Tojo

O Tojo é um arbusto que mede cerca de 1 a 3 metros de altura e tem ramos espessos. Chamamos-lhe “mato”. Não sobrevive a temperaturas muito altas, muito baixas ou em terras áridas.

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Este arbusto destaca-se pelas suas flores amarelas que aparecem na primavera. O fruto é uma vagem achatada, preta, densamente peluda que tem dentro 2 a 3 pequenas sementes.

Esta planta tem a particularidade de ser muito resistente aos incêndios uma vez que possui a capacidade de renascer a partir das raízes, após o fogo. As sementes também conseguem  germinar depois da ocorrência de um incêndio.

No Alqueidão da Serra encontramos muitas plantas deste tipo, talvez seja por isso que existem nesta freguesia zonas com o nome de TOJEIRA e TOJEIRINHA.

Antigamente o tojo era utilizado para “cama” dos animais juntamente com outros matos, e também servia de combustível para acender os fornos de cozer o pão.

Atualmente as suas flores amarelas continuam a embelezar os campos na primavera, mas este arbusto já não tem a mesma utilidade que teve noutros tempos.

Tojos e Rosmaninho

Tojo e Rosmaninho

 

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Trovisco

Existem duas plantas diferentes com este nome: O trovisco cujo nome cientifico é Daphne gnidium L, planta altamente tóxica que cresce em qualquer tipo de solo, mas que é mais frequente em solos ácidos e secos, e o Trovisco-macho que tem o seu habitat natural em solos calcários, sendo por isso muito abundante no Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros.

O Trovisco-macho é um arbusto de folhagem persistente, que atinge cerca de 2 metros de altura. A floração ocorre de janeiro a julho. Cresce em áreas secas, tanto em terreno plano como montanhoso e é capaz de resistir longos períodos de seca.

O que diz o Povo

Trovisco junto com Rosmaninho serve para a afastar as cobras. Queima-se um pouco destas plantas em conjunto, e o cheiro é tão forte que as cobras fogem para muito longe.

Com trovisco e moitas fazem-se as vassouras para varrer as eiras.

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Irmã Graça Maria

Andrelina Roque nasceu em Alqueidão da Serra no dia 21 de Março de 1941. É filha de José Pereira Roque de alcunha “Zé Russo” e de Maria de Jesus, mais conhecida por “Maria Alvina” por ser filha da Ti Albina.

A Andrelina frequentou a escola primária no Alqueidão da Serra até terminar a antiga quarta classe. A partir desta altura, o que havia para fazer era ajudar o pai no campo, que era o que também acontecia com as outras raparigas da sua idade.

Mas a Andrelina não gostava de trabalhar no campo, e por isso o seu pai resolveu comprar-lhe uma máquina de costura, e ela foi aprender o ofício de costureira com a Ti Alcina.

Mas isto de ser costureira também não era coisa que lhe agradasse, de maneira que ela também não andava lá muito satisfeita com este novo trabalho.

Entretanto, as irmãs da Andrelina repararam que ela desaparecia por várias horas, sem ninguém saber para onde, e estas saídas misteriosas de certo traziam “água no bico”.

Vieram depois a saber o que estava a acontecer:

A Andrelina escapava-se em segredo para Fátima, para se encontrar com as irmãs dominicanas.

Um dia, ela chegou com um ar muito sério e resolveu contar aos pais que tinha decidido dedicar-se à vida religiosa, e que necessitava do enxoval.

O pai, homem calmo e consciente reagiu bem. A mãe nem por isso! Muito isto lhe custou! Foi sempre muito contrariada que juntou o enxoval para a filha.

No dia 28 de Março de 1967, a Andrelina pediu aos pais que fossem com ela a Fátima. Levava o seu enxoval na mala, e foi nesse dia que entrou para o convento,  na ordem de São Domingos.

José Pereira Roque e sua esposa regressaram ao Alqueidão onde as suas outras filhas os esperavam em casa, juntamente com uma vizinha, na expectativa de saber das novidades. A Maria Alvina gritava inconsolável:

Eu fui enterrar a minha filha!…

– Ó Maria, tem lá calma, foi Deus que a quis chamar. – dizia-lhe o marido.

– Foi Deus o quê?! Para que quer Deus saber dela?!

Entretanto, a Andrelina foi de Fátima para a Casa de S. José, na Quinta do Ramalhão,(actualmente Colégio de São José das Irmãs Dominicanas Portuguesas), onde fez o noviciado sob o duro escrutínio das superioras. Foi um período muito difícil da sua vida de noviça, mas do qual nunca se queixou.

No fim, recebeu o hábito de freira, deixou o seu nome de Baptismo e tornou-se a Irmã Graça Maria de Jesus Roque.

Seguiu depois para o externato S. José, no Restelo onde tirou o curso de educadora de infância.

Irmã Graça Maria com o pai, e também a sua irmã Purificação com o marido e filhos.

Os dois anos seguintes passou-os na Guarda e depois partiu para a ilha da Madeira onde esteve catorze anos numa instituição de raparigas, no Funchal, onde se ocupou da educação de crianças e adolescentes em situação precária, e órfãos.

 Abrigo de Nossa Senhora de Fátima no Funchal em 1983

Depois regressou a Fátima, para se tornar mestre de noviças durante sete anos, após os quais foi enviada para outra instituição de crianças em Portimão.

Mais tarde, um pequeno percurso em Aveiro para trabalhar com idosos e finalmente para Coimbra. Regressou depois a Fátima à Casa das Irmãs Dominicanas Portuguesas onde se encontra actualmente a desempenhar as funções de Madre Superiora.

Em 28 de Março de 2017 a irmã Graça Maria celebrou 50 anos de vida consagrada.

Em ação de graças pelos 50 anos de vida consagrada foi celebrada missa paroquial do Alqueidão da Serra.

No final da missa a Andrelina dirigiu-se aos presentes para agradecer e também para lembrar os seus tempos de infância e juventude passados no Alqueidão da Serra.

Recordou que foi nesta mesma igreja que começou a despertar a sua vocação religiosa, e mostrou-se feliz pelo caminho que escolheu dizendo que se sente 100% realizada como freira dominicana.

 

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Os Expostos da Santa Casa

foto-6x10-bebeAté ao século XIX o termo “criança abandonada” não existia, elas eram conhecidas como “enjeitadas” ou “expostas”.

Na Idade Média, depois de a Europa ter passado pelo flagelo da Peste Negra, a população começou a abandonar os filhos nas ruas, deixando os seus bebés junto de igrejas ou praças. Esta calamidade obrigou a Igreja e a monarquia a tomar medidas de assistências às crianças expostas. Foram então criadas as Casas de Misericórdia que recebiam as crianças expostas, os doentes, os mendigos e os loucos.

No muro da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa havia uma roda na qual a criança era colocada durante a noite da parte de fora do muro, e a pessoa que estava a abandonar o bebé girava a roda de forma que a criança ficasse da parte de dentro desse mesmo muro, e nesse momento puxava a corda de um sino para avisar que uma criança acabou de ser abandonada.

Era nesta altura que aparecia a “rodeira”, pessoa que se responsabilizava pelos primeiros cuidados de higiene e alimentação do exposto.

Logo após a entrada na Santa Casa era ministrado o sacramento do Batismo à criança, e era elaborado um cuidadoso registo onde se indicava o nome e se incluíam pormenores respeitantes a traços fisionómicos e eventuais anomalias, para além de uma descrição minuciosa do vestuário, dos respectivos sinais (bilhetes, medalhas etc), e ainda a identidade do padrinho e da ama responsável pela sua criação na Santa Casa.

As crianças baptizadas por quem as recolhia na roda, tomavam sempre apelidos de origem religiosa, como dos Santos, dos Anjos, ou de Jesus.

Ficavam na Santa Casa até que aparecesse alguém que as quisesse adoptar. Os pais adoptivos assinavam um documento “Termo de Entrega do Exposto”, em que se responsabilizavam pela educação da criança até que ela atingisse a maior idade, e tinham também que lhe ensinar uma profissão que lhe garantisse a subsistência no futuro.

Documento de entrega pela Santa Casa, do Exposto Aparício, a Maria Gomes, em 14 de Fevereiro de 1877. (tipo documento de adopção).

Documento de entrega pela Santa Casa, do Exposto Aparício, a Maria Gomes, em 14 de Fevereiro de 1877.
(tipo documento de adopção).

Algumas pessoas do Alqueidão da Serra foram a Lisboa buscar enjeitados, à criação dos quais se obrigaram mediante um contrato celebrado com a Santa Casa da Misericórdia desta cidade.

Isto era na altura viagem para oito dias: três para lá, três para cá, um para tratar da vida e o oitavo para o começo do regresso.

Mas também havia algumas vantagens.  Quando traziam uma criança já com 10 anos, ela podia ajudar nos trabalhos no campo, e recebiam algum dinheiro mediante o contrato que celebravam com a Santa Casa.

João da Costa Juiz de alcunha “João Boi” e a sua esposa Ana da Silva Guia, criaram 3 filhos e mais 3 crianças que vieram da Santa Casa. Os filhos eram:

  • Maria Filomena Silva que casou com o António Amado “Calça”. ( tiveram 4 filhos: Guilhermina Amado, João Amado, Ermelinda Amado e Adelaide da Silva Amado)
  • Adelaide da Costa que casou com Frederico Augusto Xavier da Cruz (o único filho que tiveram faleceu em criança)
  • Lourenço da Costa  (Não teve filhos).

Os filhos adoptivos (expostos da Santa Casa) eram:

  • O Roma (Joaquim Romano)  (pai de Fernando e António)
  • O Joaquim Jesuita (pai de Ludovina, Ana, Catalão e João)
  • O Zé António

Vidas que iniciaram com o abandono

Aparício dos Santos

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Aparício dos Santos deu entrada na Santa Casa da Misericórdia de Lisboa em 14 de Fevereiro de 1864, e segundo o “Livrete do Exposto ele tinha cor trigueira e olhos castanhos.

Em 14 de Fevereiro de 1877, foi entregue aos cuidados de Maria Gomes, acompanhado de um “Termo de Entrega do Exposto”, onde constavam todas as obrigações a serem observadas e cumpridas até a criança atingir a maior idade.

Aparício cresceu no Alqueidão da Serra, onde casou e constituiu a sua própria família. Teve 3 filhos, o João dos Santos, o Domingos dos Santos e o Manuel dos Santos Aparício.

Emigrou para o Brasil, onde permaneceu durante algum tempo regressando em 7 de julho de 1926.

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Faleceu em Alqueidão da Serra em 29 de Maio de 1955.

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Aparício dos Santos com a esposa Maria de São José Gabriel

Simpliciano dos Santos

Foi criado por uma família do Alqueidão da Serra até à altura em que casou com Iria. Com a idade de 31 anos emigrou para o Brasil. Partiu com destino a Santos/Brasil.

Damascena de Jesus

Nasceu no dia 19 de Junho de 1867, e foi deixada na roda da Santa Casa pelas 10h30  da manhã do dia 20, com os seguintes sinais:

Um bilhete designando-lhe o nome de Cacilda num laço de fita roxa e branca no braço direito. Um cueiro cor castanha, vestido de riscado cor de café guarnecido de espriguilha, touca valenciana e meio lenço de xaile de lã.

Arquivo da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa

Foi batizada no dia 21 de Junho de 1867 com o nome de Damascena, pelo padre João Rafael, e foi padrinho de batismo José Maria Felix.

No dia 11 de Julho de 1867, esta criança foi entregue a Christina da Silva, solteira, residente na freguesia de Alqueidão da Serra.

Damascena de Jesus veio a casar com Manuel Gabriel Ferreira Cecílio e teve 3 filhos: Maria de Jesus (a ti Macena), Rafael Gabriel e Francisco Gabriel.

Faleceu no dia 26 de Agosto de 1958 em Alqueidão da Serra.

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Damascena de Jesus com os seus três filhos

 Romano dos Santos (Roma)

Foi criado por João da Costa Juiz e Ana da Silva Guia e foi pai de Joaquim Romano dos Santos que veio a casar com Joana de Jesus Amado e teve dois filhos: O Fernando que casou com a Preciosa e foi viver para Porto de Mós, e o António que casou com a Clarisse.

Joaquim Jesuíta

Foi criado por João da Costa Juiz e sua esposa Ana da Silva Guia, até à altura em que casou com a Maria Saloia. Tiveram quatro filhos: A ti Lodovina e a ti Ana que viviam numa casa que existia onde actualmente está a Caixa Agrícola, o Catalão e o João que casou a Carma da ti Catrina.

Zeferino dos Santos

Foi criado por uma família do Alqueidão da Serra e trabalhou durante muitos anos na propriedade agrícola do Padre Manuel Afonso e Silva, que ficava no Prazo. Aprendeu a profissão de moleiro. Ele era o dono do velho Moinho da Cabeça. O seu filho Afonso dos Santos (marido da São Queimada), que exerceu a profissão de moleiro tal como o seu pai, comprou um moinho na mesma zona, que posteriormente vendeu ao atual proprietário, o Ti João Moleiro.

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Nunca saberemos quem foram os verdadeiros pais destas crianças, mas a razão pela qual elas foram deixadas na Roda da Santa Casa foi certamente a miséria e a fome, e a esperança de que poderiam vir a ter uma vida melhor se fossem adotadas.

Atualmente são muitos os habitantes de Alqueidão da Serra que descendem destas pessoas cuja existência se iniciou com o abandono, e que foram acolhidas e educadas pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa até à altura em que foram adotadas.

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Rosmaninho

Durante os meses de Primavera e Verão, quando percorremos os caminhos da serra, sentimos o perfume das ervas aromáticas que crescem livremente e se espalham pelos terrenos não cultivados. Podemos encontrar facilmente tomilho (a que chamamos de pimenteira), alecrim, poejo e espécies diferentes de rosmaninho.

Os rosmaninhos são pequenos arbustos lenhosos, que identificamos facilmente pelo aroma que libertam, e pelas espigas cor de violeta que enfeitam o topo.

rosmaninho

rosmaninho

Os rosmaninhos para além de enfeitarem a paisagem também são usados na culinária, mas para isso, é preciso conseguir identificar este ingrediente no campo. Será que as novas gerações de cozinheiros conseguem identificar o rosmaninho no campo (em vez de o comprar no supermercado) e usá-lo como se fazia antigamente?

Rosmaninho1

Outros Benefícios do Rosmaninho

A planta pode ser usada como anti-inflamatório por meio de massagens. É também indicada para limpar o fígado em casos de excessos de bebidas alcoólicas, e no tratamento de bronquite, asma e enxaqueca.

Rosmaninho no penedo da aveia

O Rosmaninho cresce espontaneamente na serra, mas podemos trazê-lo para mais perto das nossas casas. A planta não é muito exigente e não precisa de grandes cuidados. É necessário que seja plantada no local definitivo. Não precisa de muita água nem de nutrientes (a planta é espontânea até em terrenos pobres em nutrientes). A adubação no fim do outono e no inicio da primavera ajuda a estimular o seu crescimento.

A melhor altura para a colheita é quando estiver em flor porque é neste período que o aroma e sabor estão mais intensos.

rosmaninho

rosmaninho

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