às Almas do purgatório. Os cristãos acreditam que as almas podem ser aliviadas (libertadas dos seus pecados), através das orações dos fiéis vivos.

Publicado em Festas Tradicionais | Deixe um comentário