O Sacristão

Antigamente o Sacristão tinha imensas tarefas que iam desde abrir e fechar a igreja todos os dias, tocar os sinos, zelar pelos livros, paramentos e outros objectos  litúrgicos, assistir a todas as missas, colaborar na organização das festas religiosas, etc.

Hoje em dia estas tarefas estão divididas pelo Conselho Económico Paroquial, Comissão das Festas, Acólitos, Voluntárias que tratam das limpezas, e tudo isto torna a vida do Sacristão bastante mais simples.

A função de Sacristão, nos anos anteriores a 1958 foi desempenhada pelo Quim Peçalho, pelo Zé Gorpino, entre outros.

Com o Padre Manuel Ferreira

Com o Padre Manuel Ferreira

O Sacristão que durante mais tempo serviu a paróquia do Alqueidão da Serra foi o ti Carlos Vieira Gomes, com a preciosa ajuda da sua esposa Celeste Teresa que cuidava das toalhas dos altares, das flores e dos objectos de culto.

Começou com o padre Manuel Ferreira e depois acompanhou o  padre Américo entre 1958 e 1971, o padre Faria  entre 1972 e 1983 e o padre Frazão que iniciou funções em Setembro de 1983.

Ele era o Carlos Sacristão. Desempenhou a sua função com amor e dedicação, sempre com um grande espírito de sacrifício e sempre disponível para os outros.

O ti Carlos trabalhava na agricultura, o dia todo, e quando chegava a casa à noite, cansado do trabalho, jantava à pressa, deixava a família e ia para a missa.

Devido à idade já avançada o ti Carlos deixou o cargo, e o padre Frazão ficou sem sacristão durante muito tempo.

Do Sacristão espera-se maturidade, sentido de responsabilidade, pontualidade, capacidade para trabalhar em equipa, paciência, e sobretudo amor por tudo o que faz. Ninguém se mostrava disponível.

Com a chegada do novo pároco, o padre Manuel Pedro, o lugar de sacristão foi assumido pelo José Roque (Zé Pipa) que exerceu funções até Dezembro de 2016.

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Com a saída do Zé Pipa, o Daniel aceitou o cargo e iniciou a sua tarefa ao serviço da paróquia em Janeiro de 2017.

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As obrigações gerais do sacristão atualmente podem incluir (mas não apenas):

  • Cuidar de maneira especial de todo material litúrgico, ou seja, tudo aquilo que é usado na celebração da Santa Missa.
  • Preparar os objetos litúrgicos e os livros para as missas
  • Estar presente nas cerimónias (embora algumas vezes possa ser substituído pelos Acólitos.
  • Operar com os sistemas de luzes, alarmes e também com o mecanismo dos sinos de forma a tocar para as missas, funerais, batizados e festas.
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Ir às Sortes

No início do século XX começou a era do serviço militar obrigatório que viria a prolongar-se por cerca de um século.

Os rapazes tinham que “ir às sortes” logo que completassem os 18 anos de idade. “Ir às sortes” como se dizia na época, era ser chamado para a inspeção militar. Boa sorte se ficasse livre, má sorte se fosse apurado.

Era a tropa! Dizia-se que era lá que os rapazes se faziam homens!

Os nascidos em 1927 quando chegou a sua vez de ir às sortes, lá se juntaram para ver que sorte lhes calhava.

Nascidos em 1927

Ir às “sortes” representava ultrapassar a fase de rapazola para homem feito e pronto para a vida, pronto até para ir para a guerra.

A vida era interrompida por dois, três e até quatro anos, e nesse período os rapazes eram confrontados com experiências que iam desde longas deslocações para os quartéis em terras distantes, viagens para o Ultramar, participação na guerra colonial, ou  o que lhe calhasse em sorte.

Para os rapazes da aldeia, pobres e desprotegidos, habituados a trabalhar na terra lado a lado com os adultos, ser apurado para a tropa podia significar comida a horas e mesa farta, se tivessem a sorte de não serem chamados para a guerra.

E todos os anos era a mesma angustia para as famílias, que tinham que ver partir os seus rapazes.

Em 1963, os rapazes do Alqueidão que foram chamados para “ir às sortes” decidiriam ir primeiro para a borga todos juntos para a Nazaré, e até tiraram uma fotografia para memória futura. Só faltaram dois: um rapaz dos Bouceiros e outro dos Casais dos Vales.

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Da esquerda para a direita, sentados: Álvaro Saragoça, Inocêncio Santos, Tormenta, Revisa. Em pé: Alfredo Geda, Avelino Marto, Carlos Batista, Manuel Cachudo, Alfredo Lateiro e Anibal Caipira

O dia das sortes foi um dia marcante para todos eles. Logo para começar foi necessário ultrapassar o constrangimento de estar em pelota numa fila à espera de vez para ser observado pelos militares que ali se deslocaram para o efeito.

Foram todos apurados, altos e magros, fortes e fracos, e alguns foram logo chamados a combater no Ultramar. Os que ficaram por cá podiam ser chamados a qualquer momento para substituir os que tinham ficado feridos em combate.

As famílias ficavam com aquela angustia de não saber se os voltariam a ver, ou se eles regressariam com saúde, e com toda a fé, entregavam-nos à protecção de Nossa Senhora oferecendo por essa intenção a oração do Terço do Rosário todos os dias.

Felizmente regressaram todos, no entanto não se pode dizer que… com saúde.

O Geda faleceu pouco tempo depois de regressar a casa. Voltou doente, estava tudo preparado para o casamento, mas ele não recuperou a saúde, e acabou por falecer. Os outros foram resistindo às mazelas e vivendo as suas vidas.

Ao longo do anos, até chegar a 2017, além do Geda, perdemos também o Avelino Marto e o Carlos Batista, que recordamos neste dia 15 de Março, que no ano de 1961 marcou o inicio da guerra em Angola.

 

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Meu Doce Lar

Cantiga de Milú no filme português “O Costa do Castelo”

A Minha Casinha

A versão cantada pelos jovens do Alqueidão na década de 40:

Meu Doce Lar

  • As saudades que eu já tinha
  • da minha alegra casinha
  • com pulgas a saltitar….
  • Baratas e aranhões
  • Percevejos nos colchões
  • e sapos no patamar
  • É tanto tanto o conforto
  • que eu à noite meio morto
  • quando vou pra me deitar
  • toda aquela bicharada
  • corre alegre e apressada
  • ao meu corpinho chupar.
  • Os ricos podem gozar-se de limpeza e alegria
  • Porém cá no meu lar, há só porcaria.
  • De manhã salto da cama
  • ao som dos pregões de Alfama
  • Trato de me levantar
  • Porque o Sol, meu namorado,
  • Rompe as frestas do telhado
  • E a sorrir vem me acordar.
  • Vou a correr à cozinha
  • para comer meia sardinha
  • Sem ter lenha para assar
  • Vou junto da cantareira
  • Procurar na cafeteira
  • Água para me lavar.
  • De manhã ao levantar
  • fartinho de me coçar
  • E sem ter pregado olho
  • A vizinha Manuela
  • Despeja o penico dela
  • Mesmo em frente à minha janela
  • Fico todo satisfeito
  • Alegre são e escorreito
  • Dizendo bem da vizinha
  • Estou longo tempo a pensar
  • Nestas belezas sem par
  • Da minha linda casinha.

A versão original cantada por Milú em  1943

Da autoria de Silva Tavares e música de António Melo, cantada por Milú no filme “Costa do Castelo”.

A letra original

Que saudades eu já tinha
Da minha alegre casinha
Tão modesta como eu
Como é bom meu Deus morar
Assim num primeiro andar
A contar vindo do céu

O meu quarto lembra um ninho
E o seu tecto é tão baixinho
Que eu ao ir p’ra me deitar
Abro a porta em tom discreto
Digo sempre senhor tecto
Por favor deixe-me entrar

Tudo podem ter os nobres
Ou os ricos de algum dia
Mas quase sempre o lar dos pobres …
Tem mais alegria

De manhã salto da cama
E ao som dos pregões de Alfama
Trato de me levantar
Porque o Sol meu namorado
Rompe as frestas do telhado
E a sorrir vem me acordar

Corro então toda ladina
Minha casa pequenina
Bem dizendo o solo cristão
Deitar cedo e cedo erguer
Dá saúde e faz crescer
Diz o povo e tem razão

Tudo podem ter os nobres
Ou os ricos de algum dia
Mas quase sempre o lar dos pobres
Tem mais alegria.

A versão dos  Xutos e Pontapés

Na década de 80 os Xutos e Pontapés deram uma nova roupagem a esta música histórica.

A Letra da autoria dos Xutos e Pontapés

As saudades que eu já tinha
Da minha alegre casinha
Tão modesta quanto eu.

Meu deus como é bom morar
Modesto primeiro andar
A contar vindo do céu.

As saudades que eu já tinha
Da minha alegre casinha
Tão modesta quanto eu.

Meu deus como é bom morar
Modesto primeiro andar
A contar vindo do céu.

As saudades que eu já tinha
Da minha alegre casinha
Tão modesta quanto eu.

Meu deus como é bom morar
Modesto primeiro andar
A contar vindo do céu.

La ra la la la la la la
La ra la la la la la la

As saudades que eu já tinha
Da minha alegre casinha
Tão modesta quanto eu.

Meu Deus como é bom morar
Modesto primeiro andar
A contar vindo do céu.

…do céu,
…do céu,
…do céu.

A versão dos  Metálica

Em 2 de Fevereiro de 2018, os Metálica, (banda norte-americana) no concerto em Lisboa, na Altice Arena, tocaram “A minha Casinha” em homenagem a Zé Pedro dos “Chutos e Pontapés”, que faleceu em 30 de novembro de 2017

 

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O Limbo

foto-10x14Nos anos anteriores a 1960 morriam muitas crianças. Não existiam vacinas, e para além disso os partos eram feitos em casa e por vezes havia complicações.

Existia a preocupação de dar o Batismo à criança logo 3 ou 4 dias depois do nascimento, porque assim, se ela viesse a falecer, já estava batizada e iria para o Céu, porque o Batismo já a tinha libertado do pecado original.

Mas muitas crianças morriam à nascença e outras já nasciam mortas, e neste caso, como não tinham ainda recebido o Batismo, eram consideradas pagãs, daí que o funeral não podia religioso, nem elas podiam ser sepultadas normalmente no cemitério.

Existia no cemitério um cantinho à parte para onde iam estes bebés. No funeral não podia ir nenhum adulto. O bebé defunto era colocado dentro de uma caixa de madeira com 4 alças de corda e era levado em cortejo pelas crianças que cantavam todo o caminho até ao cemitério. Nem a mãe nem o pai e nem nenhum adulto assistia, até que a caixinha fosse deixada no cemitério.

Na catequese ensinavam que depois da morte, estes bebés não podiam ir para o céu porque não tinham sido batizados, mas também não podiam ir para o inferno porque não cometeram nenhuma falta grave, e não podiam ir para o purgatório porque não chegaram a adquirir consciência dos seus pecados. Então, iam para um lugar denominado LIMBO.

O Limbo

O Limbo é considerado como “a fronteira do inferno”. O lugar preparado para aqueles que não podendo entrar no Céu, também não merecem o inferno.

O limbo infantil não é dogma nem verdade de fé, é apenas uma mera hipótese teológica. A doutrina tradicional ensina que as crianças que morrem sem o Batismo vivem eternamente neste lugar, ou estado, sem sofrimento mas privadas da visão de Deus.

Santo Agostinho teorizou que, devido ao pecado original, os recém-nascidos que morrem antes de serem batizados, terão a mais branda condenação de todas, no entanto, não podem ser elevadas ao Paraíso por ainda carregarem o pecado primário de Adão.

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Tempo de Carnaval

O Carnaval tal como o conhecemos hoje tem a duração de três dias, começando no Domingo Gordo e terminando terça-feira de Carnaval. A quarta-feira seguinte é Quarta-feira de Cinzas, dia que marca o inicio da Quaresma.

O Carnaval começou a ser festejado por volta do ano 520 a.C.. As pessoas reuniam-se com a intenção de se divertirem, e celebrar a chegada da primavera.

Em 1545, depois do concílio de Trento, mudou-se o calendário de Juliano para Gregoriano e o Carnaval passou a ser para os cristãos o tempo de antecede um período de privações, jejum e sacrifício que é a Quaresma.

Tempo de Carnaval

“No Entrudo come-se tudo”.

Come-se tudo… menos peixe, porque se avizinha um tempo de abstinência e jejum, nestes dias de Carnaval a tradição manda festejar com Cozido à Portuguesa, Feijoada, etc.

Antigamente existia no Alqueidão o costume de fazer, no Domingo Gordo, um grande piquenique no campo, que durava o dia todo, e lá se cozinhavam grandes panelas de Cozido à portuguesa para o almoço. Chamava-se este dia o “Domingo das Cozinhas”, e o local do piquenique era a “Cabeça”, perto do Moinho, num sitio que se chamava “Penas da Cozinha”.

Nos dias que correm muitas pessoas mascaram-se com fatos de Carnaval alusivos a uma determinada categoria profissional, personagem de cinema, desenhos animados, etc., e participam nos desfiles e bailes de Carnaval.

As crianças também vestem os seus fatinhos coloridos e vão pelas ruas em desfiles organizados pelas escolas.

Os idosos do Centro de Dia também costumam festejar o Carnaval junto com os idosos de todas as outras instituições do Concelho de Porto de Mós. Este ano de 2017 a festa foi no salão da Casa do Povo de Alqueidão da Serra.

O Bailarico foi animado por Zé Café e Guida.

Divirta-se, enquanto estamos em ritmo de Carnaval!…

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