Albino Vieira Dionisio

Nasceu no Alqueidão em 1890. Era filho de Cláudio Vieira Dionisio de de Thereza Affonsa. Irmão de Afonso Vieira Dionísio e de Francisco Vieira Dionisio, e candidato, com eles, à vida do mar.

Nesse intuito, matriculou-se no “Curso Elemmentar de Pilotagem”, no dia 22 de Junho de 1920. É, contudo, ponto assente que não deu seguimento à matrícula, porque dos registos do citado Curso não consta que haja feito qualquer prova ou seu aproveitamento.

Em Lisboa, fundou a “Farmácia Central” de Campolide.

Faleceu em Lisboa e está sepultado no cemitério do Alto de S. João.

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O Padre Rolo (Joaquim Pereira)

Nasceu em Alqueidão da Serra no dia 7 de Agosto de 1880, e foi baptizado na igreja paroquial. Seus pais chamavam-se Joaquim Pereira, que também usava o nome de Joaquim Pereira Rolo, e Maria Carreira, ambos naturais do Alqueidão.

Feitos os estudos gratuitamente na escola do Padre Afonso, entrou para o Seminário Patriarcal de Santarém que frequentou desde 1893 até 27 de Junho de 1903, data em que acabou o curso teológico de quatro anos.

Quando este rapaz fez o quarto ano no seminário de Santarém, o pai, que era muito pobre, foi busca-lo, e, muito satisfeito com o resultado dos seus estudos, disse-lhe:

– Ó rapaz, visto que te portaste bem com os teus estudos, eu hoje quero dar-te um almoço de fidalgo.

E levou-o a uma hospedaria onde almoçaram uma boa pratalhada de carneiro guisado com batatas. Já bem tratados, o pai pensou  que talvez aquilo não fosse o bastante para premiar o filho, e disse-lhe:

– Vê lá se te apetece mais alguma coisa.

O rapaz que até já tinha ouvido falar em bifes, mas nunca lhe tinha posto a vista em cima, disse timidamente:

– Talvez uns bifes.

O pai imediatamente chamou a empregada e perguntou-lhe:

– Ó minha senhora, tem bifios?

Perante a resposta afirmativa disse então à empregada que lhe trouxesse uns dez reis deles, só para provar!…

bife

Quanto ao exame para presbítero,  fê-lo em 16 de Junho de 1903.

Foi ordenado de padre, pelo Arcebispo de Mitilene, D. José Alves de Matos, na capela do Seminário de Vicente do Fora em Lisboa, a 20 do Dezembro de 1903, segundo consta do Arquivo da Câmara Patriarcal, 1º Livro de Registo de Cartas de Ordens, fls. 90.

Quanto à sua “Missa-Nova”, vale o que se diz na biografia do Padre Vieira Inácio e do Padre Vieira Real.

Em 14 de Janeiro do 1904, foi nomeado coadjutor da freguesia de Loures. Nessa altura, pertenceu ao número dos que enquadraram a comissão de antigos diocesanos de Leiria que foi pedir ao Governo um Bispo para Leiria, depois da campanha feita por Jupero (Júlio Pereira Roque) , no jornal “O Portomosense”.

Padre Julio

Padre Júlio Pereira Roque

Por provisão patriarcal de 4 de Abril do mesmo ano, com a validade de um ano, o padre Rolo passou a coadjutor da Pederneira, qualidade em que, por documento eclesiástico de 27 daquele mês e ano, começou a celebrar na capela de Fanhais.

Em 27 de Abril de 1905, foi-lhe renovada a carta de coadjutor da Pederneira, com três cláusulas: fazer homilia, dar a catequese e satisfazer até Junho, a esmola de 5.000 reis, em vez da terça do ano findo.

A 26 de Março de 1906, novamente lhe é passada carta para celebrar com obrigação de fazer exercícios espirituais.

Depois disto, só existe uma carta de seu punho, escrita do Rio de Janeiro, em 14 de Setembro de 1909, morava, então, na Rua Malvino Reis nº 115.

O seu passaporte para o Brasil consta dos registos do Arquivo Distrital de Leiria, e tem data de 25-01-1908.Tinha então 35 anos.

É indesmentível que a dificuldade de adaptação e de enquadramento na esfera eclesiástica do Rio lhe criou problemas de ordem material.

Tendo-se ordenado de padre na diocese de Lisboa, tornava-se-lhe quase indispensável que o Patriarca lhe desse autorização para se ligar a outra diocese. É o que, em termos do Direito Canónico se diz “excardinar”.

Para obter essa autorização, escreveu ao Padre Júlio Pereira Roque a pedir-lhe que interfira na Cúria Patriarcal porque “dizem-me que o actual Patriarcha é bastante avesso a Demissórias, mas (…) tu tens a nobreza a teu lado”, alusão clara e certeira à Condessa da Penha Longa, de quem o destinatário era Capelão.

A licença foi despachada, e continuando no Brasil, veio a trocar o Rio de Janeiro pelo Amazonas, mais concretamente pela diocese de Manaus, aí exerceu o seu ministério, pelo menos na cidade de Itacoatiara, de que foi nomeado Vigário, cargo em que faleceu.

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Padre António Vieira da Rosa

Nasceu em Alqueidão da Serra no dia 4 de Julho de 1878, era filho de Domingos Vieira da Rosa e de Maria da Silva.

Aprendeu a ler e a escrever com o  Padre Manuel Afonso e Silva, e depois entrou no seminário para seguir a vida eclesiástica.

Foi admitido no Seminário Patriarcal de Santarém, no ano escolar de 1895/1896, onde fez os estudos preparatórios e o curso trienal de Teologia, que terminou a 5 de Julho de 1904.

Enquanto estudava, fez exame para subdiácono e foi aprovado, em 2º de Novembro de 1903. Fez também exame para presbítero em 2 de Setembro de 1904 com bons resultados.

No jornal “O Portomozense”, de 23 de Setembro de 1904, vem publicada seguinte noticia:

“Canta brevemente missa o nosso amigo Sr. Padre António Vieira da Rosa, que, por estes dias, deve receber ordenação.”

Na edição do Jornal “O Portomosense”do dia 30 de Setembro de 1904, pode ler-se:

“Recebeu ordens de presbítero e cantará missa no próximo domingo o Sr. António Vieira da Rosa.”

Quanto à Missa Nova, vem publicado o relato pormenorizado, no jornal “O Portomosense”, de 7 de Outubro de 1904, sob o título “Festa de Nossa Senhora da Piedade”, :

“Realizou-se domingo com desusada imponência, nesta vila, esta festividade que todos os anos costuma ser muito concorrida (…) A missa, que por sinal era a primeira que cantava o nosso amigo Padre António Vieira da Rosa, há pouco ordenado, decorreu com bastante unção e bom desempenho da parte dos cantores e todos os que nela tomaram parte. Serviram durante ela de padrinhos do novo sacerdote os reverendos Padre Manuel do Espírito Santo e Padre Joaquim Rosa. Acolitavam o Sr. Padre António Rosa, os nossos amigos Padre Júlio Roque e Fialho. .

O sermão foi dito pelo nosso amigo e esclarecido colega do “Notícias de Alcobaça”, Padre Lopes Soares que produziu uma bela oração sobre o tema “Ego mater” que foi muito apreciada pelo selecto auditório que enchia a igreja completamente. Lopes Soares foi felicíssimo no seu discurso, principalmente no exórdio, a peça melhor burilada do seu trabalho. Também no improviso que dirigiu ao sacerdote, seu antigo companheiro de seminário que cantava a sua primeira missa, teve frases duma verdade incontestável e conselhos a um principiante que mais parecia de um velho que dum sacerdote há pouco saído dos bancos das escolas…

À missa seguiu-se a tocante cerimónia da primeira comunhão dada pelo novo sacerdote, que é da praxe ser ministrada a seus pais e irmãos, depois o beija-mão aos mesmos e a todos os presentes”.

Esta celebração decorreu na igreja de S. João Baptista (Porto de Mós), no dia 2 de Outubro de 1904.

Por carta de 28 de mês de Outubro de 1904, o Patriarca de Lisboa nomeou-o, por um ano, prior da freguesia de Nossa Senhora de Belém em Rio de Mouro.

Em 5 de Novembro de 1905 é nomeado pároco de Évora de Alcobaça, e é obrigado a dar catequese e a pregar a homilia. Esta nomeação cobria o espaço de um ano, mas muito antes de o prazo terminar foi mudado para a freguesia do Juncal (Porto de Mós), nas condições anteriores. Tem a data do 13 de Fevereiro de 1906 o documento que o transfere.

Por resolução patriarcal de 25 de Outubro de 1907, é feito pároco da freguesia da Mira, com faculdade de celebrar missa na capela do Covão do Coelho, tendo que oferecer ao Seminário onde estudou, um terço rendimento da capela.

Procurando melhores condições, em 23 de Novembro de 1907, sujeita-se a provas regulamentares, e é aprovado para a freguesia de Alguber com 11 valores em quatro votações. Em 1909, requereu carta de pároco até ao fim do ano. Mas antes de expirar o prazo, foi colocado na freguesia de S. Silvestre do Gradil.

Com data de 7 de Março de 1910, há um documento da Cúria Patriarcal a nomeá-lo pároco de Sobral da Abelheira até ao fim do ano. Na mesma situação se mantém até 1912, data em que lhe é conferida a faculdade de celebrar também na freguesia de Enxara do Bispo, concelho de Mafra.

Foi por volta de 1913 que ele se fixou no Alqueidão. Aqui chegou a manter curso para alfabetização de rapazes adultos que funcionava de noite a fim de que a aprendizagem não prejudicasse os trabalhos agrícolas em que todos se ocupavam.

As últimas dezenas de anos da sua vida passou-as no Alqueidão, sem exercer as funções eclesiásticas.

Foi nomeado presidente da Junta de Freguesia de Alqueidão da Serra em 19 de Julho de 1919, tendo como vice-presidente o Padre Júlio Pereira Roque.

Segundo notícia de 25 de Agosto de 1919, publicada em “O Portomosense”a Junta de Freguesia, presidida por António Vieira da Rosa solicitou às esferas competentes, a criação de uma escola para o sexo feminino na sede da freguesia. Na prática, verificou-se que o parecer não foi favorável uma vez que o sexo feminino só viria a ter a sua aula independente no primeiro edifício escolar de que a Freguesia beneficiou.

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A Cadeira de São Pedro

Existe lá em cima, nas Mangas do Goivado, uma extraordinária preciosidade. Nem mais nem menos que a Cadeira de S. Pedro, o  sucessor de Cristo na Terra.

Essa preciosidade, que é duplamente valiosa e impagável – por ter pertencido a São Pedro, e porque toda ela é feita do mais puro oiro maciço – está metida entre dois penedos, que lhe servem de esconderijo. A fraca e reduzida folhagem dum velho lentisco é que impede que a vejam os olhos dos que a procuram! E eles têm sido tantos, tantos que nem se podem contar!

Ninguém atina com ela. Não é que o sitio não esteja bem definido, ou que a extensão dele seja coisa por aí além. No entanto, o que se sabe é que ninguém dá com ela, e já lá vão muitos séculos, ninguém a utiliza e todos a procuram.

E como é que ali veio parar a Cadeira de S. Pedro? .

Reza a lenda que, uma noite, andava armada uma terrível perseguição aos cristãos de Roma, S. Pedro viu-se na urgente necessidade de fugir da cidade para não o matarem.

Como era de cima da Cadeira que ele pregava o Evangelho, resolveu levá-la consigo para o acreditarem, onde quer que fosse ter, quando pregasse a doutrina de Jesus.

Andou o Apóstolo por esse mundo de Cristo além e, ao fim de muito caminhar, dá consigo naquele ponto da Serra que hoje se trata por Mangas do Goivado.

Pensava ele com os seus botões que não persistiria por ali ninguém. Eis senão quando lhe surge, lá do meio dos penedos, um homem já carregado de anos, com barbas de ermitão a darem-lhe pela cintura, mal vestido e além disso, com ares de quem andava cheiinho de fome.

S. Pedro imediatamente aproveita a ocasião e pega na Cadeira, para lhe falar de Jesus. Conta-lhe os milagres que Ele fez, por Sua alta recreação ou atendendo a um pedido, em favor de pobres e de necessitados, e explica-lhe de que maneira foi tratado com a morte na Cruz, apesar de ter sido tão bom para toda a gente.

Palavra puxa palavra e o solitário morador daquele tão áspero ermo pede ao seu interlocutor que lhe diga quem é. S. Pedro responde, afirmando ser o representante cá na Terra, desse Jesus de quem lhe falava, com os mesmos poderes que Ele tinha.

Não foi preciso mais nada para o pobre homem começar a desfiar um enorme rosário de pedidos, e S. Pedro atendeu-os. E tão completamente isso foi, que até se desfez do gorro com que protegia a sua enorme calva, e com o qual por vezes, se disfarçava.

Indo as coisas por este caminho, lembrou-se o generoso Apóstolo de que o homem que lhe pedira tantas e tão variadas coisas, não faltaria nada para também lhe pedir a Cadeira…

Resoluto, agarra na Cadeira, anda meia dúzia de passos e, ao voltar pouco depois para junto do seu companheiro, vinha sem ela. Escondeu-a. E tão bem o fez que até aos dias de hoje ainda não apareceu ninguém que a conseguisse encontrar. No entanto, só está coberta pela miúda e rala folhagem dum velho lentisco serrano. Só as cabras a vêem, a utilizam e a estragam com as suas cabriolices.

Nos últimos anos, pode-se dizer que acabou a “estragação” da lendária Cadeira. É que, já não existem as daninhas cabradas de antigamente.

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O Jogo da Bola do Arrebentão

O Arrebentão é um pedaço da Serra a nordeste da Cabeça do Sol onde crescem carrascos e alecrim. Quem olha o local de baixo para cima,  depara com um alto e cinzento arrife de rocha nua.

Conta a lenda que neste local foi enterrada um fabulosa riqueza do tempo dos Moiros. Este tesouro consta de  um Jogo de Bola completo, feito de oiro maciço do melhor quilate. As bolas, pesavam cerca de meio quilo cada uma, e os fitos, que eram dois, andavam pelo mesmo peso.

Isto é o que a narrativa lendária conservou pelos tempos adiante,  mas, também há ditos, a respeito da pesquisa e do achamento de oiro na área do Arrebentão.

A existência de oiro, também foi apontada noutros sítios da Freguesia, por exemplo no Olival da Fonte e o seu prolongamento natural, o “Cima da Fonte”. Não faltaram, numa e noutra parte, solitárias escavações nocturnas, feitas por crédulos pesquisadores ambiciosos, às escondidas uns dos outros. Resultados? Cansaço, estafa e alguns pesadelos!

O que se passava na verdade, era que existiam pequenas quantidades de um metal brilhante como o oiro, dentro dos blocos de pedra daqueles sítios. De tamanhos diferentes, conservavam o brilho durante um tempo, mas este logo desaparecia com a prolongada exposição ao sol.

Actualmente, o Olival da Fonte já não existe. Ficava no final do Caminho Velho, mesmo antes de chegar à fonte. Foi completamente destruído com a construção da estrada nova para Porto de Mós.

O Caminho Velho

O Olival da Fonte
Inicio da Construção da Estrada para Porto de Mós

O Olival da Fonte e a
Estrada Velha para Porto de Mós

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