Casal Duro

20 de Fevereiro de 1972

Transcrição do artigo publicado no jornal “Voz de Mira de Aire”

“A população do Casal do Duro viveu um dos maiores dias da sua história. Depois de ter sofrido, durante tantos anos, a privação da energia eléctrica que se tornou o elemento essencial à vida não apenas industrial e comercial, mas também doméstica e depois de sentir amargo isolamento por falta de vias de comunicação, viu chegado o momento de receber estes dois benefícios: a luz eléctrica e a estrada alcatroada.
 
E não podia deixar de manifestar a sua alegria. Por isso, houve festa na terra a que quiseram associar-se um grupo de convidados.
 
Foi no dia 20 de Fevereiro. Às 17 horas, todo o povo do Casal do Duro e alguns vizinhos se juntaram próximo do velho edifício escolar para receber o Sr. Presidente da Câmara Municipal de Porto de Mós, Sr. Vice-Presidente, o secretário da Câmara, o Sr. Prof. Mesquita, o Sr. Sargento Ribeiro.
 
Depois de cortar a fita simbólica dirigiram-se para junto da cabine eléctrica onde foi feita a ligação. O Sr. Prior benzeu a cabine eléctrica. Seguiu-se uma sessão de boas-vindas, ao ar livre. Falou pelo povo do Casal do Duro o Sr. Prior do Alqueidão, que manifestou o seu contentamento pelos benefícios concedidos a este lugar, agradecendo ao mesmo tempo, a oportunidade que lhe deram de conviver com este povo com o qual começou a compartilhar desde que deu entrada na Freguesia, há pouco mais de um mês.
 
O Sr. Presidente da Câmara usou da palavra em seguida. Historiou, a concretização do sonho dos povos agora beneficiados (Covão da Carvalha e Casal do Duro) e informou como se conseguiu tão rapidamente a sua concretização desde que foi elaborado o processo. Enalteceu a colaboração dada pelos povos beneficiados que se concretizou em cerca de uma centena de contos. Referiu ainda o Sr. Presidente a colaboração pronta, prestada pela “Seol” em ordem à construção da cabine e fornecimento da luz eléctrica.
 
À noite, no edifício da Escola, foi oferecido um lauto jantar. Além dos convidados participaram os membros da Comissão do Casal do Duro. Houve brindes em que usaram da palavra o Rev.º P.e Américo, ex-pároco do Alqueidão, o Sr. Dr. Luciano Justo Ramos, o Rev.º P.e Faria e o Sr. Presidente da Câmara. Foram enaltecidas as virtudes deste povo, realçando algumas das suas necessidades mais urgentes e apresentadas as vias de solução que se começaram a percorrer.
 
“Voz de Mira de Aire” que esteve representada, agradece o convite que lhe foi dirigido e apresenta os seus parabéns ao povo do Casal do Duro, nomeadamente à comissão promotora das inaugurações.”
 
monumento-no-casal-duro-2
 

 

Publicado em Datas com História | Deixe um comentário

Adriano Vieira

adriano1Adriano Vieira nasceu nos Casais dos Vales em 18 de Fevereiro de 1897. Casou com Maria da Costa em 09 de Outubro de 1921.  Deste casamento nasceram duas filhas. Ficou viúvo em Abril de 1967.

Como tantos outros do seu tempo, o ti Adriano conheceu bem as dificuldades da vida. Trabalhava na agricultura, e por essas terras fora, ele cavou, vindimou, ceifou…

Bombarral, Sintra e São Domingos de Rana eram locais que recebiam ranchos da nossa terra. O ordenado variava entre $80  e 2$50 por dia. O ti Adriano dizia sempre com orgulho que nunca trabalhou ao domingo e ia sempre à missa com o seu rancho.

Lembrava-se da implantação da republica e do que o seu pai lhe dizia:” Acabou a rainha, estamos desgraçados. Vamos ficar mal”.

O que mais o impressionou na sua vida foram as aparições de Fátima. Tinha então 20 anos e foi o ano das sortes (inspecção militar).

Logo em Junho de 1917 ele foi a Fátima, e nunca mais deixou de lá ir. Em Outubro ele foi uma das testemunhas do Milagre do Sol. Era impressionante ouvir a sua descrição.

Naquele dia 13 de Outubro de 1917, quando lhe perguntavam: “O que é que foi lá?”, ele respondia: “Oh rapazes, foi um milagre. Gente a chorar… chuva grossa, ficamos todos molhados, mas de repente… tudo secou.”

O padre Rosa não acreditava que Nossa Senhora tivesse aparecido em Fátima, mas foi ele o escolhido para fazer o Inquérito Vicarial de Porto de Mós, e depois de ouvir os relatos das testemunhas, (que o ti Adriano conhecida bem porque também tinha estado lá com elas) o padre Joaquim Vieira da Rosa passou a acreditar, e então dizia: “Agora voçês podem acreditar que Nossa Senhora aparece lá”.

Muitos outros acontecimentos históricos sobre Fátima o ti Adriano relatava, porque os tinha presenciado, como por exemplo, aquele homem que levava uma bomba no bolso, e quando foi para a fazer explodir, o que encontrou no bolso foi um terço.

O ti Adriano presenciou todas estas coisas porque ele foi sempre a Fátima no dia 13 de cada mês, e não importava se fazia chuva ou sol.

Para os dias de chuva ele comprou uns botins pretos e um fato de oleado também preto, e ia sempre de barrete, sempre a pé e sempre sozinho. Só quando a vista começou a falhar, por questões de segurança a família não o deixava ir.

Este homem caminhou para Fátima no dia 13 todos dos meses durante cerca de 70 anos, e quando lhe perguntavam porquê, dizia simplesmente: “eu tenho fé em Nossa Senhora”.

separadorseparador

Uma das sua filhas, a Emília, faleceu em 19 de Janeiro de 2017. Tinha 97 anos. Também ela era muito devota de Nossa Senhora, tal como o seu pai. Fica-nos a memória de uma pessoa com um coração do tamanho do mundo, sempre preocupada com o bem estar dos outros e sempre pronta para ajudar quem precisava.

emilia-da-costa1

 separadorseparador

Publicado em Biografias | Deixe um comentário

Dia dos Namorados

14 de Fevereiro

No século III d.c. o Imperador Romano Claudius II proibiu os casamentos para assim mais facilmente poder juntar soldados para as suas tropas.

Um sacerdote da época, de nome Valentim, desrespeitando este decreto imperial continuou a realizar os casamentos. Quando o segredo foi descoberto Valentim foi preso, torturado e condenado à morte.

Enquanto esteve preso Valentim conseguiu enviar e receber algumas cartas, o que está na origem da troca de cartões neste dia, a que chamamos de “valentines”.

valentine

A execução de Valentim ocorreu no dia 14 de Fevereiro, e por isso nesta data celebramos o Dia de São Valentim, o padroeiro do namoro, noivado e casamento.

O Namoro

Nas décadas de 30 a 70, do século passado, a maioria dos namoros tinha o mesmo padrão: Nada de intimidades. O casal namorava nos limites da casa dos pais da rapariga, debaixo dos olhares de irmãos, pais, etc. O objectivo do namoro era o casamento.

Quando os namorados saiam para passear pelo campo nunca iam sozinhos. Se não fossem em grupos, alguém teria que os acompanhar.

saoeze

Em frente: O Zé Mercelino e São ———– Ao fundo: O Ti Alberto e a Maria Isaura

Aproveitavam muitas vezes as idas à Fonte para namorar pelo caminho, ou enquanto esperavam que o cântaro enchesse nas bicas de bronze que existiam na fonte. Tal como referiam os versos da cantiga “Hino ao Alqueidão”:

Vai-se lá abaixo à fonte
que alegria lá passar
Aos pares pelo caminho
Vão murmurando baixinho
pra ninguém os escutar.
 Oh que lindos carreirinhos
que acarretam a saudade
aonde os pares vão sozinhos
Alegres muito juntinhos
Quando se tem amizade.
namoro

Almanaque e Lhuca

Hoje em dia, esta é mais uma data que é sinónimo de consumismo. As pessoas parecem achar que as demonstrações de afecto e carinho se resumem a este dia, e dispersam-se por entre ofertas de chocolates e flores, peluches com declarações de amor, pacotes especiais em hotéis de luxo, restaurantes e spas.

Era bom não esquecer que as pessoas especiais, também o são nos outros dias do ano, e Dia dos Namorados é sempre que um homem quiser…

Publicado em Datas com História | Deixe um comentário

Nossa Senhora de Lurdes

11 de Fevereiro

Dia de Nossa Senhora de Lurdes

Nossa Senhora de Lurdes

A imagem de Nossa Senhora de Lurdes que está no altar do lado direito da Igreja do Alqueidão da Serra, veio de Lourdes (França).

Foi encomendada pelo padre  Joaquim Vieira da Rosa.

Nossa Senhora de Lurdes é protetora dos enfermos. É o nome usado para referir a aparição de Nossa Senhora em Lourdes – França.

Em 11 de Fevereiro de 1858, Bernadette Soubirous foi com a irmã apanhar um pouco de lenha para vender e poder comprar pão. Quando ela tirou os sapatos e as meias para atravessar a água, junto à das gruta de Massabielle, ouviu o som de duas rajadas de vento, mas as árvores e arbustos não se mexeram.

Bernadette viu uma luz na gruta e uma menina, tão pequena como ela, vestida de branco, com uma faixa-azul presa à cintura e com um rosário nas mãos em oração. Tinha rosas de ouro amarelo, uma em cada pé. Bernadette tentou manter isto em segredo, mas a sua irmã contou à mãe. Por esta razão foram as duas castigadas.

Três dias depois, Bernadette voltou à gruta com outras duas meninas. A aparição convidou Bernadette a cavar o chão e, apareceu água de nascente. Quando a notícia se espalhou, essa água, foi dada a doentes de todos os tipos, e muitas curas milagrosas foram noticiadas.

Bernadette Soubirous

Um milagre premanente

A incorruptibilidade do corpo de Santa Bernadette Soubirous é um dos casos mais assombrosos estudados pela medicina.

Desde 3 de Agosto de 1925, que o corpo de Bernadette Soubirous  se encontra exposto numa urna de cristal na capela do convento de Saint-Gildard, na cidade de Nevers, a 260km ao sul-sudoeste de Paris, em França.

O corpo está intacto “como se estivesse petrificado” segundo foi reconhecido pelos médicos juramentados e pelas autoridades civis e religiosas. O rosto e as mãos, que escureceram em contato com o ar, foram revestidos com ligeiras camadas de cera, moldadas segundo os modelos recolhidos diretamente. A posição inclinada para o lado esquerdo foi assumida pelo corpo no túmulo.”

Em 22 de Setembro de 1909, trinta anos depois do funeral, o seu cadáver foi exumado pela primeira vez e o corpo encontrado intacto. O caixão foi aberto na presença do Bispo e dos principais representantes religiosos: “Não notamos nenhum odor. O corpo estava vestido com o Hábito da Ordem a que pertencia Bernadette. O Hábito estava húmido.”

Em 1919, dez anos depois da primeira exumação, realizou-se uma segunda exumação do corpo de Bernadette, desta vez conduzida pelos Doutores Talon e Comte, e com a presença do Bispo de Nevers, do Delegado de Polícia e dos representantes da Igreja. Conclusão: “Deste exame, concluo que permanece intacto o corpo da Venerável Bernadette, esqueleto completo, músculos atrofiados, mas bem preservados; apenas a pele, que estava enrugada, pelos efeitos da humidade do caixão.[…] “.

Em 18 de novembro de 1923, Sua Santidade o Papa Pio XI assinou decreto reconhecendo a heroicidade das virtudes de Bernadette.

Logo depois da beatificação da Santa, foi feita uma terceira exumação (12 de Junho de 1925). O objetivo era a retirada de “relíquias” do seu corpo. Bernadette veia a ser canonizada oito anos mais tarde, em 1933.

O relatório do Dr. Comte sobre esta ultima exumação permitem medir com exatidão o grau da incorruptibilidade do corpo de Santa Bernadette:

“Eu queria abrir o lado esquerdo do tórax para retirar algumas costelas e então remover o coração, o qual eu tinha certeza que estaria intacto. Porém, como o tronco estava levemente apoiado no braço esquerdo, haveria dificuldade em ter acesso ao coração. Como a Madre Superiora expressou o desejo de que o coração de Santa Bernadette não fosse retirado, bem como também este era o desejo do Bispo, mudei de ideia de abrir o lado esquerdo do tórax e apenas retirei duas costelas do lado direito, que estavam mais acessíveis. O que mais me impressionou durante esta exumação foi o perfeito estado de conservação do esqueleto, tecidos fibrosos, musculatura flexível e firme, ligamentos e pele após quarenta e seis anos de sua morte. Após tanto tempo, qualquer organismo morto tenderia a desintegra-se, a se decompor e adquirir uma consistência calcária.“Contudo, ao cortar, eu percebi uma consistência quase normal e macia. Naquele momento, eu fiz esta observação a todos os presentes de que eu não via aquilo como um fenómeno natural.”

Fonte: Wikipédia

Publicado em Datas com História | Deixe um comentário

A História de um Assalto

7 de Fevereiro de 1916

Durante o ano de 1916, assim como em outros anos da época posterior à vinda da República, muitas igrejas por esse Portugal fora sofreram assaltos. A igreja do Alqueidão não foi excepção.

alqueidão

O sacrilégio aconteceu durante a noite do dia 7 para 8 de Fevereiro, noite que se caracterizou por chuvas constantes e um vendaval medonho, logo depois do pôr-do-sol.

Quem praticou o assalto, arrombou o sacrário e espalhou as sagradas partículas pelo chão da igreja e roubou os valores que achou à mão. A tentativa de arrombamento do cofre, em que se guardavam jóias de ouro e objectos de prata, não deu resultado nenhum, apesar das violências praticadas ao mesmo.

Nunca se descobriu o autor desta criminosa proeza, no entanto, o caso deu que falar, chegando-se mesmo a pôr os pontos num habitante do Alqueidão, o qual, no entanto, se justificou.

Os pais de Alfredo de Matos

José de Matos e esposa

Este assalto não se evitou, por um triz. Aconteceu que pelas 11 horas da noite, na rua que fica a ocidente do adro, José de Matos, reparou que havia luz na, então, chamada sacristia velha, onde também ouviu vozes.

Na convicção de que fosse o pároco e o sacristão, em preparativos para levar o Viático, não fez caso e seguiu o seu caminho. É que nem sequer fez qualquer tentativa de apuramento dos factos, erguendo-se à altura do muro, porque que na verdade o tempo também não estava para isso!…

Na manhã seguinte, dirigiu-se para o seu trabalho profissional em casa de um cliente, e eis que lhe aparece pela frente o Prior, mortalmente lívido e com muitas dificuldades no falar.

Pediu-lhe que o acompanhasse para entrar com ele na igreja, cuja porta abrira, retirando-se, profundamente abalado com o espectáculo, logo que deu de frente com a profanação.

Vistoriaram a igreja, onde, é claro, só deram com os variados e tristíssimos efeitos do assalto, sacrílega profanação, roubo e destruição.

Publicado em Alqueidão, Datas com História | Deixe um comentário