27 DE OUTUBRO

1966

Neste dia foi inaugurado o edifício escolar com quatro salas de aula e a respectiva Cantina, e também as calçadas nos seguintes locais:

  • A calçada em frente à residência paroquial;
  • A calçada da rua Padre Júlio Pereira Roque;
  • A a calçada da Rua Comandante Afonso Vieira Dionísio;
  • A Aceguia Castelhana
  • A a rua de acesso escola.escolaA cerimónia de inauguração da Escola Nova contou com a presença do Ministro das Obras Públicas, Eng.º Arantes e Oliveira.

Aqui iniciou o nosso percurso escolar. No principio só até à quarta classe, e depois disso, os que pretendiam continuar os estudos saiam para frequentar outros estabelecimentos de ensino. A partir de 1972 os estudos já se prolongavam até à Telescola.

As aulas na Escola Nova

Nas salas de aula, por cima do quadro negro havia um crucifixo e uma fotografia de Salazar e outra de Marcelo Caetano.

Rapazes e raparigas frequentavam salas diferentes, não existiam turmas mistas e o recreio era separado por um muro. As carteiras eram de madeira com os bancos pegados.

Os alunos tinham que usar bata branca, e rezar as habituais orações antes de iniciar a aula. As disciplinas eram a Matemática, Historia, Língua Portuguesa; Geografia, Ciências e Religião e Moral.

Muitas raparigas não iam à escola, porque os pais achavam que não era preciso elas saberem ler e escrever. Elas só precisavam aprender a cuidar da casa, para se serem boas esposas e saber cuidar e educar os filhos.

Era obrigatório saber a tabuada de cor e salteada, e também o nome de todos os rios, serras e estações de linhas de caminhos-de-ferro portugueses, porque se aqui falhasse alguma coisa lá estava aquela pesada régua de madeira a postos para nos arrasar as mãos.

Quando se queria ir à casa-de-banho, pedia-se para “ir lá fora”.

Ninguém escapava ao óleo de fígado de bacalhau, aquela mistela horrível que nos obrigavam a beber e que não sabíamos para que é que servia.

 

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25 de Outubro

1970

O Pároco e a Junta de Freguesia decidiram fazer neste dia as comemorações centenárias do levantamento do Alqueidão da Serra ao plano de Freguesia.

O programa oficial constou do seguinte:

Cerca das 14 horas, o Pároco e entidades oficiais da Freguesia e parte da população, receberam solenemente na Valicova, os excelentíssimos senhores Governador Civil, Bispo Auxiliar, Deputados pelo Circulo, Presidente, Vice-Presidente e Vereadores da Câmara de Porto de Mós, Presidentes dos Municípios de Leiria e Batalha, Presidentes das Juntas de Freguesia e Pároco de Porto de Mós e Reguengo do Fetal, Autoridades Militares e Judiciais e entidades Escolares concelhias e distritais.

Feitos os cumprimentos, organizou-se um extenso cortejo, precedido por dezenas de motoristas e de motociclistas a caminho da sede da Paróquia, em cuja igreja paroquial foi celebrada missa de acção de graças solenizada, com a participação do grupo coral da Freguesia.

Durante esta cerimónia religiosa, celebrada pelo Bispo Auxiliar de Leiria D. Domingos de Pinho Brandão, o celebrante falou sobre o significado exacto destas comemorações, associando-se ao intenso júbilo da população que encheu completamente a igreja.

Daqui, em procissão, foi feita uma visita ao cemitério onde o Senhor D. Domingos voltou a usar da palavra, terminando com piedosos sufrágios em favor de todos os que ali repousam.

Com isto, chegou-se a oportunidade de inaugurar a exposição documental feita na capela da Senhora da Tojeirinha, sob a orientação do Pároco e de Francisco Jorge Furriel. Nela se encontravam muitas peças paleontológicas e arqueológicas encontradas na Freguesia no decorrer dos tempos. Eram objectos diferentes de serventia geral tais como vestuário, alfaias agrícolas, boiças, moedas, armas de defesa e caça, dobadoiras, algumas contas das que se fabricaram no Alqueidão, louça de cozinha, livros, pesos, etc.

E a seguir falou-se um pouco sobre a história do Alqueidão. Num palco armado debaixo do freixo do adro tomaram assento as entidades já referidas. Aí, perante o Povo que pôde assistir, e foi muito, o Pároco abriu a sessão solene, que decorreu sob presidência do Governador Civil, ladeado por D. Domingos de Pinho Brandão e pelo deputado Tomás de Oliveira Dias.

Seguiu-se a inauguração das lápides com os nomes dos filhos, naturais e adoptivos, do Alqueidão que passam a honrar algumas das ruas locais. P.e Júlio Pereira Roque, Comandante Afonso Vieira Dionísio, Fiscal Costa e P.e Manuel Afonso e Silva. Na devida altura os titulares das ruas foram evocados, respectivamente, pelo Rev.º Cónego José Galamba de Oliveira, Alfredo de Matos, Eng.º José Manuel Amado Pereira da Silva e Fernando da Silva Carvalho.

Foram também inauguradas lápides com os nomes de Rua de Porto de Mós e de Rua do Reguengo do Fetal.

Houve, ainda a inauguração da iluminação do adro,  a iluminação do Cruzeiro dos Centenários e a iluminação do Campo de Jogos na Chã.

Na mesma oportunidade inaugurou-se oficialmente a estrada Carreirancha – Bouceiros, cujo alcatroamento chegava nessa altura à Portela Onde Morreu o Cavalo, estando, porém, a terraplanagem acabada até aos Bouceiros.

Procedeu-se por fim à inauguração do monumento que ficou a materializar a memória desta celebração.

Comemoração da Criação da Freguesia

À noite, foi servido um jantar na Cantina Escolar. Participaram nele todos os convidados para as comemorações que mantiveram com o Povo o mais alegre e são convívio.

O Alqueidanense João de Matos (dono da Masal-Matos & Santos, Lda), teve a ideia de mandar cunhar algumas moedas comemorativas, que depois fez distribuir pelos participantes. As moedas consagram e perpetuam no metal o acto solene destas Comemorações.

Medalha Comemorativa 1615-1970

A Radiotelevisão Portuguesa acompanhou o desenrolar das cerimónias e, dias depois, fez passar um pequeno filme, com vários apontamentos da reportagem. Lamentável é que nem o Arquivo da Junta nem Arquivo Paroquial tivessem ficado uma cópia.

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A Central de Alcatrão

Começou a ser construída na curva da Gateira, ao lado direito de quem vai para a Batalha. Já a construção estava bastante avançada quando a população se apercebeu de que a mesma seria para uma futura central de alcatrão.

Um grupo de pessoas que se deslocou à Câmara da Batalha tomou conhecimento de que não existia licença de construção.

A obra não tinha projecto, nem estudo de impacto ambiental, nem licenciamento e estava a ser construída numa zona abrangida pela Rede Natura 2000.

No dia 11 de Setembro de 2003  o Presidente da Câmara Municipal da Batalha procedeu ao embargo da obra, depois de ter recebido algumas denúncias por parte de habitantes do Alqueidão da Serra.

Em 4 de Outubro de 2003 cerca de 300 habitantes do Alqueidão da Serra, entre os quais algumas dezenas de crianças, manifestaram-se junto à obra contra a construção da Central de Asfalto.

“Não, não e não à central de alcatrão”, “Quem nos protege do terrorismo ambiental?”,  “Obra Clandestina, demolição já”, foram algumas das frases que os habitantes do Alqueidão da Serra escreveram em cartazes e gritaram bem alto.

O Presidente da Câmara da Batalha, convidado a prestar esclarecimentos, admitiu pela primeira vez a possibilidade de demolição.

Entretanto os Serviços de fiscalização da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional efectuaram uma fiscalização à obra e informaram que, visto que o local da obra estava inserido na Rede Natura era necessário o parecer vinculativo do Instituto de Conservação da Natureza (ICN).

Jornal O Portomosense 18 de Dezembro de 2003

Jornal O Portomosense 18 de Dezembro de 2003

Os habitantes do Alqueidão da Serra continuavam alerta, dispostos a fazer tudo para que a paisagem verde que os rodeia não se transformasse num estaleiro onde a poluição seria a tónica dominante.

No dia 26 de Outubro de 2003 a população subscreveu um abaixo assinado exigindo a demolição da Central de Asfalto ilegal. Foram recolhidas 600 assinaturas, num universo de 1300 cidadãos residentes, com mais de 18 anos. O abaixo assinado foi entregue em mão ao Sr. Presidente da Câmara Municipal da Batalha, e também ao Secretário de Estado do Ambiente por ocasião da inauguração da ETAR no Juncal, e posteriormente foi também enviado ao ICN.

No dia 7 de Novembro de 2003 o Parque Natural da Serra D’Aire e Candeeiros enviou um Auto de Notícia aos proprietários da Obra, que já tinha sido embargada pela Câmara da Batalha, mas nada disto impediu que fossem feitas novas paredes e colocados os 3 depósitos de gás e outras plataformas de betão e metal.

Jornal O Portomosense 20 de Novembro de 2003

Jornal O Portomosense 20 de Novembro de 2003

Em 2 de Dezembro de 2003 a Acção de Fiscalização da Direcção Regional do Centro do Ministério da Economia verificou que a central de asfalto estava a laborar em situação ilegal e levantou Auto de Notícia.

Jornal de Leiria 15 de Janeiro de 2004

Jornal de Leiria 15 de Janeiro de 2004

Os habitantes do Alqueidão da Serra continuaram a lutar pela demolição da central que iria colocar em risco a qualidade do ar que respiramos.

Em 20 de Dezembro de 2003 subscreveram o iniciaram o envio pelo correio de postais de boas festas endereçados ao Presidente da Câmara da Batalha, ao Presidente do ICN e à Direcção Regional do Centro do Ministério da Ecomomia manifestando a sua repulsa pela construção ilegal da Central de Asfalto.

Foram enviado 1000 postais ilustrados com a fotografia da Central de Asfalto junto à extensa mata de carvalhos (única no País) e com a mensagem “não queremos este presente envenenado”.

Em 2 de Janeiro de 2004 o Presidente da Liga de Protecção da Natureza manifestou total solidariedade aos habitantes do Alqueidão da Serra e autorizou a vinculação da Liga à exigência de demolição da Central de Asfalto e consequente reposição dos carvalhos destruídos com as obras.

Os responsáveis pela obra foram impedidos de trabalhar depois de terem recebido o parecer vinculativo do ICN. Só o tribunal poderia decidir se a obra seria demolida.

A central de alcatrão, embora sem funcionar, continuou de pé até ao verão de 2013, altura em que foi competamente desmantelada.

O Jornal de Leiria, na sua edição de 20 de Fevereiro de 2014 assinalou o desmantelamento da central de alcatrão em Alqueidão da Serra (link abaixo)

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Telescola

A telescola arrancou em Portugal a 6 de Janeiro de 1965, com programação produzida nos estúdios da Radiotelevisão Portuguesa do Monte da Virgem, no Porto.

Os alunos eram acompanhados nos postos de recepção por professores. A intenção era permitir aos alunos, o cumprimento da escolaridade obrigatória, na altura constituída pelos quatro anos da Escola Primária e os dois Ciclo Preparatório.

Nesta época, havia em Portugal cerca de mil alunos matriculados, mas toda a população podia assistir às aulas pela televisão, visto que as emissões ocupavam a programação da tarde da RTP.

A Telescola com o nome de Ciclo Preparatório TV, existiu pela primeira vez na nossa terra em 1968,  com Alvará concedido à Igreja local, e pela mão do Rev.do Sr. padre Américo, o seu principal responsável.

Funcionava na antiga cantina, hoje Centro de Saúde, e na Casa de São José, que naquela altura se chamava “Casa de Trabalho”.

No início os pais pagavam uma espécie de propina. Em 1972 a Telescola foi oficializada, passando totalmente para a responsabilidade do Ministério, e foi-lhe atribuído o Nº 245, a nível nacional. Os professores trabalhavam em regime de meio tempo, e por áreas: Letras e Ciências. Nesta altura a responsável era a Srª.D.Conceição Amado.

Na sessão camarária de 17 de Outubro de 1972, foi lido um ofício do Instituto dos Meios Visuais de Educação, a pedir à Câmara o apoio para o Ciclo Preparatório TV que foi criado nesta Freguesia de Alqueidão da Serra, especialmente no que diz respeito ao fornecimento de energia eléctrica.

Dizia ainda o ofício: “Há necessidade de proceder ao arranjo do respectivo edifício, comprometendo-se o Estado a custear as despesas para as remunerações dos respectivos professores.”

Em 1975, os professores passaram a trabalhar a tempo inteiro. Passou a ser o responsável o Prof. Carlos Vieira.

Prof Carlos

Veio depois a chamar-de de EBM. Ensino Básico Mediatizado. Apostava numa boa formação de professores que promovia, em ter bons alunos, bons materiais de trabalho, e económicos. A sede Nacional era em Vila Nova de Gaia. Os alunos eram sujeitos a avaliações , sempre nacionais, no mínimo duas por período a cada disciplina.

Na década de 80, com a vulgarização dos videogravadores, a telescola deixou de ser transmitida pela televisão, e passaram a ser transmitidos outros programas. 

Na escola as aulas eram apresentadas em videocassetes e tinham depois um complemento de informação apresentado pelo professor.

Prof carlos

Em Em 2001/2002, a nível nacional havia cerca de 5200 alunos inscritos em EBM, com uma taxa de sucesso na ordem dos 90 por cento.

Em julho de 2003 foi anunciado que a partir do ano letivo 2003/2004 iriam começar a ser extintas as escolas do EBM, na altura cerca de 320, dedicadas ao ensino do 5.º e 6.º anos.

A Teslecola do Alqueidão da Serra foi uma das últimas a fechar.

telescola 6º ano Prof Carlos

Telescola – 6º Ano

 

 

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Provérbios

Provérbios são ditados populares que têm um sentido lógico e que são muitas vezes repetidos. Os provérbios são de autores desconhecidos, passam de geração em geração e transmitem conhecimentos sobre a vida. É muito comum ouvirmos provérbios em situações normais do dia a dia. Os mais comuns no Alqueidão da Serra são:

“Quem não trabuca não manduca”

“Baguinho a baguinho enche a galinha o papinho”

“Quem não arrisca não petisca”

“Lua Nova trovejada 30 dias é molhada”

“Em Abril águas mil”

“Março marssagão de manhã inverno e de tarde verão”

“Como vires o 2 e o 3 verás o fim do mês”

“Por São Mateus e São Judas já colhidas estão as uvas”

“As cadelas apressadas parem os cachorros cegos”

“No dia de São Lourenço vai à vinha e enche o lenço”

“Água mole em pedra dura, tanto dá até que fura”

“Fevereiro quente traz o diabo no ventre”

“Quando chove pela Ascenção, até as pedrinhas dão pão”

“Em Janeiro leva o porco ao inchundreiro”

“A chuva de São João, leva o vinho o azeite e o pão”

“No São Martinho vai à adega e prova o vinho”

“Luar de Janeiro não tem parceiro, mas lá virá o de Agosto que lhe dará no rosto”

“Lua com circo trás água no bico”

“As aparências iludem”

“Casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão”

“Mais vale um pássaro na mão do que dois a voar”

“A Cavalo dado não de olha o dente”

“A ocasião faz o ladrão”

“A mentira tem perna a perna curta”

“Gato escaldado de água fria tem medo”

“Cada cabeça, cada sentença”

“Cão que ladra não morde”

“Quem tem boca vai à Roma”

“Deus ajuda quem cedo madruga”

“Casa de ferreiro, espeto de pau”

“O seguro morreu de velho”

“Cada macaco no seu galho”

“Quem tudo quer, tudo perde”

“Devagar se vai ao longe”

“Errar é humano, perdoar é divino”

“Não há rosas sem espinhos”

“Nunca digas: desta água não beberei”

“O barato sai caro”

“Onde há fumo, há fogo”

“Pela boca morre o peixe”

“Quem o feio ama, bonito lhe parece”

“Quem espera sempre alcança”

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