O Mês de Maria

Maio, o mês das flores, era antigamente nesta freguesia de Alqueidão da Serra, dedicado a Nossa Senhora.

Com delicadas flores do campo (maias, cachuchos, rosas albardeiras. etc.), entremeando com uma ou outra flor de jardim, grupos de raparigas compunham as ofertas.

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Estas ofertas eram açafates de verga de forma redonda, onde eram colocadas as flores, e também produtos hortícolas que depois eram vendidos no adro. Um grupo de “ofertas”, tinha o nome de “rancho”.

Todos os anos, havia pelo menos dois: o do Alqueidão e o da Carreirancha, mas, há memória de se ter apresentado também um da Senhora da Tojeirinha, abrangendo a Rua de Cima, e outro de A-do-Ferreiro, junto com as Calçadas.

Cada “rancho” tinha a sua bandeira que era um modesto pedaço de pano-cru, sobre o qual fixavam um ou mais “santinhos”. O lugar do centro pertencia sempre a um registo de Nossa Senhora.

Abria o cortejo o menino escolhido para levar a bandeira, ladeado por mais dois se ela tinha borlas. Seguiam-se as meninas com as “ofertas” à cabeça.

Atrás, iam as raparigas organizadoras do “rancho”, com as pessoas que podiam e queriam juntar-se. Pelo caminho adiante, juntavam-se mais pessoas com “ofertas”, que se metiam no grupo respectivo.

A tradição oral afirma que esta prática religiosa vem de tempos que ninguém soube fixar e era vivida com muito fervor, no entanto ela foi sofrendo algumas modificações ao longo dos tempos.

Nas décadas de 30 e 40 as pessoas da aldeia ainda organizavam todos os domingos do Mês de Maio, procissões com cestas de flores e ofertas em honra de Nossa Senhora.

O Ti António Carreira saía da sua casa no cruto da Carreirancha segurando a bandeira, e as pessoas iam-se juntando ao cortejo, percorrendo todas as ruas da aldeia até chegar à Igreja, levando as suas ofertas.

HerasOs fatos das crianças eram enfeitados com enleios (espécie de heras que trepavam pelos muros), e levavam cestos com lindas flores que tinham apanhado pelos campos.

Chegando à Igreja, as flores eram oferecidas a Nossa Senhora, enquanto se cantava:

Aqui tendes, ó Maria,
Esta oferta de flores,
Apanhadas pelos campos,
Pelas mãos dos pecadores.
 
Aqui estou, Virgem Senhora,
Já contrita na verdade!
Pedindo misericórdia,
Perdão, perdão e piedade!
 
Pela Vossa Conceição,
Ó Maria Imaculada,
Tornai bem puro o meu corpo,
Minha alma santificada.
 
Mãe de Deus, nós vos pedimos
O perdão dos pecadores,
Para que unidos na glória,
Demos ao Filho louvores.
 

Depois da missa, as ofertas eram colocadas à venda no Adro da Igreja.

Tudo terminou com a chegada do Rev.º Padre Manuel Ferreira, em Novembro de 1950. Por esta altura os ofertas foram substituídas por pequenos raminhos que as pessoas colocavam numa rede que tinha sido colocada para esse efeito junto ao altar de Nossa Senhora.

Esta prática, passado pouco tempo também deixou de se fazer, no entanto o Mês de Maio continuou a ter um significado importante para os habitantes da aldeia.

Permanece ainda o costume de rezar o terço todos os dias do Mês de Maio, em comunidade, na Igreja Paroquial ou na Capela. No fim do mês faz-se o encerramento do Mês de Maria com uma missa solenizada.

Celebramos o Dia da Mãe no primeiro domingo de Maio.

A 13 de Maio comemora-se aquele dia de 1917 em que Nossa Senhora apareceu aos pastorinhos de Fátima. Alguns habitantes do Alqueidão presenciaram o milagre do sol, e durante toda a sua vida foram muito devotos de Nossa Senhora.

testemunhas do milagre do sol

Testemunhas do Milagre do Sol

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A Revolução dos Cravos

25 de Abril de 2014 – 40º Aniversário

Na memória dos portugueses está ainda presente a política do regime do Estado Novo que mantinha um estrito controlo dos meios de comunicação, recorrendo à censura prévia dos jornais e à apreensão sistemática de livros. A prisão e a morte eram frequentemente o castigo de quem ousava expressar aquilo que pensava, ou contrariava o discurso oficial do Estado.

A PIDE (Polícia Internacional de Defesa do Estado) tinha como finalidade condicionar, controlar, ou eliminar todas as manifestações de opinião, e impedir que se organizassem grupos de contestatários ou descontentes.

Os agentes da PIDE normalmente eram militares e alguns deles tinham curso superior, mas a maior parte dos inspectores tinham apenas a quarta classe, e vinham do campo, do Norte e Centro do País. Os informadores, esses, eram uma classe à parte. As pessoas eram informadoras porque queriam, e eram pagas para isso, mas não pertenciam à polícia.

A Guerra Colonial, para além de ser profundamente injusta e de causar muito sofrimento, era um sorvedouro dos dinheiros do Estado. A fome, a miséria, o medo e a angustia faziam parte da vida das pessoas.

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Muitos cidadãos emigraram, não só para fugir à miséria mas também à terrível Guerra Colonial, e à forte repressão politica.

Saíam do país clandestinamente, dizia-se que iam “a salto” para França. Um rapaz do Alqueidão foi morto quando tentava atravessar a fronteira, o nome dele era Viriato.

Os que conseguiram passar a fronteira tinham que se sujeitar aos interesses dos “passadores”, dos “alojadores” e dos patrões que pagavam salários miseráveis aos portugueses recém-chegados e os obrigavam a trabalhar muitas horas, aproveitando-se do facto de não terem papéis.

Na manhã de 25 de Abril de 1974 tudo começou a mudar. O MFA “Movimento das Forças Armadas” foi responsável pela revolução que acabou com o Estado Novo em Portugal. A sua motivação prendia-se com  o descontentamento pela política seguida pelo governo em relação à Guerra Colonial.

As tropas foram comandadas por diversos capitães de entre os quais se destacou Salgueiro Maia, que comandou tropas vindas da Escola Prática de Cavalaria de Santarém. No quartel da Pontinha as operações foram dirigidas por Otelo Saraiva de Carvalho.

Não houve mortos nem feridos, e neste dia os canos das metralhadoras encheram-se de cravos vermelhos. A direcção do País foi confiada à Junta de Salvação Nacional que assumiu os poderes dos órgãos do Estado.

Viveu-se a seguir um período de grande euforia. Toda a gente sentiu uma enorme alegria ao pensar que a guerra colonial iria acabar, foram libertados os presos políticos, os emigrantes que tinham saído clandestinamente do País podiam voltar sem medo de ser presos. Todos podiam expressar livremente a sua opinião sem medo que estivesse por perto algum informador. Foi há 40 anos.

Para as comemorações do 40º aniversário da Revolução a Junta de Freguesia do Alqueidão da Serra, convidou a população para um convívio no salão da Casa do Povo, onde os participantes tiveram oportunidade de partilhar as suas experiências e recordações do dia 25 de Abril de 1974. O serão foi animado com actuação do Coral Calçada Romana.

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Guerra Colonial 1961-1974

A Guerra Colonial desenrolou-se nas colónias de Angola, Moçambique e Guiné durante 13  anos. O confronto era entre as Forças Armadas Portuguesas e as forças organizadas pelos movimentos de libertação de cada uma daquelas colónias.

Depois da 2.ª Guerra Mundial a recém-formada ONU recomendou que os países dessem independência às suas colónias, mas Portugal declarava que não tinha colónias, apenas “províncias ultramarinas”. Salazar afirmava que o nosso país era um «Estado unitário, formado de províncias dispersas e constituídas de raças diferentes».

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No início da década de 60, Portugal teve de enfrentar uma guerra contra os movimentos armados que se organizaram nas principais colónias portuguesas. 

A guerra começou primeiro em Angola (1961) depois na Guiné (1963) e depois em Moçambique (1964). Na Metrópole crescia a mobilização militar para fazer face a este combate.

Eram graves as deficiências na preparação militar na Metrópole. A formação era abstracta, apesar de existirem três teatros de operações com características geográficas e climatéricas diferentes, e com guerra efetiva.

Na recruta não se ensinava nada a respeito do que seriam as características das províncias em guerra, sabia-se apenas que existia guerra em Angola, na Guiné e em Moçambique, e o resto era esperar pela sorte de ficar na Metrópole ou partir para uma das Províncias sem guerra.

Se o militar tivesse o azar de ser mobilizado para o teatro de operações de uma das três províncias em guerra, teria de ir para lá, sem mais nada saber…!

Muitas famílias do Alqueidão (bem como das outras aldeias portuguesas) viram os seus filhos partir para esta guerra profundamente injusta.

Depois da dor causada pela repentina separação da família, chegaram a uma terra onde tudo era diferente, e mesmo sem conhecerem bem as razões que levavam à existência da guerra, tinham que vencer o medo e fazer o que tinha que ser feito.

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Os familiares, as madrinhas de guerra e as namoradas enviavam-lhes cartas com palavras de conforto e ânimo, e nas suas orações pediam a Nossa Senhora de Fátima que os protegesse para que voltassem para casa com saúde.

Ex-Combatentes Nascidos em Alqueidão da Serra

Nascidos em 1938

  • Adelino da Costa Santos……………………………..Angola

Nascidos em 1939

  • Artur de Jesus Domingos…………………………………Angola
  • Artur dos Anjos Vieira……………………………………..Angola
  • Américo Matos Bartolomeu……………………………..India
  • Adriano Honorato Carreira………………………………Angola

Nascidos em 1940

  • António Pereira Joaninho……………………………….Angola
  • João Alberto de Matos……………………………………Guiné/India
  • João Vicente Amado………………………………………Angola
  • Manuel Domingos Vicente……………………………..Timor
  • Manuel de Jesus Vieira………………………………….Angola
  • Manuel da Silva Santana Frazão…………………….Angola

Nascidos em 1941

  • Abílio Real Batista…………………………………………….Angola
  • Adelino de Jesus Antunes………………………………….Angola
  • Aníbal Gomes de Matos…………………………………….Angola
  • António Pires Vieira Pedro………………………………..Angola
  • Fernando da Conceição Silva……………………………..Angola
  • Fernando de Matos Vieira………………………………….Angola
  • Francisco da Silva Vieira Pedro………………………….Angola
  • Manuel da Silva Santos……………………………………..Angola
  • Rafael Carreira Petrão……………………………………….Angola
  • Valdemar Amado Bartolomeu…………………………….Guiné
  • Ramiro Amado Carvalho…………………………………….São Tomé

Nascidos em 1942

  • Alfredo Correia Vieira Laranjeiro………………………….Angola
  • Alfredo Pereira Gomes…………………………………………Angola
  • Álvaro da Costa Saragoça……………………………………..Angola
  • Aníbal da Silva Santos………………………………………….Angola
  • António Custódia Antunes…………………………………….Moçambique
  • Avelino Correia Marto…………………………………………..Angola
  • Inocêncio Batista dos Santos………………………………….Angola
  • José Carlos da Silva Batista…………………………………….Guiné
  • Manuel Pereira Carvalho……………………………………….Angola
  • Manuel Silva Raposo…………………………………………….Moçambique

Nascidos em 1943

  • Alfredo Amado Roque………………………………….Moçambique
  • António da Silva Pereira……………………………….Angola
  • Eduardo Oliveira Amado………………………………Angola
  • Hermínio da Costa Carreira………………………….Guiné
  • João Pereira Carvalho ………………………………….Guiné
  • José da Costa Santos……………………………………Angola
  • José Carreira……………………………………………….Angola
  • Luís Carvalho de Matos…………………………………Moçambique
  • Manuel da Conceição Pedro…………………………..Angola
  • Raúl Laranjeiro dos Santos……………………………Angola
  • Vítor Amado dos Santos………………………………..Angola

Nascidos em 1944

  • Artur da Piedade Vieira da Rosa…………………….Angola
  • Fernando de Jesus Carvalho………………………….Angola
  • Garcia Amado Carvalho………………………………..Guiné
  • José Real Batista………………………………………….Guiné
  • José Saragoça Calvário…………………………………Moçambique
  • Júlio Carvalho Calvário…………………………………Guiné
  • Manuel de Jesus Rosa…………………………………..Guiné
  • Manuel Vieira Vicente…………………………………..Moçambique

Nascidos em 1945

  • Francisco Carlos da Encarnação Matos………….Moçambique
  • João da Conceição Pedro………………………………Moçambique
  • Joaquim da Silva Batista……………………………….Guiné
  • José de Matos Carvalho…………………………………Angola
  • Manuel Francisco Correia Marto…………………….Guiné
  • Manuel de Jesus Vieira………………………………….Guiné
  • Manuel Pereira Carvalho……………………………….Moçambique
  • Mário da Costa Santos…………………………………..Angola

Nascidos em 1946

  • José da Costa Carreira………………………………….Moçambique
  • José da Costa Carreira………………………………….Angola
  • José de Jesus Gomes…………………………………….Angola
  • Lourenço Neto Vicente………………………………….Angola
  • Luís Carvalho Vieira………………………………………Angola
  • Manuel Martins Taborda………………………………..Guiné

Nascidos em 1947

  • Adriano Amado Carvalho……………………………..Angola
  • Bento Henrique Carvalho António…………………Moçambique
  • Daniel das Dores Laranjeiro………………………….Moçambique
  • Eugénio Pereira Gomes…………………………………Guiné
  • Ilídio do Rosário Carvalhana………………………….Moçambique
  • João Honorato Carreira…………………………………Guiné
  • José Amado Bartolo………………………………………Guiné
  • José da Costa Gaspar…………………………………….Guiné
  • José da Costa Vieira………………………………………Angola
  • Júlio Vieira Marques……………………………………..Angola
  • Manuel da Costa Carreira……………………………..Moçambique
  • Manuel da Silva Gaspar…………………………………Angola
  • Manuel Vicente Carreira………………………………..Angola
  • Raimundo Vieira Ribeiro……………………………….Moçambique

Nascidos em 1948

  • Rafael Amado Carvalho………………………………..Moçambique
  • Manuel Amado Roque………………………………….Angola
  • Luís Carvalho Calvário…………………………………Angola
  • José Augusto da Costa Vieira………………………..Guiné
  • Joaquim de Jesus Rosa………………………………..Moçambique
  • Inocêncio Saragoça Calvário…………………………Moçambique
  • Francisco Calvário Ramos…………………………….Moçambique
  • Emídio da Piedade Pastilha…………………………..Moçambique
  • Daniel Vieira da Cunha Boal………………………….Guiné
  • Arnaldo Vieira Vicente………………………………….Angola
  • António Pereira Carreira……………………………….Moçambique
  • António da Costa Carreira……………………………..Angola
  • António de Carvalho Pereira………………………….Angola
  • Adelino de Jesus Vicente………………………………Angola

Nascidos em 1949

  • Carlos Alberto Rosa Vieira……………………………Cabo Verde
  • José Carlos Ferreira dos Santos…………………….Angola
  • Manuel Frazão Saragoça……………………………….Moçambique
  • Marcolino Antunes Pastilha…………………………..Moçambique
  • Raúl dos Santos Silva……………………………………Cabo Verde
  • Silvino de Jesus Taborda……………………………….Guiné

Nascidos em 1950

  • Daniel Saragoça dos Santos…………………………..Moçambique
  • Fernando Lino Ferreira dos Santos………………..Angola
  • Joaquim da Silva Santos……………………………….Angola
  • José Batista dos Santos…………………………………Angola
  • José da Silva Frazão………………………………………Moçambique

Nascidos em 1951

  • Adolfo da Silva Laranjeiro……………………………..Guiné
  • António Pereira Carvalho………………………………Angola
  • Arlindo Martins de Jesus……………………………….Moçambique
  • Ezequiel Saragoça Calvário…………………………….Guiné
  • Francisco da Silva Gaspar………………………………Guiné
  • João Luis Amado Costa………………………………….Moçambique
  • José Vieira Pedro…………………………………………. Angola
  • Júlio Carvalhana Vieira………………………………….Guiné
  • Luis Manuel Vieira da Rosa…………………………… Angola
  • Manuel Carvalho Pereira………………………………. Angola

Nascidos em 1952

  • Adelino da Costa Gaspar……………………………….Moçambique
  • David Vieira Ribeiro…………………………………… .Moçambique
  • Fernando Manuel Amado Carvalho………………..Angola
  • Jorge da Costa Santos……………………………………Moçambique
  • José Vieira Carreira…………………………………….. Angola
  • Silvestre Franklim Carvalho António…………….. Angola/Moçambique

Nascidos em 1953

  • Augusto Manuel Gomes Vieira………………………Angola
  • Daniel Vieira Gomes…………………………………….Cabo Verde
  • Martinho da Rosa Gago………………………………..Angola
  • Orlando Saragoça Calvário……………………………Angola
  • Salvador de Jesus Gomes……………………………..Angola

Dos rapazes que tinham saído do Alqueidão apenas um morreu na guerra do ultramar, todos os outros regressaram, mas trouxeram gravados na alma os horrores que tinham presenciado, e os traumas acompanharam-nos durante toda a vida.

8 Foto 6x9 Guerra ColonialAs consequências desta guerra foram trágicas:

  • Um milhão e quatrocentos mil homens mobilizados, provenientes de todas as regiões do país.
  • Nove mil mortos
  • Cerca de trinta mil feridos,
  • Cento e quarenta mil ex-combatentes que ficaram a sofrer distúrbios pós-guerra.

Os mortos em combate eram enterrados nos cemitérios organizados pelas unidades militares nas localidades onde tinham as suas bases. 

Os deficientes, jovens que na força da vida se viram amputados, cegos, com doenças internas graves  e com um futuro incerto, foram a face mais visível da guerra colonial.

Uma das famílias do Alqueidão que viu quatro dos seus filhos partir para a guerra, em alturas diferentes, teve a alegria de os ver regressar, todos eles, com saúde.

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Quatro irmãos . Todos eles combateram na guerra do Ultramar

A revolução em 25 de Abril de 1974 determinou o fim deste conflito. Os novos dirigentes anunciavam para Portugal um regime democrático e dispuseram-se a aceitar as reivindicações de independência das colónias. Começaram então a ser negociadas as fases de transição com os movimentos de libertação empenhados na luta armada.

Militares que tiveram a sorte de ficar na Metrópole

Nascidos em 1938

  • Armando Vieira Bertolo
  • Joaquim da Silva Santos
  • Manuel Carvalho António

Nascidos em 1939

  • Virgolino de Jesus Vieira
  • José Maria Pastilha
  • Fernando Pereira Vieira da Rosa
  • Euclides Amado dos Santos

Nascidos em 1940

  • António da Conceição Ribeiro
  • João da Piedade Pastilha
  • José Carlos Vieira da Rosa
  • José das Neves Carreira
  • Orlêncio Carvalho António

Nascidos em 1941

  • Abílio da Costa Carreira
  • Arlindo da Encarnação bartolomeu
  • Fernando da Costa Santos
  • João Vieira da Cunha Boal
  • João Carvalho António
  • Manuel Laranjeiro dos Santos
  • Manuel Rosa Domingues

Nascidos em 1942

  • Albino Carreira
  • António Jesus Vieira
  • Armando Pinheiro Neto
  • Artur de Jesus Vicente
  • Horácio de Matos Vieira
  • João da Conceição de Matos
  • José de Jesus Vieira
  • Leonel de Jesus Vieira
  • Manuel de Jesus Gomes

Nascidos em 1943

  • António Correia Santiago
  • Fernando Vicente Carreira
  • Jorge dos Reis Amado
  • José Calvário Ramos
  • Manuel Correia Gaiola
  • Manuel da Costa Carreira
  • Manuel da Silva Batista

Nascidos em 1944

  • Ezequiel Batista Vieira
  • Herculano da Costa Saragoça
  • José da Assunção Carvalho
  • Manuel Gonçalo da Silva Pereira

Nascidos em 1945

  • Agostinho de Jesus Vieira Jorge
  • Eduardo Correia Santiago
  • Fernando de Jesus Vicente
  • José Carvalho dos Santos
  • José Mónica Carreira
  • Silvino Vieira Pedro

Nascidos em 1946

  • João Alberto Amado Bartolomeu

Nascidos em 1947

  • Álvaro Vieira Catarino
  • Armando Carlos Vieira da Rosa
  • Artur Carreira Marto
  • Carlos Alberto Correia Santiago
  • Carlos Amado dos Santos
  • José Casimiro Costa Saragoça
  • José Vieira Pereira

Nascidos em 1948

  • Garcia Amado Carvalho

Nascidos em 1949

  • Adriano de Jesus Carreira
  • Fernando da Costa Gaspar
  • Inocêncio Vieira Santana
  • João da Costa Saragoça
  • José da Costa Vieira
  • Manuel Vieira Duque
  • Vítor Manuel Correia Santiago

Nascidos em 1950

  • Hermínio Custódio Antunes
  • José da Costa Vieira
  • Virgílio Vieira Ribeiro

Nascidos em 1951

  • Dinis Carreira Batista
  • Joaquim de Matos Carvalho
  • José da Silva Santana
  • Júlio Vieira Vicente
  • Manuel Carvalho Calvário
  • Manuel de Jesus Batista

Nascidos em 1952

  • Adolfo Calvário da Silva Ramos
  • Aurélio Frazão Saragoça
  • Eduardo Correia dos Reis
  • Ernesto Alcides da Silva Saragoça
  • Fernando António Correia
  • Fernando de São José da Cunha Boal
  • Franquelim de Jesus Vieira
  • José Vieira Santana
  • Leonel Vieira Catarino
  • Salvador de Jesus da Conceição Costa

Nascidos em 1953

  • Armando Vieira Lage Carreira
  • Domingos Batista dos Santos
  • Fernando Bártolo Pedro
  • José Moço Vieira
  • Luis Manuel Gomes Vieira
  • Tarsísio Pereira Saragoça

Nascidos em 1954

  • Constantino Meireles Neto
  • Fernando Vieira Correia
 
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Chinquilho

O jogo “chiquilho” era antigamente muito popular entre os homens do Alqueidão, que costumavam juntar-se no Caminho Velho aos fins de semana.

cinquilho

Para jogar são necessárias as Malhas e os Fitos:

As Malhas devem ter a forma de disco e devem ser confeccionadas em aço obedecendo às seguintes medidas:

  • Diâmetro: 9 centímetros (mínimo) e 11 centímetros (máximo).
  • Peso: 600 gramas (mínimo) e 800 gramas (máximo).
  • Espessura do centro: 135 milímetros aproximadamente.

Os Fitos deverão ser de madeira, de forma cilíndrica e com a ponta arredondada, com as seguintes medidas:

  • Comprimento total: 18 centímetros.
  • Diâmetro: 03 centímetros.
  • Comprimento da parte cilíndrica: 13 centímetros a partir da base.
  • Raio da ponta: 2,5 milímetros.

Joga-se por equipes. Os parceiros colocam-se cada um numa cabeceira do campo, de modo a ficarem lado a lado com o adversário.

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Objectivo

Os jogadores lançarão as malhas, procurando derrubar o fito da outra cabeceira e/ou deixar a malha o mais próximo possível.

Arremessos

A jogada de uma cabeceira é considerada completa quando todos os jogadores tiverem efectuado os seus arremessos de um dos lados do campo, sendo que a jogada estará completa totalmente quando todos jogadores de uma e de outra cabeceira tiverem arremessado as suas respectivas malhas, num total de dezasseis malhas.

Pontuação

Serão considerados quatro pontos para a equipa cujo atleta arremessar a malha, e esta atingir o pino no circulo existente na cabeceira oposta do campo, derrubando-o.

Serão considerados dois pontos para cada malha que penetrar totalmente no circulo interno e ficar mais próxima do pino que a do adversário, depois de concluída a jogada da cabeceira oposta.

Bola e Fito

Muito antes do jogo do chinquilho, quando os pastores andavam pelas serras com os seus rebanhos, os homens juntavam-se aos fins de semana no Caminho Velho, para jogar um jogo a que chamavam “O jogo da Bola”.

Podiam jogar 4, 6, ou 8 pessoas de maneira a formarem dois grupos. Se fosse só com quatro pessoas o jogo era ganho pelo primeiro grupo de dois que derrubasse o fito de madeira 12 vezes, ou atingisse os 24 pontos.

Cada vez que se deitasse o fito ao chão marcava-se 2 pontos. Cada vez que a bola de madeira (meio palmo de tronco de oliveira) ficasse mais perto de fito, ganhava um ponto.

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Professores Primários

Esta é a certidão de nascimento da escola primária do Alqueidão. Na acta da sessão da Câmara Municipal datada de 17 de Julho de 1894 ficou declarado:

Foi presente um officio do Senhor Administrador deste Concelho enviando o processo para a criação de uma escola primaria elementar na freguesia do Alqueidão da Serra, deste Concelho, afim desta Camara resolver acerca do determinado no artigo l4º do Decreto de 6 de Maio de 1892: e a Camara reconhecendo ser de toda a conveniencia para a referida freguesia a criação da mencionada Cadeira como já ponderou no seu primeiro informe resolveu por unanimidade declarar ou informar que se acha assegurado com permanencia o fornecimento da casa, e mobilia escolares, bem como a casa para a habitação do professor ou professora, a cujos encargos a Camara se responsabiliza; e que desta deliberação se d’esse copia ao Senhor Administrador deste Concelho afim de documentar o respectivo processo.”

Os Professores

Quanto aos professores, pelo “Diário do Governo” do 17 de Dezembro de 1894, ficamos a saber:

JOÃO JOSÉ GOMES MENDES. Nascido no Reguengo do Fetal, em 1848, foram seus pais António José e Maria Felizarda, o primeiro, natural do lugar do Reguengo e a segunda, era natural da Torre da Magueixa. Foi casado com Maria Vitória Lopes da Cunha, parente muito próxima do poeta Afonso Lopes Vieira, e faleceu na sua casa e terra natal, ás duas horas da tarde do dia 30 de Julho de 1900.

Foram posteriormente colocados no Alqueidão os seguintes professores:

JOAQUIM DA COSTA REBELO.  Foi colocado na Escola de Alqueidão da Serra, mas trocou de lugar com  José Candeias Duarte, indo por essa razão, para a escola deste que era em César, Fajães, concelho de Oliveira de Azeméis e Candeias Duarte veio para a escola do Alqueidão.

JOSÉ CANDEIAS DUARTE. A verdadeira organização do ensino primário no Alqueidão e os melhores resultados são obra deste professor, igualmente ilustre, inteligente e trabalhador. Aqui trabalhou nove anos lectivos. Era um mestre austero, mas compreensivo e justo.

Ocupou o lugar  de Presidente da Comissão Municipal Republicana de Porto de Mós e, por inerência legal, ocupou o lugar de Administrador do Concelho, do qual tomou posse oficial e pública em sessão solene, a 10 de Outubro de 1910.

De José Candeias Duarte, afirmou o antigo Ministro da Instrução, Dr. Alfredo de Magalhães, que ele era o melhor e o maior Inspector do nosso Ensino Primário.

Candeias Duarte,  com base nas informações de familiares e amigos  deve ter chegado ao Alqueidão nos dois primeiros anos escolares do século XX (1902/1903).

Instalado com a família já constituída na casa a que o professor tinha direito por lei, aqui lhe veio a nascer um filho, ao qual deu como padrinho o Padre Manuel Afonso e Silva, homenageando assim o devotado carinho deste sacerdote pelas coisas do ensino local.

O Filho do Professor Candeias ficou a chamar-se Afonso. Foi a primeira pessoa nascida no Alqueidão que tirou curso superior. Além de oficial do Exército, era formado em Matemáticas. Faleceu em Lisboa, nos começos de 1972.

O professor Candeias Duarte ocupou a Cadeira primária do Alqueidão, desde 1902 até Outubro de 1910, sem haver memória de que tivesse interrompido a regência por motivo oficial.

JOAQUIM DA COSTA REI

Joaquim da Costa Rei foi o primeiro professor da escola primária das Pedreiras (que foi criada pelo partido progressista aí por 1904 e 1905), e lá permaneceu como professor efectivo durante seis anos, antes da sua vinda para o Alqueidão, em Outubro de 1910.

No Alqueidão, a mudança das aulas para outro edifício ocorreu na regência deste professor, e fez-se para um edifício que pertencia a Luís Gaspar da Silva Raposo de quem Joaquim da Costa Rei se dava por parente.

O Professor Joaquim da Costa Rei faleceu no Alqueidão, em 29 de Abril de 1921, pelas 10 horas da manhã com 43 anos de idade.

LAURA SANTOS

Era natural da freguesia de Alcaria e o diploma de professora foi-lhe dado pela Escola do Magistério Primário de Leiria, que frequentou com brilho.

Pela leitura de “O Mensageiro” de 11 de Novembro de 1921, conclui-se ter sido muito breve a sua estadia no Alqueidão.

JOANA HENRIQUES FERNANDES

Consta que esteve no Alqueidão pouquíssimo tempo, ou talvez nem tenha tomado posse da cadeira, se o fez, isso aconteceu em jeito de pró-forma ou como justificativo para não perder uns dias de vencimento. Isto porque o jornal “O Mensageiro”  informa que “já foi enviada ao Director Geral do Ensino Primário e Normal a pauta dos candidatos à escola do Alqueidão da Serra”.

O Mensageiro”, na sua edição de 25 de Novembro de 1921 refere textualmente: “Foi nomeada professora efectiva do Alqueidão da Serra Ema Rodrigues Namora, diplomada pela Escola Normal de Leiria. A concorrente número um, desistiu.”

EMA RODRIGUES NAMORA

Depois de Candeias Duarte, foi ela de certeza absoluta, quem deu melhores provas de competência, de continuidade, de empenhado afinco e de inteligência no desempenho da sua missão, entre os colegas que a precederam.

Cabe-lhe um lugar de relevo na lista do professorado que serviu a Freguesia. Pena foi que tivesse requerido transferência para outra escola.

Durante a regência de Ema Rodrigues Namora, a aula voltou a funcionar na escola velha, o que foi causa do mais vivo e justificado regozijo para os alunos.

No Jornal “O Mensageiro” de 30 de Novembro de 1924 lê-se que, ”tendo sido despachada para uma escola no concelho de Tomar, retirou-se hoje a professora oficial  D. Ema Rodrigues Namora.”

A população que se afeiçoara à ideia de que a professora em causa prolongaria por muitos anos o exercício do seu magistério, viu-a sair com grande surpresa e mágoa. Na vaga que deixou, substituiu-a uma outra professora.

ADELAIDE LALANDA RAMOS

Cabe a esta professora, a nota máxima da permanência contínua na escola primária do Alqueidão. Neste ponto, levou a palma a todos os que antes dela regeram a cadeira local, o que deriva naturalmente do facto determinante de ter sua vida familiar estabelecida no vizinho Reguengo onde residia, e onde, pelo casamento, foi proprietária urbana e agrícola. A sua regência terminou quando atingiu a reforma, em 1940.

de 1947 a 2014

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Recorda-se de quem foram os seus professores primários?

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