8 de Setembro

Das grandes festas tradicionais que se realizam na freguesia de Alqueidão da Serra, faz parte a festa em honra de Nossa Senhora da Saúde que ocorre anualmente a 8 de Setembro nos Bouceiros.

Festa Bouceiros 2013 Procissão

Esta festa teve a sua origem numa promessa de um antigo habitante dos Bouceiros por Nossa Senhora da Saúde ter poupado muitos dos animais desta população rural, a uma doença dizimadora.

É de realçar o brio e o bairrismo das gentes dos Bouceiros, no arranjo e ornamentação da Capela ao longo de todo o ano e  também dos andores nos dias de festa.

Festa Bouceiros 2013 Padre Manuel

Mesmo nos anos em que o dia 8 de Setembro ocorre num dia de semana, muita gente participa nesta festa que costuma ter missa solenizada, procissão com andores de bolos e cavacas, filarmónica e tudo o que faz parte de uma grande festa popular.

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É com imensa tristeza que verificamos que este ano de 2014 esta festa não ocorrerá nos moldes tradicionais, devido a desentendimentos sem sentido, do mesmo modo que São Bento e Santa Quitéria também não tiveram este ano a sua festa anual.

Existem leis que são comuns a todos os lugares, como por exemplo a entrega na sede da freguesia, no final de cada ano, de uma pequena percentagem dos rendimentos da Capela, uma vez que é na sede da freguesia que estão centralizados todos os gastos comuns como por exemplo a manutenção da residência paroquial, cartório, etc. Também um elemento daquele lugar devia fazer parte do Conselho Económico Paroquial, e as contas da Capela deviam ser assinadas pelo pároco e mais um ou dois elementos do CEP.

Nos Bouceiros entendem que deve ser a comissão da Capela a gerir os lucros da Capela, como sempre aconteceu, e não se mostram disponíveis para cumprir as leis estabelecidas. Este desentendimento arrasta-se há várias décadas. O Padre Frazão debateu-se com este problema durante muitos anos, e tentou por várias formas arranjar uma solução pacífica, mas sem sucesso.

O actual pároco, ao fim de três anos de conversações, viu-se obrigado a tomar medidas drásticas: Não há ordens superiores para a realização das festas nos Bouceiros, enquanto esta situação se mantiver.

E assim deixou de se cumprir a promessa feita pelos nossos antepassados a Nossa Senhora da Saúde. Também São Bento e Santa Quitéria ficam este ano sem a sua festa anual.

Resolvidas que foram as divergências as festas continuaram a realizar-se nos anos seguintes, nos moldes tradicionais.

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Francisco Carreira Poças

O padre Francisco Carreira Poças nasceu no Reguengo do Fetal. Foi pároco da freguesia de Alqueidão da Serra durante seis anos e exerceu as funções de Presidente da Junta de freguesia desde 17 de Julho de 1899 até 15 de Julho de 1905.

Francisco Carreira Poças

A confraria de Nossa Senhora do Rosário surgiu na freguesia de Alqueidão da Serra em 1904, pela mão do padre Francisco Carreira Poças, que conseguiu inscrever como associados cerca de 150 pessoas, espalhadas pelos diversos lugares da freguesia: Alqueidão, Curral das Vacas, Demó, Vallongo, Casal Duro, Covas Altas, Covão de Oles, Casais dos Vales, Vales e Zambujal.

Foi o padre Francisco Carreira Poças o primeiro pároco que se interessou pelo facto de as pessoas que viviam nos lugares mais distantes da freguesia estarem privadas de assistir à missa e receber os sacramentos por não existir uma Capela nas proximidades.

Atirando-se de caras para resolver esta questão, o mais intrincado problema com que se deparou foi o da localização da capela. A este respeito, não se entendiam entre si as populações dos lugares de Bouceiros, Casal do Duro, Covas Altas, Demó, Lagoa Ruiva e Valongo.

Resolvidos que foram todos os conflitos, a Capela foi concluída e a notícia da inauguração saiu no Jornal “O Portomosense” de 14 de Julho de 1905:

“Realizou-se com toda a pompa e enorme concurso de povo, nos dias 24 e 25 do passado, a sagração da nova capela e festa a Santa Quitéria, no lugar dos Bouceiros, freguesia do Alqueidão.

Às oito horas da manhã foram conduzidas processionalmente as imagens de S. Bento e Sta Quitéria, da Igreja matriz até à nova capela, situada num lugar pitoresco e ameno.

Ali no meio de inumerável multidão, procedeu-se à cerimónia da sagração a que se seguiu missa cantada, orando o Revº. Pároco, nosso amigo Padre Poças, que cheio de justificado entusiasmo por ver coroados de êxito os seus esforços de dois anos, proferiu um discurso que arrebatou todo o auditório, superior a três mil pessoas.

Seguidamente, pôs-se em marcha uma bem dirigida procissão a que dava todo o realce uma enorme fila de mais de duzentas ofertas.

De tarde, arraial em que se deu um desagradável incidente, devido a rixas antigas entre os povos de lugares próximos. Mais uma vez felicitamos os nossos amigos Padre Poças e todos os seus cooperadores.”

A construção e a inauguração da Capela, em 1905, foi um dos últimos grandes feitos oficiais do Padre Francisco Carreira Poças, como pároco desta Freguesia. Actualmente desta primitiva Capela já nada existe.

capela bouceirosA Capela dos Bouceiros, (que actualmente também se pode chamar Igreja porque tem culto, inclusivamente missa dominical), tal como hoje a conhecemos, foi construída nos finais da década de 60, no mesmo local onde se encontrava a capela antiga que tinha sido construída no tempo do Padre Poças, e é obra das gentes locais que tiveram todo o apoio, empenho e total acompanhamento do Padre Américo Ferreira. Foi uma das primeiras Capelas da Diocese de Leiria, a aplicar e introduzir no estilo e formas, as novas normas de modernização trazidas pelas reformas do Concílio Vaticano II. Foi obra arquitectónica do Gabinete de Arquitectos de Leiria, Korrodi e Célio Cantante.

A acção pastoral do padre Francisco Carreira Poças foi notável devido não só ao seu fervor religioso, mas também aos esforços que desenvolveu para adornar a igreja devidamente, encomendando bandeiras, comprando imagens e outros objectos necessários à casa de Deus.

Conforme noticia publicada no jornal “O Portomosense” de 29 de Julho de 1904, por esta altura, já ele tinha comprado (parte à custa dos rendimentos paroquiais, parte à custa do seu próprio bolsinho particular):

  • 1 Cofre à prova de fogo: 40$00
  • 1 Bandeira de São Sebastião: 10$50
  • 1 Andor em talha dourada: 35$00
  • 1 Lanterna dourada: 28$00
  • 1 Cruz prateada para as procissões: 25$00
  • 1 Casual roxa: 18$00
  • 1 Lâmpada Francesa: 15$20
  • 1 Bandeira do Coração de Jesus: 46$30
  • 1 Casual de Lustrina e oiro: 104$30

O Padre Francisco Carreira Poças saiu do Alqueidão da Serra para S. João de Porto de Mós de onde foi transferido para o Reguengo Grande e S. Sebastião da Pedreira em Lisboa e por fim, veio a ser pároco de S. Pedro em Porto de Mós.

Enquanto pároco da freguesia de São Pedro colaborou na criação da freguesia das Pedreiras, que foi erguida sob a protecção do Mártir São Sebastião, ficando responsável por organizar a nova freguesia. Estávamos em 5 de Agosto de 1924.

Em colaboração com o pároco de S. João, que era na altura o padre Manuel Carreira Poças, fundou a Juventude da Acção Católica, e quando chegou o tempo de formalizar esta nova instituição fez-se uma grande reunião de jovens em Porto de Mós.

Foi no dia 8 de Dezembro de 1936. Estavam presentes muitos jovens e crianças acompanhados pelos seus pais, que chegaram vindas de todos os lugares do Concelho de Porto de Mós. Destacavam-se as crianças da Cruzada Eucarística com os seus fatinhos brancos. As celebrações decorriam normalmente quando o edifício onde se encontravam ruiu. Morreram, em poucos minutos, 36 crianças com idades compreendidas entre os 9 e os 11 anos e cerca de 200 pessoas ficaram feridas.

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 Com a colaboração do Professor Carlos A. Rosa Vieira
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Tília

As tílias são  árvores de grande porte que dão umas delicadas flores amarelas de agradável aroma. Alguns povos dizem que é sob a sua copa que aparecem as fadas nas noites quentes de verão.

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As flores de tília aparecem na primavera e no verão, e devem ser colhidas no verão. Têm um delicioso perfume que é associado à calma e à serenidade, o ideal para promover um bom sono.

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As grandes tilias do Adro foram plantadas pelo padre Manuel Ferreira, que foi pároco de Alqueidão da Serra de 1950 a 1957.

F93 8,5x11,5 Igreja no tempo do Padre Américo

 Para que serve a tília ?

A tília serve para ajudar no tratamento de tensão alta, bronquite, catarro, cansaço, má digestão, epilepsia, dor de cabeça, sarampo, gripe, dor de estômago, febre, ansiedade, enxaqueca, infecções na pele, insónia e espasmos.

A tília tem uma acção calmante, digestiva diurética e tónica. As partes utilizadas da tília são as folhas, flores e frutos para fazer chás e infusões.

Para fazer um chá de tília deve-se adicionar 1 colher (de sopa) de Tília numa chávena com água a ferver, tampar e esperar até que esteja morno. Beber até 3 vezes por dia.

A tília deve ser evitada durante a gravidez e o aleitamento materno.

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O Milho

Contam os mais mais velhos que antigamente depois de semear o milho até ao momento em que este estava pronto para ser colhido, decorriam uns quatro ou cinco meses.

O milho era apanhado à mão e levado para as eiras. Depois juntavam-se na eira grandes grupos de pessoas para a descamisada que decorria entre canções, danças e grande convívio. Era frequente os rapazes ficarem de noite nas eiras, dormiam na casinha da eira.

escamisada

Depois o milho era riscado com um cebolão e a seguir era esgravelhado para separar o grão do carolo, e era estendido na eira para secar.

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O milho ficava na eira até secar, era mexido diariamente e quando estava seco, era limpo com pás de madeira: atirava-se ao ar e depois o vento tratava de levar o lixo. Se fosse pouca quantidade era joeirado com um crivo.

Depois tudo se aproveitava:

  • O milho branco era para fazer farinha e o amarelo era para britar para depois dar às galinhas.
  • Os carolos serviam para queimar nas lareiras e ajudar a aquecer as casas.
  • As camisas do milho serviam para alimentar os animais, e também para encher colchões, depois de bem desfiadinhas.
  • As barbas do milho serviam para fazer as cabeleiras das bonecas de trapos com que as meninas brincavam.

Os tempos foram evoluindo e apareceram as máquinas que fazem um trabalho pesado fisicamente, com uma facilidade enorme e num curto espaço de tempo. Deixou de ser necessário escamisar e esgravelhar, ficou tudo muito mais simplificado e no final, a maioria das pessoas já não aproveita quase nada.

Os colchões de camisas de milho foram substituídos por colchões em esponja. As lareiras foram substituídas por aquecimento a gasóleo ou a electricidade, e as meninas não brincam com bonecas de trapos.

Hoje em dia, os milheirais são cortados num curto espaço de tempo, com o milho a ser arrancado, “esgravelhado” e os carolos deitados novamente à terra. No final o agricultor aproxima o seu tractor da máquina para esta descarregar o milho que está no seu reservatório, e depois disto só resta colocar a secar e limpar.

Antigamente eram precisas algumas semanas para fazer todo o trabalho que, com as máquinas actuais se faz em dois dias. A verdade é que, se actualmente tivesse que ser tudo feito à mão já ninguém semeava nada. São poucas as pessoas que se dedicam à agricultura, e verifica-se que mais de 50% dos nossos terrenos já não são cultivados.

O Milho na Alimentação Humana

Para além da farinha, o milho é utilizado na produção de cereais de pequeno almoço como por exemplo corn flakes, e também na produção de xarope de milho que é utilizado como adoçante.

Na indústria, o milho é utilizado como componente na fabricação de rebuçados, biscoitos, pães, chocolates, geleias, gelados, etc.

Ao contrário do que acontece com o trigo, o milho não tem glúten.

 

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Freixo

Freixo - 1993O Freixo do Adro foi plantado pelo Padre Afonso, em 24 de Junho de 1861, para assinalar o dia da sua chegada à freguesia do Alqueidão da Serra.

Á sombra do Freixo o Padre Afonso ensinou muitas crianças a ler e a escrever, para além de lhes ensinar a doutrina.

É tradicionalmente debaixo do Freixo que se coloca o palco para as grandes festas de Agosto em honra de Nossa Senhora.

O Freixo é uma árvore que cresce muito rapidamente se o terreno for favorável e pode atingir os 40 metros de altura. A sua idade máxima ronda os 300 anos. A madeira utiliza-se na indústria de mobiliário e no revestimento de interiores. É ideal para fabricar escadas, aparelhos desportivos e cabos de ferramentas.

As folhas surgem no mês de Junho, muito depois das flores. É necessário colhê-las jovens, ainda cobertas pelo revestimento ligeiramente aderente e açucarado, e retirar o pecíolo antes de as secar.

Com as folhas do Freixo prepara-se um chá que é considerado uma verdadeira bebida de rejuvenescimento.

O Freixo usa-se em medicina popular para tratamento de celulite, colesterol, dor, envelhecimento, gota, hálito, litíase, nevralgia, reumatismo, ureia etc.

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