O Milagre do Sol

1917

O Major contava que a 13 de Outubro de 1917, enquanto pastava cabras na Serra da Andorinha, viu o Sol muito diferente. Podia olhar para ele sem qualquer dificuldade. Pouco tempo depois, espalhou-se a noticia que três pastorinhos e muitos peregrinos, tinham assistido a essa mesma hora, ao Milagre do Sol na Cova da Iria em Fátima.

As três crianças tinham dito em datas anteriores, que Nossa Senhora tinha prometido um milagre para o meio-dia de 13 de Outubro, na Cova de Iria de modo a que todos pudessem acreditar.

Pastorinhos

De acordo com muitas testemunhas, após uma chuva torrencial, as nuvens desmancharam-se no firmamento, e o Sol apareceu como um disco opaco bailando no céu.

Algumas pessoas afirmaram que não se tratava do Sol, porque era significativamente menos brilhante do que o normal, e apareceu acompanhado de luzes multicoloridas que se reflectiram na paisagem, nas pessoas e nas nuvens. Muitas testemunhas relataram que a terra e as roupas que estavam molhadas ficaram completamente secas num curto espaço de tempo.

De acordo com relatórios das testemunhas, o Milagre do Sol durou aproximadamente dez minutos. As três crianças disseram que tinham visto Jesus, a Virgem Maria e São José abençoando as pessoas dentro do Sol . Outras testemunhas afirmaram ter visto vultos de configuração humana dentro do Sol quando este desceu.

milagre do sol

Joaquim Vieira da RosaO Padre Joaquim Vieira da Rosa, pároco de Alqueidão da Serra, por incumbência do seu superior hierárquico, participou no processo eclesiástico instaurado ao caso das Aparições de Nossa Senhora na Cova da Iria em 1917, interrogando pessoas da sua Freguesia que testemunharam os acontecimentos de 13 de Outubro.

Relatos de algumas testemunhas

5ª testemunha: Romano dos Santos, casado, morador no lugar e freguesia do Alqueidão da Serra, testemunha presencial dos factos ocorridos no dia 13 de Outubro de 1917, ajuramentado aos Santos Evangelhos, disse: que ouviu dizer que ajoelhassem todos, que vinha Nossa Senhora, palavras estas que ouviu da multidão e que viriam dos pastorinhos, que se achavam distantes. Ditas estas palavras a multidão ajoelhou, tendo a chuva cessado nesta ocasião, e olhando para o sol viram que ele estava cercado de diferentes cores e girando como uma roda de fogo de artifício. Ouviu os clamores d’aquele povo, dizendo que era um milagre conhecido. E mais não disse e não assina o seu depoimento, por não saber.

Romano dos Santos era exposto da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. Casou com 28 anos, a 26 de Novembro de 1893, com Joana da Costa Carreira. Faleceu a 5 de Outubro de 1962.

6ª testemunha: Maria da Silva Vieira da Rosa, solteira, de maior idade, moradora no Alqueidão da Serra, testemunha presencial dos factos ocorridos em Fátima no dia 13 do corrente mês, ajuramentada aos Santos Evangelhos, disse: que na ocasião em que a multidão ajoelhava, tendo cessado um pouco antes a chuva, olhou para o sol e viu que este se transformou em diferentes cores, aproximando-se e girando como uma roda de fogo. Por três vezes viu este fenómeno. Toda aquela multidão, banhada em lágrimas, gritava por Nossa Senhora. E mais não disse, e assina o seu depoimento.

Maria da Silva Vieira da Rosa, nasceu a 22 de Junho de 1883, no Alqueidão da Serra. Filha de Domingos Vieira da Rosa e e de Maria da Silva, e irmã Joaquim (então pároco de Alqueidão da Serra e vigário de Porto de Mós), António e Francisco Vieira da Rosa. Faleceu solteira a 2 de Abril de 1968.

7ª testemunha: Manuel João Senior, casado, morador no Alqueidão da Serra, testemunha ocular dos factos ocorridos em Fátima no dia 13 de Outubro de 1917, ajuramentado aos Santos Evangelhos, disse: que estando uma numerosa multidão de joelhos, olhou perfeitamente para o sol sem incómodo algum para a vista, e sem se queimar, e viu-o por três vezes girar como uma roda de fogo, aproximando-se, à hora marcada pelos três pastores. E mais não disse, e não assina por não saber escrever.

Manuel João Senior nasceu a 26 de Junho de 1853, filho de Manuel Gaspar e de Francisca Carvalho, casou com Francisca Joana a 7 de Outubro de 1877. Faleceu a 7 de Outubro de 1938.

8ª testemunha: Adriano de Mattos, casado, morador no Alqueidão da Serra, testemunha ocular dos factos ocorridos em Fátima no dia 13 de Outubro de 1917, ajuramentado aos Santos Evangelhos, disse: que olhou perfeitamente para o sol sem este o incomodar e representou-se-lhe ver Nossa Senhora com o Menino Jesus no braço esquerdo, e viu em roda do dito astro cores diferentes.

Adriano de Mattos, nasceu a 4 de Fevereiro de 1869, era filho de António de Matos e de Luciana de Oliveira, casou com Doroteia Joana a 8 de Janeiro de 1899. Faleceu a 18 de Dezembro de 1949.

9ª Testemunha: António Vieira Amado, casado, morador no Alqueidão da Serra, testemunha ocular dos factos ocorridos em Fátima no dia 13 de Outubro de 1917, ajuramentado aos Santos Evangelhos, disse: que viu o sol muito claro, e dentro representou-se-lhe ver três imagens, e diante do sol cores diversas e girando como uma roda de fogo, tendo ouvido antes disso, que ajoelhassem todos que vinha Nossa Senhora, ao que a multidão obedeceu soltando grandes clamores e gritando por Nossa Senhora. E mais não disse e não assina o seu depoimento.

António Vieira Amado, nasceu a 23 de Dezembro de 1889. Filho de José Vieira Amado e de Maria de Jesus Parreira. Casou com Joaquina Carreira. Faleceu a 30 de Abril de 1968. A esposa também esteve presente na Cova de Iria a 13 de Outubro de 1917, e faleceu a 2 de Novembro de 1989, com 95 anos de idade.

10ª testemunha: João Vieira Gomes, casado, morador na freguesia do Alqueidão da Serra, testemunha ocular dos factos ocorridos em Fátima no dia 13 de Outubro de 1917, ajuramentado aos Santos Evangelhos, disse: que viu o sol girar como uma roda de fogo, fitando o sol sem incómodo para o orgão visual, tremendo ele e gritando toda a multidão por Nossa Senhora. Este facto foi presenciado por toda a multidão. E se alguém não viu foi porque não quis ver. E mais não disse, e não assina por não saber escrever.

João Vieira Gomes nasceu a 13 de Novembro de 1871. Filho de Manuel Vieira Gomes e de Maria Gomes Correia. Casou com Ana Carvalho a 7 de Janeiro de 1906. Faleceu a 12 de Junho de 1945.

11ª testemunha: Manuel Carvalho, casado, morador no Alqueidão da Serra, testemunha ocular dos factos ocorridos em Fátima no dia 13 de Outubro de 1917, ajuramentado aos Santos Evangelhos, disse: que viu o sol baixar, segundo o seu entender, revestir-se de várias cores, girando numa roda de fogo de artificio que se podia sem incomodo ver. Notou a testemunha que chovendo toda a manhã, cessou a chuva naquela hora da chegada das crianças que rezando o terço, mandaram joelhar a multidão calculada em 50 mil pessoas, que gritavam por Nossa Senhora. E mais não disse, e assina o seu depoimento.

Manuel Carvalho nasceu a 28 de Junho de 1866. Filho de João Carvalho e de Maria de Jesus. Casou com Maria do Rosário a 11 de Fevereiro de 1900. Faleceu a 13 de Fevereiro de 1951.

aparição

As aparições de Nossa Senhora aconteceram todos os meses de 13 de Maio a 13 de Outubro de 1917, sempre na Cova da Iria, e no dia 13, à excepção do mês de Agosto, que, por causa das perseguições das autoridades, ocorreu nos Valinhos, no dia 19.

Muitas pessoas do Alqueidão deslocavam-se a pé até Fátima, todos os meses, no dia 13,  para estarem com os pastorinhos quando Nossa Senhora lhes aparecesse.

aparições

Na Cova da Iria, no local onde Nossa Senhora apareceu, foi construída uma pequena capelinha.

capelinha

Começaram a chegar a Fátima muitas pessoas que vinham a pé de todos os cantos de Portugal, no dia 13 de cada mês, desde Maio até Outubro. Foi construído o Santuário em honra de Nossa Senhora do Rosário de Fátima e foram feitas alterações na Capelinha inicial.

capelinha das aparições

A Imagem que se ainda hoje se venera na Capelinha das Aparições foi oferecida em 1920 por Gilberto Fernandes dos Santos. É obra do escultor José Ferreira Thedim. É em madeira, cedro do Brasil, e mede 1,10.

imagem da capelinha

Esta imagem apenas deixa a Capelinha das Aparições em ocasiões consideradas muito especiais.

Entre 9 de Junho e 13 de Agosto de 1951, saiu em visita a todas as paróquias da Diocese de Leiria. Foi recebida pelo povo do Alqueidão da Serra entre 9 de Junho e 13 de Agosto de 1951.

Placa Comemorativa da Visita da Imagem qque se venera na Capelinha

No ano de 2013, o Papa Francisco chamou Nossa Senhora de Fátima para estar presente na Jornada Mariana do Ano da Fé, em Roma. Nessa ano, a imagem Senhora de Fátima venerada na Capelinha das Aparições deixou a Cova da Iria por volta das 05h30, de sábado dia 12 de Outubro para iniciar uma viagem rumo ao Vaticano.

Logo que chegou ao Vaticano a imagem foi levada em procissão até ao mosteiro de Mater Dei, onde vive o papa emérito Bento XVI, e depois até à Casa Santa Marta, onde vive o Papa Francisco, ambas no interior do Vaticano.

O Papa Francisco recebeu solenemente a imagem de Nossa Senhora de Fátima, e colocou um rosário a seus pés, como oferta pessoal.

Foi organizada uma procissão com a imagem, que percorreu as diferentes zonas da Praça de São Pedro e parou por alguns instantes no ponto onde, em 13 de maio de 1981 o turco Ali Agca disparou contra o João Paulo II.

Depois de um momento de oração e da catequese do papa Francisco, a imagem foi levada para o Santuário do Divino Amor, nos arredores de Roma.

No domingo 13 de Outubro, a imagem voltou ao Vaticano para repetir a procissão pela Praça de São Pedro a que se seguiu a santa missa presidida pelo Papa Francisco, após a qual a imagem voltou para Portugal.

imagem de Nossa Senhora Peregrina

A imagem que esteve em Fátima nas celebrações do dia 13 de Outubro de 2013, foi a imagem de Nossa Senhora Peregrina. Imagem esta que foi feita segundo indicações da Irmã Lúcia, foi oferecida pelo Sr. Bispo de Leiria e coroada solenemente pelo Sr. Arcebispo de Évora, a 13 de Maio de 1947. A partir dessa data, a imagem percorreu, por diversas vezes, o mundo inteiro, levando consigo uma mensagem de paz e amor.

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10 de Outubro

1858

Foi no dia 10 de Outubro de 1858 constituída uma comissão para arranjar os meios necessários para solucionar o problema da água. Já vinha de longe a luta de nossos avós com a falta de água. A Câmara que não oferecia qualquer verba, encarregava outros de a obterem, como se vê pelo que ficou escrito na acta.

“Nesta, sessão de 10 de Outubro de 1858, a Câmara nomiou huma commissão constituida dos seguintes cidadãos: Domingos Vieira Pedro, José Pedro Sanches, Francisco Baptista Amado, Francisco Pereira Roque, Francisco Vieira Gaspar, António da Silva Esteves, João Coelho Pereira, todos do Alqueidão, que nomiarão entre si Presidente, Secretário e Thezoureiro para dirigir, obter os meios e levar a cabo uma nova fonte e milhoramentos na antiga, sita próximo ao referido lugar do Alqueidão, cuja incapacidade esta Câmara reconheceu na vistoria a que procedeo a requerimento dos povos daquele lugar”.

Nesta altura a fonte necessitada de melhoramentos era a que ficava no então chamado Caminho do Ribeiro, ao lado direito de quem desce.

O Caminho do Ribeiro

O Caminho do Ribeiro (actualmente)
O edifício à esquerda é o lavadouro construído no tempo do Padre Américo. Embora estando em muito mau estado de conservação, ainda tem dentro os tanques de lavar roupa.

A nova fonte, essa teve que esperar pela vinda do Padre Afonso. Foi construída sob as suas directrizes.

Era uma espécie de tanque, todo metido no chão, formado por quatro grandes lajes inteiriças, com cerca de 1,70 de altura e 1,50 de largo, e o fundo, igualmente de pedra.  Na parte superior este reservatório tinha uma cúpula de quatro faces inclinadas, feitas de tijolo, rebocado e caiado. No bico das quatro faces, assentava um pequeno e florão de cantaria.

A cúpula era fechada por todos os lados excepto o que ficou virado a Poente. Este ficou aberto na sua quase totalidade. Nesta ampla e alta abertura é que as pessoas mergulhavam cântaros e outras bilhas para as encherem com a água que jorrava para este reservatório pela bica de pedra.

Fonte Antiga

A água desta fonte, que era de nascente, serviu a população do Alqueidão durante séculos. Era lá que se encontravam os rapazes à espera das moças que iam lavar a roupa, ou buscar água. No caminho da Fonte começaram muitos namoricos. Ainda na década de 50 se mantinha a tradição de enfeitar a Fonte com ramos de pimenteira e alecrim nas noites de São João.

Esta fonte teve vários melhoramentos ao longo dos anos. Foi construído um telheiro para proteger do sol e da chuva as mulheres que lá iam lavar a roupa. Foi colocada uma bomba manual para tirar água para os tanques de lavar a roupa, etc.

A Fonte

Depois foi tudo soterrado quando foram colocadas as bombas da água canalizada para o abastecimento doméstico, e no local ficou um pequeno fontanário.

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A Fonte (actualmente)

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O Video Club

Foi inaugurado a 30 de Setembro de 1984 o edifício-sede da Casa do Povo onde se criou um espaço para o funcionamento provisório (até ter sede própria) da Secretaria da Junta de Freguesia, e também espaços para o desenvolvimento de actividades sociais e culturais, tais como salas de diferentes dimensões, balneários, salão, bar, etc. 

Viedo Club

O Bar ficava na cave do edifício e era lá que funcionava o Video Club da Casa do Povo. Era um espaço bastante animado, onde os jovens da nossa terra passavam os seus tempos livres de forma descontraída e agradável.

No Video Club exisitiam as condições para se assistir a filmes. Também existiam jogos, e além disso os jovens podiam aproveitar o espaço para ler, ou simplesmente tomar um café com os amigos.

Actualmente, do pequeno bar existe o espaço, vazio…

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2 de Outubro

1825

Do livro de registos de Baptismos da paróquia de Alcaria, consta que no dia 2 de Outubro de 1825 nasceu naquela Freguesia um menino a quem foi dado o nome de Manuel.

“Aos nove dias do mez de oitubro de mil oitocentos e vinte sinco nesta Parochial Igreja de Alcaria de minha licença baptizou o R.º João Ribeiro de Alcaria e pôs os Santos Oleos a Manoel que nasceo a dois do ditto mez e anno filho de João Afonço e de sua mulher Constancia Maria desta freguezia Netto Paterno de Jose da Silva e de sua mulher Maria Afonço Naturais e moradores no lugar e freguezia de Albados Netto Materno de Francisca Martins e de sua mulher Maria Rosa naturais e moradores neste lugar e freguezia de Alcaria forão padrinhos Monoel Afonço de Alvados tio Paterno do Baptizado e Vitoria Maria solteira do lugar do Zambujal tudo deste bispado de Leiria e para constar fiz este q asignei com o d.º Padrinho dia mez e anno ut supra”

Este menino veio a ser o Sr. Padre Manuel Afonso e Silva que foi prior de Alqueidão da Serra durante 35 anos.

Deve ter sido em meados de 1861 que o Padre Afonso tomou conta desta Freguesia, visto que o primeiro assento que ele assinou, tem a data de 24 de Junho desse ano.

DSCN0714Para assinalar o dia da sua chegada o Padre Afonso plantou o freixo que ainda hoje se encontra no adro da nossa Igreja.

A casa para onde foi viver ficava no Prazo (uma grande propriedade que ficava entre o antigo Caminho Velho, e a Rua da Chã). Era naquela altura, a melhor casa da região.

O estado espiritual em que encontrou esta sua nova freguesia era desastroso, mas o que mais o espantou foi a imoralidade.

O Padre Afonso rapidamente conquistou posição de onde podia chegar ao coração das pessoas. Os efeitos não tardaram e o Alqueidão começou a ser outro. Foi o Padre Afonso quem lhe fez conquistar de novo o brio e a dignidade.

Anteriormente à sua vinda, era muito difícil encontrar no Alqueidão quem soubesse ler ou escrever. Foi o Padre Afonso quem criou a primeira escola, que funcionava na sua própria casa e da qual ele era o único professor.

Na escola do Padre Afonso estudaram muitos nossos conterrâneos, entre eles:

  • O Padre João Vieira Amado, que paroquiou esta Freguesia e morreu em Torres Novas, onde também exerceu o ministério sacerdotal;
  • O Padre Joaquim Vieira da Rosa, pároco de Alpedriz, Porto de Mós e Alqueidão da Serra;
  • O Padre Júlio Pereira Roque, durante alguns anos coadjutor em Porto de Mós, Capelão da Condessa da Penha Longa, jornalista fogoso, de aprimorado estilo e aguda visão dos problemas político-religiosos, batalhador das lutas de Deus e da Pátria, a quem se deve, em boa parte, a restauração da Diocese de Leiria. A ele deve também esta Freguesia, o facto de o olival do Santíssimo não ter levado a mesma volta que levaram os frades de Alcobaça.;
  • O Padre Francisco Vieira Inácio, prior de Pataias e da Abrã;
  • O Padre Joaquim Pereira, que exerceu funções eclesiásticas em Loures e Nazaré, acabando seus dias como Vigário de Itacoatiara (Brasil);
  • O Padre Francisco Vieira Real, prior de Sesimbra, de cujo município, foi secretário;
  • O Padre António Vieira da Rosa, pároco do Juncal, Rio de Mouro e do Gradil
  • O Padre Francisco Vieira da Rosa, que foi Beneficiado e prior da Sé Patriarcal de Lisboa.
  • Lourenço da Costa, Fiscal Geral dos Hospitais Civis de Lisboa, cuja vida cheia de benemerências é um título de glória para a terra onde nasceu.
  • Afonso Vieira Dionísio, distinto e valente oficial da nossa Marinha Mercante durante a 1ª Grande Guerra.
  • João Soares, (pai do Dr.Mário Soares) Governador Civil da Guarda e de Braga, antigo Ministro, homem de muito altas e reais qualidades de carácter, de inteligência e de coração, herdadas de sua mãe.

Alguns  rapazes que estudaram na escola do Padre Afonso continuaram depois os seus estudos no Seminário de Santarém.

Mesmo depois de criada, por sua influência, a cadeira de instrução primária no Alqueidão, o Padre Afonso continuou com a sua escola aberta para os que não podiam frequentar a escola publica.

Para além da instrução primária, o Padre Manuel Afonso e Silva fez um vastíssimo trabalho para o desenvolvimento da nossa Freguesia. Das obras feitas por sua influência, destacam-se:

  •  A IGREJA — O templo, que veio encontrar, devia ser, com pequena diferença, a modesta capela que, em 1620, o Bispo Diocesano D. Martim Afonso de Mexia levantou à categoria de igreja paroquial. Mas estava em péssimas condições. Encontrava-se em estado impróprio da casa de Deus. O Padre Afonso transformou-a. Nesse tempo, a entrada principal dava para a estrada, ficando, portanto, a capela-mor, no lado oposto. Foi o Padre Afonso quem deu outra orientação à igreja, fazendo nela as modificações permitidas pelos magros recursos financeiros de então.
  • A SENHORA DA TOJEIRINHA — Das beneficiações introduzidas pelo Sr. Padre Afonso nesta velhíssima ermida dão fé as paredes da Capela-Mor. Nelas se vê onde, na parte velha, ligou o acrescento que a levou ao ponto em que a temos hoje.
  •  O CEMITÉRIO é também obra do Padre Afonso. Até à sua vinda, faziam-se no adro os enterramentos.
  •  A FONTE— Também aqui se estendeu à acção do Padre Afonso. Vinha de longe a luta de nossos avós com a falta de água.
  •  A ESTRADA — O Alqueidão vivia isolado e preso no cimo da serra onde estava implantado. Não tinha uma estrada que o ligasse à sede do Concelho. Ia-se até lá, descendo ao Falgar, cortando depois para os Tojeiros ou para o Zambujal e atravessando a Cunca, de onde, a meia encosta da Cabeça, se caminhava por um carreiro. Para obter os necessários melhoramentos teve o padre Afonso que se embrulhar nos enredos políticos daquele tempo, tendo a sua acção sido muitíssimo importante para a abertura da estrada.

Foi também o Sr. Padre Afonso quem pediu e obteve do Papa Pio IX, em 11 de Junho de 1872, os  privilégios espirituais do Jubileu de S. José.

O padre Manuel Afonso e Silva faleceu em 26 de Novembro de 1908. Tudo o que conseguiu amealhar ao longo dos anos deixou ao Seminário de Santarém e à sua terra adoptiva Alqueidão da Serra.

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A Renda do Parque Eólico

O contrato de instalação e exploração do Parque Eólico do Chão Falcão, válido por 20 anos, foi assinado em 24 de Março de 2004, e foi subscrito pela empresa Parque Eólico de Chão Falcão, Câmara Municipal de Porto de Mós e Junta de Freguesia de Alqueidão da Serra.

A discórdia começou porque a  Câmara Municipal e a Junta de Freguesia não chegarem a um acordo sobre a receita de 2,5% do rendimento bruto do Parque Eólico nos 20 anos seguintes à assinatura do contrato, um valor estimado em 4.300.100 euros.

O Problema do Parque Eólico Visto pela Imprensa Regional

Jornal “Região de Leiria” 28-Out-2005

 “O recém-eleito presidente de Câmara, João Salgueiro, confirma que vai ser encetado um processo de diálogo que permita chegar a acordo. “Tive acesso a um parecer solicitado pela Junta que refere que a verba em questão é da Junta”, admite. Ciente de que a forma como esta questão for resolvida poderá abrir um precedente em relação a futuros parques eólicos a instalar no concelho, Salgueiro esclarece que cada caso será analisado isoladamente, uma vez que “em Alqueidão da Serra o parque eólico está instalado em terrenos baldios mas há projectos de instalação em terrenos privados”. O novo presidente anuncia ser sua intenção “sentarmo-nos à mesma mesa com o presidente da Junta para discutir a questão”. Por sua vez, Fernando Sarmento afirma-se confiante de que o diferendo não se irá arrastar.”

Jornal “Região de Leiria – 24-Nov-2006

“Um ano depois, confirmam que as conversas têm acontecido. O acordo, contudo, é ainda uma miragem. Salgueiro diz estar a aguardar por pareceres jurídicos para decidir. Sarmento afirma apenas conhecer um parecer favorável à Junta que dirige. O presidente de Câmara não sabe quando a questão será solucionada e o autarca de Alqueidão acha que já se esperou demais. “Tudo temos feito para que o assunto seja resolvido para não defraudar as expectativas das pessoas”, diz Fernando Sarmento.”

 Jornal “Região de Leiria” 07-Dez-2006

“A Câmara de Porto de Mós deverá inscrever apenas metade dos 2,5 por cento da renda do parque eólico de Alqueidão da Serra no orçamento municipal do próximo ano. Isso mesmo confirma João Salgueiro, presidente da Câmara, que “disputa” com a Junta de Alqueidão da Serra, a totalidade daquele valor. Nos últimos dias têm-se intensificado os contactos entre as duas autarquias, visando encontrar uma solução de consenso. Uma das possibilidades em aberto é a solicitação de um parecer jurídico, aceite pelas duas partes e que permita colocar um ponto final na questão. Salgueiro advoga que a verba em causa – calculada em 125 mil euros – não é por demais significativa no bolo total do orçamento do município mas deverá evitar fracturas na votação do orçamento, adoptando o meio termo nesta questão.”

Nota: João Salgueiro pode até ter inscrito metade dos 2,5 por cento no orçamento da Câmara, mas o Alqueidão nunca viu a cor do dinheiro correspondente à outra metade.

 Jornal “Região de Leiria” 22-Jun-2007

“Vai ser resolvida em tribunal a contenda em torno do destino a dar à verba resultante da exploração de um parque eólico em Alqueidão da Serra. Há vários anos que a Junta local e a Câmara de Porto de Mós mantêm um diferendo em torno da titularidade da verba resultante das compensações pagas pela exploração do parque eólico”

Jornal “Região de Leiria”, 27-Jul-2007

“Seria salomónico, mas não pode. “Na minha opinião, a solução era dividir a meio”, diz João Salgueiro, presidente da Câmara de Porto de Mós. O autarca garante que se dependesse exclusivamente da sua vontade, a disputa em torno das verbas do parque eólico de Alqueidão da Serra já estaria resolvida.

O autarca atribui a questões legais a necessidade de dirimir em tribunal o diferendo que opõe Junta de freguesia de Alqueidão da Serra e Câmara de Porto de Mós. Esta é uma solução que contraria a certeza de que o diálogo permitiria chegar a um consenso, como frequentemente assegurava.

Salgueiro vê-se na contingência de agir em desconformidade com a solução que preconiza para o diferendo, por imperativos legais. E explica: “há questões legais que aguardamos venham a ser ultrapassadas. Solicitámos pareceres sobre a matéria mas não são coincidentes.”

Jornal “O Portomosense”, 03-Abr-2008

“Concelho recebe dois novos parques eólicos.

Depois da controvérsia em torno da repartição de verbas da energia eólica no Alqueidão, aquando o primeiro contrato, João Salgueiro refere que as contrapartidas “ainda estão em estudo”, acrescentando que “não nos preocupa para onde vai o dinheiro”. “Se fica no Alqueidão ou vai para o concelho será sempre bem empregue. O importante é que venha essa mais valia”, sustenta o autarca.”

Jornal “O Portomosense”, 19-Mar-2009

“Em relação à repartição dos dividendos entre autarquia e juntas de freguesia, que tanta polémica tem gerado no Alqueidão da Serra [dos novos parques eólicos projectados para a Mendiga e Arrimal], João Salgueiro garante que “nestes novos contratos a postura da câmara será dividir a meio” os benefícios resultantes da exploração da energia eólica no concelho. O autarca admite ainda, em relação ao Parque Eólico de Chão Falcão, que “fosse fácil fazer a divisão a meio dos dividendos”, no entanto, “não é fácil alterar o que está assinado”, sustenta.”

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