Em Portugal as Evocações do Centenário da I Grande Guerra vão decorrer entre 2014 e 2018. Entre muitas outras iniciativas, estão previstos seminários, congressos e colóquios, exposições, publicações etc. O programa será essencialmente cultural, envolvendo as escolas militares e as universidades, com forte intenção de divulgação junto dos jovens.
Cerca de 30 países preparam eventos para marcar este centenário e homenagear as famílias afetadas pela guerra.
O Século XX foi assolado por duas guerras mundiais: 1914-18 e 1939-45, tendo Portugal participado apenas na primeira. Calcula-se que terão perdido a vida cerca de 9.000 portugueses. A tragédia atingiu tamanhas proporções que fez com que, em quase todos os concelhos do País se erguesse um monumento aos que tombaram neste conflito.
Há cem anos, a população de Portugal Continental vivia quase toda no campo, apenas 20% vivia em cidades. Mesmo assim 50% da população habitava em Lisboa e Porto. As restantes cidades não eram mais do que centros rurais.
Na aldeia de Alqueidão da Serra habitavam cerca de 1400 pessoas (segundo o INE), eram na sua grande maioria analfabetos, e dedicavam-se à agricultura e à criação de gado. O presidente da Junta de Freguesia Ezequiel Vieira da Rosa tinha iniciado o seu mandato em 2 de Janeiro de 1914.
Foi a 28 de julho de 1914 que começou a Primeira Guerra Mundial. Portugal entrou quatro meses depois.
O Alqueidão (tal como se verificou também nas outras freguesias de Portugal), viu os seus filhos partir para os campos de batalha. Portugal teve de se bater em duas frentes, a europeia e a africana, e nas duas frentes houve combatentes do Alqueidão.
Faz parte da história da Marinha Mercante Portuguesa o nome do alqueidanense Afonso Vieira Dionísio, comandante do navio “Machico” que efectuou o transporte de reforços de tropas, material de guerra e mantimentos durante a guerra.

Recorte de Ilustração Portugueza, No. 563, December 4 1916 – 20- Via T of Dias que Voam blog. Ilustração Portuguesa
Para que não ficassem esquecidos os seus feitos heróicos, o povo do Alqueidão deu o nome de Afonso Vieira Dionísio à Rua onde se encontra a casa aonde o comandante nasceu.

Combatentes em França
ADRIANO DE MATOS
- Localidade: Alqueidão da Serra
- Patente: Soldado
- Embarque: 10 de Janeiro de 1918
- Regresso: 25 de Agosto de 1918
Mais conhecido por Adrianico, devido ao facto de ter um irmão mais velho com o mesmo nome, nasceu no Alqueidão e faleceu em Casais da Arroteia (S. João da Ribeira – Rio Maior), onde residia, desde cerca de 1926.
- Localidade: Alqueidão da Serra
- Patente: 2º Sargento
- Embarque: 26 de Abril de 1918
- Regresso: 06 de Julho de 1919
Nasceu no Alqueidão em 1890. Por volta do ano de 1893, com seus pais e irmãos, fixou-se em Famalicão da Nazaré. Daqui saiu para Lisboa. Entre outras ocupações, teve a de empregado de farmácia, trabalho que abandonou quando o chamaram para a tropa. Candidatou-se aos exames do primeiro ano da Escola Náutica, mas não consta do resultado que obteve neles, se é que algum fez. Alistando-se na Guarda Nacional Republicana, chegou a 2º Sargento, posto que abandonou para novamente, se dedicar à vida farmacêutica. Em consequência desta decisão, mais tarde, fundou a Farmácia Central de Campolide, de que foi director e proprietário, até ao fim da vida, e que ficou depois a pertencer a um dos seus filhos. Faleceu em Lisboa e jaz no cemitério do Alto de S. João, desta cidade.
ANTÓNIO CARREIRA CEGO
- Localidade: Casais dos Vales
- Patente: Soldado
- Embarque: 20 de Janeiro de 1917
- Regresso: 19 de Julho de 1918
Nascido e criado nos Casais dos Vales, ali terminou seus dias.
ANTÓNIO FRANCISCO
- Localidade: Bouceiros
- Patente: Soldado
- Embarque: 20 de Janeiro de 1917
- Regresso: 05 de Fevereiro de 1919
Também conhecido por António Francisco Pastilha era natural dos Bouceiros. Casou nas Covas Altas.
CUSTÓDIO VIEIRA
- Localidade: Valongo
- Patente: Soldado
- Embarque:
- Regresso:
Era do Valongo e casou nos Bouceiros. Era também conhecido por Custódio Marcelino.
FRANCISCO DOS SANTOS
- Localidade: Alqueidão da Serra
- Patente: Soldado
- Embarque:
- Regresso:
Embora nascido em Alcaria, figura nesta lista porque, desde os sete anos, viveu no Alqueidão, onde constituiu família e de onde se considerava natural. Por muitos anos exerceu o ofício de ferreiro, aprendido com Beltrão dos Santos, que o criou.
JOÃO PEDRO DE CARVALHO
- Localidade: Casal Duro
- Patente: Soldado
- Embarque: 20 de Janeiro de 1917
- Regresso: 09 de Março de 1919
Era natural do Casal Duro. Em 1981 contava 86 anos e ainda se lembrava de que permaneceu em França durante vinte e seis meses (de 1917-1919), na região de Lille.
JOAQUIM PEDRO RIBEIRO JÚNIOR
- Localidade: Casal Duro
- Patente: Soldado
- Embarque: 19 de Janeiro de 1917
- Regresso: 28 de Maio de 1919
Também era natural do Casal Duro e faleceu em 1976.
FRANCISCO VIEIRA DA ROSA
- Localidade: Alqueidão da Serra
- Patente: Soldado
- Embarque: 19 de Janeiro de 1917
- Regresso: 01 de Outubro de 1918
Era natural do Alqueidão, onde casou e viveu. De acordo com “O Mensageiro”, de 25 de Outubro de 1918, sabe-se que regressou de França no inicio de Outubro de 1918, e que “a mocidade festejou com muita alegria o regresso do valente militar, lançando foguetes e saudando-o com entusiasmo”.
JOSÉ CARREIRA
- Localidade: Covão de Oles
- Patente: 1º Cabo
- Embarque: 20 de Janeiro de 1917
- Regresso: 25 de Setembro de 1918
Nasceu no Covão de Oles e também foi conhecido por José Casqueta.
JOSÉ DA COSTA
Nasceu na Carreirancha e foi conhecido por José Golveias. Não chegou a embarcar para França por ter desertado.
MANUEL CORREIA
- Localidade: Covão de Oles
- Patente: Soldado
- Embarque:
- Regresso:
Foi natural do Covão de Oles, povoado que, não obstante a sua pequenez, teve três filhos nas trincheiras da Flandres.
- Localidade: Carreirancha
- Patente: Capelão
- Embarque: 28 de Maio de 1917
- Regresso: 25 de Maio de 1919
Foi Alferes-Capelão. No livro “A Cruz na Guerra” do Padre Dr. Avelino de Figueiredo vem o nome do P.e Manuel Frazão na lista dos Capelães Militares que trabalharam em França.
MANUEL PEDRO
- Localidade: Casal Duro
- Patente: Soldado
- Embarque: 19 de Janeiro de 1917
- Regresso: Não regressou – Faleceu em França em 01 de Março de 1919
Ea do Casal Duro e seus pais chamavam-se Joaquim Pedro e Maria Rosa de Jesus. Assentou praça no antigo Regimento de Infantaria 7, Leiria, e faleceu em França no ano de 1919, quatro dias antes de embarcar para Portugal. Durante a Guerra foi cozinheiro numa das messes de oficiais, apesar de ser carpinteiro de sua profissão. A morte foi provocada por gases que teria apanhado em combate. Presidiu às cerimónias religiosas de seu funeral o Alferes-Capelão, P.e Manuel Frazão. Regista-se a coincidência de uma irmã dele ter casado, precisamente, no dia em que se verificou o seu óbito.
Manuel Pedro ficou sepultado no cemitério em Richebourg l’Avoué no Norte da França.

Manuel Pedro – Posto: soldado – Nº Placa: 1065 – Unid. Territorial: Inf. 1 CEP: Inf. 7 – Causa da Morte: – Data da Morte: 1-3-1919 – Talhão: C – Fila: 11 – Cova: 20

MANUEL VIEIRA PEDRO
- Localidade: Carreirancha
- Patente: Soldado
- Embarque: 20 de Janeiro de 1917
- Regresso: 05 de Fevereiro de 1919
Nascido na Carreirancha. Regressado de França, chegou ao Alqueidão em 5 de Fevereiro de 1919 “tendo sido lançados foguetes em sinal de regozijo”.
Combatente em África
JOAQUIM VIEIRA PATRÃO nasceu na sede desta Freguesia e fez parte do número daqueles valentes que se bateram em África, na legítima defesa daquilo que então era português, por direitos de descobrimento e de acordo com os tratados internacionais.
Integrado no batalhão do regimento de infantaria 23, Joaquim Vieira Patrão embarcou a 3 de Junho de 1914 a bordo do vapor “Moçambique”.
Joaquim Vieira Patrão falava daquela época da sua vida com satisfação e orgulho, dignos de nota. Foi isso que lhe deu, o honroso direito à alcunha pela qual gostava de ser tratado, “Quionga”. Na verdade, ele fez parte do corpo expedicionário português que voltou a incorporar nos domínios portugueses, a zona de Quionga em Moçambique, de que os alemães se haviam apoderado violentamente.
Sempre teve muito orgulho na sua alcunha, mesmo no tempo em a doença o inutilizou para a vida activa. Faleceu na sua terra natal, em cujo cemitério foi sepultado.
Em sua homenagem foi dado o nome de Kionga a uma rua do Alqueidão.
