Espinheiro Alvar

O nome cientifico é  Crataegos. Também é conhecido por Pirliteiro.

No Alqueidão chamamos-lhe espinheira.

Este arbusto de folha caduca, existe em todo o território português. Tem de altura cerca de 4 metros, e uma longevidade que pode atingir os 500 anos.

É um arbusto de copa arredondada, cujos ramos possuem espinhos longos e aguçados, dispostos nas axilas das folhas.

O tronco é liso e acinzentado. As folhas são simples, ovadas, verde-escuras. A floração ocorre nos meses de março, abril, maio, e a maturação dos frutos em agosto, setembro e outubro.

Usos e costumes

  • Com interesse ornamental.
  • Em certos países os frutos são usados na preparação de bebidas alcoólicas.
  • Pode ser usado como porta-enxerto de pereira.
  • Utiliza-se para formar sebes espinhosas resistindo bem às podas.
  • Recomendada para zonas urbanas poluídas e zonas litorais.

 Propriedades Terapeuticas

Regulariza os batimentos cardíacos, normaliza o fluxo sanguíneo, combate a hipertensão e acalma o sistema nervoso central e o simpático.

Esta é sem dúvida a planta certa para tratar de insônia ligada a desregulação cardio-vascular (palpitações, dor torácica, mal-estar, etc.).

Na Culinária

As bonitas folhas recortadas do espinheiro-alvar, semelhantes às folhas do carvalho, ficam muito bonitas na decoração das saladas de cenoura ou beterraba. As folhas têm um sabor muito leve e delicado e também combinam bem com salada de batata.

Vinho de Bagas de Espinheira

  • 2 quilos de Bagas, 1 limão, 2 laranjas, 1quilo de açucar amarelo, 5 litros de água a ferver, fermento;
  • Colocar as Bagas numa bacia e deitar-lhe em cima água a ferver;
  • Tapar e deixar ficar durante uma semana, mexendo todos os dias;
  • Passada uma semana retirar as bagas e coar;
  • Juntar então ao líquido o açucar préviamente derretido com um pouco de água.
  • Uma vez arrefecida a mistura, junta-se o fermento.
  • Tapa-se novamente e deixa-se repousar 24 horas
  • Passadas 24 horas tranfere-se a mistura para um recepiente próprio de fermentação de vinho.

Marmelada de Bagas de Espinheira

  • 1 quilo de Bagas, sumo de um limão, 1/5 litro de água, açucar.
  • Retirar todos os ramos;
  • Colocar as Bagas numa panela com a água e o sumo de limão;
  • Ferver em lume brando durante 45 minutos;
  • Retirar do lume e deixar a coar durante a noite;
  • No dia seguinte retirar a polpa, pesar o líquido e calcular 450 gramos de açucar para cada 1/5 litro de sumo;
  • Levar de novo ao lume e deixar ferver até atingir uma consistência sólida;
  • Verter em recepientes. Ao arrefecer terá a consitência da marmelada.
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Carreirancha

CARREIRANCHA, palavra formada pela união, do substantivo “carreira” e do adjectivo “ancha”.

Carreira é um caminho de carro. Ancha, é um adjectivo que actualmente não se emprega, mas que quer dizer “largo” ou “espaçoso”.

Da junção destes dois elementos numa só palavra, surge “carreirancha”, que abre diante de nós uma passagem folgada, livre e larga, uma carreira ancha ou um caminho espaçoso que, se dava para carros, melhor servia para gente e gados.

Assim nasceu a Carreirancha, palavra formada pelo povo, que no palavreado do seu dia-a-dia foi juntado os dois elementos: carreir ancha.

No Alqueidão, existem ainda, a Carreira da Serra, de razoável largura, e a Carreirinha, palavra cujo último elemento, o sufixo “inha”, está mesmo a falar dum encurtamento de tamanho, neste caso da largura.

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Fornecos

FORNECOS. Por este nome se conhece o lanço de terreno situado do lado direito de quem vai para Leiria, o qual principia quando se acentua o declive da estrada.

Sendo uma área que abrange milhares de metros quadrados não há marcos a dividir. Termina, onde começa a zona do Barreiro da Laija, na parte do Norte, sendo irrealizável determinar a estrema pelo Nascente.

  • E porquê Fornecos?

A palavra deriva de dois elementos: “forno” a que se liga o sufixo “eco”, depois de suprimido o “o” final do primeiro.

A primeira parte escusa qualquer explicação. Naquela zona existiam alguns dos fornos em que no Alqueidão se cozia a deliciosa broa amarela e o pão branco e fofo. Quanto ao sufixo “eco”, ele usa-se com muita frequência no Alqueidão.

Emprega-se como depreciativo e como diminutivo. Fala-se num “almoceco” se a comida ainda deixou um buraquito no estômago, diz-se um “burreco” se o jerico é fraco ou pequeno ou uma “chuveca” se, quando se sente a falta de água, a chuva pouco mais fez que apagar a poeira.

“Forneco” tem de ser inevitavelmente um forno pequeno. O tempo encarregou-se de provar que o nome tinha correspondência com a realidade, pondo à luz do sol um “forneco.”

Quem o achou foi João Vieira Pedro, ou João Gancho, da Carreirancha. Amanhava ele uma propriedade sua, por sinal, a razoável distância dos Fornecos propriamente ditos, visto que é no sitio da Cumeira.

Num ponto dessa fazenda que nunca tinha sido cavado, a certa altura dos trabalhos as pontas da enxada batem e soa a oco. Na segunda cavadela a enxada traz à superfície algo que tinha um aspecto diferente do resto do terreno.

Com isto decidiu-se a arrancar a parte superior, escava em redor, e começa a aparecer uma coisa em forma de abóbora. Continua a desenterrar a construção, e o que se lhe depara é um forno como os da serventia doméstica, com a diferença de ser muito mais maneirinho.

Alvoraçado com tão inesperada surpresa e já na insofrida ânsia de se ver na posse de alguma panela de libras ou de tesouro que talvez as Moiras ali tivessem escondido, trata de ver o que haveria sob aquela abobadada estrutura.

E consegue-o facilmente, mas nem lhe passou pela cabeça a importância do achado relativamente ao passado histórico ou lendário do Alqueidão.

Em pouco tempo, do forneco, existia o local; e por ali perto, o que se via eram restos de peças que entraram na sua construção, diversamente fracturadas.

Tratava-se de pedaços de greda e de barro avermelhado, em diversos feitios e com espessuras diferentes.

Resulta daqui que o forneco não foi estudado por nenhuma entidade competente nem sequer fotografado por simples curioso, e dentro dele não se encontrava nenhum tesouro escondido.

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A Matança do Porco

No Alqueidão da Serra, nos anos anteriores a 1960, a população dedicava-se à agricultura e à criação de gado. Toda a gente criava o seu porquinho, com único objectivo  do aproveitamento da carne. 

Uma das características do porco é ser de boa boca e comer tudo o que lhe é colocado à frente. Por esse motivo, davam-se-lhe todos os restos de legumes, maçãs, beterrabas, restos de comida confeccionada, etc.

Toda a vida do porco era passada no curral. O espaço era reduzido porque, como o animal era criado para engorda não convinha que gastasse energias movimentando-se muito.

Próximo do Natal, quando o porco já estava gordinho, preparava-se a matança.

A Matança do Porco era considerada a «festa da família», na qual participavam os familiares e alguns vizinhos mais próximos.

Reuniam-se os homens mais fortes e dois deles deitavam repentinamente mãos às orelhas do porco, enquanto outros lhe levantavam as patas traseiras e o amarravam. Depois espetavam o cebolão do lado esquerdo, de forma que este atingisse o coração do animal.

Nesta altura começava a jorrar o sangue que era colocado num alguidar que já tinha no fundo sal e loureiro. Logo que o sangue caía no alguidar juntava-se imediatamente vinagre e mexia-se com uma colher de pau para não coalhar, porque iria servir para fazer as morcelas.

Morto o porco, este era levado para um barracão, onde se procedia à chamusca, isto é,  queimavam-se os pêlos do animal.

Terminada  esta operação, procedia-se à lavagem que era feita com água quente a ferver, esfregando com uma uma telha.

Depois enfiavam-se uns ganchos de ferro nas patas traseiras do animal e com uma corda rija levantava-se até o focinho ficar separado do chão.

Matança do Porco

Então fazia-se um golpe longi­tudinal no ventre e extraíam-se as tripas, a bexiga, os pulmões, o fígado e o estômago, que eram  colocados num grande tabuleiro de madeira.

Retiradas as vísceras, deixava-se o animal dependurado a arrefecer durante vinte e quatro horas. Passado esse período de tempo, começava-se a desmanchar o porco.

A carne, depois era separada para fazer morcelas e chouriças que se colocavam no fumeiro, e o resto da carne era metida na salgadeira.

A parte mais atraente da matança do porco era a que tornava a mesa mais farta e mais saborosa, permitindo que se fizessem as tradicionais morcelas, a tachadinha de lombo em vinha de alhos, os torresmos, a cachola e as saborosas cartilagens das orelhas.

Mudaram os tempos, assim como mudou radicalmente o modo de vida das pessoas. Começou a ser proibido por lei fazer criação de gado nos quintais perto das casas. Mesmo ao animais criados longe da povoação tinham obrigatoriamente de ser mortos no matadouro. Os hábitos foram-se alterando ao longo dos tempos.

Continuam a fazer-se as morcelas, com carne magra e pouco arroz, as melhores das redondezas, como só as mulheres do Alqueidão sabem fazer, mas a carne vem do talho, onde se pede também que guardem o sangue da matança.

Preparando as morcelas para vender na Festa de Nossa Senhora

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Os Moínhos de Vento

Na natureza que nos rodeia, não existe grande abundância de água. Antigamente, antes de existir água canalizada, a população contava com a Fonte com as suas bicas metálicas de onde corria água dia e noite sem parar, ao longo de todo o ano. A água era de nascente e era usada para os gastos normais de pessoas e gados.

O Alqueidão não dispunha daquela abundância de água  que é requerida pelo normal funcionamento de uma azenha. Devido a este condicionalismo natural, os seus habitantes não tiveram outro remédio senão valerem-se dos préstimos dos moinhos de vento para moer os cereais indispensáveis ao sustento quotidiano das pessoas e necessários à alimentação e engorda dos animais domésticos (porcos, patos, galinhas, vacas, coelhos).

Por outro lado, a posição geográfica do lugar, era um convite irresistível no tocante ao aproveitamento da força do vento.

Os moinhos de vento são construções circulares que se ergueram nos pontos onde era mais rentável e fácil a utilização da força motriz consumida pelas máquinas, isto é, nos locais onde o vento soprava livremente.

Sitios onde existiram Moínhos de Vento

Na Chã,  existiam 4 moinhos. Actualmente existe apenas um em ruínas.

a Chã, ainda com 3 moinhos

moínhos da chã

Dois dos Moínhos da Chã

Na Tojeira. O moinho ficava situado em fazenda, que fica à mão direita de quem vai da Barreira para a Tojeira, perto do local onde termina a primeira rampa que se nos depara. Actualmente não existe.

No Chão Vermelho, Neste local existiram dois Moinhos.

No Maçadal Existiu um Moinho para serventia e comodidade das populações do Curral das Vacas e Bouceiros.

No Chão Castelo  Existiram dois Moinhos, perto deles situava-se uma pequena construção em que os moleiros depositavam os sacos do grão e onde os guardavam cheios de farinha, até chegar a altura de serem distribuídos.

Na Cabeça foram contstruidos dois Moinhos. Actualmente ainda existem, embora um deles esteja em ruínas. Participou na construção do moinho que fica mais para o lado Nascente, Francisco de Matos (Galo), pedreiro de seu ofício, nos intervalos dos trabalhos agrícolas de sua casa.  Como isto aconteceu pouco depois do seu casamento, o moinho deve ter sido posto a funcionar cerca dos meados da década de 1880.

Actualmente a força do vento é aproveitada para a produção de energia. Está em funcionamento desde Abril de 2005 o parque eólico do Chão Falcão.

Este Parque Eólico é composto por aerogeradores de 2,3 MW, vulgarmente designados como “moinhos de vento”. Tem como objectivo a produção de energia eléctrica a partir do vento, ou seja, destina-se ao aproveitamento da energia eólica.

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