Chuchu

O chuchuzeiro é uma trepadeira que cresce nas nossas hortas domésticas e que cobre os muros e as cercas com a sua rama que pode chegar a 15 m de comprimento.

Para a polinização das flores e formação dos frutos é necessária a presença de insectos polinizadores, principalmente abelhas.

O Chuchu é rico em minerais como ferro, magnésio, potássio, fósforo e cálcio. Tem um alto teor de fibras, o que faz com que desempenhe um importante papel no funcionamento dos intestinos.

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Se for cozido sem sal, o chuchu é recomendado para o tratamento da tensão arterial elevada. Como é pouco calórico é aconselhado para dietas de emagrecimento e como é rico em água é ainda um excelente diurético. Possui vitaminas do complexo B que ajuda no crescimento e saúde da pele.

A folha do chuchu serve para fazer chás diuréticos para combater os ácidos úricos e a tensão alta e além disso actua como calmante natural.

O chuchu (Sechium edule) inclui a gastronomia local da Ilha da Madeira onde é conhecido pelo nome de pimpinela.

Como utilizar o chuchu na nossa alimentação

O chuchu deve se descascado debaixo de água corrente, uma vez que solta uma substância viscosa que não é fácil de remover das mãos.

Habitualmente, o chuchu não é consumido cru. Pode ser usado assado, em refogados, sopas, cremes, purés, bolos ou saladas frias. 

Saladas – Cozer o chuchu água e sal, depois de escorrido coloca-se numa travessa e juntam-se rodelas bem finas de cebola e tempera-se com ervas aromáticas a gosto. Ou então fazer uma salada mista cozendo o chuchu com vários outros legumes e colocar sal moderado.

Refogados – Frita-se em óleo, alho (ou cebola conforme a preferência de cada um) e junta-se o chuchu picadinho. Depois junta-se água a ferver tapa-se e deixa-se cozinhar.

Molhos -Procede-se da mesma forma que para os refogados, mas logo depois de juntar a água a ferver acrescenta-se molho de tomate ou colorau.

Chuchu recheado -Descasca-se o chuchu e parte-se ao meio. Depois de cozido, retira-se a semente e um pouco do miolo com uma colher de sobremesa. Recheia-se com carne picada (previamente confeccionada) e cobre-se com uma fatia de queijo mussarela. Vai ao forno na hora de servir até ao ponto em que o queijo se derreta.

Chuchu gratinado – Cozinhar o chuchu descascado e cortado ao meio em água temperada (com sal ou caldo). Depois de cozido coloca-se num tabuleiro que possa ir ao forno, regua-se com molho branco a gosto e salpica-se com queijo parmesão ralado. Vai ao forno até até gratinar.

Chuchu com ovo –  Fazer o chuchu refogado e quando a água estiver praticamente evaporada juntam-se os ovos por cima do refogadinho, tapa-se e aguarda-se até que os ovos fiquem completamente cozidos.

Chuchu à milanesa – Cozinhar os chuchus descascados e cortados ao meio em água temperada com sal, até o ponto de al dente. À parte bater os ovos. Quando os chuchus estiverem cozidos, escorrem-se passam-se pelo ovo batido e depois por farinha e fritam-se em óleo bem quente.

Podemos também juntar chuchu aos pratos que costumamos fazer diariamente. Os menos atentos nem vão perceber a presença dele e estarão beneficiando dos seus nutrientes.

Como plantar Chuchus

O chuchu deve ser cultivado em locais ensolarados. O solo deve estar sempre húmido, sem que fique encharcado porque o chuchuzeiro é muito sensível tanto ao excesso quanto a falta de água. O plantio é feito com o fruto inteiro.

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Os Amados do Alqueidão

Existem no Alqueidão da Serra dois ramos distintos da grande árvore geneológica da família Amado.

A História das Nossas Familias

Um descendente dos Amados de Aljubarrota fixou-se no Alqueidão da Serra, por volta do ano de 1700, para aí constituir família.

Em 1766 vivia no Alqueidão, Domingos Vieira Amado com a sua esposa Francisca da Silva Vieira Amado. Um dos seus filhos chamava-se João Batista Vieira Amado.

  • João Baptista Vieira Amado, residente em Alqueidão da Serra, era negociante de tabaco. Foi a segunda pessoa a beneficiar do comércio de Venda de Tabaco, previlégio que lhe tinha sido concedido pela Câmara de Porto de Mós em 6 de Março de 1849. Veio a casar-se com Joana da Silva e teve 9 filhos:
  1. Maria de Jesus Vieira Amado
  2. Manuel Vieira Amado
  3. Joaquim Vieira Amado
  4. Joaquina Vieira Amado
  5. Maria Vieira de Jesus Amado
  6. Manuel Jesus Vieira Amado
  7. Baltazar Vieira Amado
  8. Francisco Vieira Amado
  9. José Vieira Amado

As famílias de apelido “Amado” que existem actualmente no Alqueidão descendem de dois dos filhos de João Batista Vieira Amado,  o Francisco e o José.

A linha descendente de José Vieira Amado

José Vieira Amado casou com Joaquina de Jesus (Joaquina Thereza) e tiveram 7 filhos:

  1. Manuel Vieira Amado;
  2. Felicidade de Jesus Amado;
  3. Maria Teresa Vieira Amado;
  4. Joana de Jesus Teresa Amado;
  5. Isabel de Jesus Vieira Amado;
  6. José Vieira Amado
  7. António Vieira Amado.

 1. Manuel Vieira Amado casou com Águeda de Jesus Roque Serrana, tiveram 10 filhos: 1.Maria Celeste Amado que foi para Torres Novas; 2.Laura de Jesus Amado (Laura Sarrana); 3.Maria de Jesus Amado (Tia Maria Coiceira), 4.Joana de Jesus Amado que foi para Porto de Mós; 5.Maria das Dores Amado (Tia Dores); 6.Francisco Vieira Amado que foi para Torres Novas; 7.Brigida de Jesus Amado (Tia Brigida); 8.Aurora de Jesus Amado que faleceu com cinco meses; 9.José Amado foi para Santarém, (veio a falecer num Lar de Idosos em Fátima) e 10.Encarnação de Jesus Amado que era professora, foi viver para Alenquer e depois para Lisboa.

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2. Felicidade de Jesus Amado casou com Joaquim Frazão e teve só um filho que se chamou José da Assunção Frazão.

 3. Maria Teresa Vieira Amado casou com José Frazão, teve 6 filhos: 1.O Padre Manuel Frazão; 2.Maria de Jesus Teresa; 3.José Frazão que casou com Maria da Encarnação de Jesus Alfaiate; 4.Águeda de Jesus Frazão que era a esposa do Ti João Vitório; 5.Joaquina Amado que casou com Paulo Vieira Saragoça, e 6.Emilia Amado Frazão que casou com Pedro Vieira Santana.

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 4. Joana de Jesus Teresa Amado casou com Francisco Vieira Alfaiate e tiveram 6 filhos: 1.Manuel Vieira Alfaiate casou com Maria das Dores Amado; 2.Brigida que nunca casou (faleceu com tubercolose); 3.Lodovina de Jesus; 4.José Vieira Alfaiate; 5.Maria da Conceição Alfaiate (Ti Alfaiata); 6.Emilia (não casou e era criada de servir em Lisboa em casa do Sr. Adolfo).

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5. Isabel de Jesus Vieira Amado não tem descendência.

 6. José Vieira Amado, casou com Maria Parreira tiveram um filho António Vieira Amado que veio a casar com Joaquina Carreira.

Etelvina - Neta de José Vieira Amado

Etelvina – Neta de José Vieira Amado

 7. António Vieira Amado que casou com Susana de Jesus Alfaiate tiveram 4 filhos: 1.Encarnação Susana; 2.Francisco Vieira Amado; 3.Paulo Vieira Amado que casou com Mary Morris, 4.Maria Susana que foi para Lisboa.

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 A linha descendente de Francisco Vieira Amado

Francisco Vieira Amado teve um filho a quem chamou Francisco Amado. Este veio a casar com Maria de Jesus que era conhecida pelo nome de Ti Catrina Velha e tiveram 6 filhos:

  1. Manuel Amado: 1879-1948
  2. Adriano Vieira Amado
  3. Francisco Vieira Amado
  4. José Vieira Amado
  5. Maria de Jesus Catarino (a Ti Catrina)
  6. António Vieira Amado: 1869-1949

1. Manuel Amado casou com Maria da Graça de Jesus Bernardo, tiveram 9 filhos, eram eles: 1.Joaquim Correia Amado; 2.Manuel Correia Amado; 3.Virginia Correia Amado; 4.João Correia Amado; 5.António Correia Amado que foi para o Canadá; 6.José Correia Amado; 7.Dinis Correia Amado; 8.Maria Correia Amado; 9.Maria da Conceição Correia Amado que casou com Manuel dos Santos Aparicio e foi para o Brasil.

De Adriano Vieira Amado, Francisco Vieira Amado e José Vieira Amado desconhece-se a descendência.

5. Maria de Jesus Catarino casou com José Francisco Saloio, tiveram 8 filhos: 1.Maria do Carmo Amado que casou com João dos Santos; 2.Manuel Francisco Amado que casou com Mónica Correia dos Reis que era do Reguengo do Fetal; 3.António Francisco Amado que casou com Maria de Oliveira Santos Amado; 4.Adelaide José Amado; 5.João Francisco Amado que casou com Leotália de Jesus Henriques; 6.Joaquim Francisco Amado, 7.Luis Francisco Amado, 8.Alberto Francisco Amado que casou com Maria de Jesus Gabriel (Ti Macena).

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6. António Vieira Amado a quem chamavam o Ti António Calça casou com Maria Filomena Silva Amado, tiveram 4 filhos: 1.Guilhermina Amado que casou com Francisco Gabriel; 2.João Amado que casou com Brigida de Jesus Amado (Tia Brigida); 3.Ermelinda Amado não casou; 4.Adelaide da Silva Amado que casou com Francisco Vieira Amado.

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No ano de 2013 foi publicado um romance de época que retrata a vida das pessoas do Alqueidão por altura das Invasões Francesas, é da autoria de João Amado Gabriel, e é baseado na história de Manuel Pereira Roque, o avô de Águeda de Jesus Roque Serrana que era a esposa de Manuel Vieira Amado (linha descendente de José Vieira Amado).

Livros Avô Capitão

A Origem do apelido “Amado”

O ramo que está nas origens ancestrais da família Amado saiu do “Clã Dias Coelho” que habitava nas regiões de Santarém e Alcanede. Entre os muitos bens que este clã possuía, existiam boas azenhas e moinhos de água na Ribeira de Alviela.

Nos anos entre 1050 e 1086, nasceu neste Clã, um menino a quem puseram o nome de Pellagium Diaz, que mais tarde se viria a juntar à Corte do Conde D. Henrique de Borgonha.

Pellagium Diaz pela amizade e préstimos efetuados ao Conde D.Henrique de Borgonha recebeu deste, o apelido de “Amado” que quer dizer Grande Amigo, e passou desde então a chamar-se Pellagium Diaz Amado. Viveu na Corte até 1114, e depois viveu como ermitão até 1145.

Pellagium Diaz Amado, casou com D. Munhinha Guterrez, esta faleceu de parto da sua filha Ouroana, o que levou Diaz Amado a um profundo desgosto. Por isso se fez ermitão, e foi viver para uma modesta habitação de religiosos em terras de Bouro na região de Braga, habitação esta que está na origem do Mosteiro de Bouro.

Um dos filhos de Pellagium Diaz Amado, SUEIRO PAES DIAS AMADO, serviu as hostes guerrilheiras do Rei D.Afonso Henriques e tomou parte na reconquista aos Mouros das cidades de Santarém e Lisboa em 1147, bem como de outros territórios que mais tarde vieram a constituir Portugal.

O Brasão da Família

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Armas

 Esquartelado: o 1º e o 4º de azul com uma águia estendida de ouro; o 2º e o 3º de verde com uma banda de prata carregada de seis pontos de arminho de negro. Timbre: a águia do escudo.

Pesquisas

O ramo da família Amado que por volta do ano de 1700 se fixou no Alqueidão da Serra, espalhou-se depois por todos as regiões de Portugal e por todos os cantos do mundo.

António Ribeiro Amado que desenvolve a sua actividade profissional em Porto de Mós, tem dedicado parte da sua vida a um exaustivo trabalho de pesquisa e investigação, no sentido obter contactos e agregar na mesma árvore todos os membros desta família que se encontram espalhados pelo mundo.

 

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O Provedor Municipal

Compete ao Provedor Municipal informar e apoiar o cidadão na defesa dos seus direitos. Os munícipes podem apresentar junto do Provedor Municipal queixas ou reclamações relativas a acções ou omissões dos poderes públicos (Administração Local, Regional e Nacional) sedeados no concelho de Porto de Mós.

O Provedor procurará, pela via do diálogo, junto das instituições e serviços visados, ou mediante recomendação, facilitar, resolver ou eliminar as situações objectos de queixa, solucionar diferendos ou corrigir as situações lesivas dos interesses dos cidadãos.

Em Junho de 2014, por votação na Assembleia Municipal, Carlos Alberto Rosa Vieira natural do Alqueidão da Serra foi eleito Provedor.

Perfil do Provedor

A sua carreira de professor começou numa escola da Batalha. Foi destacado para cumprir o serviço militar em Cabo Verde, mas logo que regressou fixou-se no Alqueidão, onde foi professor do 1º ciclo, Director da Cantina Escolar e professor da telescola até atingir a idade da reforma.

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cruzeiro da IndependenciaGrande conhecedor da História  do Alqueidão, acompanhou os seus alunos da telescola, por ocasião da homenagem recordando os 350 anos da Restauração e o 50º aniversário do Cruzeiro da Independência. Estávamos em 1990. Os alunos da Telescola fizeram recitativos e uma evocação histórica, sempre acompanhada pelos comentários do Professor Carlos Rosa Vieira que foi mostrando a importância e o simbolismo de cada passo da cerimónia.

O professor Carlos tem colaborado com associações e movimentos cívicos, e é conhecido de todos o seu trabalho na paróquia do Alqueidão da Serra e em alguns movimentos da Diocese de Leiria-Fátima, nomeadamente como Servita em Fátima.

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Para além do seu trabalho como catequista, o professor Carlos sempre colaborou com os párocos que estiveram ao serviço desta paróquia do Alqueidão da Serra, ajudando-os na preparação das missas, escolha dos cânticos e ensaios, preparação de procissões e festas religiosas, etc.

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A sua experiência autárquica passa por ter sido vereador da Câmara Municipal de Porto de Mós, presidente da Junta de freguesia do Alqueidão, várias vezes presidente da Assembleia de Freguesia, e deputado municipal.

Carlos A. Rosa Vieira é sobrinho do Sr. Carlos Vieira da Rosa, que, no seu tempo, também desempenhou as funções de presidente da Junta de Freguesia do Alqueidão da Serra por mais do que um mandato.

O Professor Carlos tem sido, ao longo dos anos, presença habitual nas festas e acções de solidariedade que se realizam na freguesia, ajudando com o seu trabalho na preparação e realização de alguns eventos.

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A iniciativa de fundar uma Casa do Povo em Alqueidão da Serra surgiu da vontade de José da Silva Catarino, Carlos Alberto Rosa Vieira e Daniel de São José Correia, que começaram a dinamizar o projecto contando com o apoio da Delegação Distrital da Junta Central das Casas do Povo.

Por todo o seu trabalho ao serviço da comunidade, a Assembleia Municipal de Porto de Mós reconheceu a Carlos A. Rosa Vieira valor e capacidade para desempenhar a função de Provedor para a qual foi eleito.

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Aventuras de um Dissidente do PRP – Parte 4

Artigo publicado no jornal “O Comércio do Porto” em 1982

“Sabíamos que, mais tarde ou mais cedo, ou passávamos à clandestinidade, ou éramos presos, ou levávamos um tiro” afirmou-nos Franklin, ex-militante do PRP e o último dos presos daquela organização de extrema-esquerda.

Fracassadas algumas tentativas de assalto, conseguidas outras, a actividade do Franklin manteve-se até ao próprio dia da prisão, no Lavradio, a 20 de Julho de 1978, no próprio dia em que ia participar no programado assalto a uma agência bancária em Sintra.

Após o fracasso da tentativa de roubo dos ordenados da SEPSA, relatado na última edição de “O Comércio do Porto”, o Franklin foi contratado para uma acção que, a ter-se efectivado, seria sem dúvida uma das mais espectaculares de sempre na história do nosso país: o desvio de 3.000 espingardas automáticas G-3.

Tínhamos a informação que, entre dois quartéis se iria fazer a transferência de um carregamento de 3.000 G-3, que seria protegida por uma escolta fraca constituída por um sargento, um cabo e dois soldados.

Estava tudo planeado para que, no dia D, numa zona do Ribatejo, uma equipa nossa constituída por 4 militantes uniformizados de camuflado e transportados num Mercedes preto, interceptasse a Berliet com as G-3 e as desviasse. Estava tudo planeado, mas a acção foi anulada porque entretanto tiveram lugar os acontecimentos de Massarelos, em que morreu um agente da PJ do Porto, e nós começamos a ser apertados pela polícia”.

A equipa que viajava no Mercedes seria constituída por um suposto capitão, um alferes – que seria o Franklin – e três soldados. A Berliet com o carregamento das G-3 seria interceptada pela viatura dos militantes do PRP, que exibiriam ao sargento um documento, forjado, do chefe da região militar, em que se explicava ter chegado aos comandos militares a informação de que se preparava qualquer coisa para desviar o carregamento, e por isso, a responsabilidade do transporte ficava a cargo da equipa especial que era portadora da missiva.

Segundo nos contou o Franklin, a acção, que deveria ter lugar em fins de Fevereiro de 78 estava milimetricamente planeada (“já tínhamos todos os cabelos cortadinhos à militar”), quando foi anulada.

O carro da acção não tinha pinga de gasolina

Em fins de Maio de 78, o Franklin participou, conjuntamente com o Joca, o Manel e o Chinês, no assalto bem sucedido à agência do BESCL em Campolide, acção que foi preparada por Amílcar Romano.

“O assalto foi muito mal preparado, mas também não se podia esperar melhor da cabeça do Romano”.

Ainda não refeito do assalto à agência do BESCL de Campolide, o Franklin foi escalado para fazer outra operação de “recolha de fundos” na agência de Sintra do mesmo Banco.

“A primeira tentativa de assalto ao BESCL de Sintra fracassou porque quando estávamos para partir verificámos que o carro da acção não tinha uma gota de gasolina. De qualquer maneira esta acção fracassada serviu para entender a moral dos dirigentes do partido. Na manhã anterior ao assalto, os camaradas que iam comigo arriscar o cabedal decidiram, sem dizer nada, que do saco seriam retirados cinco contos para minorar as dificuldades económicas e para que assim eu não me visse obrigado a parar definitivamente, já que de todos eu era o único que não era funcionário.

Além de o partido não ter o mínimo dispêndio de dinheiro comigo, eu ainda gastava bastante, quando tinha, apoiando camaradas recuados, dando dinheiro para comidas, gasolinas, etc., e ultimamente a minha vida era de quase permanente trabalho para a organização, o que além dos gastos me trazia também o problema de não receber, já que no meu trabalho só ganhava quando trabalhava.

Fiquei imensamente surpreendido e chocado quando os meus camaradas me contaram o episódio e relataram que o Romano tinha respondido que cinco contos era muito e não podia ser, ordenando-lhes que, quanto muito, retirasse mil escudos”.

A rotura do Franklin com o PRP, que teve como fundo a divergência sobre a análise política da direcção (golpe fascista ou insurreição armada) acentuou-se depois da prisão.

“Depois de preso, tive contactos com outras pessoas mais responsáveis e conhecedoras da organização e apercebi-me de podres e desonestidades, que lá fora eu não julgava que fossem possíveis em pessoas e partidos deste tipo.

Enquanto eu e muitos outros corríamos riscos e passávamos por privações arriscando-nos a morrer para ir buscar dinheiro aos bancos, o Carlos Antunes tinha dois filhos a estudar em Paris, na Sorbonne, à conta do dinheiro dos assaltos. Está provado que, só de uma vez, foram enviados 150 contos para o sustento dos filhos do Carlos Antunes e há gravações, em 17 cassetes, apreendidas ao Pedro Goulart de reuniões da direcção nacional do PRP  em que se discutem desvios de fundos da ordem dos milhares de contos.

Por isso, eu dou razão, neste particular, aos militantes das FP-25 que se reivindicam do 3º Congresso do PRP e expulsaram o Carlos Antunes e a Isabel do Carmo acusando-os de corrupção e desvio de fundos. Há milhares de contos para os quais não há explicação.

Dos 9.500 contos roubados depois de eu estar preso, na agência de Sintra do BESCL, apenas se sabe que o Romano utilizou 500 contos para pagar salários em atraso dos funcionários e que fugiu com os outros 9.000 para Espanha” concluiu o Franklin.

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FIM do artigo publicado no Jornal  ” O Comércio do Porto” ano de 1982.

O Comércio do Porto foi um jornal português, fundado no Porto em 1854, e que deixou de se publicar em 2005.

Depois do 25 de Abril, em pleno PREC (Processo Revolucionário em Curso) o jornal “O Comércio do Porto” chegou a imprimir 120 mil cópias.

Com o passar do tempo este jornal deixou de ser economicamente viável, a sua última edição foi impressa em 30 de Julho de 2005.

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Aventuras de um Dissidente do PRP – Parte 3

Artigo publicado no Jornal “O Comércio do Porto” em 1982

“Após o falhanço da tentativa de incêndio da sede do CDS em Leiria e da sua não participação no assalto ao banco de Albufeira, o Franklin esteve afastado do PRP até ao verão de 77, por causa da sua participação num curso de formação profissional na Cruz de Pau.

No principio de Setembro de 76 comecei a ser pressionado para me tornar funcionário do partido, mas escolheram mal a altura já que queria frequentar um curso de formação profissional de electricista. Para mim, com a quarta classe e sem profissão, esta era de facto uma oportunidade a levar em conta que não estava disposto a perder”.

Na Cruz de Pau, durante o curso, o Franklin foi abordado por Amilcar Romano, que o informou que o Carlos Antunes queria falar com ele na casa do PRP da Rua Borges Carneiro em Lisboa.

“Foi uma jogada psicológica para me convencer a abandonar o curso e tornar-me funcionário. O grande argumento do Carlos Antunes era que o curso acabava em Abril de 77 e antes dessa data já teria inevitavelmente sucedido o golpe fascista. Era esta a politica do partido: A iminência do golpe fascista. Discordei abertamente dizendo-lhe que desde a minha entrada no partido, tinha ouvido sempre a análise de que o golpe era “amanhã”, e desde então já tinham passado muitos “amanhãs” e a situação nacional estava a acalmar”.

Do roubo de explosivos ao orgulho próprio ferido

Acabado o curso de formação profissional o Franklin regressou ao Alqueidão onde viria novamente a ser contactado pelo PRP, para a sua participação em novas acções ilegais.

“Um dia à tarde apareceram-me na pedreira a dizerem que vinham da parte da direcção do partido, e que era necessário arranjar 40 kg de explosivos. Segundo eles, o Alentejo estava em pé de guerra, com a GNR a fazer desocupações nas UCP’s e a distribuir cacetadas a torto e a direito”.

Franklin concordou e descobriu 130 kg de explosivos numa pedreira na zona de Fátima, que foram roubados nesse mesmo dia à noite. Uma semana depois foi contactado para fazer parte de uma equipa que ia pôr uma bomba na sede da CAP em Rio Maior.

“Mais uma vez a acção falhou e só no dia seguinte, pela rádio, soube que estava integrada num plano mais vasto de rebentamentos. Foi naquela altura em que explodiram vários Centros Regionais de Reforma Agrária.”

Falhadas também foram as primeiras tentativas, em que o Franklin estava envolvido, de assalto às Finanças e CGD de Águeda e ao Banco Totta & Açores de Vila da Feira.

“Decididamente eu começava a sentir-me complexado, pois todas as operações deste tipo em que havia estado para entrar falharam à ultima hora. Nunca tal aconteceu por minha culpa, no entanto já começava a ferir o meu orgulho próprio”

“Vamos assaltar a caixa, Giroflé, Giroflá”

Finalmente e num curto espaço de um mês, o Franklin participou em três assaltos conseguidos – Finanças de Águeda (22 de Dezembro de 77), Banco Totta & Açores de Vila da Feira (Janeiro de 78) e CGD de Águeda (26 de Janeiro de 78) – todos eles entre-cortados por pequenos “fait divers”.

“No assalto às Finanças de Águeda por pouco íamos ficando sem carro para a fuga. O Ataíde – que ainda na véspera da acção tinha estado a vangloriar-se das suas proezas como fuzileiro na Guiné – saiu da repartição logo no início do assalto, por ter visto um GNR fardado lá dentro. Não contente por ter fugido, convenceu o condutor que nós tínhamos sido todos presos, e que o melhor era fugirem os dois senão também iam “a gancho”. Tivemos sorte porque o assalto foi muito rápido, mas mesmo assim quando chegamos cá fora o carro já ia a andar e estava a cerca de 100 metros de distância. Tivemos que ir a correr atrás dele, e só por meio de ameaças conseguimos que eles parassem, com os sacos do dinheiro e as armas na mão. Para entrar foi o cabo dos trabalhos porque o carro só tinha duas portas, e o Ataíde não se conseguia mexer pois estava paralisado pelo medo. Tivemos de ser nós a arrancá-lo à força do assento para fora”.

O humor não estava, no entanto ausente da preparação dos assaltos.

“Quando da reunião para ultimar os pormenores sobre a entrada na CGD de Águeda, o Chinês, calmamente foi para um canto da sala, meteu a meia na cabeça, empunhou a pistola e veio na nossa direcção exemplificando a sua proposta, enquanto se bamboleava: “Vamos assaltar a Caixa, giroflé, giroflá, vamos assaltar a caixa, giriflé, flé flá”.

Durante o assalto ao Banco Totta & Açores de Vila da Feira o Franklin também se defrontou com um problema quando estava à porta da agência, embuçado e com uma meia na cabeça.

“Um dos clientes que ia a entrar durante o assalto viu-me naquela figura e perguntou-me o que estava a acontecer. Achei piada e respondi-lhe, a rir-me, que estávamos a assaltar o banco. Ele não acreditou, e foi o cabo dos trabalhos para o convencer que era um assalto a sério e não uma brincadeira de Carnaval.”

Queriam roubar a SEPSA mas não sabiam do cofre

Um dos incidentes mais curiosos da actividade militante do Franklin foi a tentativa de assalto ao cofre da Sepsa, onde estavam albergados 20.000 contos em numerário, para o pagamento dos ordenados do pessoal.

“Só sabíamos o dia dos pagamentos, o edifício onde estava o cofre, e que o tesoureiro andava sempre armado com uma pistola 7.65 mm. Para além destas escassas e desanimadoras informações, havia ainda que ter em conta a grande distancia entre a Portaria e o edifício da Tesouraria. É claro que a operação poderia ser posta em causa, se fossemos interceptados pelo porteiro.

No dia da operação a coisa começou a correr muito bem pois passámos a Portaria em dois grupos sem que nos perguntassem nada. Mas, quando estávamos a meio caminho do edifício da tesouraria, o porteiro deu por nós e chamou-nos, pedindo-nos para explicarmos o que andávamos ali a fazer.

Enquanto eu e o outro rapaz do meu grupo dissemos que andávamos à procura de trabalho, os do outro grupo arranjaram uma desculpa mais complicada: disseram que eram representantes de uma cooperativa agrícola e andavam à procura da concessionária da cantina para fazerem um contrato com ela. O porteiro encaminhou-os para a concessionária e eles foram obrigados a manterem-se no papel inventado, falaram com a senhora, que se mostrou interessadíssima no fornecimento de hortaliças e o negócio ficou logo ali aprazado.

Por vias disto a assalto falhou, o que até foi bom porque senão ainda havia problemas pois ainda tínhamos que andar pelo edifício da tesouraria à procura do cofre e o tesoureiro podia apanhar-nos de surpresa.” – contou-nos o Franklin“.

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Artigo publicado no Jornal “O Comércio do Porto” em 1982
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