Afonso Vieira Dionísio

Nasceu pelas onze horas da manhã do dia 5 de Agosto  de 1883, em Alqueidão da Serra, na rua que hoje tem o nome de Comandante Afonso Vieira Dionísio, ou seja a 1ª do lado direito de quem desce a Rua Padre Júlio Pereira Roque.

Era filho de Cláudio Vieira Dionísio de de Thereza Affonsa. Neto paterno de Francisco Vieira Dionísio e de Maria Correa; e neto materno de João da Costa e de Anna Fructuoza Affonsa.

Foi baptizado na Igreja Paroquial de Alqueidão da Serra no dia 8 de Agosto de 1883, sendo  padrinho o Manoel Affonso e Silva, pároco desta freguesia.

Enquanto criança viveu em Alqueidão da Serra, e como os pais não tinham muitas posses, guardou cabras e ovelhas, para ajudar na vida da família.

Um dia os pais decidiram sair do Alqueidão, e fixaram-se em Famalicão da Nazaré. A preferência dada a esta localidade deve ter influenciado poderosamente a escolha da sua vida profissional, enveredando por uma carreira na Marinha Mercante.

O registo de inscrição na Marinha data de 13 de Setembro de 1900. Tinha então 17 anos.

Tendo saído do Alqueidão apenas com a preparação dada pelo Padre Affonso, ao chegar a Lisboa, tinha apenas a 4ª classe, que fez em Famalicão. Nada mais se sabe a respeito da preparação académica de Afonso Vieira Dionísio.

O primeiro facto na vida do marinheiro que foi Afonso Vieira Dionísio foi o salvamento histórico do Vapor “Machico”, que a seguir se relata, e que se pode ver com mais pormenor em http://www.momentosdehistoria.com/MH_02_05_Marinha.htm

Na Rota da Índia/África do Sul – Inglaterra: O Navio Mercante “Machico”

A 28 de Junho de 1916 o capitão Afonso Vieira Dionísio, comandante do navio “Machico”, teve ordens para transportar para a Baía de Palma (Moçambique), reforços de tropas e de material de guerra para a 3ª expedição a Moçambique, comandada pelo general Ferreira Gil. Chegou ao seu destino a 9 de Agosto.

Durante o mês de Setembro o navio efectuou transporte de tropas, munições, abastecimentos e de doentes entre os portos de Moçambique.

Em Outubro dirigiu-se de Lourenço Marques (Moçambique) para Madagáscar, porto de Manjuga, para cumprir uma missão de abastecimento para as tropas francesas na Europa. Seguiu de Madagáscar para Bordéus, com escalas na cidade do Cabo (África do Sul) e na cidade de Lisboa. A passagem do Índico para o Atlântico fez-se sem problemas e sem indicação da presença de submarinos. Junto à costa de Angola passou a navegar com o navio “Portugal” na sua esteira, com um distanciamento de aproximadamente 80 km.

No dia 14 de Novembro, quando o “Machico” deixou de ter à vista Gran Canária avistou um submarino alemão e de imediato navegou a todo o vapor para longe do inimigo. Sofreu dois disparos próximos que não o atingiram, assim como viram passar muito perto a esteira de um torpedo.

Toda a tripulação, excepto o pessoal da máquina e do fogo, se dirigiu para as baleeiras. A toda a velocidade, única manobra que lhe estava ao alcance, afastou-se do submarino em direcção à terra para impossibilitar a perseguição do submarino.

Testemunho de um passageiro

(Jornal “A Capital” de 20 de Novembro de 1916)

“Eram quase 10h da manhã quando se produziu o ataque. Posso precisar a hora: 9h40. O navio encontrava-se na latitude de 29º30’ e longitude 14ºW. Navegava a 9,5 milhas. Estando de quarto na ponte, o piloto Henrique Gomes descobriu o submarino por través, a cerca de 800 metros procurando prolongar-se com o Machico. Imediatamente mandou guinar, dando a pôpa ao pirata, e avisou o comandante Vieira Dionísio que, ao subir à ponte, ordenou a máxima velocidade.

Começou então a carreira perseguidora: de bordo do submarino foram disparados dois tiros de canhão, que passaram sobre a ponte e, após curto intervalo, mais 4 que felizmente, como sucedera com os primeiros, não atingiram o navio…

-E a perseguição durou muito tempo?

-Eu lhe digo: duas horas seguidas. O Machico, porém, conseguiu furtar-se-lhe e escapar em virtude do sangue frio e da perícia com que o seu comandante, coadjuvado pela tripulação, foi constantemente mudando de rumo para evitar assim que os tiros fossem regulados. A velocidade que o barco conseguiu adquirir também se deve mencionar. Basta dizer que nessas duas horas percorreu 28 milhas.

O comandante Vieira Dionísio, que procurava as águas territoriais espanholas, foi deste modo passar entre a ilha Alegranza e a de Lanzarotte que lhe fica a sul. Era de presumir que o submarino seguisse para o norte, no intuito de novamente o atacar na sua passagem para Lisboa, mas o comandante do Machico, em vez de demandar diretamente o nosso porto, fez rumo a Marrocos, indo fundear no Mogadouro e aguardar ali ordens. De lá partimos ontem.

– E a impressão a bordo?

– Ao ser conhecido o ataque, não se desenhou sequer o mais leve pânico. Na máquina achavam-se o quatro maquinista, sr. Joaquim Martins que, com o pessoal do quarto que lhe pertencia, cumpriu de forma digna de todo o elogio, as ordens que o comando lhe transmitia pelo telegrafo.

A gente do convés guarneceu em minutos, as baleeiras salva-vidas, fazendo embarcar nelas três senhoras que vinham a bordo e provendo-as de água, vinho, conservas, presuntos, galinhas etc, a fim de que prontamente pudessem ser arriadas.

Numa palavra: nem a boa graça portuguesa faltou, pois que, passados os primeiros minutos da perseguição, os marinheiros começaram trocando gracejos a propósito dos esforços que o submarino empregava para vencer a distância cada vez maior que o separava do Machico.

O Machico vem do Cabo da Boa Esperança com 23 dias de viagem regressando nele o sr. Capitão-Tenente Vieira da Rocha que, no mesmo barco havia seguido como comandante de bandeira. Este oficial conferenciou demoradamente esta tarde com o sr.Ministro da Marinha. O sr. Azevedo Coutinho assinou depois uma portaria mandando louvar a tripulação do Machico pela sua conduta serena e valorosa durante todo o tempo que esteve sob o ataque do submarino inimigo.

No Machico vieram como passageiros os srs. Joaquim Leite Costa, primeiro cabo da companhia de saúde de regresso de Palma; D. Elvira Pinto Coelho, de Lourenço Marque, D. Guilhermina A. Mendonça, Maria da Luz e um filho menor e o cabo de marinheiros José Viana, todos de volta do Cabo da Boa Esperança.

O sr Vieira Dionísio que reside na rua Ferandes Tomás, 43 rc onde o fomos encontrar rodeado de sua esposa e várias pessoas de família, disse-nos que todo o pessoal resistiu brilhantemente, merecendo particulares louvores Jaime Rodrigues Jardim que vinha ao leme, e os maquinistas António Pinto e Sousa, Carlos Silva, Fabiano Canoas e Joaquim Martins, bem como o azeitador Sardinha.

As comunicações radiotelegráfica do Machico foram recebidas pelo transatlântico Infanta Isabel, que radiotelegrafou para Las Palmas o pedido de auxílio, ao mesmo tempo que se dirigia para o local indicado.

O comandante da marinha de Las Palmas ordenou a saída do vapor Leon e Castillo da ilha de Lanzarote para socorrer o Machico, que também esteve em comunicação com o cruzador Principe de Astúrias.

O Infanta Isabel recebeu o último radiograma do barco português pelo meio dia de 16, não lhe tornando o Machico a responder depois dessa hora.

De Tenerife chegaram também a sair o vapor Fuerteventura e a canhoeira Laya para receberem náufragos se os houvesse.

O Machico escapou porque se meteu direito à vaga e o submarino não lhe pode dar caça. Mas se o paquete dispusesse de uma peça (de artilharia), estando assim em condições de lhe fazer um tiro, mais cedo os seus tripulantes e passageiros se teriam libertado de tão incómoda companhia.” (Leotte do Rego, cmdt da divisão naval, In A Capital 20-nov-1916).

O capitão Afonso Vieira Dionísio defendeu o “Machico” como quando, anteriormente junto a Bordéus, ao comando do navio “Gaza”, também tinha mostrado que não se deixava apreender ou afundar facilmente, navegando directamente sobre o submarino alemão obrigando-o a mergulhar de emergência, tendo ficado inclusivamente suspeitas que o teriam danificado, dado o aparecimento de óleo à superfície.

Com o aumento do número de disparos do submarino alemão, o comandante lançou um SOS, com as coordenadas da posição, mas não deu ordem de lançar as baleeiras, executando manobras defensivas, em ziguezague, como tinha treinado nos comboios navais. O navio conseguiu alcançar 15 nós, velocidade que lhe permitia afastar-se do submarino, mas que o ainda mantinha ao alcance dos canhões inimigos. Entretanto, o navio “Portugal”, ao ser avisado pelo “Machico” afastou-se do local e um navio de guerra inglês indicou ao “Machico” que o ia socorrer. O submarino alemão era o UC20 comandado por Franz Becker.

O “Machico” acabou por se libertar da perseguição inimiga, não chegando a ver o navio de guerra inglês. Tentou fundear no porto de Mogador (Marrocos), mas não lhe foi autorizado. Encontrou um rebocador francês que o orientou na travessia nocturna do Cabo de S.Vicente. Chegou a Lisboa a 20 de Novembro, assim como o “Portugal”. Conseguiu finalmente chegar a Bordéus no final do mês, cumprindo a sua missão.

Pelo acto heróico o capitão Afonso Vieira Dionísio recebeu, por Decreto do Diário do Governo de 24 de Setembro de 1919, a condecoração de “Torre Espada de Valor, Lealdade e Mérito”.

Antes de seguir viagem, depois de alguns dias de descanso em Lisboa, oficiais e marinheiros do “Machico” foram recebidos pelo Presidente da Republica que era Bernardino Machado, que os felicitou pela perícia e coragem que demonstraram quando o “Machico” foi perseguido pelo submarino alemão.

O “Século” e os restantes jornais enchem suas colunas de elogios ao comandante do “Machico”, chamando-lhe “O bravo Capitão do vapor”, “o Oficial jovem e inteligente cuja figura se impõe” etc.

Ilustração Portugueza, No. 563, December 4 1916 - 20 Via T of Dias que Voam blog. Ilustração Portuguesa

Ilustração Portugueza, No. 563, December 4 1916 – 20 – Via T of Dias que Voam blog. Ilustração Portuguesa

Este facto histórico subiu às colunas do Diário do Governo, para ser comunicado ao País, em sinal do mais puro reconhecimento da Nação, homenagem que se deve aos heróis.

Vapor Porto

A viagem ao Brasil do Presidente da República Dr António José de Almeida para as comemorações do centenário da independência não correu nada bem. A bordo do vapor Porto comandado pelo alqueidanense Afonso Vieira Dionísio, a comitiva presidencial chegou a terras de Vera Cruz com quinze dias de atraso e muitas avarias no vapor. Era necessário encontrar o responsável por tanto contratempo e houve mesmo um processo judicial que ficou conhecido como “O caso político do vapor Porto”.

Dos sete arguidos, não consta o nome do Capitão Afonso Vieira Dionísio, mas o seu chefe de maquinistas, Jacinto Vieira de Sousa, não se viu livre deste processo.

Depois de uma aguerrida batalha judicial, a 3 de Julho de 1923, o acórdão do Supremo Tribunal de Justiça iliba definitivamente todos os arguidos nestes termos: “considerando que, não se verificando o corpo de delito, e a existência dos crimes, a consequência legal é mandar-se arquivar o acórdão recorrido (art.º 2.º da lei de 4 de Maio de 1896).”

O Marão

Por meados de 1925 o comandante Afonso Vieira Dionísio prestava serviço a bordo do Vapor Marão. Este foi o último navio onde prestou serviço, desde 1904, altura em que lhe foi passada a carta de Capitão de longo curso.

Afonso Vieira Dionísio foi casado com Beatriz de Couto Vieira e não teve descendência.

Faleceu súbita e inesperadamente a 1 de Dezembro de 1945, na Portela – Bombarral – para onde tinha sido convidado por Adolfo Vieira da Rosa, para participar num banquete festivo na sua propriedade “Solar das Andorinhas”.

Solar das Andorinhas

Imediatamente se procedeu à sua transferência para Lisboa, onde se cumpriram as formalidades legais. Daí seguiu para o cemitério de São Martinho do Porto. Aí jazem os restos mortais deste heróico alqueidanense, em jazigo de família.

Em homenagem a Afonso Vieira Dionísio, foi dado o seu nome à rua onde ficava a casa onde ele nasceu, e que é hoje a casa da Maria (Trinta).

Fontes:

http://www.momentosdehistoria.com/MH_02_05_Marinha.htm

http://revistaantigaportuguesa.blogspot.pt/2010_08_08_archive.html

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O Kionga

Chamava-se Joaquim Vieira Patrão e era natural de  Alqueidão da Serra. Era filho da ti Maria da Serra (Maria do Rosário) e o seu pai, Francisco Patrão, era natural de Serro Ventoso.

Seus irmãos eram Alexandrina Vieira Patrão, Pedro Vieira Patrão e Manuel Vieira Patrão.

Casou com Emília Lenhoa, Moravam numa casinha perto da Igreja Paroquial.

Foi o único alqueidanense que combateu os alemães no norte de Moçambique na primeira Grande Guerra (1914-18).

Quionga é uma localidade situada junto à foz do Rio Rovuma, no norte de Moçambique, onde Joaquim Vieira Patrão combateu.

Quionga era naquela altura uma localidade constituída apenas por três casas comerciais e uma centena de palhotas, mas era o único lugar habitado, de importância, no chamado triângulo de Quionga. Um lugar que Joaquim Patrão quis juntar com orgulho ao seu nome… como alcunha.

Joaquim Vieira Patrão falava daquela época da sua vida com satisfação e orgulho. Ele fez parte do corpo expedicionário que voltou a incorporar, no domínio português, a zona de Quionga, em Moçambique, de que os alemães se tinham apossado em 1894.

O batalhão do regimento de infantaria 23, no qual estaria integrado Joaquim Vieira Patrão, embarca em Lisboa a 3 de Junho a bordo do vapor Moçambique.

Neste navio seguia também o Quartel General. Para o transporte das tropas, foram ainda fretados, aos Transportes Marítimos do Estado, o vapor Portugal, Zaire, Amarante, Beira e Machico que seguiu para Moçambique a 28 de Junho.

No vapor Moçambique seguia, como militar, Joaquim Vieira Patrão, enquanto o Machico era comandado por Afonso Vieira Dionísio, que também era natural de Alqueidão da Serra.

As missões destes dois alqueidanenses nunca se cruzaram, nunca se proporcionando, portanto, o contacto pessoal quer no cais de embarque em Lisboa ou em terras africanas.

Ver:

http://www.arqnet.pt/portal/portugal/grandeguerra/pgm_mocam02.html

Em homenagem a Joaquim Vieira Patrão, foi dado o nome pelo qual ele era conhecido, à rua  onde está a casa onde morava.

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Sabugueiro

O sabugueiro é desde a antiguidade definido como o guardião da saúde.  Os espanhóis, mais propriamente os catalães chama-lhe “árvore boa”; Os Açoreanos puseram-lhe o nome de “chá do bem fazer” à infusão que se faz com a flor seca do sabugueiro. Os antigos achavam que dentro de cada sabugueiro morava uma curandeira que tinha sido morta na inquisição de forma injusta.

Utilização

As flores de sabugueiro têm de ser secas. Por superstição, para que as flores tenham efeito medicinal têm que ser colhidas na véspera ou no dia de São João, a fim de estarem abençoadas pelo Santo.

A segunda casca, que é aquela que fica depois de se raspar a parte externa das varas, é purgante e diurética. Devido ao seu grande valor diurético é particularmente indicada nos casos em que é necessário eliminar a água em excesso no organismo, como no reumatismo.

As folhas são utilizadas ou em fresco, ou secas. Depois de secas podem-se utilizar na preparação de um unguento: “Unguentum Sambuci Viride”. Este era ou foi muitas vezes utilizado como remédio doméstico para tratar escoriações, entorses, frieiras, assim como para cicatrizar cortes.

A baga do sabugueiro contem flavonóides (rutina e isoquercitina), ácidos orgânicos, pigmentos antocianicos, açúcares redutores, isto para além de pectina, taninos e vitaminas A, e C assim como elementos minerais.

O extracto da baga de Sabugueiro, tem propriedades laxativas. O sumo é um óptimo remédio contra as enxaquecas e as dores nervosas.

Na Culinária

Servem para enfeitar saladas, doces, sempre usadas cruas e frescas. O fruto utiliza-se como aditivo ao vinho, para lhe dar, especialmente, cor.

Bebida de Flores de Sabugueiro

Ferva 2 litros de água com 500 gr de açúcar. Deixe arrefecer. Coloque sumo e raspa de um limão e as flores de sabugueiro. Deixe descansar por 24 h, coberto com um pano de linho ou uma fralda.

Coloque num vidro de 3 l de boca larga, ou num recipiente que possa ser hermeticamente fechado. Acrescente 1 l de vinho branco ou cidra e deixe descansar por duas semanas. Esta bebida pode ser servida como suco, ou misturada com frutas e água.

Uso Medicinal

As propriedades do sabugueiro são admiradas desde os tempos de Hipócrates (século 5 a.C.), considerado o maior médico da antiguidade.

Esse arbusto ajuda nas inflamações, é anti diarreico, óptimo para crianças com doenças como o sarampo e a catapora, pois baixa a temperatura do corpo e é anti-febrífugo. A fruta quando seca e tostada, moída e preparada como café, é excelente para interromper a diarreia.

As folhas machucadas podem ser aplicadas nos casos de queimaduras, retirando rapidamente a dor.

O chá das flores secas do sabugueiro é utilizado contra resfriados, gripes, anginas e nas enfermidades eruptivas, como sarampo, rubéola, varíola e escarlatina, por provocarem rapidamente a transpiração.

O chá das cascas, raízes e folhas é indicado para combater a retenção de urina (efeito diurético) e o reumatismo. Além disso, o chá da frutinha purifica o sangue e limpa os rins.

Uso Energético

O sabugueiro é indicado para pessoas que estão sempre temendo perder o controle das situações. Para quem tem movimentos involuntários de origem nervosa. Diz-se que limpa a aura e prepara para coisas novas e criativas.

Crenças!

Não vão longe os tempos em que eram colocadas nas portas e janelas das casas para impedir a entrada de males ou ainda nas tumbas para proteger os defuntos das bruxas e espíritos maléficos.

Dizia-se que de sua madeira foi feita a Cruz do Calvário, e por esse motivo, acreditava-se que dava azar cortar um tronco de sabugueiro.

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O Jardim das Oliveiras

Fica situado no Barreiro da Laje, num local onde outrora existiu uma Barreira de onde os Romanos extraíam o barro para a industria da cerâmica.

Neste jardim foi colocada por ordem da Junta de Freguesia, na altura presidida por José da Silva Catarino, uma estátua em homenagem ao emigrante, lembrando todos aqueles que tiveram que deixar a sua família e a sua  terra natal, em busca de um futuro melhor.

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Sagrado Coração de Jesus

dsc07603A devoção da primeira sexta-feira de cada mês em honra do Sagrado Coração de Jesus é um exercício de piedade proposto a toda a Igreja. Teve inicio como consequência das aparições de Nosso Senhor a Santa Margarida Maria Alacoque, no mosteiro de Paray-le-Monial a partir de 1673.

A comunidade de Alqueidão da Serra celebra, na primeira sexta-feira de cada mês,  a missa em honra do Sagrado Coração de Jesus. Esta celebração reúne os integrantes do Apostolado da Oração e fieis que mantém devoção ao Coração de Jesus.

Jesus deixou doze grandes promessas às pessoas que participassem das comunhões reparadoras das primeiras sextas-feiras. Neste sentido o padre Manuel Pedro costuma agendar as confissões para a primeira quinta feira de cada mês.

Atualmente, do programa da Solenidade do Sagrado Coração de Jesus (primeira sexta feira de cada mês) faz parte a adoração reparadora ao Santíssimo Sacramento, confissões, missa e comunhão reparadora.

Tradições Antigas

Por volta dos anos 50, existia o costume de os convidados oferecerem aos noivos um quadro do Coração de Jesus. Alguns dias depois do casamento o Padre visitava o novo lar e faziam a consagração ao Sagrado Coração de Jesus.

CasamentoEste costume já não existe, mas muitas pessoas ainda dedicam a primeira sexta feira de cada mês ao Sagrado Coração de Jesus, assistindo à Santa Missa e fazendo a comunhão reparadora.

No Alqueidão celebra-se ainda todos os anos no mês de Outubro, a Festa do Sagrado Coração de Jesus, com uma missa solenizada, onde no ofertório, as pessoas oferecem produtos da terra, que depois são vendidos em leilão no final da missa.

Noutros tempos, com o trigo entregue no ofertório da Missa da Festa do Sagrado Coração de Jesus eram feitas as hóstias, e com as uvas os rapazes de Acção Católica faziam o vinho para as celebrações eucarísticas.

Festa do Sagrado Coração de Jesus

Origem da Devoção ao Sagrado Coração de Jesus

Na sexta-feira depois da festa do Corpo de Deus, a Igreja celebra a festa do Sagrado Coração de Jesus, de acordo com os desejos de Nosso Senhor, manifestados a Santa Margarida Maria Alacoque.

Deve ser dia de reparação, pela ingratidão, frieza, desprezo e sacrilégios que muitas vezes sofreu na Eucaristia, por parte de maus cristãos, e às vezes até por parte de pessoas que se dizem muito piedosas.

Para estimular os cristãos e retribuir com amor, tantas e tão grandes provas de amor do divino Coração de Jesus, a Igreja dedicou à sua veneração, não só a primeira sexta-feira de cada mês, mas também um mês inteiro, o mês de Junho.

No dia 16 de junho de 1675, durante uma exposição do Santíssimo Sacramento, Nosso Senhor apareceu a Santa Margarida Maria Alcoque e, descobrindo seu Coração, disse-lhe: “Eis o coração que tanto tem amado aos homens e em recompensa recebe, da maior parte deles ingratidões e sacrilégios, friezas e desprezos”.

História

Na Idade Média começaram a considerar o Coração de Jesus como modelo de nosso amor, paciente por nossos pecados, a quem devemos reparar, entregando-Lhe o nosso coração.

No século XVII estava muito difundida esta devoção. Foi São João Eudes, em 1670, que introduziu a primeira festa pública em honra do Sagrado Coração.

Em 1673, Santa Margarida Maria de Alocoque começou a ter uma série de revelações que a levaram à santidade e ao impulso de formar uma equipa de apóstolos desta devoção.

Foram divulgados inúmeros livros e imagens. As associações do Sagrado Coração subiram desde meados do XVIII, de 1000 a 100.000. Foram criadas várias congregações religiosas e institutos seculares,  para estender este culto de várias formas.

O Apostolado da Oração, que pretende conseguir a nossa santificação pessoal e a salvação do mundo mediante esta devoção, contava já em 1917 com 20 milhões de associados.

A oposição a este culto sempre foi muito grande, sobretudo no século XVIII por parte dos jansenistas, e recebeu um forte golpe com a supressão da Companhia de Jesus (1773).

Em Espanha foram proibidos os livros sobre o Sagrado Coração. O imperador da Áustria deu ordem que desaparecessem suas imagens de todas as Igrejas e capelas. Nos seminários era ensinado: “a festa do Sagrado Coração provocou um grave mancha sobre a religião”.

A Europa rejeitou o Coração de Cristo, e em seguida foi assolada pelos horrores da Revolução Francesa e das guerras napoleônicas. Mas depois da purificação, ressurgiu de novo com mais força que nunca.

Em 1856 Pio IX estendeu sua festa a toda a Igreja. Em 1899 Leão XIII consagrou o mundo ao Sagrado Coração de Jesus.

Quem é o Coração de Jesus?

dsc07613É a segunda Pessoa da Santíssima Trindade, o Filho, o Verbo que se fez homem. É o Filho de Maria de Nazaré, nascido pobre e despojado, numa manjedoura.

Um Deus que se debruça sobre a nossa fragilidade, para nos apontar os caminhos da paz e da salvação, da alegria de viver.

O Coração de Jesus é Cristo por dentro: manso, humilde, paciente, terno, compassivo, generoso, amigo das crianças, dos jovens, dos pecadores. A Santíssima Trindade tem Coração: o de Jesus.

Garantia Absoluta de Salvação

Na grande Promessa a Santa Margarida Maria, em 16 de junho de 1675, Jesus falou que na hora da morte, seria asilo seguro a todos os devotos de seu Coração.

 

 

 

 

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