Na natureza que nos rodeia ainda podemos encontrar, pelo menos, três espécies diferentes de cardos, mas antigamente existiam outros que hoje em dia já não se veêm por aqui. É o caso das Tengarrinhas, que era um cardo que as pessoas apanhavam para cozinhar, e que em tempos antigos matou a fome a muita gente.
Tengarrinhas já não existe, embora no ano 2015 ainda tenha sido possível encontrar alguns destes cardos, em 2016 eles já não nos brindaram com a sua presença, mas ainda temos o cardo-dos-picos, o cardo-do-coalho e o cardo-mariano.
Cardo-dos-picos
Os cardos mais vulgares por estas bandas são os Galactites tomentosa, que ocupam os terrenos não cultivados. Têm entre os 20 e os 80 cm de altura, florescem na primavera e deixam a paisagem completamente pintada de lilás.
Os caules nascem a partir de uma roseta de folhas que desaparece no decorrer do desenvolvimento da planta.
As flores destes cardos são muito visitadas pelas abelhas e dão origem a um mel muito saboroso.
As flores dos Galactites tomentosa são lilás, no entanto aparecem alguns exemplares muito raros que apresentam flores brancas. Por acidente, ficaram despigmentadas.
Cardo-do-Coalho
Aparece nos locais mais pedregosos, chama-se Cynara cardunculos, e é o único cardo capaz de coalhar o leite.
Este cardo está em vias de extinção nesta zona, mas ele também pode ser cultivado. É muito utilizado em medicina natural porque melhora a função hepática e da vesícula biliar, estimula a secreção dos sucos digestivos, especialmente bílis, e reduz os níveis de colesterol no sangue.
Cynara cardunculos
Cynara cardunculos
Cardo Mariano
Outra variedade de cardo que também aparece em pouca quantidade, e com forte tendência para desaparecer, é o Cardo Mariano (Silybum marianum), que é muito utilizado em medicinas alternativas.
O Cardo Mariano está entre os mais antigos medicamentos naturais que encontramos nas ervanárias devido às suas propriedades terapêuticas, porque:
mantém a função do fígado saudável
mantém a pele saudável e limpa
mantém a função saudável da vesícula biliar
ajuda a reduzir os níveis de colesterol
tem incríveis efeitos desintoxicantes.
O chá de cardo mariano tem sido usado para tratar casos de hepatite, cálculos biliares, cirrose causada pelo álcool e colesterol elevado, e também fama de ser um remédio para estados depressivos, mas está contra indicado para crianças e pessoas problemas renais, gastrites e hipertensão.
O Anjo de Portugal é a essência espiritual em forma de um arcanjo que protege a nação portuguesa. Também é conhecido como Anjo da Paz ou Santo Anjo da Guarda de Portugal, designações que são atribuídas a São Miguel Arcanjo.
Em 2016 celebramos o centenário das aparições do Anjo de Portugal
Um ano antes das aparições de Nossa Senhora em Fátima em 1917, o Anjo de Portugal apareceu aos pastorinhos por três vezes. Foi por meio destes momentos com o Anjo, que as crianças foram preparadas para a vinda de Nossa Senhora.
Aconteceram algumas manifestações sobrenaturais antes da aparição do Anjo.
Lúcia, e mais três outras meninas, viram pairar sobre o arvoredo uma espécie de nuvem muito branca com forma humana. Nas Memórias da Irmã Lúcia (p.77), este momento foi descrito assim: “mais branco que se fora de neve, que o sol tornava transparente como se fora de cristal e duma grande beleza”, Em dias diferentes, esta aparição repetiu-se por duas vezes.
Foi na Loca do Cabeço que, num dia de primavera do ano de 1916, o Anjo apareceu claramente aos pastorinhos, pela primeira vez.
As crianças estavam a brincar quando sentiram uma forte rajada de vento, e viram que caminhava na sua direção um jovem resplandecente e de grande beleza, que aparentava ter 14 ou 15 anos de idade. A Irmã Lúcia descreve nas suas memórias o que se passou a seguir:
“Ao chegar junto de nós, disse:–”Não temais! Sou o Anjo da Paz“. E, ajoelhando em terra, curvou a fronte até ao chão e fez-nos repetir três vezes estas palavras:
– “Meu Deus! Eu creio, adoro, espero e amo-Vos! Peço-Vos perdão para os que não crêem, não adoram, não esperam e Vos não amam”.
Depois, erguendo-se, disse: – “Orai assim. Os Corações de Jesus e Maria estão atentos à voz das vossas súplicas”. E desapareceu!..
A atmosfera de sobrenatural que nos envolveu era tão intensa que quase não nos dávamos conta da própria existência por um grande espaço de tempo, permanecendo na posição em que nos tinha deixado, repetindo sempre a mesma oração. A presença de Deus sentia-se tão intensa e íntima que nem mesmo entre nós nos atrevíamos a falar. No dia seguinte, sentíamos o espírito ainda envolvido por essa atmosfera que só muito lentamente foi desaparecendo.”
No verão de 1916, quando os três pastorinhos brincavam no terreiro da casa dos pais de Lúcia novamente o Anjo lhes apareceu.
A Irmã Lúcia descreve assim o que se passou:
– “Que fazeis? Orai! Orai muito! Os Corações Santíssimos de Jesus e Maria têm sobre vós desígnios de misericórdia. Oferecei constantemente ao Altíssimo orações e sacrifícios.
– Como nos havemos de sacrificar? – perguntei.
– De tudo o que puderdes, oferecei a Deus sacrifício, em ato de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido, e súplica pela conversão dos pecadores. Atraí assim sobre a vossa pátria a paz. Eu sou o Anjo da sua guarda, o Anjo de Portugal. Sobretudo, aceitai e suportai com submissão o sofrimento que o Senhor vos enviar.”
No fim do verão do mesmo ano, na Loca do Cabeço, deu-se a última aparição do Anjo, que a Irmã Lúcia nos descreve assim:
“Depois de termos merendado, combinamos ir rezar na gruta, que ficava do outro lado do monte. […] Logo que aí chegamos, de joelhos, com os rostos em terra, começamos a repetir a oração do Anjo: Meu Deus! Eu creio, adoro, espero e amo-Vos! Etc. Não sei quantas vezes tínhamos repetido esta oração, quando vemos que sobre nós brilha uma luz desconhecida. Erguemo-nos para ver o que se passava, e vemos o Anjo tendo na mão esquerda um cálice, sobre o qual está suspensa uma Hóstia, da qual caem algumas gotas de Sangue dentro do cálice.”
Deixando o cálice e a Hóstia suspensos no ar, o Anjo prostrou-se em terra junto às crianças e com elas repetiu três vezes a oração:
“Santíssima Trindade, Pai, Filho, Espírito Santo, ofereço-Vos o Preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da Terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E pelos méritos infinitos de seu Santíssimo Coração [de Jesus] e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores”.
Depois, levantando-se, deu a Hóstia a Lúcia, e o cálice, deu-o a beber a Francisco e Jacinta, dizendo: “- Tomai e bebei o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo, horrivelmente ultrajado pelos homens ingratos! Reparai os seus crimes e consolai o vosso Deus.”
E prostrando-se de novo em terra, repetiu connosco outras três vezes a mesma oração: ‘Santíssima Trindade… etc’ e desapareceu. Nós permanecemos na mesma atitude, repetindo sempre as mesmas palavras; e quando nos erguemos, vimos que era noite e, por isso, horas de virmos para casa.”
Nossa Senhora apareceu em Fátima aos pastorinhos, a primeira vez, em 13 de maio de 1917.
Gravura de 1917, pertenceu a Adelaide da Silva Costa Assis (irmã do Fiscal Costa)
Existem muitas espécies de papoilas, mas apenas um pequeno número cresce espontaneamente em Portugal.
O nome científico das papoilas que na primavera pintam os nossos campos de vermelho é Papaver rhoeas .
Podemos encontrar papoilas tanto em terrenos cultivados como em terrenos incultos. Antigamente apareciam pelo meio do trigo, mas actualmente elas encontram-se espalhadas pelos terrenos não cultivados e pelas bermas dos caminhos.
A papoila vermelha é considerada uma erva daninha pelo que tem sido dizimada por pulverizações de herbicidas feitas pelos agricultores e pelas autarquias. Mesmo assim podemos vê-la florir na primavera, alegrando os campos.
Em medicina natural as flores e folhas das papoilas têm sido utilizadas no tratamento de vários males desde constipações a distúrbios nervosos.
Menos vulgares por aqui são as papoilas roxas e as papoilas cor de rosa que também aparecem para dar o ar da sua graça.
E depois ainda há as papoilas brancas, que contêm opiáceos, e das quais se extrai o ópio e a morfina. Mas essas não aparecem expontaneamente na natureza. As plantações de papoilas brancas são controladas pelas autoridades competentes.
O Alentejo, na zona de Beja, foi a região escolhida para a plantação de papoilas, com o objetivo da produção de morfina, para fins medicinais (morfina é usada no tratamento da dor intensa que o analgésico comum não resolve). A licença foi dada pelo Infarmed em Março de 2013.
Na freguesia de Alqueidão da Serra, as roseiras bravas só aparecem em zonas onde a vegetação é mais densa, ou seja, nos locais onde ainda não chegou a intervenção humana.
A roseira brava é uma roseira antiga, trepadora, que floresce de Abril a Agosto e que também é conhecida pelo nome de Rosa-Canina. O seu nome científico é Rosa Sempervirens.
As rosas são brancas têm cinco pétalas e lá para o fim do verão dão uns frutos ovais, avermelhados, que têm propriedades terapêuticas.
Os frutos da Roseira Brava são umas bagas avermelhadas muito conhecidos pelo seu alto teor de Vitamina C.
O chá de bagas da roseira brava, graças ao seu alto teor em vitamina C, é bastante recomendado para prevenir ou tratar constipações, gripes e outras infecções.
Para além do chá também se utilizam as bagas da roseira brava para fazer xarope e marmelada.
Curiosidades sobre a Rosa Brava
Durante a Segunda Guerra Mundial soldados e civis ingleses usavam as bagas da Roseira-Brava como um suplemento de vitamina C.
A Rosa Brava é usada em cosméticos para hidratar a pele seca.
A água destilada feita a partir da roseira brava é usada como loção para as peles delicadas.
A planta é utilizada em remédios florais de Bach – as palavras-chave para a prescrição são “Renúncia” e “apatia”.
Em alguns países as rosas bravas são utilizadas no fabrico de doces e gelados.
A Rosa-Brava também é conhecida pelo nome de Rosa-Canina por ter sido muito utilizada no tratamento de feridas causadas por mordidelas de cães raivosos.
A Roseira Brava está a desaparecer da natureza porque tem vindo a ser destruído o seu habitat natural, no entanto ela também pode ser cultivada.
Como Plantar Rosas Bravas
Planta-se a Rosa Brava a partir de um ramo novo cortado no verão.
Tem que ser plantada em locais livres porque ela cresce rapidamente e espalha-se com facilidade.
O solo deve ser bem drenado para ela crescer bem, e deve-se escolher um local onde o sol bata direto mas que tenha uma sombra parcial..
Quanto aos frutos, quando começarem a cair alguns quer dizer que já está na hora da colheita.
Para fazer o chá com as folhas, pode ser em qualquer altura, mas para usar as flores para fazer geleias tem que ser no verão.
Corpo de Deus vem do latim Corpus Christi. É uma festa com vários séculos, onde os católicos devem participar, indo à missa, a fim de celebrar o mistério da Eucaristia.
Tradição de Corpo de Deus em Portugal
Em várias localidades do país realizam-se procissões e festas religiosas neste dia. As ruas são decoradas com flores e em algumas localidades são colocados tapetes florais no chão para a procissão passar.
O Corpo de Deus foi feriado até 2012, altura em que o governo decidiu que este feriado religioso seria eliminado. A partir de 2013 o Corpo de Deus deixou de ser feriado, pelo menos até 2017, altura em que a decisão sobre os feriados seria revista.
No inicio do ano de 2016 o Governo já tinha anunciado a reposição dos feriados religiosos que foram suspensos em 2012, e apenas se aguardava a resposta da Santa Sé, que acabou por ser favorável:
“A Santa Sé (…) acolhe agora com agrado a decisão do actual Governo português de devolver às referidas Solenidades religiosas católicas o carácter de feriados, voltando ao status quo ante, tal como consta no Artigo 30 da Concordata entre a Santa Sé e a República Portuguesa”.
E assim foram repostos, ainda em 2016, os Feriados Religiosos “Corpo de Deus” e “Dia de Todos os Santos”.
O feriado móvel do dia do Corpo de Deus é sempre celebrado a uma quinta-feira, 60 dias depois da Páscoa.
Porque Celebramos o Corpo de Deus
A solenidade do Corpo e Sangue de Cristo começou a ser celebrada em 1246 na cidade de Liège, na atual Bélgica, e tinha como objetivo reafirmar a fé do Povo de Deus em Jesus Cristo vivo e realmente presente na Eucaristia.
Na Eucaristia, pela consagração do pão e do vinho realiza-se uma mudança da substância do pão na substância do corpo de Cristo, e da substância do vinho na substância do sangue de Cristo. Depois da consagração feita pelo sacerdote, ainda que o pão e o vinho mantenham a mesma aparência, a sua substância já não é a mesma.
Voçê acredita nisto? Acredita que a Eucaristia é o próprio Cristo? Que é o Seu corpo, sangue, alma e divindade que se encontram plenamente presentes no pão e no vinho consagrados?
Na verdade a aparência da hóstia continua a mesma depois da consagração, para acreditar que ela agora é o Corpo de Cristo é necessário ter fé, ou então seria necessário analisar uma hóstia consagrada para verificar. Talvez por isso tenham acontecido por esse mundo fora situações que ninguém consegue explicar. É “o Mistério da Eucaristia”.
Em Buenos Aires
Em Lanciano – Itália
Santarém – Portugal
Uma vez por ano se celebra a festa do Corpo de Deus, mas todos os dias em que participamos na missa, na consagração, este milagre acontece. Quase ninguém repara nele.
1 – Alqueidão da Serra: Apontamentos para a sua História – de Alfredo de Matos;
2 – A Comarca de Porto de Mós – de Alfredo de Matos;
3 – Dom António Pinheiro – de Alfredo de Matos;
4 – A Escola de Frei José e Frei Manuel da Conceição na Serra de Santo António – de Alfredo de Matos;
5 – Da Pré-História à Actualidade: Monografia de Porto de Mós – de Francisco Furriel;
6 – José da Silva Catarino: Uma Visão para além da Serra – de Nuno Matos
7 – Wikipédia
8 – Jornal “O Portomosense”
9 – Jornal “O Mensageiro”
10 – Tradição Oral