Padre Henrique Antunes Fernandes

O Padre Henrique nasceu no Olival. Chegou ao Alqueidão para substituir o Padre Joaquim Vieira da Rosa, e tomou posse em 23 de Agosto de 1936. 

A Freguesia deve-lhe a reparação da estrada para o Celeiro, além de muita e constante dedicação. Durante o tempo que foi prior do Alqueidão, exerceu o cargo de Vigário da Vara e, durante algum tempo, o de pároco de S. João. Foi ainda professor no Seminário de Leiria, onde a sua passagem ficou brilhantemente assinalada.

O Cruzeiro foi mandado construir pelo Padre Henrique, que se empenhou numa subscrição publica para a construção deste monumento, custou nesse tempo, colocado onde está , 1.380$00 (mil trezentos e oitenta escudos).

Foram muitos os melhoramentos que fez na nossa freguesia, para além de acompanhar as pessoas, orientando-as  no seu desenvolvimento espiritual.

Fundou a associação da Pia União das Filhas de Maria, com um grupo inicial de 28 associadas, no dia 16 de Maio de 1937. Acompanhou e dirigiu o grupo de crianças da Cruzada Eucarística que já existia no Alqueidão .

Padre Henrique e Cruzada Eucaristica1938

Alertado pela Liga dos Homens da Acção Católica, para a situação difícil em que   se encontravam algumas famílias do Alqueidão, o Padre Henrique decidiu fundar a Conferência de São Vicente de Paulo na nossa Freguesia. Era dia 2 de Fevereiro de 1937.

O padre Henrique costumava acompanhar a  oração do terço na Igreja Paroquial, tocando o orgão de tubos que tinha sido oferecido pelo padre Joaquim Vieira da Rosa.

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Esteve ao serviço da paróquia do Alqueidão da Serra com muita dedicação até ser nomeado pároco de Vila Nova de Ourém. O último assento que lavrou, um baptizado, foi a 15 de Novembro de 1950.

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JOC – Juventude Operária Católica

Mira de Aire e Minde foram os maiores centros industriais da região, recebendo por isso muitos imigrantes vindos de várias regiões de Portugal. Actualmente, com a crise no sector têxtil, as fábricas fecharam provocando o desemprego e levando a população a procurar melhores condições de vida, noutros locais.

Na década de 50, muitas raparigas do Alqueidão foram trabalhar para as fábricas em Minde e Mira de Aire, (que nessa altura estavam em plena expansão), para ajudar as suas famílias que viviam exclusivamente do que a terra produzia.

Partiam na segunda-feira de madrugada, a pé pela serra fora com as cestas à cabeça, até ao local de trabalho e lá permaneciam toda a semana. Algumas dessas raparigas tornaram-se militantes da JOC, lutavam pelos direitos dos trabalhadores e apoiavam as mais novas fazendo-as compreender o seu valor tanto ao nível pessoal, como profissional.

A JOC nasceu para dar resposta à situação de sofrimento e exploração que era vivida pelos jovens operários. Foi criada em 1925, na Bélgica, por iniciativa do cardeal Cardijn. A sua implantação em Portugal ocorreu no ano de 1935.

Uma das militantes da JOC que trabalhou na fábrica, foi a ti Celeste Joaninho, a quem o Inocêncio Amado entrevistou em Junho de 1996, e cuja entrevista saiu publicada no nº 26 do Jornal mensal do Alqueidão da Serra, “O Cruzeiro”,  que a seguir se transcreve:

“O mais simples trabalhador vale mais que todo o ouro do mundo

A ti Celeste Joaninho foi militante da JOC (Juventude Operária Católica) nos anos 50. Quase sempre falando no plural esta mulher calma frente à vida e atenta aos problemas do mundo, cedo se apercebeu da importância de lutar pela dignidade da pessoa humana e pela valorização pessoal.

A JOC, movimento internacional fundado em 1925, teve como principal impulsionador um padre belga Joseph Cardijn, hoje considerado o seu fundador.

A Acção deste movimento na formação de jovens operários foi durante muitas décadas a única “escola” de pessoas que aos 14 anos já estavam na fábrica.

Quando lhe pergunto como entrou para a JOC responde como se tivesse acontecido ontem: “Fui a uma festa da Acção Católica em Porto de Mós, no fim da festa chamaram-me à parte e perguntaram-me se eu queria ser a responsável pela venda do jornal da JOC em Mira de Aire. Fiquei muito admirada, eu não conhecia ninguém, mas aceitei logo”.

O grupo que conseguiu reunir à sua volta ganhou algum prestígio junto de patrões e operárias. “O prestígio que tínhamos deve-se ao grupo e não a mim, aliás, a minha motivação era maior pelo facto de saber que não estava sozinha. Conquistámos a confiança dos patrões que nos emprestaram salas para as nossas reuniões. Nós próprios, e os de fora, ficámos admirados com as condições que conseguimos”.

Mas seriam os patrões assim tão compreensivos? Como olhavam eles os operários?

“Com uma grande distância. Mas eles sabiam que nós éramos bem recebidos nas fábricas: a nossa linguagem era uma linguagem diferente daquela a que as pessoas estavam habituadas na altura”.

Nos anos 50, em Portugal, aprender e acreditar que “o mais simples operário vale mais do que todo o ouro da terra” era revolucionário, mas nem tanto. “Embora sentissemos que as coisas deviam mudar, não tínhamos poder reivindicativo, e tínhamos consciência que reivindicar implicava riscos. Depois, na década de 60, a JOC passou a ter mais voz e alguns militantes acabaram na prisão. Mas nos anos 50 a nossa acção era formar o operário no sentido de o fazer descobrir a sua importância, e alertá-lo para outras coisas, como a valorização profissional e a sua dignidade como pessoa. Se os patrões desconfiassem que a nossa acção tinha outros objectivos, cortavam-nos as pernas. Nós só tínhamos aquilo que eles nos queriam dar. Hoje os jovens recebem formação nas escolas, mas nós não tínhamos nada. Tudo o que vinha, era bem vindo”.

Uma pessoa nestas circunstâncias decerto que se aperceberia das condições em que viviam as pessoas na altura, os seus medos, a falta de protecção social…

“Mesmo quando havia descontentamento, o medo era tanto que acabava-se sempre por fazer aquilo que o patrão queria. Nós sabíamos que por vezes havia irregularidades nos descontos, mas não podíamos fazer nada. As pessoas que eram vitimas dessas irregularidades ficavam totalmente desprotegidas em caso de doença. Penso que esta situação existia a nível nacional.”

A militância desta mulher na JOC proporcionou-lhe conhecer pessoalmente o seu fundador, no 25º aniversário da JOC . “O Sr. Cardijn veio a Fátima e oferecemos-lhe uma carpete muito bonita. Nessa ocasião, na minha qualidade de vogal diocesana fui chamada para o conhecer pessoalmente. Tivemos uma reunião, onde estavam a presidente da JOC e mais cinco ou seis pessoas. Ele falava em françês  e havia um tradutor para nós. Depois voltei a vê-lo em Lisboa num congresso. A chegada dele ao congresso foi uma coisa que nunca mais esqueço: impressionou-me e comoveu-me o calor humano com que ele foi recebido. Em relação a Cardijn, não foi propriamente a sua importância como pessoa que me tocou, mas o facto de ver o seu ideal espalhado por todo o mundo”.

O que ficou dessa experiência e como vê a juventude de hoje, fica bem explícito nas últimas palavras da nossa conversa:

“Foi muito importante para mim e continua a sê-lo. Foi uma rica escola de formação que os nossos pais não nos puderam dar. Aprendi a servir com prazer e descobri o significado da verdadeira amizade. Hoje os jovens podem ter tudo, e pessoalmente confio muito na juventude, pois até são mais directos, sinceros e prestáveis que no meu tempo, no entanto falta-lhes qualquer coisa: falta-lhes riqueza humana.”   Inocêncio Amado.

O jornal da JOC,  “O Trabalhador”, que tinha surgido em 1934, foi proibido em 10 de Julho de 1948, acusado de dar guarida a literatura marxista, e o seu director, o Padre Abel Varzim, até então pároco no Bairro Alto em Lisboa foi afastado para a paróquia rural de Cristelo, em Barcelos.

Inicialmente a JOC conheceu um grande protagonismo entre a juventude trabalhadora, mas esta situação modificou-se depois de 25 de Abril de 1974, visto que muitos dos seus militantes passaram a integrar outras organizações.

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Carlos Vieira da Rosa

Carlos Vieira da Rosa nasceu em Alqueidão da Serra no dia 27 de Outubro de 1889. Era filho de José Vieira da Rosa (conhecido cirurgião daquela época) e de Maria de Jesus Alfaiate.

Foi um homem activo e dinâmico, agricultor competente, conhecido por ser um bom produtor de vinhos e um apaixonado apicultor. Era dono da maior casa agrícola da freguesia, e estava sempre muito atento às necessidades dos outros. Tanto ele como a sua esposa Águeda de Jesus Rosa, socorriam e apoiavam todos os necessitados que a eles recorriam.

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No campo religioso, o Sr. Carlos auxiliava os párocos que estavam ao serviço desta paróquia, trabalhava nas coisas da Igreja e dinamizava as obras sociais. Era um homem de  fé. Foi fundador e presidente da JAC, presidente da LAC, da Conferência de São Vicente de Paulo, do Apostolado da Oração e da Liga Eucarística.

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Grupo de homens da Liga Eucarística. O presidente era o Sr. Carlos

No campo político a sua acção esteve patente nas várias funções desempenhadas. Foi Regedor durante muitos anos. Em 1923 foi vogal da Junta de Freguesia, e foi presidente de 02 de Setembro de 1960 até 01 de Dezembro de 1963.

Carlos Vieira da Rosa

O Sr.Carlos Vieira da Rosa, (de blusão à direita) na sua qualidade de Presidente da Junta, acompanha os visitantes e mostra as obras da estrada já iniciada.

No seu tempo de presidente obteve-se a energia eléctrica e a iluminação pública para a freguesia, a escola nova, e graças a ele e a Paulo Amado se abriu a estrada que liga Porto de Mós a Leiria, passando pela sede da nossa freguesia.

Carlos Viera da Rosa desempenhou ainda as funções de Regedor e de juiz da paz. Foi durante longos anos encarregado do Posto de Registo Civil que existia no Alqueidão, e que na sua casa tinha a sede. Aí de faziam os registos dos nascimentos e óbitos, e até os noivos por lá passavam para fazer o registo civil e o cumprimento das formalidades legais, antes da cerimónia do casamento religioso. Dava-lhes sempre bons concelhos e nunca se esquecia de fazer algumas recomendações ao novo casal.

Carlos Vieira da RosaPor ser irmão do grande jornalista que foi Adolfo Vieira da Rosa, tinha acesso fácil às altas esferas do poder, ao parlamento, onde esteve por várias vezes, e privava com o então Ministro da Economia Dr. Rafael Duque, que, em matéria de agricultura, muito ouvia o Sr. Carlos com quem vinha caçar e passar férias.

O  Sr. Carlos era apreciador da boa gastronomia, adorava um bom prato das típicas morcelas, que se faziam em sua casa, e para o que reunia toda a família. Tinha luxo em matar o maior porco. Fazia o melhor abafado e o melhor licor de ginja da região, com os quais brindava com os seus amigos.

Era um conhecido caçador, sempre acompanhado de bons cães de caça que muito estimava.

 Faleceu no dia 13 de Março de 1974. Por sua alma, houve missa de sufrágio no dia 27, na Igreja Paroquial. Ficou sepultado no cemitério do Alqueidão da Serra.

Foi um daqueles grandes homens com os quais se construiu esta terra e este país. Em sua homenagem foi dado o nome de Carlos Vieira da Rosa ao largo que fica em frente à casa onde viveu.

O Alambique do Sr.Carlos, pelas mãos do sobrinho Carlos Vieira Gomes, continuou por muitos anos a produzir a melhor aguardente da região.

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Vindimas

A vindima é a apanha das uvas. Num sentido mais abrangente a vindima engloba todo o período entre a colheita das uvas e o inicio da produção do vinho.

A faina começa no mês de Setembro e prolonga-se até Outubro. Antigamente por esta altura muitas pessoas do Alqueidão saíam para as vindimas para o Bombarral, Torres Vedras, Matacães, etc., e ainda vinham a tempo de cortar as suas próprias uvas e fazer o vinho.

Depois das vinhas vindimadas ainda as crianças lá iam ao rabisco, isto é, procuravam um ou outro cachinho de uvas que por lá tivesse ficado esquecido.

Vindimas

Chamávamos POCEIRÃO aqueles cestos muito grandes para transportar as uvas, e REBOLHO aos cachos de uvas que não se desenvolveram .

Das uvas colhidas separavam-se os cachos grandes e bonitos que se guardavam para sobremesa, e para fazer as penduras (cachos que se penduravam no tecto da casa de fora ou da adega, e com o tempo ficavam uvas passas), as outras eram para fazer vinho. As melhores para este fim eram as da Tojeira, que davam um vinho excelente e com maior grau.

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Depois de transportadas para o lagar, as uvas eram pisadas com os pés. O esmagamento produzia uma mistura de sumo, cascas e bagas a que chamávamos mosto.

Actualmente são muito poucas as pessoas que se dedicam à agricultura, como consequência existem poucas vinhas, e a produção de vinho não tem qualquer expressão.

Odores de Outono

Relembrando um trabalho de Inês Santos e Herlander Laranjeiro, publicado no Jornal mensal do Alqueidão da Serra “O Cruzeiro”, nº 9 de Dezembro de 1994:

“No Alqueidão o mês de Setembro tem um cheiro. É o cheiro da terra seca, dos frutos recém-colhidos e das vindimas. Para alguns, principalmente aqueles que passam com frequência nas imediações da Igreja, o mês de setembro tem mais um aroma: o do engaço. Para estes, os grandes amontoados de matéria perfumada e fumegante já lhe são tão familiares, que não há memória de um Outono sem este quadro. Na verdade há 45 anos que o Alambique do Ti Carlos é o responsável por um dos aspectos mais pitorescos do Alqueidão, não obstante a indiferença com que o hábito nos cega.

O alambique iniciou a sua actividade com o padrinho do Ti Carlos. Aquele empregou o afilhado quando ele contava apenas 8 anos e ao qual veio a legar o alambique. Na altura a afluência dos utentes era grande, e a comissão exigida pelo Ti Carlos era um terço do produto final, o suficiente para compensar o trabalho de acarretar a lenha para a caldeira, carregar os tambores com o engaço e tirá-lo de lá, após os 500 litros de água vaporizada da caldeira terem dali retirado a essência necessária à aguardente. Esta, ainda sob a forma de vapor prossegue por uns tubos que, estando mergulhados em água fria provocam a condensação e deixam pingar o apreciado liquido.

Hoje as dificuldades aumentam porque os 125$00 por litro exigidos como comissão não pagam as dores e o cansaço que o trabalho agudiza. Para somar a isto, a procura é muito menor visto que as vinhas se extinguem e os donos das poucas existentes enviam as uvas para as cooperativas.

Por isso o alambique não sobreviverá a esta geração, e os Alqueidoenses vindouros não conhecerão os amontoados de matéria perfumada e fumegante, nem um dos mais inebriantes cheiros de Setembro.”

Inês Santos e Herlander Laranjeiro

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Pepino de São Gregório

No Alqueidão, antigamente, o Pepino de São Gregório era utilizado para tratar as dores. Friccionava-se a zona afectada com um preparado que se fazia colocando os pequenos pepinos num frasco com álcool, deixando-os ficar por 24 horas e estava ponto para ser utilizado. Este preparado durava muito tempo sem se estragar.

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Estudos recentes comprovam que esta planta tem outras propriedades medicinais, e para além do tratamento das dores ela pode ser usada externamente contra a ciática, reumatismo e nevralgias.

Esta planta que não é comestível, costuma encontrar-se nas bermas de caminhos, muros, e outros locais próximo das habitações. Os seus frutos, quando estão maduros, rebentarem ao mais pequeno toque espirrando o seu líquido para cima de qualquer pessoa mais distraída.

Esse líquido que os pepinos espirram, quando aplicado, uma gota, em cada narina, é remédio santo para tratar a sinusite.

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O Pepino de S. Gregório” cujo nome científico é Ecballium elatrium, tem uso medicinal, mas deve ser utilizada com muito cuidado porque se trata-se de uma planta venenosa e uma sobredosagem pode provocar a morte. Tem um fortíssimo poder purgativo, e possui capacidades abortivas.

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