O Dia Mundial da criança celebra-se em todo o mundo desde 1950, data em que a Federação Democrática Internacional das Mulheres propôs à ONU a definição de um dia dedicado às crianças.
A data efectiva da comemoração varia de país para país, no entanto em Portugal festeja-se a 1 de Junho.
Para comemorar este dia fazem-se diversas actividades com as crianças, reflectindo sobre os direitos das crianças, e lembrando principalmente as que continuam a passar fome, as que estão doentes, as que são maltratadas ou abandonadas.
No ano 2000, no Alqueidão este dia foi comemorado pelos professores e crianças da escola com um almoço na Calçada Romana.
As crianças brincavam ao ar livre quando viram as panelas com o seu almoço chegar em cima de uma carroça puxada por um burro.
Depois de serviço o almoço as crianças lá ficaram a celebrar o seu dia com os professores, enquanto as auxiliares voltaram de burro para a cantina.
Todos os anos este dia é festejado, sendo promovidas diversas actividades com as crianças.
Neste ano de 2014, as comemorações do Dia da Criança vão realizar-se no Campo de Futebol do Alqueidão, com diversas atividades de entretenimento e um espaço de “comes e bebes”, que têm como ojetivo concreto ajudar uma criança, oAntónio Gabriel, que nasceu com uma doença rara, e precisa de fazer tratamentos no Instituto Luso-Cubano de Neurologia no Porto.
Assim, no dia 1 de Junho de 2014, a partir das 14 horas no Campo de Futebol do Alqueidão haverá torneio de futebol juvenil, jogos tradicionais, insufláveis, musica, sorteio de prémios, porco no espeto, café d’avó e bolos.
Com o montante angariado nesta e noutras iniciativas, e com a solidariedade de todos os que se quiserem juntar a esta causa, será possível pagar os tratamentos indispensáveis que vão permitir ao António ter uma vida mais feliz.
(as fotos da calçada romana foram cedidas por Fátima Calvário)
O dia da Espiga celebra-se no dia de Quinta-feira da Ascensão que ocorre 40 dias depois da Páscoa. Este dia foi feriado nacional até 1952.
No Alqueidão neste dia ninguém trabalhava. Era o dia mais santo do ano. Não se podiam fazer os queijos porque o leite não coalhava. Diziam que neste dia nem o pão levedava e que nem os passarinhos boliam nos seus ninhos. Tudo parava.
O Padre Manuel Ferreira adorava promover piqueniques neste dia e celebrar a missa do dia da Ascenção no meio do campo. Com o farnel preparado, uns iam de burro outros a pé para o piquenique na serra, onde se juntavam com os que moravam nos Bouceiros e nos outros lugares mais distantes da sede da freguesia.
Piquenique no dia da Espiga
Piquenique no dia da Espiga
Tradicionalmente, de manhã cedo, rapazes e raparigas iam para o campo apanhar a espiga e outras flores do campo, e com elas formavam um ramo que tinha que ter obrigatoriamente: Espiga, Malmequer, Papoila, Oliveira, Videira e Alecrim. Cada um destes elementos simbolizava um desejo:
A Espiga: que haja pão
Malmequer: que haja ouro e prata
Papoila: que haja amor e vida
Oliveira: que haja azeite, paz e luz
Videira: que haja vinho e alegria
Alecrim: que haja saúde e força
O ramo era pendurado algures dentro de casa e guardado até ao Dia da Espiga do ano seguinte.
Depois assistia-se às cerimónias próprias da Quinta Feira da Ascenção, comemorando o dia em que Jesus Ressuscitado foi elevado ao Céu com o seu corpo físico, na presença de onze dos seus apóstolos.
Nos dias que correm a quinta feira da Ascenção é um dia normal de trabalho e a tradição de ir apanhar o raminho da espiga foi perdendo o significado, no entanto as crianças da escola, acompanhadas pelos seus professores, ainda costumam dar um passeio pelo campo neste dia, e apanhar o seu raminho de flores silvestres.
Actualmente a Quinta-Feira da Ascenção é feriado municipal nos concelhos de Alcanena, Alenquer, Almeirim, Alter do Chão, Alvito, Anadia, Ansião, Arraiolos, Arruda dos Vinhos, Azambuja, Beja, Benavente, Cartaxo, Castro Verde, Chamusca, Estremoz, Golegã, Loulé, Mafra, Marinha Grande, Mealhada, Melgaço, Monchique, Mortágua, Oliveira do Bairro, Quarteira, Salvaterra de Magos, Santa Comba Dão, Sobral de Monte Agraço, Torres Novas, Vidigueira, e Vila Franca de Xira.
Os países em que actualmente este dia é feriado oficial são: Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Finlândia, França, Luxemburgo, os Países Baixos, Noruega, Suécia e a Suíça.
(Fonte: Tradição oral e Wikipédia. As fotos antigas foram cedidas pelo Professor Carlos)
A palavra “pantalugos” não existe no dicionário e só se usa no Alqueidão, quando nos queremos referir à rama verde que nos fins de Abril e durante o mês Maio vai dar origem à maior erva que existe em Portugal, a canafrecha.
Pantalugos aparecem com abundância nas bordas dos caminhos e nos terrenos não cultivados. Antigamente serviam para varrer o forno de cozer o pão, fazendo-se com a rama uma espécie de vassoura.
Este slideshow necessita de JavaScript.
Nos dias que correm abundam os terrenos não cultivados, e os pantalugos não têm qualquer utilidade na vida das pessoas, por isso eles crescem livremente por todo o lado, dando origem a grandes extenções de canafrecha.
Este slideshow necessita de JavaScript.
A Canafrecha (Ferula communis), é nativa da região mediterrânica e dá-se bem em solos de origem calcária. Antigamente as crianças aproveitavam o caule desta planta para rudimentares brinquedos. Actualmente, apesar do seu porte majestoso ninguém lhe dá importância nenhuma.
O lugar próximo do Alqueidão a que chamamos “os Eucaliptos” é um espaço composto por alguns eucaliptos, que por herança pertencem a várias pessoas, e que está rodeado por terrenos agrícolas.
Antigamente este lugar era bastante frequentado.
Um cheirinho a eucalipto, a sombra fresca e o canto dos pássaros fazia dos Eucaliptos um lugar excelente para a realização dos piqueniques de verão.
Este slideshow necessita de JavaScript.
Nas tardes de domingo, depois de preparar os sacos com o lanchinho e uma manta para colocar no chão, saindo da aldeia, seguia-se a pé pelo caminho estreito dos eucaliptos onde abundava erva cidreira e erva-de-são-roberto, até chegar ao sitio ideal para fazer o piquenique.
Antigamente no Alqueidão, quando as crianças tinham tosse convulsa, as mães iam com elas para “os eucaliptos” e passavam lá as tardes a brincar.
Um estudo alemão realizado em 2003 pelo Departamento de Pneumologia do Hospital de Bona, revelou que o efeito anti-inflamatório do eucalipto reduz os sintomas da asma severa, permitindo aos pacientes reduziram a dosagem de corticóides em 36%.
O eucalipto está indicado para o tratamento das afecções das vias respiratórias (pulmões, ouvido, nariz e garganta), tais como resfriados, gripes, bronquites, inflamações orofaríngeas, otites, rinites,sinusites e tosse.
Actualmente nos Eucaliptos as ervas e as silvas crescem livremente por todo o lado, tornando impossível a realização de piqueniques ou de qualquer outra actividade.
Este slideshow necessita de JavaScript.
O caminho de acesso aos Eucapitos, estreito e repleto de ervas aromáticas, por onde passavam os burros carregados com os produtos agrícolas, foi bastante alargado de forma a ser possível a circulação de automóveis e máquinas até às explorações de pedreiras, e as ervas aromáticas que cresciam na borda do caminho deram lugar a grandes extensões de canafrexa.
(as fotos mais antigas foram cedidas por Suzete, Benvinda Marto e Padre Américo Ferreira)
Corria o ano de 1917. O cirurgião Manuel Vieira Amado montado na sua mula, percorria as aldeias da Serra D’Aire prestando cuidados de saúde a quem precisava.
Manuel Vieira Amado é o cirurgião de quem se fala nas “Memórias da Irmã Lucia”, 3ª edição, página 59, quando se fala de Maria Rosa, a mãe de Lúcia ” Por fim consultou-se um cirurgião que dava consulta em São Mamede, que declarou ter minha mãe uma lesão cardíaca, um elo de espinha deslocado e os rins caídos. Submeteu-a a um rigoroso tratamento de pontas de fogo e vários medicamentos, com os quais obteve algumas melhoras.”
Manuel Vieira Amado nasceu a 10 de Outubro de 1851. Casou com Águeda de Jesus Roque. Faleceu a 10 de Novembro de 1929.
Foi ele quem trouxe a notícia para o Alqueidão da Serra: “Três crianças afirmavam ter visto Nossa Senhora enquanto guardavam os rebanhos na Cova da Iria”.
“Não pode ser. Não pudemos acreditar em tudo o que dizem”, era o que dizia a esposa do cirurgião (Águeda de Jesus Roque), mas as outras pessoas da aldeia começaram a ficar muito atentas às novidades.
Ouviram depois dizer que Nossa Senhora tinha pedido às crianças para irem aquele mesmo lugar durante seis meses seguidos, sempre no dia 13, e que depois lhes diria quem era e o que queria.
Por volta do meio dia, depois de rezarem o terço, como faziam habitualmente, entretinham-se a construir uma pequena casa de pedras soltas no local onde hoje se encontra a Basílica. De repente, viram uma luz brilhante, e julgando ser um relâmpago, decidiram ir-se embora, mas, logo abaixo, outro clarão iluminou o espaço, e viram em cima de uma pequena azinheira (onde agora se encontra a Capelinha das Aparições), uma “Senhora mais brilhante que o sol”, de cujas mãos pendia um terço branco.
A noticia espalhou-se depressa e começaram a chegar até Fátima pessoas que vinham a pé de todos os cantos do país para falar com os pastorinhos.
Alguns meses mais tarde um grupo de raparigas do Alqueidão começou a ensaiar para cantar em Fátima, nos dias 13 de cada mês.
Os ensaios eram feitos pelo Padre Francisco Vieira da Rosa e pelo seu amigo, o Padre Oliveira, que tocava orgão, e vinha sempre cá passar as férias a casa da Senhora Maria (A Padra), onde moravam também os seus irmãos, os três padres Rosa: António, Francisco e Joaquim Vieira da Rosa.
O grupo de Cantoras em frente à porta da Capela de Nossa Senhora da Tojeirinha.
Da esquerda para a direita em cima: João Rosinha, ?? Maria Rabeca; Ti Esperança; Ti Clementina; Maria Vieira da Rosa (Padra); Maria Alexandrina; ???, Laura Sarrana e Maria Alvina. Em frente ao João Rosinha está a Ti Emília Chora; Na Fila de Baixo da esquerda para a direita: 3 crianças; Susana do Chico Patrão; outra criança; Padre Francisco Vieira da Rosa; outra criança; Padre Oliveira; outra criança; Adelaide da Ti Catrina; Albertina Manecas.
As crianças, Lucia, Francisco e Jacinta, foram castigados pelos pais e perseguidos pelas autoridades locais, que as ameaçaram e sujeitaram a intermináveis interrogatórios.
No dia 13 de Agosto de 1917 estavam presentes na Cova da Iria cerca de 18.000 pessoas, mas as crianças não apareceram. Tinham sido afastadas de Fátima e fechadas pelo Administrador de Vila Nova de Ourém. As pessoas presentes na Cova da Iria disseram que ouviram um enorme trovão que abalou o solo, e que viram a seguir um grande relâmpago. Depois tudo se passou como se as crianças estivessem presentes: a pequena nuvem estava no sitio habitual, e a intensidade luminosa do sol diminuiu durante 10 minutos.
As três crianças depois de terem suportado os incontáveis interrogatórios e as pressões psicológicas para as fazerem confessar a mentira, foram libertadas no dia 16 de Agosto. No dia 19 de Agosto enquanto guardavam os rebanhos nos Valinhos, disseram ter visto outra vez a Senhora. Depois de Ela ir embora, apanharam os raminhos sobre os quais a Senhora tinha posto os pés, e levaram-nos para casa. Quando os pais das crianças seguraram os raminhos nas mãos, libertou-se um perfume suave e desconhecido, o que os levou a pensar que talvez fosse mesmo verdade o que as crianças diziam.
Nesta ocasião as crianças contaram que a Senhora lhes pediu que continuassem a rezar o terço todos os dias, e que “orassem e fizessem sacrifícios pelos pecadores, porque muitas almas vão para o inferno por não terem ninguém que se sacrifique e reze por elas”.
FRANCISCO MARTO nasceu a 11 de junho de 1908 era filho de Manuel e Olimpia de Jesus Marto e era irmão mais velho da Jacinta e primo direito da Lúcia. Tinha nove anos na altura das aparições. Durante as aparições do Anjo e de Nossa Senhora, ele viu tudo, mas, ao contrário da Lúcia e da Jacinta, não conseguia ouvir qualquer palavra.
Em Outubro de 1918, Francisco adoeceu gravemente. Faleceu perto das 10 horas da noite, do dia 4 de Abril de 1919. Descrevendo a morte do seu primo, nas suas Memórias, a Irmã Lúcia escreveu: “Ele voou para o Céu nos braços da Nossa Mãe Celeste.”
JACINTA MARTO nasceu a 11 de Março de 1910. Na altura das aparições tinha sete anos. Durante as aparições viu e ouviu tudo, mas não falou com o Anjo nem com Nossa Senhora. Inteligente e muito sensível, ficou profundamente impressionada quando ouviu a Nossa Senhora dizer que Jesus estava muito ofendido pelos pecados. Depois de ver a imagem do inferno, decidiu oferecer-se completamente à salvação das almas.
Um ano depois das aparições da Cova da Íria, começou a doença que a levaria à sua morte. Primeiro foi a pneumonia bronquial, depois um abcesso nos pulmões, que lhe causaram muito sofrimento. Na sua cama de hospital, dizia que a sua doença era mais uma maneira de sofrer para a conversão dos pecadores. Faleceu na noite de 20 de Fevereiro de 1920.
Em resposta ao pedido de Nossa Senhora foi construída uma modesta capela no local exacto onde ocorreram as aparições. A tarefa ficou concluída em 15 de Junho de 1919 e foi executada pelo pedreiro Joaquim Barbeiro de Santa Catarina da Serra.
A imagem de Nossa Senhora de Fátima, feita segundo as orientações da irmã Lucia, foi oferecida por Gilberto Fernandes dos Santos, e foi benzida no dia 13 de Maio de 1920 na Igreja Paroquial de Fátima, e foi entronizada na Capelinha a 13 de Junho do mesmo ano. É feita em madeira, cedro do Brasil, e mede 1,10m de altura.
A celebração da Santa missa junto à Capelinha foi permitida oficialmente no dia 13 de Outubro de 1921.
LÚCIA DOS SANTOS nasceu a 22 de Março de 1907, era filha de António e Maria Rosa dos Santos. Era a mais jovem de sete irmãos e irmãs e a mais velha dos três pastorinhos.
Era a Lúcia que falava com Nossa Senhora e que lhe apresentava os pedidos em nome de muita gente, e que pediu um milagre para que todos acreditassem nas aparições. Quando o Francisco e a Jacinta adoeceram, foi a Lúcia que os acompanhou carinhosamente até ao fim das suas vidas. Faleceu com 98 anos, a 13 de Fevereiro de 2005 em Coimbra, freira da ordem das Carmelitas Descalças.
Para evocar a vida e a espiritualidade de Francisco e Jacinta Marto, foi inaugurada em Fátima, no dia 4 de abril de 2014, a Casa das Candeias, um núcleo museológico dedicado a estes dois pastorinhos, que reúne não só relíquias dos videntes, mas também do papa João Paulo II, que os beatificou.
Este slideshow necessita de JavaScript.
O Francisco e a Jacinta, durante a sua infância, nas suas brincadeiras, gostavam de chamar ao sol a candeia de Nosso Senhor e à lua a candeia de Nossa Senhora.
No dia em que foram beatificados, 13 de Maio de 2000, em Fátima, o papa João Paulo II, chamou-os “estas duas candeias que Deus acendeu para iluminar a humanidade nas suas horas sombrias e inquietas”.
1 – Alqueidão da Serra: Apontamentos para a sua História – de Alfredo de Matos;
2 – A Comarca de Porto de Mós – de Alfredo de Matos;
3 – Dom António Pinheiro – de Alfredo de Matos;
4 – A Escola de Frei José e Frei Manuel da Conceição na Serra de Santo António – de Alfredo de Matos;
5 – Da Pré-História à Actualidade: Monografia de Porto de Mós – de Francisco Furriel;
6 – José da Silva Catarino: Uma Visão para além da Serra – de Nuno Matos
7 – Wikipédia
8 – Jornal “O Portomosense”
9 – Jornal “O Mensageiro”
10 – Tradição Oral