Maias

No Alqueidão chamamos Maias a um arbusto que na realidade se chama Madressilva.

Madressilva é uma designação pela qual são conhecidas diversas espécies de arbustos espontâneos que aparecem nos terrenos baldios durante os meses de Abril e Maio, e que vulgarmente chamamos “Maias”.

É uma planta nativa da Europa. As suas flores têm uma coloração creme ou branco-amarelada e um cheiro muito agradável, inconfundível. São muito procuradas para fins ornamentais.  Por ser uma planta muito bonita e aromática, é  cultivada nos jardins como trepadeira.

Mas para além disso esta planta tem também propriedades medicinais.

Partes usadas: Flores

Medicina Popular: Utilizada no tratamento de constipações e tosse. É um calmante e um antiespasmódico que se impõe nos casos de asma e tosse persistente. É também utilizada para estados febris, incluindo as dores da gripe e as inflamações das articulações.

Utilização: Colocar 15 gramas de flores secas, em infusão, num litro de água, durante 10 minutos. Beber 3 chavenas por dia.

 Maias

Maias é um outro arbusto que antigamente só aparecia na serra, e que os pastores identificavam como Maias das Penas, porque só aparecia junto às penas (por exemplo Penas do Ninho Corvo). Cá em baixo, mais junto à população só apareciam Madressilvas.

Atualmente as Maias aparecem por todo o lado, e a Madressilva está com uma clara tendência para desaparecer.

 

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Mundo Novo

Iniciou em 1978, a 20 de Novembro, a publicação do Jornal “Mundo Novo”, propriedade do Grupo de Jovens “Por Um Mundo Novo”, com redacção de Fernando Matos, José Augusto, Carlos Alberto, Paulo Correia e Felix Reis, e Grafismo de João Gabriel.

Jornal Mundo Novo Propriedade: Jovens "Por Um Mundo Novo" Redacção: Fernando Matos, José Augusto, Carlos Alberto, Paulo Correia e Felix Reis Grafismo: João Gabriel

Jornal Mundo Novo
Propriedade: Jovens “Por Um Mundo Novo”
Redacção: Fernando Matos, José Augusto, Carlos Alberto, Paulo Correia e Felix Reis
Grafismo: João Gabriel

Era um jornal policopiado, de publicação bimestral, que abordava assuntos de interesse para a população em geral, tais como politica, futebol e religião, mas que também divulgava histórias antigas que algumas pessoas com mais idade ainda se lembravam.

Página 6 do Jornal Mundo Novo - Ano III - Nº 13 Jornal Bimestral Out.Nov,/Dezembro 1981

Página 6 do Jornal Mundo Novo – Ano III – Nº 13 Jornal Bimestral Out.Nov,/Dezembro 1981

Uma das histórias que o Jornal “Mundo Novo” divulgou reporta-nos às Invasões Francesas, e foi contada por Maria Trindade Lucinda e Maria Celeste que recordaram o que ouviram dizer sobre a passagem e estadia dos soldados franceses nos Bouceiros.

Transcrita na íntegra, a narrativa reza assim:

“Conta-se que há muitos anos houve uma invasão das tropas francesas e estes lugares foram muito martirizados.

Os franceses vinham montados em cavalos, faziam-nos entrar para dentro das casas e punham-nos a comer dentro das arcas de milho e de trigo; enquanto os cavalos comiam, os soldados iam fazer uma busca à casa para verem se encontravam dinheiro ou oiro.

Se não encontrassem nada, castigavam as pessoas, principalmente as crianças, chegando mesmo a pendurá-las nas árvores para as obrigarem a dizer onde o tinham escondido.

As pessoas ficavam tão aterrorizadas com isto, que se viam obrigadas a esconder o dinheiro e o oiro em panelas de ferro ou de barro em sítios muito escondidos.

Essas panelas eram enterradas debaixo da terra em lugares nunca cultivados, outras debaixo de lages na serra e até dentro de algares ou lapas onde nunca pudessem ser encontradas.

Por isso se diz que algumas pessoas têm encontrado panelas com dinheiro ou oiro quando andam a demolir casas velhas, em pedreiras ou sítios desconhecidos.

Diz-se também que quando as pessoas sonham três vezes que em determinado sítio há um tesoiro, indo lá, encontram-no. Porém isto não se sabe se é verdade.

Na altura da invasão francesa até chegaram a apertar com um velhote para ele dizer onde tinha escondido o tesouro. Os franceses diziam para o velho:

– “Ou nos mostra, ou morrerá”.

O pobre do velho, tão cheio de medo, vendo que tinha de escolher entre morrer e ficar sem nada, revelou ter escondido o tesouro dentro de um algar.

Em seguida, levou até lá um soldado francês. O velho convidou o soldado a chegar-se à boca do algar para lhe dizer onde estava o tesouro. Ele, na ânsia de o apanhar quanto antes, chegou-se mesmo à beirinha dele. Mal o velho o pilhou neste jeito, dá-lhe um empurrão com quanta força tinha, dizendo:

“Vai, vai para o fundo! Por causa do tesouro, se acaba o teu mundo!””

Suplemento do Jornal Mundo Novo

Suplemento do Jornal Mundo Novo

Muitas outras histórias foram divulgadas no jornal “Mundo Novo”, cuja publicação terminou porque os jovens que o editavam seguiram as suas vidas e dispersaram-se, seguindo para a universidade e ingressando no mundo do trabalho.

As edições que foram impressas do jornal também se perderam no tempo, poderá no entanto existir ainda alguém que tenha guardado algum exemplar de recordação.

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Diocese de Leiria

No reinado de D. João III e a pedido deste nosso rei, foi criada a diocese de Leiria. O Papa Paulo III criou a nossa diocese em 22 de Maio de 1545. Até esta data Leiria pertencia à Diocese de Coimbra.

A diocese de Leiria desde logo começou a ser conhecida pelo fervor religioso dos seus fiéis: “diocese que pela respeitabilidade do Clero que formara havia merecido os gloriosos títulos de “Flor das Dioceses” e “Jardim da Igreja”.

Leiria - Vista Geral

No decorrer do século XIX verificou-se da parte dos Governos Constitucionais grande preocupação em acabar com algumas dioceses. Para o efeito apresentavam motivos económicos, isto apenas para disfarçar as suas intenções nada favoráveis à Igreja. No fundo foram “as necessidades da politica que tudo subverteram”.

E assim com grande tristeza de todos os diocesanos e clérigos de Leiria, a diocese de Leiria foi extinta (acabada) e de novo anexada a Coimbra.

A extinção teve lugar em 4 de Setembro de 1882.

Este facto causou grande descontentamento em todos. Julgaram-se vitimas de injustiça. Nem o povo nem o Clero entenderam a razão para isto, pois todos tratavam o seu Bispo o melhor possível, amavam-no e queriam a sua Diocese.

Não conformados com esta extinção, padres e leigos lutaram pela sua diocese. Teve aqui um papel muito importante um padre da nossa terra, o Padre Júlio Pereira Roque, conhecido jornalista pelo nome JUPERO.

O Padre Júlio abriu no jornal “o Portomosense” de 21 de Setembro de 1903 uma campanha entusiasta sob o título “Um Alvitre – O Bispado de Leiria”. O grito com que terminava esta série de artigos, incendiou os ânimos dos Leirienses e despertou o país inteiro para a injustiça que tinha sido a extinção da Diocese de Leiria, e para a urgência de a reparar: “Avante pois, e não descansemos, lutemos com perseverança, lutemos unidos que havemos de ter a vitória”.

O Padre José Ferreira de Lacerda, seguindo as pisadas de Vitorino Araújo, obtendo a preciosa colaboração de JUPERO, e nunca se vergando às dificuldades, encetou uma derradeira batalha em 1913, por ocasião do falecimento do Bispo de Coimbra.

Os obstáculos e os entraves foram muitos, mas os esforços dos que se empenharam nesta luta acabaram por ser coroados de êxito ao fim de cinco anos.

Assim em 17 de Janeiro de 1918 tocaram os sinos de Leiria. O Papa Bento XV restaurava a Diocese de Leiria, com a Bula “Quo vehementius”.  Agora éramos de novo diocesanos de Leiria, íamos ter o nosso Bispo.

Lista de Bispos que governaram Leiria:

  • D. Frei Brás de Barros, 1545-1556
  • D. Sancho de Noronha
  • D. Frei Gaspar do Casal, 1557-1579
  • D.António Pinheiro, 1579-1582
  • D. Pedro de Castilho, 1583-1604
  • D. Martim Afonso de Mexia, 1605-1615 – Foi este Bispo que criou a freguesia de Alqueidão da Serra
  • D. António de Santa Maria, 1616-1623.
  • D. Francisco de Menezes, 1625-1627.
  • D. Dinis de Melo e Castro, 1627-1636.
  • D. Diogo de Sousa.
  • D. Diogo de Mascarenhas.
  • D. Pedro Vieira da Silva, 1670-1676.
  • D. Frei Domingos de Gusmão, 1677-1678.
  • D. Frei José de Lencastre, 1681-1694.
  • D. Álvaro Abranches de Noronha, 1694-1746.
  • D. Frei João de Nossa Senhora da Porta, 1746-1760.
  • D. Frei Miguel de Bulhões e Sousa, 1761-1779.
  • D. António Bonifácio Coelho.
  • D. Lourenço de Lencastre, 1780-1790.
  • D. Manuel de Aguiar, 1790-1815. Fundador do Hospital de Leiria.
  • D. João Inácio da Fonseca Manso, 1818-1834.
  • D .Guilherme Henriques de Carvalho, 1834-1845.
  • D. Manuel José da Costa, 1846-1851
  • D. Joaquim Pereira Ferraz, 1852-1873.
  • Em 1882 foi extinta a Diocese de Leiria. Quase desde a sua fundação, em 1545, até à sua extinção em 1882, a diocese teve como paço episcopal o edifício mandado fazer pelo seu primeiro bispo, D. Frei Brás de Barros, no largo defronte às Portas do Castelo. O Edificio foi nacionalizado pela Republica de 1910. Atualmente é ocupado pela PSP.
  • D. José Alves Correia da Silva, 1920-1958 – Bispo nos anos seguintes às Aparições de Fátima.
  • D, João Pereira Venâncio, 1958-1972
  • D. Domingos de Pinho Brandão
  • D. Alberto Cosme do Amaral, 1972-1993

Por decreto da Congregação dos Bispos, de 13 de Maio de 1984, confirmado pela bula pontifícia “Que pietate” do Papa João Paulo II, a nossa Diocese passou a chamar-se Diocese de Leiria-Fátima.

Nota: Para a elaboração deste texto recorri a escritos de Alfredo de Matos e de A. Zuquete e aos livros de actas existentes do Cartório Paroquial de Alqueidão da Serra.

Á lista dos Bispos atrás descrita pode acrescentar-se agora:

  • D. Serafim de Sousa Ferreira e Silva que renunciou ao governo da diocese a 22 de abril de 2006
  • D. António Marto – Foi nomeado bispo de Leiria-Fátima, em 22 de Abril de 2006, sucedendo a Serafim de Sousa Ferreira e Silva.

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Vira do Alqueidão

 

O Vira é um gênero músico-coreográfico do folclore português. É conhecido como característico do Minho, mas também é dançado noutras localidades.

No Alqueidão o Vira era dançado com letra de João Augusto de Matos (Bispo).

O Vira que mais encanta, ó ai
e que mais beleza encerra
é  o Vira que o povo dança, ó ai
Cá no Alqueidão da Serra
 
Rapazes solteiros. sem parar dançar
ao som dos morteiros o Vira virar
E nas viradelas mais as raparigas
Cantai com elas as belas cantigas.
 
Menina vamos ao Vira, óh ai
Porque o Vira é alegria
Eu já vi dançar o Vira ó ai
às meninas da Gafaria.
 
O Vira que é bem dançado óh ai
Dançado com perfeição
È o Vira que é dançado óh ai
Pelos jovens do Alqueidão
 
Os jovens do Alqueidão óh ai
Como eles eu vi jamais
Na noite de São João óh ai
Lá no largo dos Piais.
 
Os jovens do Alqueidão óh ai
Aos domingos à tardinha
Depois da oração óh ai
Jogavam à panelinha.
 
Sempre que há rija festança óh ai
O Vira vai ser virado
Velhos e novos tudo dança óh ai
até romper o calçado.
 
Por não ser mentira esta afirmação
É dançar o Vira cá no Alqueidão
Dançá-lo só resta, mocidade inteira
É dia de festa em volta da eira.
 
 
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Hino a Nossa Senhora da Tojeirinha

Dia 8 de Dezembro
Senhora da Conceição
Festeja alegremente
O povo do Alqueidão!
 
Nossa Senhora da Tojeirinha
Vela por nós
Vela por nós
Dentro da tua velha capelinha
Roga a Deus por nós
Roga a Deus por nós.
 
Há na aldeia uma Santa
Esquecida na Capelinha
Que hoje vai ser festejada
Senhora da Tojeirinha,(bis)
 
Nossa Senhora da Tojeirinha
Vela por nós
Vela por nós
Dentro da tua velha capelinha
Roga a Deus por nós
Roga a Deus por nós.
 
Autor: Maria de Lurdes Gabriel

Este hino foi feito para cantar na festa de Nossa Senhora da Tojeirinha, quando esta festa ainda era organizada pelas Filhas de Maria.

Houve um arraial, e havia uma aparelhagem e quem queria ia lá cantar. A Lhuca fez estes versos e foi lá cantar.

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